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Blogs, twitter, orkut e outros buracos
Não estou no “twitter”, não sei o que é o “twitter”, jamais entrarei nesse terreno baldio!$ ^{(C)} !$ e, incrivelmente, tenho 26 mil “seguidores” no “twitter”. Quem me pôs lá? Quem foi o canalha que usou meu nome? Jamais saberei. Vivemos no poço escuro!$ ^{(A)} !$ da web. Ou buscamos a exposição total para ser “celebridade” ou usamos esse anonimato irresponsável com nome dos outros. Tem gente que fala para mim: “Faz um blog, faz um blog!” Logo eu, que já sou um blog vivo, tagarelando na TV, rádio e jornais… Jamais farei um blog, esse nome que parece um coaxar de sapo-boi. Quero o passado. Quero o lápis na orelha do quitandeiro, quero o gato do armazém dormindo no saco de batatas, quero o telefone preto, de disco, que não dá linha, em vez dos gemidinhos dos celulares!$ ^{(D)} !$ incessantes.
Comunicar o quê? Ninguém tem nada a dizer. Olho as opiniões, as discussões “online” e só vejo besteira, frases de 140 caracteres para nada dizer. Vivemos a grande invasão dos lugares-comuns, dos uivos de medíocres ecoando asnices para ocultar sua solidão deprimente.
O que espanta é a velocidade da luz para a lentidão dos pensamentos, uma movimentação “em rede” para raciocínios lineares. A boa e velha burrice continua intocada, agora disfarçada pelo charme da rapidez. Antigamente, os burros eram humildes; se esgueiravam pelos cantos, ouvindo, amargurados, os inteligentes deitando falação. Agora não; é a revolução dos idiotas online.
Quero sossego, mas querem me expandir, esticar meus braços em tentáculos digitais!$ ^{(E)} !$, meus olhos no “google”, (“goggles” – olhos arregalados) em órbitas giratórias, querem que eu seja ubíquo, quando desejo caminhar na condição de pobre bicho bípede; não quero tudo saber, ao contrário, quero esquecer; sinto que estão criando desejos que não tenho, fomes que perdi.
O leitor perguntará: “Por que este ódio todo, bom Jabor?” Claro que acho a revolução digital a coisa mais importante dos séculos. Mas estou com raiva por causa dos textos apócrifos que continuam enfiando na Internet com meu nome.
Já reclamei aqui desses textos, mas tenho de me repetir. Todo dia surge uma nova besteira, com dezenas de e-mails me elogiando pelo que eu “não” fiz. Vou indo pela rua e três senhoras me abordam – “Teu artigo na Internet é genial! Principalmente quando você escreve: ‘As mulheres são tão cheirosinhas; elas fazem biquinho e deitam no teu ombro…’”
“Não fui eu…”, respondo. Elas não ouvem e continuam: “Modéstia sua! Finalmente alguém diz a verdade sobre as mulheres! Mandei isso para mil amigas! Adoraram aquela parte: ‘Tenho horror à mulher perfeitinha!$ ^{(B)} !$. Acho ótimo celulite…’” Repito que não é meu, mas elas (em geral barangas) replicam: “Ah… É teu melhor texto…” – e vão embora, rebolando, felizes.
Sei que a Internet democratiza, dando acesso a todos para se expressar. Mas a democracia também libera a idiotia. Deviam inventar um “antispam” para bobagens.
(JABOR, Arnaldo. In:WWW.estadao.com.br - 3/11/2009 - com adaptações.)
No texto, NÃO tem emprego figurado a expressão:
 

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1353840 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: BIO-RIO
Orgão: Pref. Barra Mansa-RJ
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Texto III
Língua Portuguesa: uma paixão
Eu estava fazendo uma conferência no Rio de Janeiro sobre Álvares de Azevedo, a minha paixão na escola romântica paulista, e lá estava, assistindo à conferência, Carlos Drummond de Andrade, quando um jovem interferiu: - Dona Lygia, a senhora disse que Castro Alves morreu com 24 anos, Álvares de Azevedo com 21, Fagundes Varela, completamente em convulsões, delirium tremens e tal, com 33 anos, Gonçalves Dias, o indianista extraordinário, esse um pouco mais velho, aos 42 ou 43 anos, num naufrágio; e sem esquecer Casimiro de Abreu: “Ai que saudades que eu tenho da aurora da minha vida...”
Então, o rapaz perguntou: - A senhora não está exagerando? - Eu disse: - Exagerando como, meu jovem? Isso é a própria conferência que eu estou fazendo no Rio de Janeiro. Ele disse: Mas, dona Lygia, todos eles morreram assim novinhos? A senhora não está dando um pouco de ênfase excessiva? – Dei uma risada e respondi: - Eu lamento, mas morreram todos com essa idade assim, mais ou menos jovensíssimos, como diria Mário de Andrade em relação ao Azevedo, esse, então, morreu virgem – 21 anos: - Era virgem – dizia Mário de Andrade, e eu acredito.
Carlos Drummond achou muita graça naquela intervenção desse moço e, quando terminou a conferência, ele me disse: - Lygia, eu vou dar um nome para essa escola: “a escola do morrer cedo”. Beleza! Não é? Só um poeta poderia dar um nome tão lindo para a escola romântica. Então, voltando, “a escola do morrer cedo”, o romantismo, antes, esses poetas. Em seguida, vem a escola parnasiana, eram os poetas mais bem penteados, a gravata no lugar, mais limpinhos, mais arrumados. Escola parnasiana – Olavo Bilac. Assim, dizia eu que, quando era muito menina, li esse soneto de Olavo Bilac: “Última flor do Lácio inculta e bela, que é, a um só tempo, esplendor e sepultura...”, e fiquei impressionada. Então, a língua na qual eu vou escrever (já tinha minhas ambições, eu teria 10, 12 anos, por aí) é esta língua, esplendor e sepultura? Vou escrever numa língua que é sepultura? Fiquei muito impressionada e fui falar com o meu pai, meu pai tinha que resolver as questões todas.
- Papai, que negócio é esse, então, essa língua...? Por que você com mamãe não foram ter esta pobre menina na França, na Inglaterra? Eu escreveria em francês, escreveria... – Olha a colonizada! Menina colonizada! Eu queria era a língua do Primeiro Mundo. Meu pai disse: - Minha filha, se você chegar a escrever bem um dia, e eu espero que sim (os pais têm tanta confiança na gente, não é?) não precisa ser francês, alemão, espanhol. Você ficará na nossa língua mesmo. – Mas esplendor e sepultura, papai? – É isso mesmo. Vai dormir, vai fazer sua lição e chega. – Meu pai encerrava as coisas também assim. Pronto.
Muito tempo depois, estava eu na Faculdade de Direito, já estudante, já escrevendo os meus primeiros contos, quando voltei ao soneto de Bilac, porém voltei com uma outra força e com uma outra interpretação: é que eu estava gostando da minha língua, estava gostando desta língua portuguesa. Estava me apaixonando por ela, enquanto escrevia meus textos, pelos quais me apaixonava. Eu escrevia com paixão. Língua portuguesa – uma paixão! Eu escrevia com paixão. Relendo esse soneto de Olavo Bilac, deparei com o verso que me turbilhonou, completamente: “Última flor do Lácio inculta e bela, que é, a um só tempo, esplendor e sepultura”. Em seguida: “Amo-te assim, desconhecida e obscura”. Aí comecei a chorar, porque achei aquilo tão belo. Amo-te assim, exatamente, a língua desconhecida e obscura. Obscura! Meu pai não vivia mais, pra eu lhe fazer essas confissões. Me apaixonei pela língua, e nesta paixão e, com esta paixão, estou vivendo até hoje. Me perguntam, às vezes: - Se você não pudesse mais escrever, você morreria? – Eu respondo: - Não morreria, mas ficaria tão triste, que seria como se tivesse morrido.
(TELLES, Lygia Fagundes. Palestra proferida na sede do Centro de Integração Empresa-Escola de São Paulo, 31/03/1999 – fragmento.)
Lygia Fagundes Telles faz referência a duas diferentes abordagens do poema de Bilac. Sobre a atividade de compreensão de textos nos manuais didáticos, Luiz Antônio Marcuschi afirma que “os exercícios de compreensão constituem a evidência mais clara da perspectiva impositiva da escola. Ali os textos dão impressão de serem monossemânticos e os sentidos únicos.” Essa perspectiva considera a leitura uma atividade que envolve exclusivamente:
 

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1353026 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: BIO-RIO
Orgão: Pref. Barra Mansa-RJ
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TEXTO V
Aula de português
A linguagem
na ponta da língua,
tão fácil de falar
e de entender.
A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?
Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, equipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, seqüestram-me.
Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a prima.
O português são dois; o outro, mistério.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. In: WWW.portalsãofrancisco.com.br)
A norma gramatical admite dupla possibilidade de concordância verbal na seguinte frase:
 

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1352579 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: BIO-RIO
Orgão: Pref. Barra Mansa-RJ
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TEXTO I
Despetalando a flor do Lácio
“Despetalando” está correto, tenho praticamente certeza. Não acredito que um filólogo desalmado tenha resolvido que aí vai um hífen. Não, não vai, não é despetalar. “Flor” e “Lácio” continuam, uma sem acento, outro com acento. Portanto, cem por cento em meu primeiro título na ortografia nova, brilhei mais uma vez. Isso, contudo, não me aplaca o nervosismo. Deve ser a idade, porque já encarei algumas reformas ortográficas nesta curta existência e me saí satisfatoriamente, mesmo no tempo em que a gente tinha que grafar “tôda” com circunflexo, para distinguir de “toda”, que ninguém sabia o que era, embora, no ver de alguns, fosse uma ave amazônica pouco sociável, ou, segundo outros, uma exortação obscena de origem xavante. Acho que esse ponto nunca será esclarecido (de qualquer forma, cartas de esclarecimento para o editor, por caridade) e constituirá mais uma das graves interrogações sem cujas respostas minha geração deixará este mundo.
Quando me peguei lendo, a maior parte da livrama de meu pai era na orthographia antiga e havia livros portugueses com suas próprias normas. Apesar de leitor fominha que, mesmo sem entender nada, traçava o que aparecesse, levei semanas para compreender que “augmentar” era “aumentar”. Mas me acostumei e sempre transitei bem nessa área, para alguma coisa eu tinha que levar jeito. Chefiei redação no tempo da abolição do acento diferencial e dedicava grande parte do meu tempo a explicar que, de então em diante, não se escreveria “voce”, mas “você” mesmo, como sempre. Foi difícil, muito mais difícil do que qualquer um imaginaria, tratando-se de gente instruída e, em muitos casos, talentosa.
Uma amiga minha sustenta que tudo vem de trauma da infância e eu tendo a concordar com ela. Sei de traumas profundos, carregados por amigos meus sob o jugo – o que, graças a Deus, não foi meu caso – de professores de português dogmáticos e caturras, que entupiam todos de regras quase impenetráveis e só podiam com isso instilar ódio e temor pela língua e pelo que nela é escrito. Para muitos, livros são dolorosas memórias de torturas.
E as reformas sempre levam alguma coisa com elas. Já haviam feito isso com o K, o W e o Y, agora reabilitados, se bem que nunca de fato o povo os haja banido, aí estando o Kílo, o Waldir e o Ruy, que não me deixam mentir e nem ao menos caíram na clandestinidade, mas continuaram a circular com grande liberdade. Levaram a indicação da subtônica também, aquela que, por exemplo, marcava com acento grave palavras como “precàriamente” e mostrava a existência subtônica (“cà”). Mas, segundo eu soube, nem precisamos (precisamos, sim), nem temos condição de exigir que as subtônicas se pronunciem, tudo bem, não estamos à altura.
Por mim, tenho trauma do trema. Ontem me disseram que fui visto com o olhar distante, em frente a este monitor, sacudindo lentamente a cabeça e murmurando “não me conformo, não me conformo”. Não me recordo disso, pode perfeitamente ser uma invencionice, mais uma das anedotas apócrifas que contam sobre nós, celebridades internacionais. Mas a verdade é que não me conformo não somente com a saída do trema e suas temíveis consequências (em breve alguém lerá aí “consekências”, assim como chegará o dia em que um simpático alemão que veio morar no Brasil nos perguntará, com sotaque ainda carregado, onde poderá comprar “linghiças”, raio de língua difícil, depois reclamam do alemão). Não posso igualmente aceitar a maneira sem-cerimoniosa com que ele foi humilhantemente defenestrado, depois de tanto tempo de serviços prestados. Expulso sem nem um relógio folheado a ouro de lembrança, uma plaquinha sequer.
(RIBEIRO, João Ubaldo. Jornal “O Globo”, p. 7, 04/01/90)
Na frase constituirá mais uma das graves interrogações sem cujas respostas minha geração deixará este mundo, o pronome relativo foi empregado de forma padrão. Com relação a essa estrutura sintática, apresenta-se como exemplo de emprego variável típico da língua oral o item:
 

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1352080 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: BIO-RIO
Orgão: Pref. Barra Mansa-RJ
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TEXTO I
Despetalando a flor do Lácio
“Despetalando” está correto, tenho praticamente certeza. Não acredito que um filólogo desalmado tenha resolvido que aí vai um hífen. Não, não vai, não é despetalar. “Flor” e “Lácio” continuam, uma sem acento, outro com acento. Portanto, cem por cento em meu primeiro título na ortografia nova, brilhei mais uma vez. Isso, contudo, não me aplaca o nervosismo. Deve ser a idade, porque já encarei algumas reformas ortográficas nesta curta existência e me saí satisfatoriamente, mesmo no tempo em que a gente tinha que grafar “tôda” com circunflexo, para distinguir de “toda”, que ninguém sabia o que era, embora, no ver de alguns, fosse uma ave amazônica pouco sociável, ou, segundo outros, uma exortação obscena de origem xavante. Acho que esse ponto nunca será esclarecido (de qualquer forma, cartas de esclarecimento para o editor, por caridade) e constituirá mais uma das graves interrogações sem cujas respostas minha geração deixará este mundo.
Quando me peguei lendo, a maior parte da livrama de meu pai era na orthographia antiga e havia livros portugueses com suas próprias normas. Apesar de leitor fominha que, mesmo sem entender nada, traçava o que aparecesse, levei semanas para compreender que “augmentar” era “aumentar”. Mas me acostumei e sempre transitei bem nessa área, para alguma coisa eu tinha que levar jeito. Chefiei redação no tempo da abolição do acento diferencial e dedicava grande parte do meu tempo a explicar que, de então em diante, não se escreveria “voce”, mas “você” mesmo, como sempre. Foi difícil, muito mais difícil do que qualquer um imaginaria, tratando-se de gente instruída e, em muitos casos, talentosa.
Uma amiga minha sustenta que tudo vem de trauma da infância e eu tendo a concordar com ela. Sei de traumas profundos, carregados por amigos meus sob o jugo – o que, graças a Deus, não foi meu caso – de professores de português dogmáticos e caturras, que entupiam todos de regras quase impenetráveis e só podiam com isso instilar ódio e temor pela língua e pelo que nela é escrito. Para muitos, livros são dolorosas memórias de torturas.
E as reformas sempre levam alguma coisa com elas. Já haviam feito isso com o K, o W e o Y, agora reabilitados, se bem que nunca de fato o povo os haja banido, aí estando o Kílo, o Waldir e o Ruy, que não me deixam mentir e nem ao menos caíram na clandestinidade, mas continuaram a circular com grande liberdade. Levaram a indicação da subtônica também, aquela que, por exemplo, marcava com acento grave palavras como “precàriamente” e mostrava a existência subtônica (“cà”). Mas, segundo eu soube, nem precisamos (precisamos, sim), nem temos condição de exigir que as subtônicas se pronunciem, tudo bem, não estamos à altura.
Por mim, tenho trauma do trema. Ontem me disseram que fui visto com o olhar distante, em frente a este monitor, sacudindo lentamente a cabeça e murmurando “não me conformo, não me conformo”. Não me recordo disso, pode perfeitamente ser uma invencionice, mais uma das anedotas apócrifas que contam sobre nós, celebridades internacionais. Mas a verdade é que não me conformo não somente com a saída do trema e suas temíveis consequências (em breve alguém lerá aí “consekências”, assim como chegará o dia em que um simpático alemão que veio morar no Brasil nos perguntará, com sotaque ainda carregado, onde poderá comprar “linghiças”, raio de língua difícil, depois reclamam do alemão). Não posso igualmente aceitar a maneira sem-cerimoniosa com que ele foi humilhantemente defenestrado, depois de tanto tempo de serviços prestados. Expulso sem nem um relógio folheado a ouro de lembrança, uma plaquinha sequer.
(RIBEIRO, João Ubaldo. Jornal “O Globo”, p. 7, 04/01/90)
TEXTO II
Minha pátria é a lingua portuguesa
Não chóro por nada que a vida traga ou leve. Há porém paginas de prosa me teem feito chorar. Lembrome, como do que estou vendo, da noute em que, ainda creança, li pela primeira vez numa selecta, o passo celebre de Vieira sobre o Rei Salomão, "Fabricou Salomão um palacio..." E fui lendo, até ao fim, tremulo, confuso; depois rompi em lagrimas felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquelle movimento hieratico da nossa clara lingua majestosa, aquelle exprimir das idéas nas palavras inevitaveis, correr de agua porque ha declive, aquelle assombro vocalico em que os sons são cores ideaes - tudo isso me toldou de instincto como uma grande emoção politica. E, disse, chorei; hoje, relembrando, ainda chóro. Não é - não - a saudade da infancia, de que não tenho saudades: é a saudade da emoção d'aquelle momento, a magua de não poder já ler pela primeira vez aquella grande certeza symphonica.
Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria é a lingua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente. Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio que sinto, não quem escreve mal portuguez, não quem não sabe syntaxe, não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escripta, como pessoa própria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a orthographia sem ípsilon, como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
Sim, porque a orthographia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-m'a do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.
(SOARES, Bernardo /Fernando Pessoa. http://pt.wikisource.org)
Ao apresentar os textos I e II em sala de aula, o professor poderá conduzir os alunos a refletir sobre língua e usos sociais, levando-os a concluir adequadamente que:
 

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Blogs, twitter, orkut e outros buracos
Não estou no “twitter”, não sei o que é o “twitter”, jamais entrarei nesse terreno baldio e, incrivelmente, tenho 26 mil “seguidores” no “twitter”. Quem me pôs lá? Quem foi o canalha que usou meu nome? Jamais saberei. Vivemos no poço escuro da web. Ou buscamos a exposição total para ser “celebridade” ou usamos esse anonimato irresponsável com nome dos outros. Tem gente que fala para mim: “Faz um blog, faz um blog!” Logo eu, que já sou um blog vivo, tagarelando na TV, rádio e jornais… Jamais farei um blog, esse nome que parece um coaxar de sapo-boi. Quero o passado. Quero o lápis na orelha do quitandeiro, quero o gato do armazém dormindo no saco de batatas, quero o telefone preto, de disco, que não dá linha, em vez dos gemidinhos dos celulares incessantes.
Comunicar o quê? Ninguém tem nada a dizer. Olho as opiniões, as discussões “online” e só vejo besteira, frases de 140 caracteres para nada dizer. Vivemos a grande invasão dos lugares-comuns, dos uivos de medíocres ecoando asnices para ocultar sua solidão deprimente.
O que espanta é a velocidade da luz para a lentidão dos pensamentos, uma movimentação “em rede” para raciocínios lineares. A boa e velha burrice continua intocada, agora disfarçada pelo charme da rapidez. Antigamente, os burros eram humildes; se esgueiravam pelos cantos, ouvindo, amargurados, os inteligentes deitando falação. Agora não; é a revolução dos idiotas online.
Quero sossego, mas querem me expandir, esticar meus braços em tentáculos digitais, meus olhos no “google”, (“goggles” – olhos arregalados) em órbitas giratórias, querem que eu seja ubíquo, quando desejo caminhar na condição de pobre bicho bípede; não quero tudo saber, ao contrário, quero esquecer; sinto que estão criando desejos que não tenho, fomes que perdi.
O leitor perguntará: “Por que este ódio todo, bom Jabor?” Claro que acho a revolução digital a coisa mais importante dos séculos. Mas estou com raiva por causa dos textos apócrifos que continuam enfiando na Internet com meu nome.
Já reclamei aqui desses textos, mas tenho de me repetir. Todo dia surge uma nova besteira, com dezenas de e-mails me elogiando pelo que eu “não” fiz. Vou indo pela rua e três senhoras me abordam – “Teu artigo na Internet é genial! Principalmente quando você escreve: ‘As mulheres são tão cheirosinhas; elas fazem biquinho e deitam no teu ombro…’”
“Não fui eu…”, respondo. Elas não ouvem e continuam: “Modéstia sua! Finalmente alguém diz a verdade sobre as mulheres! Mandei isso para mil amigas! Adoraram aquela parte: ‘Tenho horror à mulher perfeitinha. Acho ótimo celulite…’” Repito que não é meu, mas elas (em geral barangas) replicam: “Ah… É teu melhor texto…” – e vão embora, rebolando, felizes.
Sei que a Internet democratiza, dando acesso a todos para se expressar. Mas a democracia também libera a idiotia. Deviam inventar um “antispam” para bobagens.
(JABOR, Arnaldo. In:WWW.estadao.com.br - 3/11/2009 - com adaptações.)
Segundo a norma culta escrita, há ERRO quanto à colocação pronominal na frase:
 

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1350683 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: BIO-RIO
Orgão: Pref. Barra Mansa-RJ
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TEXTO V
Aula de português
A linguagem
na ponta da língua,
tão fácil de falar
e de entender.
A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?
Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, equipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, seqüestram-me.
Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a prima.
O português são dois; o outro, mistério.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. In: WWW.portalsãofrancisco.com.br)
Assinale a alternativa que nomeia a figura de linguagem presente na terceira estrofe do texto V:
 

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1350364 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: BIO-RIO
Orgão: Pref. Barra Mansa-RJ
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TEXTO IV
Idioma e identidade nacional
Na era contemporânea adotamos do francês milhares – sim, milhares – de termos consagrados do dia-a- dia, como paletó, boné, telefone. Do chinês, nanquim, chá, tufão. Do malaio, bule, junco, orangotango. Do persa, azul, berinjela, caravana, divã, chalé, gaze, laranja, paraíso, quiosque, taça. Do espanhol, entre muitas, aficionado, avançar, amolar. Do italiano usamos afresco, agüentar, baronesa, boletim, canalha, empresa, gazeta, soneto. Do japonês, a quem demos também nossa contribuição, registrada aqui pelo nosso ministro Rafael Greca, herdamos biombo, gueixa, leque, samurai, quimono e tatame – muitos vocábulos da culinária. Do inglês, principalmente via Estados Unidos, têm vindo contribuições que nos enriquecem o vocabulário e empobrecem o patrimônio: debênture, dumping, cheque, truste, warrant (temos até o verbo warrantar...), royalty (esta compreensivamente mais usada no plural, royalties) etc.
O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa recém-incorporou a palavra manager, aqui traduzida como empresário, administrador, gerente. No caso particular desta expressão, é bom lembrar que os colonizadores sempre introduzem no vernáculo palavras definidoras da hierarquia. Os tupis, que falavam tuxaua e morubixaba, aprenderam, com os portugueses, a dizer senhor, dom, capitão-mor, registrando a nova hierarquia que se impunha. Quem sabe a substituição da palavra gerente ou administrador também seja um sinal dos tempos, da nova hierarquia que a globalização estabelece?
A língua também se renova em virtude de alterações na estrutura econômica e organização social, assim como por influência das novas gerações. Já não usamos desquecido por aborrecido, delirar por afastar-se, desviver por morrer, nem dizemos chofer (e muito menos o alternativo cinesíforo), mas motorista; usamos segurança e não guarda-costa ou capanga ou jagunço; táxi em vez de carro de praça; avião em lugar de aeroplano; pose e não mais chapa; filme, não fita. Mais um pouco e estas e outras expressões ou palavras como televisor, aparelho de som (que as lojas chamam de system), serão vetustos arcaicos. Garagem perdeu o sentido de oficina mecânica para ser, exclusivamente, o lugar onde se guardam carros e, pelo andar da carruagem, será substituída por vaga. "As palavras aposentam-se", disse Machado de Assis. A língua é, portanto, viva e mudável. Os grandes escritores que lustraram o português acolheram e difundiram novidades. Graciliano Ramos, um mestre do vernáculo, usa, no romance Angústia, as palavras bureau, smoking, limousine, todas sublinhadas para demonstrar o estrangeirismo. Mesmo Castro Alves, na minha modesta opinião o maior poeta do Brasil, rei das epígrafes em francês e latim, utiliza, em Espumas Flutuantes, embora excepcionalmente, hatchiz — talvez uma forma de haxixe importada do francês haschisch.
Mas é hora de retomar antigas cruzadas e pelejar num movimento nacional para exaltação e defesa da língua portuguesa.
(REBELO, Aldo. www2.camara.gov.br - fragmento)
A palavra recém-incorporou representa um uso variável no português brasileiro porque:
 

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Não estou no “twitter”, não sei o que é o “twitter”, jamais entrarei nesse terreno baldio e, incrivelmente, tenho 26 mil “seguidores” no “twitter”. Quem me pôs lá? Quem foi o canalha que usou meu nome? Jamais saberei. Vivemos no poço escuro da web. Ou buscamos a exposição total para ser “celebridade” ou usamos esse anonimato irresponsável com nome dos outros. Tem gente que fala para mim: “Faz um blog, faz um blog!” Logo eu, que já sou um blog vivo, tagarelando na TV, rádio e jornais… Jamais farei um blog, esse nome que parece um coaxar de sapo-boi. Quero o passado. Quero o lápis na orelha do quitandeiro, quero o gato do armazém dormindo no saco de batatas, quero o telefone preto, de disco, que não dá linha, em vez dos gemidinhos dos celulares incessantes.
Comunicar o quê? Ninguém tem nada a dizer. Olho as opiniões, as discussões “online” e só vejo besteira, frases de 140 caracteres para nada dizer. Vivemos a grande invasão dos lugares-comuns, dos uivos de medíocres ecoando asnices para ocultar sua solidão deprimente.
O que espanta é a velocidade da luz para a lentidão dos pensamentos, uma movimentação “em rede” para raciocínios lineares. A boa e velha burrice continua intocada, agora disfarçada pelo charme da rapidez. Antigamente, os burros eram humildes; se esgueiravam pelos cantos, ouvindo, amargurados, os inteligentes deitando falação. Agora não; é a revolução dos idiotas online.
Quero sossego, mas querem me expandir, esticar meus braços em tentáculos digitais, meus olhos no “google”, (“goggles” – olhos arregalados) em órbitas giratórias, querem que eu seja ubíquo, quando desejo caminhar na condição de pobre bicho bípede; não quero tudo saber, ao contrário, quero esquecer; sinto que estão criando desejos que não tenho, fomes que perdi.
O leitor perguntará: “Por que este ódio todo, bom Jabor?” Claro que acho a revolução digital a coisa mais importante dos séculos. Mas estou com raiva por causa dos textos apócrifos que continuam enfiando na Internet com meu nome.
Já reclamei aqui desses textos, mas tenho de me repetir. Todo dia surge uma nova besteira, com dezenas de e-mails me elogiando pelo que eu “não” fiz. Vou indo pela rua e três senhoras me abordam – “Teu artigo na Internet é genial! Principalmente quando você escreve: ‘As mulheres são tão cheirosinhas; elas fazem biquinho e deitam no teu ombro…’”
“Não fui eu…”, respondo. Elas não ouvem e continuam: “Modéstia sua! Finalmente alguém diz a verdade sobre as mulheres! Mandei isso para mil amigas! Adoraram aquela parte: ‘Tenho horror à mulher perfeitinha. Acho ótimo celulite…’” Repito que não é meu, mas elas (em geral barangas) replicam: “Ah… É teu melhor texto…” – e vão embora, rebolando, felizes.
Sei que a Internet democratiza, dando acesso a todos para se expressar. Mas a democracia também libera a idiotia. Deviam inventar um “antispam” para bobagens.
(JABOR, Arnaldo. In:WWW.estadao.com.br - 3/11/2009 - com adaptações.)
Na frase mas tenho de me repetir., a regência verbal está de acordo com as normas gramaticais. Marque a opção em que a regência CONTRARIA essas normas:
 

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Não estou no “twitter”, não sei o que é o “twitter”, jamais entrarei nesse terreno baldio e, incrivelmente, tenho 26 mil “seguidores” no “twitter”. Quem me pôs lá? Quem foi o canalha que usou meu nome? Jamais saberei. Vivemos no poço escuro da web. Ou buscamos a exposição total para ser “celebridade” ou usamos esse anonimato irresponsável com nome dos outros. Tem gente que fala para mim: “Faz um blog, faz um blog!” Logo eu, que já sou um blog vivo, tagarelando na TV, rádio e jornais… Jamais farei um blog, esse nome que parece um coaxar de sapo-boi. Quero o passado. Quero o lápis na orelha do quitandeiro, quero o gato do armazém dormindo no saco de batatas, quero o telefone preto, de disco, que não dá linha, em vez dos gemidinhos dos celulares incessantes.
Comunicar o quê? Ninguém tem nada a dizer. Olho as opiniões, as discussões “online” e só vejo besteira, frases de 140 caracteres para nada dizer. Vivemos a grande invasão dos lugares-comuns, dos uivos de medíocres ecoando asnices para ocultar sua solidão deprimente.
O que espanta é a velocidade da luz para a lentidão dos pensamentos, uma movimentação “em rede” para raciocínios lineares. A boa e velha burrice continua intocada, agora disfarçada pelo charme da rapidez. Antigamente, os burros eram humildes; se esgueiravam pelos cantos, ouvindo, amargurados, os inteligentes deitando falação. Agora não; é a revolução dos idiotas online.
Quero sossego, mas querem me expandir, esticar meus braços em tentáculos digitais, meus olhos no “google”, (“goggles” – olhos arregalados) em órbitas giratórias, querem que eu seja ubíquo, quando desejo caminhar na condição de pobre bicho bípede; não quero tudo saber, ao contrário, quero esquecer; sinto que estão criando desejos que não tenho, fomes que perdi.
O leitor perguntará: “Por que este ódio todo, bom Jabor?” Claro que acho a revolução digital a coisa mais importante dos séculos. Mas estou com raiva por causa dos textos apócrifos que continuam enfiando na Internet com meu nome.
Já reclamei aqui desses textos, mas tenho de me repetir. Todo dia surge uma nova besteira, com dezenas de e-mails me elogiando pelo que eu “não” fiz. Vou indo pela rua e três senhoras me abordam – “Teu artigo na Internet é genial! Principalmente quando você escreve: ‘As mulheres são tão cheirosinhas; elas fazem biquinho e deitam no teu ombro…’”
“Não fui eu…”, respondo. Elas não ouvem e continuam: “Modéstia sua! Finalmente alguém diz a verdade sobre as mulheres! Mandei isso para mil amigas! Adoraram aquela parte: ‘Tenho horror à mulher perfeitinha. Acho ótimo celulite…’” Repito que não é meu, mas elas (em geral barangas) replicam: “Ah… É teu melhor texto…” – e vão embora, rebolando, felizes.
Sei que a Internet democratiza, dando acesso a todos para se expressar. Mas a democracia também libera a idiotia. Deviam inventar um “antispam” para bobagens.
(JABOR, Arnaldo. In:WWW.estadao.com.br - 3/11/2009 - com adaptações.)
No texto, o segmento entre parênteses no sexto parágrafo tem função de:
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