Foram encontradas 40 questões.
- Tecnologias Educacionais
- Temas Educacionais PedagógicosProcesso de Ensino e Aprendizagem
- Mídias, Comunicação e Tecnologias na Educação
- As Tecnologias da Comunicação e Informação nas Práticas Educativas
Leia:
O universo da comunicação vem se ampliando com maior dinamismo, nos últimos anos, para atender à demanda de seus usuários, nas mais diferentes situações de interatividade. Nele estamos inseridos, exercitando nossa linguagem oral e escrita, até mesmo na área digital. Por isso, necessitamos sempre assimilar novos conhecimentos e expressá-los com objetividade e competência.
A construção do pensamento — e sua exposição de forma clara e persuasiva — constitui um dos objetivos mais perseguidos por todo aquele que almeja sucesso na vida profissional e, muitas vezes, pessoal. É evidente que a interlocução comunicativa permite o entendimento, proporciona o intercâmbio de ideias e nos faz refletir e argumentar com maior propriedade em defesa de nossos direitos e deveres como cidadãos.
L. L. Sarmentto. Oficina de redação. 5.ª ed. São Paulo: Moderna, 2016, p. 3 (com adaptações).
Sobre o uso das tecnologias digitais na área educacional, é correto afirmar que estas
O universo da comunicação vem se ampliando com maior dinamismo, nos últimos anos, para atender à demanda de seus usuários, nas mais diferentes situações de interatividade. Nele estamos inseridos, exercitando nossa linguagem oral e escrita, até mesmo na área digital. Por isso, necessitamos sempre assimilar novos conhecimentos e expressá-los com objetividade e competência.
A construção do pensamento — e sua exposição de forma clara e persuasiva — constitui um dos objetivos mais perseguidos por todo aquele que almeja sucesso na vida profissional e, muitas vezes, pessoal. É evidente que a interlocução comunicativa permite o entendimento, proporciona o intercâmbio de ideias e nos faz refletir e argumentar com maior propriedade em defesa de nossos direitos e deveres como cidadãos.
L. L. Sarmentto. Oficina de redação. 5.ª ed. São Paulo: Moderna, 2016, p. 3 (com adaptações).
Sobre o uso das tecnologias digitais na área educacional, é correto afirmar que estas
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Leia o texto abaixo:
Tirinhas e charges constroem o seu efeito humorístico muitas vezes pela combinação da parte verbal com a parte não verbal e, por isso, mostram-se como modalidades discursivas válidas em sala de aula. Sobre o texto acima, pode-se notar como estratégia de exemplificação linguística:
Tirinhas e charges constroem o seu efeito humorístico muitas vezes pela combinação da parte verbal com a parte não verbal e, por isso, mostram-se como modalidades discursivas válidas em sala de aula. Sobre o texto acima, pode-se notar como estratégia de exemplificação linguística:
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TEXTO III (Leia o texto abaixo a fim de responder
corretamente à questão)
Quando indaguei a alguns escritores de sucesso que manuais
de estilo tinham consultado durante seu aprendizado, a resposta mais comum foi “nenhum”. Disseram que escrever,
para eles, aconteceu naturalmente. Eu seria o último dos
mortais a duvidar que os bons escritores foram abençoados
com uma dose inata de fluência mais sintaxe e memória para
as palavras. Ninguém nasceu com competência para redigir.
Essa competência pode não se ter originado nos manuais de
estilo, mas deve ter vindo de algum lugar.
Esse algum lugar é a escrita de outros escritores. Bons
escritores são leitores ávidos. Assimilaram um grande
inventário de palavras, expressões idiomáticas, construções,
tropos e truques retóricos e, com eles, a sensibilidade para o
modo como se combinam ou se repelem. Essa é a ardilosa
“sensibilidade” de um escritor hábil — o tácito sentido de estilo
que os manuais de estilo honestos admitem ser impossível
ensinar explicitamente. Os biógrafos dos grandes autores
sempre tentam rastrear os livros que seus personagens leram
na juventude, porque sabem que essas fontes escondem o
segredo de seu aperfeiçoamento como escritores.
O ponto de partida para alguém tornar-se um bom escritor é
ser um bom leitor. Os escritores adquirem sua técnica
identificando, saboreando e aplicando engenharia reversa em
exemplos de boa prosa.
Steven Pinker. Guia de escrita: como conceber um texto com clareza, precisão e elegância.
Trad. Rodolfo Ilari. São Paulo: Contexto, 2016, p. 23-4 (com adaptações).
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TEXTO III (Leia o texto abaixo a fim de responder
corretamente à questão)
Quando indaguei a alguns escritores de sucesso que manuais
de estilo tinham consultado durante seu aprendizado, a resposta mais comum foi “nenhum”. Disseram que escrever,
para eles, aconteceu naturalmente. Eu seria o último dos
mortais a duvidar que os bons escritores foram abençoados
com uma dose inata de fluência mais sintaxe e memória para
as palavras. Ninguém nasceu com competência para redigir.
Essa competência pode não se ter originado nos manuais de
estilo, mas deve ter vindo de algum lugar.
Esse algum lugar é a escrita de outros escritores. Bons
escritores são leitores ávidos. Assimilaram um grande
inventário de palavras, expressões idiomáticas, construções,
tropos e truques retóricos e, com eles, a sensibilidade para o
modo como se combinam ou se repelem. Essa é a ardilosa
“sensibilidade” de um escritor hábil — o tácito sentido de estilo
que os manuais de estilo honestos admitem ser impossível
ensinar explicitamente. Os biógrafos dos grandes autores
sempre tentam rastrear os livros que seus personagens leram
na juventude, porque sabem que essas fontes escondem o
segredo de seu aperfeiçoamento como escritores.
O ponto de partida para alguém tornar-se um bom escritor é
ser um bom leitor. Os escritores adquirem sua técnica
identificando, saboreando e aplicando engenharia reversa em
exemplos de boa prosa.
Steven Pinker. Guia de escrita: como conceber um texto com clareza, precisão e elegância.
Trad. Rodolfo Ilari. São Paulo: Contexto, 2016, p. 23-4 (com adaptações).
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TEXTO II
Qualquer língua, escrita ou não, tem uma gramática que é complexa. Do ponto de vista naturalista, não faz sentido afirmar que há gramáticas melhores e gramáticas piores. Não é certo, por exemplo, dizer que a gramática que produz “Os meninos saíram” é melhor do que a que produz “Os menino saiu”. Ambas as frases cumprem a sua função, que é transmitir um certo conteúdo. São duas maneiras de chegar ao mesmo lugar. São duas gramáticas distintas, uma em que a pluralidade é marcada em todos os termos da oração, outra em que o plural aparece marcado apenas no artigo.
Mas esses dois modos de falar não são avaliados socialmente da mesma maneira. O valor social de cada um deles é muito diferente. Aquele que fala “Os menino saiu” não sabe falar, diz a voz que define qual variedade está correta. Só que há línguas, como o inglês, em que o plural só ocorre em um dos termos: The tall boys left (tradução literal possível, desconsiderada a marca de plural: O alto meninos saiu). É claro que a gramática do inglês não é a mesma gramática do português, mas o nosso ponto é que o plural só está em um lugar na oração do inglês e isso não recebe uma avaliação negativa. No português do dia a dia, é possível marcar o plural em apenas um dos elementos, mas isso é avaliado negativamente.
Roberta Pires de Oliveira e Sandra Quarezemin. Gramáticas na escola. Petrópolis: Vozes, 2016, p. 44 (com adaptações).
A partir da exposição das ideias do texto II, é correto afirmar que:
Qualquer língua, escrita ou não, tem uma gramática que é complexa. Do ponto de vista naturalista, não faz sentido afirmar que há gramáticas melhores e gramáticas piores. Não é certo, por exemplo, dizer que a gramática que produz “Os meninos saíram” é melhor do que a que produz “Os menino saiu”. Ambas as frases cumprem a sua função, que é transmitir um certo conteúdo. São duas maneiras de chegar ao mesmo lugar. São duas gramáticas distintas, uma em que a pluralidade é marcada em todos os termos da oração, outra em que o plural aparece marcado apenas no artigo.
Mas esses dois modos de falar não são avaliados socialmente da mesma maneira. O valor social de cada um deles é muito diferente. Aquele que fala “Os menino saiu” não sabe falar, diz a voz que define qual variedade está correta. Só que há línguas, como o inglês, em que o plural só ocorre em um dos termos: The tall boys left (tradução literal possível, desconsiderada a marca de plural: O alto meninos saiu). É claro que a gramática do inglês não é a mesma gramática do português, mas o nosso ponto é que o plural só está em um lugar na oração do inglês e isso não recebe uma avaliação negativa. No português do dia a dia, é possível marcar o plural em apenas um dos elementos, mas isso é avaliado negativamente.
Roberta Pires de Oliveira e Sandra Quarezemin. Gramáticas na escola. Petrópolis: Vozes, 2016, p. 44 (com adaptações).
A partir da exposição das ideias do texto II, é correto afirmar que:
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TEXTO I (O texto a seguir servirá de base para a análise
da questão)
CONTO DE ESCOLA
Machado de Assis
A escola era na Rua do Costa, um sobradinho de grade de
pau. O ano era de 1840. Naquele dia — uma segunda-feira, do
mês de maio — deixei-me estar alguns instantes na Rua da
Princesa a ver onde iria brincar a manhã. Hesitava entre o
morro de S. Diogo e o Campo de Sant’Ana, que não era então
esse parque atual, construção de gentleman, mas um espaço
rústico, mais ou menos infinito, alastrado de lavadeiras, capim
e burros soltos. Morro ou campo? Tal era o problema. De
repente disse comigo que o melhor era a escola. E guiei para a
escola. Aqui vai a razão.
Na semana anterior tinha feito dois suetos, e, descoberto o
caso, recebi o pagamento das mãos de meu pai, que me deu
uma sova de vara de marmeleiro. As sovas de meu pai doíam
por muito tempo. Era um velho empregado do Arsenal de
Guerra, ríspido e intolerante. Sonhava para mim uma grande
posição comercial, e tinha ânsia de me ver com os elementos
mercantis, ler, escrever e contar, para me meter de caixeiro.
Citava-me nomes de capitalistas que tinham começado ao
balcão. Ora, foi a lembrança do último castigo que me levou
naquela manhã para o colégio. Não era um menino de virtudes.
Subi a escada com cautela, para não ser ouvido do mestre, e
cheguei a tempo; ele entrou na sala três ou quatro minutos
depois. Entrou com o andar manso do costume, em chinelas de
cordovão, com a jaqueta de brim lavada e desbotada, calça
branca e tesa e grande colarinho caído. Chamava-se Policarpo
e tinha perto de cinquenta anos ou mais. Uma vez sentado,
extraiu da jaqueta a boceta de rapé e o lenço vermelho, pô-los
na gaveta; depois relanceou os olhos pela sala. Os meninos,
que se conservaram de pé durante a entrada dele, tornaram a
sentar-se. Tudo estava em ordem; começaram os trabalhos.
- Seu Pilar, eu preciso falar com você, disse-me baixinho o
filho do mestre.
Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole, aplicado,
inteligência tarda. Raimundo gastava duas horas em reter
aquilo que a outros levava apenas trinta ou cinquenta minutos;
vencia com o tempo o que não podia fazer logo com o cérebro.
Reunia a isso um grande medo ao pai. Era uma criança fina,
pálida, cara doente; raramente estava alegre. Entrava na escola
depois do pai e retirava-se antes. O mestre era mais severo
com ele do que conosco.
- O que é que você quer?
- Logo, respondeu ele com voz trêmula.
Começou a lição de escrita. Custa-me dizer que eu era dos
mais adiantados da escola; mas era. Não digo também que era
dos mais inteligentes, por um escrúpulo fácil de entender e de
excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção. Notese que não era pálido nem mofino: tinha boas cores e músculos
de ferro. Na lição de escrita, por exemplo, acabava sempre
antes de todos, mas deixava-me estar a recortar narizes no
papel ou na tábua, ocupação sem nobreza nem espiritualidade,
mas em todo caso ingênua. Naquele dia foi a mesma coisa; tão
depressa acabei, como entrei a reproduzir o nariz do mestre,
dando-lhe cinco ou seis atitudes diferentes, das quais recordo
a interrogativa, a admirativa, a dubitativa e a cogitativa. Não
lhes punha esses nomes, pobre estudante de primeiras letras
que era; mas, instintivamente, dava-lhes essas expressões. Os
outros foram acabando; não tive remédio senão acabar
também, entregar a escrita, e voltar para o meu lugar.
Com franqueza, estava arrependido de ter vindo. Agora que
ficava preso, ardia por andar lá fora, e recapitulava o campo e
o morro, pensava nos outros meninos vadios, o Chico Telha, o
Américo, o Carlos das Escadinhas, a fina flor do bairro e do
gênero humano. Para cúmulo de desespero, vi através das
vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do Morro do
Livramento, um papagaio de papel, alto e largo, preso de uma
corda imensa, que bojava no ar, uma coisa soberba. E eu na
escola, sentado, pernas unidas, com o livro de leitura e a
gramática nos joelhos.
- Fui um bobo em vir, disse eu ao Raimundo.
Fonte: ASSIS. Machado; Conto de Escola. (adaptado) https://contobrasileiro.com.br/conto-deescola-machado-de-assis/
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4227018
Ano: 2026
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ISET
Orgão: Pref. Amélia Rodrigues - BA
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ISET
Orgão: Pref. Amélia Rodrigues - BA
Provas:
TEXTO I (O texto a seguir servirá de base para a análise
da questão)
CONTO DE ESCOLA
Machado de Assis
A escola era na Rua do Costa, um sobradinho de grade de
pau. O ano era de 1840. Naquele dia — uma segunda-feira, do
mês de maio — deixei-me estar alguns instantes na Rua da
Princesa a ver onde iria brincar a manhã. Hesitava entre o
morro de S. Diogo e o Campo de Sant’Ana, que não era então
esse parque atual, construção de gentleman, mas um espaço
rústico, mais ou menos infinito, alastrado de lavadeiras, capim
e burros soltos. Morro ou campo? Tal era o problema. De
repente disse comigo que o melhor era a escola. E guiei para a
escola. Aqui vai a razão.
Na semana anterior tinha feito dois suetos, e, descoberto o
caso, recebi o pagamento das mãos de meu pai, que me deu
uma sova de vara de marmeleiro. As sovas de meu pai doíam
por muito tempo. Era um velho empregado do Arsenal de
Guerra, ríspido e intolerante. Sonhava para mim uma grande
posição comercial, e tinha ânsia de me ver com os elementos
mercantis, ler, escrever e contar, para me meter de caixeiro.
Citava-me nomes de capitalistas que tinham começado ao
balcão. Ora, foi a lembrança do último castigo que me levou
naquela manhã para o colégio. Não era um menino de virtudes.
Subi a escada com cautela, para não ser ouvido do mestre, e
cheguei a tempo; ele entrou na sala três ou quatro minutos
depois. Entrou com o andar manso do costume, em chinelas de
cordovão, com a jaqueta de brim lavada e desbotada, calça
branca e tesa e grande colarinho caído. Chamava-se Policarpo
e tinha perto de cinquenta anos ou mais. Uma vez sentado,
extraiu da jaqueta a boceta de rapé e o lenço vermelho, pô-los
na gaveta; depois relanceou os olhos pela sala. Os meninos,
que se conservaram de pé durante a entrada dele, tornaram a
sentar-se. Tudo estava em ordem; começaram os trabalhos.
- Seu Pilar, eu preciso falar com você, disse-me baixinho o
filho do mestre.
Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole, aplicado,
inteligência tarda. Raimundo gastava duas horas em reter
aquilo que a outros levava apenas trinta ou cinquenta minutos;
vencia com o tempo o que não podia fazer logo com o cérebro.
Reunia a isso um grande medo ao pai. Era uma criança fina,
pálida, cara doente; raramente estava alegre. Entrava na escola
depois do pai e retirava-se antes. O mestre era mais severo
com ele do que conosco.
- O que é que você quer?
- Logo, respondeu ele com voz trêmula.
Começou a lição de escrita. Custa-me dizer que eu era dos
mais adiantados da escola; mas era. Não digo também que era
dos mais inteligentes, por um escrúpulo fácil de entender e de
excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção. Notese que não era pálido nem mofino: tinha boas cores e músculos
de ferro. Na lição de escrita, por exemplo, acabava sempre
antes de todos, mas deixava-me estar a recortar narizes no
papel ou na tábua, ocupação sem nobreza nem espiritualidade,
mas em todo caso ingênua. Naquele dia foi a mesma coisa; tão
depressa acabei, como entrei a reproduzir o nariz do mestre,
dando-lhe cinco ou seis atitudes diferentes, das quais recordo
a interrogativa, a admirativa, a dubitativa e a cogitativa. Não
lhes punha esses nomes, pobre estudante de primeiras letras
que era; mas, instintivamente, dava-lhes essas expressões. Os
outros foram acabando; não tive remédio senão acabar
também, entregar a escrita, e voltar para o meu lugar.
Com franqueza, estava arrependido de ter vindo. Agora que
ficava preso, ardia por andar lá fora, e recapitulava o campo e
o morro, pensava nos outros meninos vadios, o Chico Telha, o
Américo, o Carlos das Escadinhas, a fina flor do bairro e do
gênero humano. Para cúmulo de desespero, vi através das
vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do Morro do
Livramento, um papagaio de papel, alto e largo, preso de uma
corda imensa, que bojava no ar, uma coisa soberba. E eu na
escola, sentado, pernas unidas, com o livro de leitura e a
gramática nos joelhos.
- Fui um bobo em vir, disse eu ao Raimundo.
Fonte: ASSIS. Machado; Conto de Escola. (adaptado) https://contobrasileiro.com.br/conto-deescola-machado-de-assis/
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- PsicopedagogiaTeorias do desenvolvimento e da aprendizagemPsicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem
- PsicopedagogiaTeorias do desenvolvimento e da aprendizagemProblemas de Aprendizagem na Escola
TEXTO I (O texto a seguir servirá de base para a análise
da questão)
CONTO DE ESCOLA
Machado de Assis
A escola era na Rua do Costa, um sobradinho de grade de
pau. O ano era de 1840. Naquele dia — uma segunda-feira, do
mês de maio — deixei-me estar alguns instantes na Rua da
Princesa a ver onde iria brincar a manhã. Hesitava entre o
morro de S. Diogo e o Campo de Sant’Ana, que não era então
esse parque atual, construção de gentleman, mas um espaço
rústico, mais ou menos infinito, alastrado de lavadeiras, capim
e burros soltos. Morro ou campo? Tal era o problema. De
repente disse comigo que o melhor era a escola. E guiei para a
escola. Aqui vai a razão.
Na semana anterior tinha feito dois suetos, e, descoberto o
caso, recebi o pagamento das mãos de meu pai, que me deu
uma sova de vara de marmeleiro. As sovas de meu pai doíam
por muito tempo. Era um velho empregado do Arsenal de
Guerra, ríspido e intolerante. Sonhava para mim uma grande
posição comercial, e tinha ânsia de me ver com os elementos
mercantis, ler, escrever e contar, para me meter de caixeiro.
Citava-me nomes de capitalistas que tinham começado ao
balcão. Ora, foi a lembrança do último castigo que me levou
naquela manhã para o colégio. Não era um menino de virtudes.
Subi a escada com cautela, para não ser ouvido do mestre, e
cheguei a tempo; ele entrou na sala três ou quatro minutos
depois. Entrou com o andar manso do costume, em chinelas de
cordovão, com a jaqueta de brim lavada e desbotada, calça
branca e tesa e grande colarinho caído. Chamava-se Policarpo
e tinha perto de cinquenta anos ou mais. Uma vez sentado,
extraiu da jaqueta a boceta de rapé e o lenço vermelho, pô-los
na gaveta; depois relanceou os olhos pela sala. Os meninos,
que se conservaram de pé durante a entrada dele, tornaram a
sentar-se. Tudo estava em ordem; começaram os trabalhos.
- Seu Pilar, eu preciso falar com você, disse-me baixinho o
filho do mestre.
Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole, aplicado,
inteligência tarda. Raimundo gastava duas horas em reter
aquilo que a outros levava apenas trinta ou cinquenta minutos;
vencia com o tempo o que não podia fazer logo com o cérebro.
Reunia a isso um grande medo ao pai. Era uma criança fina,
pálida, cara doente; raramente estava alegre. Entrava na escola
depois do pai e retirava-se antes. O mestre era mais severo
com ele do que conosco.
- O que é que você quer?
- Logo, respondeu ele com voz trêmula.
Começou a lição de escrita. Custa-me dizer que eu era dos
mais adiantados da escola; mas era. Não digo também que era
dos mais inteligentes, por um escrúpulo fácil de entender e de
excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção. Notese que não era pálido nem mofino: tinha boas cores e músculos
de ferro. Na lição de escrita, por exemplo, acabava sempre
antes de todos, mas deixava-me estar a recortar narizes no
papel ou na tábua, ocupação sem nobreza nem espiritualidade,
mas em todo caso ingênua. Naquele dia foi a mesma coisa; tão
depressa acabei, como entrei a reproduzir o nariz do mestre,
dando-lhe cinco ou seis atitudes diferentes, das quais recordo
a interrogativa, a admirativa, a dubitativa e a cogitativa. Não
lhes punha esses nomes, pobre estudante de primeiras letras
que era; mas, instintivamente, dava-lhes essas expressões. Os
outros foram acabando; não tive remédio senão acabar
também, entregar a escrita, e voltar para o meu lugar.
Com franqueza, estava arrependido de ter vindo. Agora que
ficava preso, ardia por andar lá fora, e recapitulava o campo e
o morro, pensava nos outros meninos vadios, o Chico Telha, o
Américo, o Carlos das Escadinhas, a fina flor do bairro e do
gênero humano. Para cúmulo de desespero, vi através das
vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do Morro do
Livramento, um papagaio de papel, alto e largo, preso de uma
corda imensa, que bojava no ar, uma coisa soberba. E eu na
escola, sentado, pernas unidas, com o livro de leitura e a
gramática nos joelhos.
- Fui um bobo em vir, disse eu ao Raimundo.
Fonte: ASSIS. Machado; Conto de Escola. (adaptado) https://contobrasileiro.com.br/conto-deescola-machado-de-assis/
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TEXTO I (O texto a seguir servirá de base para a análise
da questão)
CONTO DE ESCOLA
Machado de Assis
A escola era na Rua do Costa, um sobradinho de grade de
pau. O ano era de 1840. Naquele dia — uma segunda-feira, do
mês de maio — deixei-me estar alguns instantes na Rua da
Princesa a ver onde iria brincar a manhã. Hesitava entre o
morro de S. Diogo e o Campo de Sant’Ana, que não era então
esse parque atual, construção de gentleman, mas um espaço
rústico, mais ou menos infinito, alastrado de lavadeiras, capim
e burros soltos. Morro ou campo? Tal era o problema. De
repente disse comigo que o melhor era a escola. E guiei para a
escola. Aqui vai a razão.
Na semana anterior tinha feito dois suetos, e, descoberto o
caso, recebi o pagamento das mãos de meu pai, que me deu
uma sova de vara de marmeleiro. As sovas de meu pai doíam
por muito tempo. Era um velho empregado do Arsenal de
Guerra, ríspido e intolerante. Sonhava para mim uma grande
posição comercial, e tinha ânsia de me ver com os elementos
mercantis, ler, escrever e contar, para me meter de caixeiro.
Citava-me nomes de capitalistas que tinham começado ao
balcão. Ora, foi a lembrança do último castigo que me levou
naquela manhã para o colégio. Não era um menino de virtudes.
Subi a escada com cautela, para não ser ouvido do mestre, e
cheguei a tempo; ele entrou na sala três ou quatro minutos
depois. Entrou com o andar manso do costume, em chinelas de
cordovão, com a jaqueta de brim lavada e desbotada, calça
branca e tesa e grande colarinho caído. Chamava-se Policarpo
e tinha perto de cinquenta anos ou mais. Uma vez sentado,
extraiu da jaqueta a boceta de rapé e o lenço vermelho, pô-los
na gaveta; depois relanceou os olhos pela sala. Os meninos,
que se conservaram de pé durante a entrada dele, tornaram a
sentar-se. Tudo estava em ordem; começaram os trabalhos.
- Seu Pilar, eu preciso falar com você, disse-me baixinho o
filho do mestre.
Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole, aplicado,
inteligência tarda. Raimundo gastava duas horas em reter
aquilo que a outros levava apenas trinta ou cinquenta minutos;
vencia com o tempo o que não podia fazer logo com o cérebro.
Reunia a isso um grande medo ao pai. Era uma criança fina,
pálida, cara doente; raramente estava alegre. Entrava na escola
depois do pai e retirava-se antes. O mestre era mais severo
com ele do que conosco.
- O que é que você quer?
- Logo, respondeu ele com voz trêmula.
Começou a lição de escrita. Custa-me dizer que eu era dos
mais adiantados da escola; mas era. Não digo também que era
dos mais inteligentes, por um escrúpulo fácil de entender e de
excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção. Notese que não era pálido nem mofino: tinha boas cores e músculos
de ferro. Na lição de escrita, por exemplo, acabava sempre
antes de todos, mas deixava-me estar a recortar narizes no
papel ou na tábua, ocupação sem nobreza nem espiritualidade,
mas em todo caso ingênua. Naquele dia foi a mesma coisa; tão
depressa acabei, como entrei a reproduzir o nariz do mestre,
dando-lhe cinco ou seis atitudes diferentes, das quais recordo
a interrogativa, a admirativa, a dubitativa e a cogitativa. Não
lhes punha esses nomes, pobre estudante de primeiras letras
que era; mas, instintivamente, dava-lhes essas expressões. Os
outros foram acabando; não tive remédio senão acabar
também, entregar a escrita, e voltar para o meu lugar.
Com franqueza, estava arrependido de ter vindo. Agora que
ficava preso, ardia por andar lá fora, e recapitulava o campo e
o morro, pensava nos outros meninos vadios, o Chico Telha, o
Américo, o Carlos das Escadinhas, a fina flor do bairro e do
gênero humano. Para cúmulo de desespero, vi através das
vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do Morro do
Livramento, um papagaio de papel, alto e largo, preso de uma
corda imensa, que bojava no ar, uma coisa soberba. E eu na
escola, sentado, pernas unidas, com o livro de leitura e a
gramática nos joelhos.
- Fui um bobo em vir, disse eu ao Raimundo.
Fonte: ASSIS. Machado; Conto de Escola. (adaptado) https://contobrasileiro.com.br/conto-deescola-machado-de-assis/
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- História da Educação BrasileiraEducação como Processo de Construção Histórica
- Temas Educacionais PedagógicosTendências Pedagógicas
TEXTO I (O texto a seguir servirá de base para a análise
da questão)
CONTO DE ESCOLA
Machado de Assis
A escola era na Rua do Costa, um sobradinho de grade de
pau. O ano era de 1840. Naquele dia — uma segunda-feira, do
mês de maio — deixei-me estar alguns instantes na Rua da
Princesa a ver onde iria brincar a manhã. Hesitava entre o
morro de S. Diogo e o Campo de Sant’Ana, que não era então
esse parque atual, construção de gentleman, mas um espaço
rústico, mais ou menos infinito, alastrado de lavadeiras, capim
e burros soltos. Morro ou campo? Tal era o problema. De
repente disse comigo que o melhor era a escola. E guiei para a
escola. Aqui vai a razão.
Na semana anterior tinha feito dois suetos, e, descoberto o
caso, recebi o pagamento das mãos de meu pai, que me deu
uma sova de vara de marmeleiro. As sovas de meu pai doíam
por muito tempo. Era um velho empregado do Arsenal de
Guerra, ríspido e intolerante. Sonhava para mim uma grande
posição comercial, e tinha ânsia de me ver com os elementos
mercantis, ler, escrever e contar, para me meter de caixeiro.
Citava-me nomes de capitalistas que tinham começado ao
balcão. Ora, foi a lembrança do último castigo que me levou
naquela manhã para o colégio. Não era um menino de virtudes.
Subi a escada com cautela, para não ser ouvido do mestre, e
cheguei a tempo; ele entrou na sala três ou quatro minutos
depois. Entrou com o andar manso do costume, em chinelas de
cordovão, com a jaqueta de brim lavada e desbotada, calça
branca e tesa e grande colarinho caído. Chamava-se Policarpo
e tinha perto de cinquenta anos ou mais. Uma vez sentado,
extraiu da jaqueta a boceta de rapé e o lenço vermelho, pô-los
na gaveta; depois relanceou os olhos pela sala. Os meninos,
que se conservaram de pé durante a entrada dele, tornaram a
sentar-se. Tudo estava em ordem; começaram os trabalhos.
- Seu Pilar, eu preciso falar com você, disse-me baixinho o
filho do mestre.
Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole, aplicado,
inteligência tarda. Raimundo gastava duas horas em reter
aquilo que a outros levava apenas trinta ou cinquenta minutos;
vencia com o tempo o que não podia fazer logo com o cérebro.
Reunia a isso um grande medo ao pai. Era uma criança fina,
pálida, cara doente; raramente estava alegre. Entrava na escola
depois do pai e retirava-se antes. O mestre era mais severo
com ele do que conosco.
- O que é que você quer?
- Logo, respondeu ele com voz trêmula.
Começou a lição de escrita. Custa-me dizer que eu era dos
mais adiantados da escola; mas era. Não digo também que era
dos mais inteligentes, por um escrúpulo fácil de entender e de
excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção. Notese que não era pálido nem mofino: tinha boas cores e músculos
de ferro. Na lição de escrita, por exemplo, acabava sempre
antes de todos, mas deixava-me estar a recortar narizes no
papel ou na tábua, ocupação sem nobreza nem espiritualidade,
mas em todo caso ingênua. Naquele dia foi a mesma coisa; tão
depressa acabei, como entrei a reproduzir o nariz do mestre,
dando-lhe cinco ou seis atitudes diferentes, das quais recordo
a interrogativa, a admirativa, a dubitativa e a cogitativa. Não
lhes punha esses nomes, pobre estudante de primeiras letras
que era; mas, instintivamente, dava-lhes essas expressões. Os
outros foram acabando; não tive remédio senão acabar
também, entregar a escrita, e voltar para o meu lugar.
Com franqueza, estava arrependido de ter vindo. Agora que
ficava preso, ardia por andar lá fora, e recapitulava o campo e
o morro, pensava nos outros meninos vadios, o Chico Telha, o
Américo, o Carlos das Escadinhas, a fina flor do bairro e do
gênero humano. Para cúmulo de desespero, vi através das
vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do Morro do
Livramento, um papagaio de papel, alto e largo, preso de uma
corda imensa, que bojava no ar, uma coisa soberba. E eu na
escola, sentado, pernas unidas, com o livro de leitura e a
gramática nos joelhos.
- Fui um bobo em vir, disse eu ao Raimundo.
Fonte: ASSIS. Machado; Conto de Escola. (adaptado) https://contobrasileiro.com.br/conto-deescola-machado-de-assis/
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