Foram encontradas 100 questões.
O texto a seguir é referência para a questão.
Me lembro com clareza de todas as minhas professoras, mas me lembro de uma em particular. Ela se chamava Dona Ilka.
Curioso: por que escrevi “Dona Ilka” e não Ilka? Talvez por medo de que ela se materializasse aqui ao meu lado e exigisse o “Dona”,
_______ se viu tratar professora pelo primeiro nome, menino? No meu tempo ainda não se usava o “tia”. Elas podiam ser boas e
até maternais, _______ decididamente não eram nossas tias. A Dona Ilka não era maternal. Era uma mulher pequena com um perfil
de passarinho. Um pequeno passarinho loiro. E uma fera.
Eu era aluno “bem-comportado”. Era um vagabundo, não aprendia nada, vivia distraído. Mas comportamento, 10. Por isto até
hoje faço verdadeiras faxinas na memória, procurando embaixo de tudo e em todos os nichos a razão de ter sido, um dia, castigado
pela Dona Ilka. Alguma eu devo ter feito, mas não consigo lembrar _______. O fato é que fui posto de castigo. Que consistia em
ficar de pé num canto da sala de aula, com a cara virada para a parede. (Isto tudo, já dá pra ver, foi mais ou menos lá pela Idade
Média.) Mas o que eu nunca esqueci foi a Dona Ilka ter me chamado de “santinho do pau oco”.
Ser bem-comportado em aula não era uma decisão minha nem era nada de que me orgulhasse. Era só o meu temperamento.
Mas a frase terrível da Dona Ilka sugeria que a minha boa conduta era uma simulação. Eu era um falso. Um santo falsificado! Depois
disso, pelo resto da vida, não foram poucas as vezes ______ um passarinho imaginário com perfil de professora pousou no meu
ombro e me chamou de fingido. Os santinhos do pau oco passam a vida se questionando.
Luis Fernando Verissimo. O nariz e outra crônicas. São Paulo: Ática, 1995. Adaptado.
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O texto a seguir é referência para a questão.
Me lembro com clareza de todas as minhas professoras, mas me lembro de uma em particular. Ela se chamava Dona Ilka.
Curioso: por que escrevi “Dona Ilka” e não Ilka? Talvez por medo de que ela se materializasse aqui ao meu lado e exigisse o “Dona”,
_______ se viu tratar professora pelo primeiro nome, menino? No meu tempo ainda não se usava o “tia”. Elas podiam ser boas e
até maternais, _______ decididamente não eram nossas tias. A Dona Ilka não era maternal. Era uma mulher pequena com um perfil
de passarinho. Um pequeno passarinho loiro. E uma fera.
Eu era aluno “bem-comportado”. Era um vagabundo, não aprendia nada, vivia distraído. Mas comportamento, 10. Por isto até
hoje faço verdadeiras faxinas na memória, procurando embaixo de tudo e em todos os nichos a razão de ter sido, um dia, castigado
pela Dona Ilka. Alguma eu devo ter feito, mas não consigo lembrar _______. O fato é que fui posto de castigo. Que consistia em
ficar de pé num canto da sala de aula, com a cara virada para a parede. (Isto tudo, já dá pra ver, foi mais ou menos lá pela Idade
Média.) Mas o que eu nunca esqueci foi a Dona Ilka ter me chamado de “santinho do pau oco”.
Ser bem-comportado em aula não era uma decisão minha nem era nada de que me orgulhasse. Era só o meu temperamento.
Mas a frase terrível da Dona Ilka sugeria que a minha boa conduta era uma simulação. Eu era um falso. Um santo falsificado! Depois
disso, pelo resto da vida, não foram poucas as vezes ______ um passarinho imaginário com perfil de professora pousou no meu
ombro e me chamou de fingido. Os santinhos do pau oco passam a vida se questionando.
Luis Fernando Verissimo. O nariz e outra crônicas. São Paulo: Ática, 1995. Adaptado.
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Me lembro com clareza de todas as minhas professoras, mas me lembro de uma em particular. Ela se chamava Dona Ilka.
Curioso: por que escrevi “Dona Ilka” e não Ilka? Talvez por medo de que ela se materializasse aqui ao meu lado e exigisse o “Dona”,
_______ se viu tratar professora pelo primeiro nome, menino? No meu tempo ainda não se usava o “tia”. Elas podiam ser boas e
até maternais, _______ decididamente não eram nossas tias. A Dona Ilka não era maternal. Era uma mulher pequena com um perfil
de passarinho. Um pequeno passarinho loiro. E uma fera.
Eu era aluno “bem-comportado”. Era um vagabundo, não aprendia nada, vivia distraído. Mas comportamento, 10. Por isto até
hoje faço verdadeiras faxinas na memória, procurando embaixo de tudo e em todos os nichos a razão de ter sido, um dia, castigado
pela Dona Ilka. Alguma eu devo ter feito, mas não consigo lembrar _______. O fato é que fui posto de castigo. Que consistia em
ficar de pé num canto da sala de aula, com a cara virada para a parede. (Isto tudo, já dá pra ver, foi mais ou menos lá pela Idade
Média.) Mas o que eu nunca esqueci foi a Dona Ilka ter me chamado de “santinho do pau oco”.
Ser bem-comportado em aula não era uma decisão minha nem era nada de que me orgulhasse. Era só o meu temperamento.
Mas a frase terrível da Dona Ilka sugeria que a minha boa conduta era uma simulação. Eu era um falso. Um santo falsificado! Depois
disso, pelo resto da vida, não foram poucas as vezes ______ um passarinho imaginário com perfil de professora pousou no meu
ombro e me chamou de fingido. Os santinhos do pau oco passam a vida se questionando.
Luis Fernando Verissimo. O nariz e outra crônicas. São Paulo: Ática, 1995. Adaptado.
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Me lembro com clareza de todas as minhas professoras, mas me lembro de uma em particular. Ela se chamava Dona Ilka.
Curioso: por que escrevi “Dona Ilka” e não Ilka? Talvez por medo de que ela se materializasse aqui ao meu lado e exigisse o “Dona”,
_______ se viu tratar professora pelo primeiro nome, menino? No meu tempo ainda não se usava o “tia”. Elas podiam ser boas e
até maternais, _______ decididamente não eram nossas tias. A Dona Ilka não era maternal. Era uma mulher pequena com um perfil
de passarinho. Um pequeno passarinho loiro. E uma fera.
Eu era aluno “bem-comportado”. Era um vagabundo, não aprendia nada, vivia distraído. Mas comportamento, 10. Por isto até
hoje faço verdadeiras faxinas na memória, procurando embaixo de tudo e em todos os nichos a razão de ter sido, um dia, castigado
pela Dona Ilka. Alguma eu devo ter feito, mas não consigo lembrar _______. O fato é que fui posto de castigo. Que consistia em
ficar de pé num canto da sala de aula, com a cara virada para a parede. (Isto tudo, já dá pra ver, foi mais ou menos lá pela Idade
Média.) Mas o que eu nunca esqueci foi a Dona Ilka ter me chamado de “santinho do pau oco”.
Ser bem-comportado em aula não era uma decisão minha nem era nada de que me orgulhasse. Era só o meu temperamento.
Mas a frase terrível da Dona Ilka sugeria que a minha boa conduta era uma simulação. Eu era um falso. Um santo falsificado! Depois
disso, pelo resto da vida, não foram poucas as vezes ______ um passarinho imaginário com perfil de professora pousou no meu
ombro e me chamou de fingido. Os santinhos do pau oco passam a vida se questionando.
Luis Fernando Verissimo. O nariz e outra crônicas. São Paulo: Ática, 1995. Adaptado.
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Me lembro com clareza de todas as minhas professoras, mas me lembro de uma em particular. Ela se chamava Dona Ilka.
Curioso: por que escrevi “Dona Ilka” e não Ilka? Talvez por medo de que ela se materializasse aqui ao meu lado e exigisse o “Dona”,
_______ se viu tratar professora pelo primeiro nome, menino? No meu tempo ainda não se usava o “tia”. Elas podiam ser boas e
até maternais, _______ decididamente não eram nossas tias. A Dona Ilka não era maternal. Era uma mulher pequena com um perfil
de passarinho. Um pequeno passarinho loiro. E uma fera.
Eu era aluno “bem-comportado”. Era um vagabundo, não aprendia nada, vivia distraído. Mas comportamento, 10. Por isto até
hoje faço verdadeiras faxinas na memória, procurando embaixo de tudo e em todos os nichos a razão de ter sido, um dia, castigado
pela Dona Ilka. Alguma eu devo ter feito, mas não consigo lembrar _______. O fato é que fui posto de castigo. Que consistia em
ficar de pé num canto da sala de aula, com a cara virada para a parede. (Isto tudo, já dá pra ver, foi mais ou menos lá pela Idade
Média.) Mas o que eu nunca esqueci foi a Dona Ilka ter me chamado de “santinho do pau oco”.
Ser bem-comportado em aula não era uma decisão minha nem era nada de que me orgulhasse. Era só o meu temperamento.
Mas a frase terrível da Dona Ilka sugeria que a minha boa conduta era uma simulação. Eu era um falso. Um santo falsificado! Depois
disso, pelo resto da vida, não foram poucas as vezes ______ um passarinho imaginário com perfil de professora pousou no meu
ombro e me chamou de fingido. Os santinhos do pau oco passam a vida se questionando.
Luis Fernando Verissimo. O nariz e outra crônicas. São Paulo: Ática, 1995. Adaptado.
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O texto a seguir é referência para a questão.
Literatura para ver
Georgina Martins
“Mas eles não são cegos, como é que não conseguem ler Machado de Assis?” Em 2008, esta foi a minha resposta ao pedido
de ajuda de uma aluna do curso de especialização em literatura infantil e juvenil da Faculdade de Letras da UFRJ. Ela era professora
do Ensino Médio da rede pública e precisava de sugestões metodológicas para ensinar literatura aos seus alunos surdos. Minha
resposta, na verdade, minha pergunta, foi resultado do meu primeiro espanto diante de uma questão a qual sequer poderia supor
que se tornaria minha principal indagação e meu maior desafio na prática docente.
A professora desejava que seus alunos surdos lessem Machado de Assis, o que, para minha ignorância, não se constituía em
um problema diferente daqueles que a grande maioria dos professores de literatura enfrenta. Por isso me pus a sugerir os mais
batidos conselhos: ler com eles, explicar a sintaxe de Machado, mostrar que a estrutura frasal é mais complexa do que a dos textos
com os quais estão acostumados, fazer um passeio pelo contexto histórico e cultural do Brasil do século XIX, e, principalmente,
fazê-los acreditar que a professora deles é uma leitora, e todo aquele papo de educação pelo exemplo.
A professora me repetiu que os alunos eram surdos e que, por isso, tinham muitas dificuldades com a leitura, logo, ensinar
literatura para eles não era uma tarefa fácil. Confesso que não entendi quase nada do problema, porque minha ignorância no
assunto me fazia pensar que a surdez não se configurava em impedimento para o aprendizado da língua portuguesa.
Movida pela curiosidade em adentrar em um universo de novas possibilidades e pelo desejo de ajudar a tal aluna, procurei
auxílio com a professora Deize Santos, que, à época, atuava no departamento de linguística da Faculdade de Letras.
Coincidentemente, ela estava às voltas com a aprovação de dois importantes cursos nessa área – uma graduação em Letras-Libras
e uma pós-graduação em tradução e interpretação em língua de sinais – e não mediu esforços em partilhar todo conhecimento que
havia acumulado sobre o tema. Três anos depois, por ocasião da aprovação do curso de “pós”, convidou-me para ministrar a
disciplina de literatura infantil e juvenil para a turma de surdos e ouvintes que começava na Faculdade de Letras. A experiência não
só me fez rever toda prática de ensino, como ainda proporcionou minha plena realização profissional, confirmando a crença de que
ensinar literatura é preciso e aprender literatura é um direito de todo ser humano.
Tenho por hábito começar minhas aulas buscando esclarecer a origem e a natureza do objeto sobre o qual vamos nos
debruçar durante o período letivo, daí a necessidade de começar investigando, juntamente com a turma, os diferentes modos de
conceituar literatura e seus principais gêneros discursivos, como poesia e prosa, para, logo em seguida, entrar na discussão sobre
o literário e o literal, tendo como suporte as noções linguísticas de denotação e conotação. Mas como fazer isso com alunos surdos
que não têm a língua portuguesa como primeira língua?
Descobri que os surdos acabam por ser estrangeiros na própria pátria. Era preciso pensar o ensino de literatura de outro
modo, uma literatura para ver, e só depois para ler […]
Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/literatura-para-ver/. Adaptado.
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Literatura para ver
Georgina Martins
“Mas eles não são cegos, como é que não conseguem ler Machado de Assis?” Em 2008, esta foi a minha resposta ao pedido
de ajuda de uma aluna do curso de especialização em literatura infantil e juvenil da Faculdade de Letras da UFRJ. Ela era professora
do Ensino Médio da rede pública e precisava de sugestões metodológicas para ensinar literatura aos seus alunos surdos. Minha
resposta, na verdade, minha pergunta, foi resultado do meu primeiro espanto diante de uma questão a qual sequer poderia supor
que se tornaria minha principal indagação e meu maior desafio na prática docente.
A professora desejava que seus alunos surdos lessem Machado de Assis, o que, para minha ignorância, não se constituía em
um problema diferente daqueles que a grande maioria dos professores de literatura enfrenta. Por isso me pus a sugerir os mais
batidos conselhos: ler com eles, explicar a sintaxe de Machado, mostrar que a estrutura frasal é mais complexa do que a dos textos
com os quais estão acostumados, fazer um passeio pelo contexto histórico e cultural do Brasil do século XIX, e, principalmente,
fazê-los acreditar que a professora deles é uma leitora, e todo aquele papo de educação pelo exemplo.
A professora me repetiu que os alunos eram surdos e que, por isso, tinham muitas dificuldades com a leitura, logo, ensinar
literatura para eles não era uma tarefa fácil. Confesso que não entendi quase nada do problema, porque minha ignorância no
assunto me fazia pensar que a surdez não se configurava em impedimento para o aprendizado da língua portuguesa.
Movida pela curiosidade em adentrar em um universo de novas possibilidades e pelo desejo de ajudar a tal aluna, procurei
auxílio com a professora Deize Santos, que, à época, atuava no departamento de linguística da Faculdade de Letras.
Coincidentemente, ela estava às voltas com a aprovação de dois importantes cursos nessa área – uma graduação em Letras-Libras
e uma pós-graduação em tradução e interpretação em língua de sinais – e não mediu esforços em partilhar todo conhecimento que
havia acumulado sobre o tema. Três anos depois, por ocasião da aprovação do curso de “pós”, convidou-me para ministrar a
disciplina de literatura infantil e juvenil para a turma de surdos e ouvintes que começava na Faculdade de Letras. A experiência não
só me fez rever toda prática de ensino, como ainda proporcionou minha plena realização profissional, confirmando a crença de que
ensinar literatura é preciso e aprender literatura é um direito de todo ser humano.
Tenho por hábito começar minhas aulas buscando esclarecer a origem e a natureza do objeto sobre o qual vamos nos
debruçar durante o período letivo, daí a necessidade de começar investigando, juntamente com a turma, os diferentes modos de
conceituar literatura e seus principais gêneros discursivos, como poesia e prosa, para, logo em seguida, entrar na discussão sobre
o literário e o literal, tendo como suporte as noções linguísticas de denotação e conotação. Mas como fazer isso com alunos surdos
que não têm a língua portuguesa como primeira língua?
Descobri que os surdos acabam por ser estrangeiros na própria pátria. Era preciso pensar o ensino de literatura de outro
modo, uma literatura para ver, e só depois para ler […]
Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/literatura-para-ver/. Adaptado.
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O texto a seguir é referência para a questão.
Literatura para ver
Georgina Martins
“Mas eles não são cegos, como é que não conseguem ler Machado de Assis?” Em 2008, esta foi a minha resposta ao pedido
de ajuda de uma aluna do curso de especialização em literatura infantil e juvenil da Faculdade de Letras da UFRJ. Ela era professora
do Ensino Médio da rede pública e precisava de sugestões metodológicas para ensinar literatura aos seus alunos surdos. Minha
resposta, na verdade, minha pergunta, foi resultado do meu primeiro espanto diante de uma questão a qual sequer poderia supor
que se tornaria minha principal indagação e meu maior desafio na prática docente.
A professora desejava que seus alunos surdos lessem Machado de Assis, o que, para minha ignorância, não se constituía em
um problema diferente daqueles que a grande maioria dos professores de literatura enfrenta. Por isso me pus a sugerir os mais
batidos conselhos: ler com eles, explicar a sintaxe de Machado, mostrar que a estrutura frasal é mais complexa do que a dos textos
com os quais estão acostumados, fazer um passeio pelo contexto histórico e cultural do Brasil do século XIX, e, principalmente,
fazê-los acreditar que a professora deles é uma leitora, e todo aquele papo de educação pelo exemplo.
A professora me repetiu que os alunos eram surdos e que, por isso, tinham muitas dificuldades com a leitura, logo, ensinar
literatura para eles não era uma tarefa fácil. Confesso que não entendi quase nada do problema, porque minha ignorância no
assunto me fazia pensar que a surdez não se configurava em impedimento para o aprendizado da língua portuguesa.
Movida pela curiosidade em adentrar em um universo de novas possibilidades e pelo desejo de ajudar a tal aluna, procurei
auxílio com a professora Deize Santos, que, à época, atuava no departamento de linguística da Faculdade de Letras.
Coincidentemente, ela estava às voltas com a aprovação de dois importantes cursos nessa área – uma graduação em Letras-Libras
e uma pós-graduação em tradução e interpretação em língua de sinais – e não mediu esforços em partilhar todo conhecimento que
havia acumulado sobre o tema. Três anos depois, por ocasião da aprovação do curso de “pós”, convidou-me para ministrar a
disciplina de literatura infantil e juvenil para a turma de surdos e ouvintes que começava na Faculdade de Letras. A experiência não
só me fez rever toda prática de ensino, como ainda proporcionou minha plena realização profissional, confirmando a crença de que
ensinar literatura é preciso e aprender literatura é um direito de todo ser humano.
Tenho por hábito começar minhas aulas buscando esclarecer a origem e a natureza do objeto sobre o qual vamos nos
debruçar durante o período letivo, daí a necessidade de começar investigando, juntamente com a turma, os diferentes modos de
conceituar literatura e seus principais gêneros discursivos, como poesia e prosa, para, logo em seguida, entrar na discussão sobre
o literário e o literal, tendo como suporte as noções linguísticas de denotação e conotação. Mas como fazer isso com alunos surdos
que não têm a língua portuguesa como primeira língua?
Descobri que os surdos acabam por ser estrangeiros na própria pátria. Era preciso pensar o ensino de literatura de outro
modo, uma literatura para ver, e só depois para ler […]
Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/literatura-para-ver/. Adaptado.
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O texto a seguir é referência para a questão.
Literatura para ver
Georgina Martins
“Mas eles não são cegos, como é que não conseguem ler Machado de Assis?” Em 2008, esta foi a minha resposta ao pedido
de ajuda de uma aluna do curso de especialização em literatura infantil e juvenil da Faculdade de Letras da UFRJ. Ela era professora
do Ensino Médio da rede pública e precisava de sugestões metodológicas para ensinar literatura aos seus alunos surdos. Minha
resposta, na verdade, minha pergunta, foi resultado do meu primeiro espanto diante de uma questão a qual sequer poderia supor
que se tornaria minha principal indagação e meu maior desafio na prática docente.
A professora desejava que seus alunos surdos lessem Machado de Assis, o que, para minha ignorância, não se constituía em
um problema diferente daqueles que a grande maioria dos professores de literatura enfrenta. Por isso me pus a sugerir os mais
batidos conselhos: ler com eles, explicar a sintaxe de Machado, mostrar que a estrutura frasal é mais complexa do que a dos textos
com os quais estão acostumados, fazer um passeio pelo contexto histórico e cultural do Brasil do século XIX, e, principalmente,
fazê-los acreditar que a professora deles é uma leitora, e todo aquele papo de educação pelo exemplo.
A professora me repetiu que os alunos eram surdos e que, por isso, tinham muitas dificuldades com a leitura, logo, ensinar
literatura para eles não era uma tarefa fácil. Confesso que não entendi quase nada do problema, porque minha ignorância no
assunto me fazia pensar que a surdez não se configurava em impedimento para o aprendizado da língua portuguesa.
Movida pela curiosidade em adentrar em um universo de novas possibilidades e pelo desejo de ajudar a tal aluna, procurei
auxílio com a professora Deize Santos, que, à época, atuava no departamento de linguística da Faculdade de Letras.
Coincidentemente, ela estava às voltas com a aprovação de dois importantes cursos nessa área – uma graduação em Letras-Libras
e uma pós-graduação em tradução e interpretação em língua de sinais – e não mediu esforços em partilhar todo conhecimento que
havia acumulado sobre o tema. Três anos depois, por ocasião da aprovação do curso de “pós”, convidou-me para ministrar a
disciplina de literatura infantil e juvenil para a turma de surdos e ouvintes que começava na Faculdade de Letras. A experiência não
só me fez rever toda prática de ensino, como ainda proporcionou minha plena realização profissional, confirmando a crença de que
ensinar literatura é preciso e aprender literatura é um direito de todo ser humano.
Tenho por hábito começar minhas aulas buscando esclarecer a origem e a natureza do objeto sobre o qual vamos nos
debruçar durante o período letivo, daí a necessidade de começar investigando, juntamente com a turma, os diferentes modos de
conceituar literatura e seus principais gêneros discursivos, como poesia e prosa, para, logo em seguida, entrar na discussão sobre
o literário e o literal, tendo como suporte as noções linguísticas de denotação e conotação. Mas como fazer isso com alunos surdos
que não têm a língua portuguesa como primeira língua?
Descobri que os surdos acabam por ser estrangeiros na própria pátria. Era preciso pensar o ensino de literatura de outro
modo, uma literatura para ver, e só depois para ler […]
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O terreno de Helena tem formato de trapézio, como mostra a figura a seguir.
Assinale a alternativa que apresenta o valor da área do terreno de Helena.
Assinale a alternativa que apresenta o valor da área do terreno de Helena.
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