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Foram encontradas 30 questões.

4272088 Ano: 2026
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: AGATA
Orgão: Pref. Barcarena-PA
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Leia o texto abaixo para a questão:


“[…] Quando chegaram ao Igarapé, enquanto as senhoras cuidavam da roupa, Anita e suas colegas adentraram o mato à procura de flores silvestres. E nesta brincadeira demoraram algum tempo.

E ato contínuo subiu o Igarapé até a cabeceira. Ali arremedando um ritual, levantou as flores silvestres em atitude de oferenda.

— Mãe d'Água, trouxe-lhe estas flores como presente...

Dizendo isto, jogou-as no Igarapé. As flores acompanharam a correnteza, e as mocinhas - agora apenas Anita e sua irmã - seguiram-nas. Na brincadeira, correndo sempre pelo leito do Igarapé, Anita acabou caindo.

Neste trecho, a corrente um pouco mais forte obrigou Anita a se debater com as águas, até conseguir acocorar-se. As senhoras, que a tudo assistiram, mandaram que saísse imediatamente de dentro d'água.

Ao levantar-se, parou. E permaneceu estática. Olhava, sem conseguir tirar a vista, para um determinado ponto do Igarapé. Ali estava uma cobra coral, vermelha, com os traços brancos e pretos como todas as cobras corais, só que, em cima da cabeça, ela tinha... uma cruz branca!

[…] as senhoras chamaram a atenção das mocinhas para não brincarem da maneira que haviam feito.

— A gente não deve nunca mexer com estas coisas. Cada lugar tem seu dono e, se a gente respeita, está tudo bem.

Mas, se irritá-los, eles podem muito bem malinar. Tu, Anita, não tinhas nada que estar com aquela história de aniversário da Mãe d'Água do Igarapé. E ainda vai se pôr a dar flores, fazendo graça. Queira Deus nada te aconteça...! Aquela cobra coral com a cruz branca na cabeça bem pode ser um aviso.

[…]

Mas Anita não respondeu. Ela já não se sentia bem, o corpo parecia que estava ardendo. E estava mesmo. Ao chegar em casa, tanto ela como a irmã estavam com febre alta […]

(Fonte: MONTEIRO, Walcyr. A Mãe d’água do Igarapé de São Joaquim. In: Visagens e Assombrações de Belém, Belém: Editota Paka Tatu 2007)

O fragmento textual apresentado caracteriza-se como parte de uma obra da literatura regional amazônica, porque
 

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4272022 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: AGATA
Orgão: Pref. Barcarena-PA
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Leia o texto abaixo para responder à questão.


O Bicho


Vi ontem um bicho

Na imundície do pátio

Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,

Não examinava nem cheirava:

Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,

Não era um gato,

Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

(BANDEIRA, Manuel. Belo belo. Rio de Janeiro: José Olympio, 1948)



Observe o emprego dos artigos em “um bicho” (1º verso da 1ª estrofe) e “O bicho” (7º verso da 1ª estrofe e no único verso da 2ª estrofe). A alternância entre “um” e “o” contribui para
 

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4272021 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: AGATA
Orgão: Pref. Barcarena-PA
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Leia o texto abaixo para responder à questão.


O Bicho


Vi ontem um bicho

Na imundície do pátio

Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,

Não examinava nem cheirava:

Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,

Não era um gato,

Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

(BANDEIRA, Manuel. Belo belo. Rio de Janeiro: José Olympio, 1948)



Considerando uma análise Pragmática do poema, com foco na intenção do sujeito lírico e nos efeitos causados no leitor, avalie as assertivas abaixo:
I. Ao demonstrar que “o bicho” era um ser humano faminto e excluído, o sujeito lírico denuncia as condições de sofrimento e desumanidade da miséria.
II. A estratégia discursiva do sujeito lírico ao longo do poema promove a interpretação da cena da fome extrema apenas como uma parte do cotidiano.
III. A identificação final do “bicho” evidencia o espanto do sujeito lírico diante da descoberta e provoca no leitor compaixão pela terrível condição social dos famintos e excluídos.
IV. O poema parece ter a função de chocar o leitor sobre a situação das pessoas relegadas à miséria, para isso coloca o homem na condição de um animal faminto qualquer.
Selecione a alternativa correta.
 

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4272020 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: AGATA
Orgão: Pref. Barcarena-PA
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Leia o texto abaixo para a questão:


“[…] Quando chegaram ao Igarapé, enquanto as senhoras cuidavam da roupa, Anita e suas colegas adentraram o mato à procura de flores silvestres. E nesta brincadeira demoraram algum tempo.

E ato contínuo subiu o Igarapé até a cabeceira. Ali arremedando um ritual, levantou as flores silvestres em atitude de oferenda.

— Mãe d'Água, trouxe-lhe estas flores como presente...

Dizendo isto, jogou-as no Igarapé. As flores acompanharam a correnteza, e as mocinhas - agora apenas Anita e sua irmã - seguiram-nas. Na brincadeira, correndo sempre pelo leito do Igarapé, Anita acabou caindo.

Neste trecho, a corrente um pouco mais forte obrigou Anita a se debater com as águas, até conseguir acocorar-se. As senhoras, que a tudo assistiram, mandaram que saísse imediatamente de dentro d'água.

Ao levantar-se, parou. E permaneceu estática. Olhava, sem conseguir tirar a vista, para um determinado ponto do Igarapé. Ali estava uma cobra coral, vermelha, com os traços brancos e pretos como todas as cobras corais, só que, em cima da cabeça, ela tinha... uma cruz branca!

[…] as senhoras chamaram a atenção das mocinhas para não brincarem da maneira que haviam feito.

— A gente não deve nunca mexer com estas coisas. Cada lugar tem seu dono e, se a gente respeita, está tudo bem.

Mas, se irritá-los, eles podem muito bem malinar. Tu, Anita, não tinhas nada que estar com aquela história de aniversário da Mãe d'Água do Igarapé. E ainda vai se pôr a dar flores, fazendo graça. Queira Deus nada te aconteça...! Aquela cobra coral com a cruz branca na cabeça bem pode ser um aviso.

[…]

Mas Anita não respondeu. Ela já não se sentia bem, o corpo parecia que estava ardendo. E estava mesmo. Ao chegar em casa, tanto ela como a irmã estavam com febre alta […]

(Fonte: MONTEIRO, Walcyr. A Mãe d’água do Igarapé de São Joaquim. In: Visagens e Assombrações de Belém, Belém: Editota Paka Tatu 2007)

Considere o trecho: “Ela já não se sentia bem, o corpo parecia que estava ardendo. E estava mesmo. Ao chegar em casa, tanto ela como a irmã estavam com febre alta […]”. O emprego dos pontos para isolar a oração “E estava mesmo” tem como efeito principal
 

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4272019 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: AGATA
Orgão: Pref. Barcarena-PA
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Leia o texto abaixo para a questão:


“[…] Quando chegaram ao Igarapé, enquanto as senhoras cuidavam da roupa, Anita e suas colegas adentraram o mato à procura de flores silvestres. E nesta brincadeira demoraram algum tempo.

E ato contínuo subiu o Igarapé até a cabeceira. Ali arremedando um ritual, levantou as flores silvestres em atitude de oferenda.

— Mãe d'Água, trouxe-lhe estas flores como presente...

Dizendo isto, jogou-as no Igarapé. As flores acompanharam a correnteza, e as mocinhas - agora apenas Anita e sua irmã - seguiram-nas. Na brincadeira, correndo sempre pelo leito do Igarapé, Anita acabou caindo.

Neste trecho, a corrente um pouco mais forte obrigou Anita a se debater com as águas, até conseguir acocorar-se. As senhoras, que a tudo assistiram, mandaram que saísse imediatamente de dentro d'água.

Ao levantar-se, parou. E permaneceu estática. Olhava, sem conseguir tirar a vista, para um determinado ponto do Igarapé. Ali estava uma cobra coral, vermelha, com os traços brancos e pretos como todas as cobras corais, só que, em cima da cabeça, ela tinha... uma cruz branca!

[…] as senhoras chamaram a atenção das mocinhas para não brincarem da maneira que haviam feito.

— A gente não deve nunca mexer com estas coisas. Cada lugar tem seu dono e, se a gente respeita, está tudo bem.

Mas, se irritá-los, eles podem muito bem malinar. Tu, Anita, não tinhas nada que estar com aquela história de aniversário da Mãe d'Água do Igarapé. E ainda vai se pôr a dar flores, fazendo graça. Queira Deus nada te aconteça...! Aquela cobra coral com a cruz branca na cabeça bem pode ser um aviso.

[…]

Mas Anita não respondeu. Ela já não se sentia bem, o corpo parecia que estava ardendo. E estava mesmo. Ao chegar em casa, tanto ela como a irmã estavam com febre alta […]

(Fonte: MONTEIRO, Walcyr. A Mãe d’água do Igarapé de São Joaquim. In: Visagens e Assombrações de Belém, Belém: Editota Paka Tatu 2007)

Observe atentamente o fragmento: “Ali estava uma cobra coral, vermelha, com os traços brancos e pretos como todas as cobras corais, só que, em cima da cabeça, ela tinha... uma cruz branca!”. Na descrição da cobra, predomina qual função de linguagem?
 

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4272018 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: AGATA
Orgão: Pref. Barcarena-PA
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Leia o texto abaixo para a questão:


“[…] Quando chegaram ao Igarapé, enquanto as senhoras cuidavam da roupa, Anita e suas colegas adentraram o mato à procura de flores silvestres. E nesta brincadeira demoraram algum tempo.

E ato contínuo subiu o Igarapé até a cabeceira. Ali arremedando um ritual, levantou as flores silvestres em atitude de oferenda.

— Mãe d'Água, trouxe-lhe estas flores como presente...

Dizendo isto, jogou-as no Igarapé. As flores acompanharam a correnteza, e as mocinhas - agora apenas Anita e sua irmã - seguiram-nas. Na brincadeira, correndo sempre pelo leito do Igarapé, Anita acabou caindo.

Neste trecho, a corrente um pouco mais forte obrigou Anita a se debater com as águas, até conseguir acocorar-se. As senhoras, que a tudo assistiram, mandaram que saísse imediatamente de dentro d'água.

Ao levantar-se, parou. E permaneceu estática. Olhava, sem conseguir tirar a vista, para um determinado ponto do Igarapé. Ali estava uma cobra coral, vermelha, com os traços brancos e pretos como todas as cobras corais, só que, em cima da cabeça, ela tinha... uma cruz branca!

[…] as senhoras chamaram a atenção das mocinhas para não brincarem da maneira que haviam feito.

— A gente não deve nunca mexer com estas coisas. Cada lugar tem seu dono e, se a gente respeita, está tudo bem.

Mas, se irritá-los, eles podem muito bem malinar. Tu, Anita, não tinhas nada que estar com aquela história de aniversário da Mãe d'Água do Igarapé. E ainda vai se pôr a dar flores, fazendo graça. Queira Deus nada te aconteça...! Aquela cobra coral com a cruz branca na cabeça bem pode ser um aviso.

[…]

Mas Anita não respondeu. Ela já não se sentia bem, o corpo parecia que estava ardendo. E estava mesmo. Ao chegar em casa, tanto ela como a irmã estavam com febre alta […]

(Fonte: MONTEIRO, Walcyr. A Mãe d’água do Igarapé de São Joaquim. In: Visagens e Assombrações de Belém, Belém: Editota Paka Tatu 2007)

Analise o excerto: “— A gente não deve nunca mexer com estas coisas. Cada lugar tem seu dono e, se a gente respeita, está tudo bem”. A expressão estas coisas contribui para a coesão textual, porque
 

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4272017 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: AGATA
Orgão: Pref. Barcarena-PA
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Enunciado 4649458-1
(BECK, Alexandre. Armandinho. Disponível em: https://tirasarmandinho.tumblr.com/. Acesso em: 05 de julho, 2026.)
A tirinha é um gênero textual multimodal que aborda temas cotidianos, apresenta críticas sociais e reflexões ou cria efeito cômico. Nesse sentido, na tirinha do Armandinho, o humor decorre principalmente de
 

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4272016 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: AGATA
Orgão: Pref. Barcarena-PA
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Para a questão, leia atentamente o texto a seguir: 


“Sua casa ficava para trás da Serra do Mim, quase no meio de um brejo de água limpa, lugar chamado o Temor-deDeus. O Pai, pequeno sitiante, lidava com vacas e arroz; a Mãe, urucuiana, nunca tirava o terço da mão, mesmo quando matando galinhas ou passando descompostura em alguém. E ela, menininha, por nome Maria, Nhinhinha dita, nascera já muito para miúda, cabeçudota e com olhos enormes.


Não que parecesse olhar ou enxergar de propósito. Parava quieta, não queria bruxas de pano, brinquedo nenhum, sempre sentadinha onde se achasse, pouco se mexia. – “Ninguém entende muita coisa que ela fala...” – dizia o Pai, com certo espanto. Menos pela estranhez das palavras, pois só em raro ela perguntava, por exemplo: - “Ele xurugou?” – e, vai ver, quem e o quê, jamais se saberia. Mas, pelo esquisito do juízo ou enfeitado do sentido. Com riso imprevisto: - “Tatu não vê a lua...” – ela falasse. Ou referia estórias, absurdas, vagas, tudo muito curto: da abelha que se voou para uma nuvem; de uma porção de meninas e meninos sentados a uma mesa de doces, comprida, comprida, por tempo que nem se acabava; ou da precisão de se fazer lista das coisas todas que no dia por dia a gente vem perdendo. Só a pura vida.


Em geral, porém, Nhinhinha, com seus nem quatro anos, não incomodava ninguém, e não se fazia notada, a não ser pela perfeita calma, imobilidade e silêncios. Nem parecia gostar ou desgostar especialmente de coisa ou pessoa nenhuma. Botavam para ela a comida, ela continuava sentada, o prato de folha no colo, comia logo a carne ou o ovo, os torresmos, o do que fosse mais gostoso e atraente, e ia consumindo depois o resto, feijão, angu, ou arroz, abóbora, com artística lentidão. De vê-la tão perpétua e imperturbada, a gente se assustava de repente. – “Nhinhinha, que é que você está fazendo?” – perguntava-se. E ela respondia, alongada, sorrida, moduladamente: - “Eu... to-u... fa-a-zendo”. Fazia vácuos. Seria mesmo seu tanto tolinha?


Nada a intimidava. Ouvia o Pai querendo que a Mãe coasse um café forte, e comentava, se sorrindo: - “Menino pidão... Menino pidão...” Costumava também dirigir-se à Mãe desse jeito: - “Menina grande... Menina grande...” Com isso Pai e Mãe davam de zangar-se. Em vão. Nhinhinha murmurava só: - “Deixa... Deixa...” – suasibilíssima, inábil como uma flor. O mesmo dizia quando vinham chamá-la para qualquer novidade, dessas de entusiasmar adultos e crianças. Não se importava com os acontecimentos. Tranqüila, mas viçosa em saúde. Ninguém tinha real poder sobre ela, não se sabiam suas preferências. Como puni-la? E, baterlhe, não ousassem; nem havia motivo. Mas, o respeito que tinha por Mãe e Pai, parecia mais uma engraças espécie de tolerância. E Nhinhinha gostava de mim. [...]”


(Adaptado de ROSA, João Guimarães. A Menina de Lá. In: Primeiras Estórias. Rio de Janeiro: José Olympio, 1962)

Nos fragmentos “Com riso imprevisto: - “Tatu não vê a lua...” – ela falasse” e “E ela respondia, alongada, sorrida, moduladamente: - “Eu... to-u... fa-a-zendo”. Fazia vácuos.”, as expressões selecionadas contribuem para:
 

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4272015 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: AGATA
Orgão: Pref. Barcarena-PA
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Para a questão, leia atentamente o texto a seguir: 


“Sua casa ficava para trás da Serra do Mim, quase no meio de um brejo de água limpa, lugar chamado o Temor-deDeus. O Pai, pequeno sitiante, lidava com vacas e arroz; a Mãe, urucuiana, nunca tirava o terço da mão, mesmo quando matando galinhas ou passando descompostura em alguém. E ela, menininha, por nome Maria, Nhinhinha dita, nascera já muito para miúda, cabeçudota e com olhos enormes.


Não que parecesse olhar ou enxergar de propósito. Parava quieta, não queria bruxas de pano, brinquedo nenhum, sempre sentadinha onde se achasse, pouco se mexia. – “Ninguém entende muita coisa que ela fala...” – dizia o Pai, com certo espanto. Menos pela estranhez das palavras, pois só em raro ela perguntava, por exemplo: - “Ele xurugou?” – e, vai ver, quem e o quê, jamais se saberia. Mas, pelo esquisito do juízo ou enfeitado do sentido. Com riso imprevisto: - “Tatu não vê a lua...” – ela falasse. Ou referia estórias, absurdas, vagas, tudo muito curto: da abelha que se voou para uma nuvem; de uma porção de meninas e meninos sentados a uma mesa de doces, comprida, comprida, por tempo que nem se acabava; ou da precisão de se fazer lista das coisas todas que no dia por dia a gente vem perdendo. Só a pura vida.


Em geral, porém, Nhinhinha, com seus nem quatro anos, não incomodava ninguém, e não se fazia notada, a não ser pela perfeita calma, imobilidade e silêncios. Nem parecia gostar ou desgostar especialmente de coisa ou pessoa nenhuma. Botavam para ela a comida, ela continuava sentada, o prato de folha no colo, comia logo a carne ou o ovo, os torresmos, o do que fosse mais gostoso e atraente, e ia consumindo depois o resto, feijão, angu, ou arroz, abóbora, com artística lentidão. De vê-la tão perpétua e imperturbada, a gente se assustava de repente. – “Nhinhinha, que é que você está fazendo?” – perguntava-se. E ela respondia, alongada, sorrida, moduladamente: - “Eu... to-u... fa-a-zendo”. Fazia vácuos. Seria mesmo seu tanto tolinha?


Nada a intimidava. Ouvia o Pai querendo que a Mãe coasse um café forte, e comentava, se sorrindo: - “Menino pidão... Menino pidão...” Costumava também dirigir-se à Mãe desse jeito: - “Menina grande... Menina grande...” Com isso Pai e Mãe davam de zangar-se. Em vão. Nhinhinha murmurava só: - “Deixa... Deixa...” – suasibilíssima, inábil como uma flor. O mesmo dizia quando vinham chamá-la para qualquer novidade, dessas de entusiasmar adultos e crianças. Não se importava com os acontecimentos. Tranqüila, mas viçosa em saúde. Ninguém tinha real poder sobre ela, não se sabiam suas preferências. Como puni-la? E, baterlhe, não ousassem; nem havia motivo. Mas, o respeito que tinha por Mãe e Pai, parecia mais uma engraças espécie de tolerância. E Nhinhinha gostava de mim. [...]”


(Adaptado de ROSA, João Guimarães. A Menina de Lá. In: Primeiras Estórias. Rio de Janeiro: José Olympio, 1962)

Com base no fragmento “Sua casa ficava para trás da Serra do Mim, quase no meio de um brejo de água limpa, lugar chamado o Temor-de-Deus. O Pai, pequeno sitiante, lidava com vacas e arroz; a Mãe, urucuiana, nunca tirava o terço da mão, mesmo quando matando galinhas ou passando descompostura em alguém”, analise as afirmativas abaixo e, em seguida, selecione a alternativa correta, considerando V como verdadeira e F como falsa.
I. O fragmento caracteriza os pais de Ninhinha a partir da descrição dos seus modos de vida, trabalho e costume religioso.
II. Há ênfase apenas na descrição dos atributos físicos do pai da personagem.
III. A menção a viver com terço na mão caracteriza a mãe de Ninhinha como uma personagem cuja religiosidade não está integrada ao cotidiano.
IV. A caracterização do espaço evidencia que a família vive em um ambiente rural e isolado, típico da vida sertaneja.
 

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4272014 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: AGATA
Orgão: Pref. Barcarena-PA
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Para a questão, leia atentamente o texto a seguir: 


“Sua casa ficava para trás da Serra do Mim, quase no meio de um brejo de água limpa, lugar chamado o Temor-deDeus. O Pai, pequeno sitiante, lidava com vacas e arroz; a Mãe, urucuiana, nunca tirava o terço da mão, mesmo quando matando galinhas ou passando descompostura em alguém. E ela, menininha, por nome Maria, Nhinhinha dita, nascera já muito para miúda, cabeçudota e com olhos enormes.


Não que parecesse olhar ou enxergar de propósito. Parava quieta, não queria bruxas de pano, brinquedo nenhum, sempre sentadinha onde se achasse, pouco se mexia. – “Ninguém entende muita coisa que ela fala...” – dizia o Pai, com certo espanto. Menos pela estranhez das palavras, pois só em raro ela perguntava, por exemplo: - “Ele xurugou?” – e, vai ver, quem e o quê, jamais se saberia. Mas, pelo esquisito do juízo ou enfeitado do sentido. Com riso imprevisto: - “Tatu não vê a lua...” – ela falasse. Ou referia estórias, absurdas, vagas, tudo muito curto: da abelha que se voou para uma nuvem; de uma porção de meninas e meninos sentados a uma mesa de doces, comprida, comprida, por tempo que nem se acabava; ou da precisão de se fazer lista das coisas todas que no dia por dia a gente vem perdendo. Só a pura vida.


Em geral, porém, Nhinhinha, com seus nem quatro anos, não incomodava ninguém, e não se fazia notada, a não ser pela perfeita calma, imobilidade e silêncios. Nem parecia gostar ou desgostar especialmente de coisa ou pessoa nenhuma. Botavam para ela a comida, ela continuava sentada, o prato de folha no colo, comia logo a carne ou o ovo, os torresmos, o do que fosse mais gostoso e atraente, e ia consumindo depois o resto, feijão, angu, ou arroz, abóbora, com artística lentidão. De vê-la tão perpétua e imperturbada, a gente se assustava de repente. – “Nhinhinha, que é que você está fazendo?” – perguntava-se. E ela respondia, alongada, sorrida, moduladamente: - “Eu... to-u... fa-a-zendo”. Fazia vácuos. Seria mesmo seu tanto tolinha?


Nada a intimidava. Ouvia o Pai querendo que a Mãe coasse um café forte, e comentava, se sorrindo: - “Menino pidão... Menino pidão...” Costumava também dirigir-se à Mãe desse jeito: - “Menina grande... Menina grande...” Com isso Pai e Mãe davam de zangar-se. Em vão. Nhinhinha murmurava só: - “Deixa... Deixa...” – suasibilíssima, inábil como uma flor. O mesmo dizia quando vinham chamá-la para qualquer novidade, dessas de entusiasmar adultos e crianças. Não se importava com os acontecimentos. Tranqüila, mas viçosa em saúde. Ninguém tinha real poder sobre ela, não se sabiam suas preferências. Como puni-la? E, baterlhe, não ousassem; nem havia motivo. Mas, o respeito que tinha por Mãe e Pai, parecia mais uma engraças espécie de tolerância. E Nhinhinha gostava de mim. [...]”


(Adaptado de ROSA, João Guimarães. A Menina de Lá. In: Primeiras Estórias. Rio de Janeiro: José Olympio, 1962)

Sobre a personagem principal do conto de Guimarães Rosa, sua caracterização é feita a partir da combinação de estratégias descritivas diversas que, articuladas, produzem um certo estranhamento. Considerando as informações apresentadas sobre Maria Ninhinha, assinale a alternativa que expressa a descrição privilegiada pelo narrador.
 

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