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A memória
A memória, por vezes, é uma maldição. Meu querido amigo Amilcar Herrera me confessou: “Eu desejaria, um dia, acordar havendo me esquecido do meu nome...” Não entendi. Esquecer o próprio nome deve ser uma experiência muito estranha. Aí ele explicou: “Quando eu me levanto e sei que meu nome é Amilcar Herrera, sei também tudo o que se espera de mim. O meu nome diz o que devo ser, o que devo pensar, o que devo falar. Meu nome é uma gaiola em que estou preso. Mas se, ao acordar, eu tiver me esquecido do meu nome, terei me esquecido também de tudo que se espera de mim. Se nada se espera de mim, estou livre para ser aquilo que nunca fui. Começarei a viver minha vida a partir de mim mesmo, e não a partir do nome que me deram e pelo qual sou conhecido.”
Entendi na hora e fiz ligação com algo que o poeta Alberto Caeiro escreveu: “Procuro despir-me do que aprendi, procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram, e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos, desencaixotar minhas emoções verdadeiras, desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caeiro, mas um animal humano que a natureza produziu”.
(Adaptado de Rubem Alves, Quarto de badulaques)
A redação incoerente e incorreta obriga a corrigir a seguinte frase:
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A memória
A memória, por vezes, é uma maldição. Meu querido amigo Amilcar Herrera me confessou: “Eu desejaria, um dia, acordar havendo me esquecido do meu nome...” Não entendi. Esquecer o próprio nome deve ser uma experiência muito estranha. Aí ele explicou: “Quando eu me levanto e sei que meu nome é Amilcar Herrera, sei também tudo o que se espera de mim. O meu nome diz o que devo ser, o que devo pensar, o que devo falar. Meu nome é uma gaiola em que estou preso. Mas se, ao acordar, eu tiver me esquecido do meu nome, terei me esquecido também de tudo que se espera de mim. Se nada se espera de mim, estou livre para ser aquilo que nunca fui. Começarei a viver minha vida a partir de mim mesmo, e não a partir do nome que me deram e pelo qual sou conhecido.”
Entendi na hora e fiz ligação com algo que o poeta Alberto Caeiro escreveu: “Procuro despir-me do que aprendi, procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram, e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos, desencaixotar minhas emoções verdadeiras, desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caeiro, mas um animal humano que a natureza produziu”.
(Adaptado de Rubem Alves, Quarto de badulaques)
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram.
Para evitar a ambigüidade de sentido da frase acima, sua redação deveria ser: Procuro esquecer-me
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Causa mais freqüente de obstrução intestinal no adulto:
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Lugar das almas
Li este texto outro dia, quando especulava um interessante site da Internet:
“Meu pai, que gosta de se considerar um sujeito objetivo e pragmático, usa o termo poeta como uma espécie de xingamento. “Fulano é um poeta”, ele diz, querendo dizer “fulano é um irresponsável, um incompetente, vive fora da realidade”. A verdade é que, como já disse o grande escritor argentino Jorge Luis Borges, em tom de blague, a gente é obrigado a se relacionar com poetas – ou até mesmo com gente pior.
E no entanto meu pai tem, sim, e muito mal disfarçada, uma veia poética que sangra regularmente. Ele lê furiosamente, curte palavras charmosas e inteiramente fora de moda, faz questão de escolher expressões evocativas e nostálgicas para se referir aos objetos mais comuns. “Bacia das almas” é o nome que ele deu a uma bacia de alumínio do seu galpão de ferramentas, à qual remete todas as porcas, arruelas e para fusos para os quais não vê aplicação imediata. É na “Bacia das almas” que vão repousar, talvez para sempre, os objetos rejeitados, tortos, gastos, empenados, os que não se encaixam; é lá que viverão eles na improvável esperança de se tornarem úteis novamente, ou, quem sabe, pela primeira vez.”
Lembrei-me, enquanto lia esse texto tão sugestivo, de que o poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu há muito tempo um livro chamado Brejo das Almas – nome que ele tomou emprestado de uma cidadezinha mineira. É um livro melancólico, e o título espelha bem o estado de ânimo em que se encontrava ele quando escreveu aqueles poemas. Como se vê, assim como acontece com parafusos tortos e outras tranqueiras inúteis, também conosco parece às vezes não haver outro remédio senão irmos parar numa bacia de alumínio, onde jogamos nossas almas, ou num brejo, onde elas podem atolar.
(Belisário de Lima Tenório)
As normas de concordância verbal estão plenamente atendidas na frase:
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Um paciente de 22 anos vem apresentando crises de suboclusão intestinal, que se resolvem com sondagem gástrica e jejum. Ao exame físico apresenta duas fístulas perianais. A tomografia mostra espessamento de íleo terminal, com gânglios e infiltrado do mesentério adjacente. Diagnóstico mais provável:
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Submetida a colecistectomia eletiva, uma paciente de 58 anos, saudável a menos de uma obesidade leve, apresenta, no segundo dia de pós-operatório, temperatura axilar de 37,8ºC. Nega tosse, dor abdominal ou qualquer outra queixa. Está em bom estado geral, alimenta-se normalmente e as incisões da cirurgia têm bom aspecto. Causa mais provável do aumento da temperatura:
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Droga eficaz para ajudar no controle da hemorragia por varizes de esôfago:
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Um paciente de 54 anos, previamente hígido, apresenta abdome agudo obstrutivo, com obstrução em alça fechada, por tumor de sigmóide. Clinicamente bem, foi submetido a laparotomia, onde foram achadas várias lacerações na serosa do ceco, com herniação de mucosa, de aspecto acinzentado. Melhor conduta:
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Lugar das almas
Li este texto outro dia, quando especulava um interessante site da Internet:
“Meu pai, que gosta de se considerar um sujeito objetivo e pragmático, usa o termo poeta como uma espécie de xingamento. “Fulano é um poeta”, ele diz, querendo dizer “fulano é um irresponsável, um incompetente, vive fora da realidade”. A verdade é que, como já disse o grande escritor argentino Jorge Luis Borges, em tom de blague, a gente é obrigado a se relacionar com poetas – ou até mesmo com gente pior.
E no entanto meu pai tem, sim, e muito mal disfarçada, uma veia poética que sangra regularmente. Ele lê furiosamente, curte palavras charmosas e inteiramente fora de moda, faz questão de escolher expressões evocativas e nostálgicas para se referir aos objetos mais comuns. “Bacia das almas” é o nome que ele deu a uma bacia de alumínio do seu galpão de ferramentas, à qual remete todas as porcas, arruelas e para fusos para os quais não vê aplicação imediata. É na “Bacia das almas” que vão repousar, talvez para sempre, os objetos rejeitados, tortos, gastos, empenados, os que não se encaixam; é lá que viverão eles na improvável esperança de se tornarem úteis novamente, ou, quem sabe, pela primeira vez.”
Lembrei-me, enquanto lia esse texto tão sugestivo, de que o poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu há muito tempo um livro chamado Brejo das Almas – nome que ele tomou emprestado de uma cidadezinha mineira. É um livro melancólico, e o título espelha bem o estado de ânimo em que se encontrava ele quando escreveu aqueles poemas. Como se vê, assim como acontece com parafusos tortos e outras tranqueiras inúteis, também conosco parece às vezes não haver outro remédio senão irmos parar numa bacia de alumínio, onde jogamos nossas almas, ou num brejo, onde elas podem atolar.
(Belisário de Lima Tenório)
“Bacia das almas” é o nome que ele deu a uma bacia de alumínio, à qual remete tudo aquilo que não tem aplicação imediata.
A frase acima permanecerá formalmente correta caso se substituam os elementos sublinhados, respectivamente, por:
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Uma paciente de 65 anos queixa-se de disfagia progressiva. É feito o diagnóstico de megaesôfago chagásico. O esofagograma mostra dilatação acentuada do esôfago, mas não se trata de dolicomegaesôfago. O próximo passo mais apropriado na avaliação/tratamento desta paciente é
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