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2127944 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: PGE-RS

Em julho de 1948, Nelson Rodrigues lançou mais uma novela de “Suzana Flag”: “Núpcias de fogo”. O primeiro capítulo saiu simultaneamente em “O Cruzeiro” e “O Jornal”, e o folhetim seguiu depois no matutino. Os leitores pareciam não se cansar de “Suzana Flag” – Nelson é que já não a tolerava mais. Estavaa com a cabeça definitivamente no teatro e só continuava escrevendo folhetins ....porque......... precisava sustentar-se. Em 1949, Freddy Chateaubriand trocou sua função de diretor de “O Jornal” pelo comando no “Diário da Noite” e levou Nelson com ele. A pedido de Nelson, deixaram “Suzana Flag” para trás, congelada e morta.

Mas Nelson não ficou livre. Em lugar de “Suzana Flag”, Freddy inventou “Myrna”, a nova máscara feminina de Nelson Rodrigues. Dava na mesma, exceto que “Myrna” teria um concorrente à altura no “Diário da Noite”: o folhetimb “Giselle, a espiã nua que abalou Paris”, assinado por “Giselle de Monfort” – na verdade, David Nasser – e ilustrado com fotos moderadamente eróticas de Jean Manzon, com modelos cariocas. Talvez por essa, talvez por outras razões, “Myrna” não conheceu a glória longeva de “Suzana Flag”. Viveu apenas um ano, durante o qual produziu “A mulher que amou demais” – e propiciou a Freddy Chateaubriand uma ideia que ele não tivera em “O Jornal”.

A correspondência de “Myrna” era tão descomunal que era uma pena não transformá-la num “correio sentimental”. Ei, e .....por...que.... não? As leitoras acreditavam em “Myrna” e escreviam contando suas brigas com a mãe ou com o namorado, pedindo conselhos. Nelson poderia responder-lhes, com a solidariedade que sempre dispensara ....às.... mulheres – e faturando mais alguma grana. A seção se chamaria “Myrna escreve” e teria a ilustração de uma mulher com os olhos tarjados; Nelsonc escreveria na primeira pessoa do feminino.

Numa das cartas, a leitora contava que, mal conhecera um rapaz, apaixonou-se por ele e lhe emprestou um valioso anel; o namorado pôs o anel no prego, jogou nos cavalos e ficou sem dinheiro para resgatar a cautela; a mãe obrigou-a a largar o rapaz e lhe raspou a cabeça, para que tão cedo não saísse de casa. A moça perguntava a “Myrna”: “Pode-se amar um ladrão?”

Nelson, lixando unhas invisíveis, respondeu: “Ai de nós, Fulana! Uma mulher pode, perfeitamente, gostar de um ladrão. Por um motivo:d o coração não enxerga um palmo adiante do nariz. Se ele só se inclinasse por rapazes direitos, estaria tudo salvo. De onde resultam as tragédias amorosas? Precisamente, do fato de que ninguém escolhe certo, mas escolhe, quase sempre, errado. Vou mais longe: a gente não escolhe certo, nem errado. A gente não escolhe.

“Gostamos e deixamos de gostar, por uma série de fatores estranhos à nossa vontade. De forma quee, em realidade, tudo é uma pura e simples questão de sorte. Às vezes coincide que o nosso amor seja um cidadão seríssimo, respeitador, cumpridor dos deveres. Foi o quê? Uma escolha consciente? Uma seleção hábil? Não, em absoluto. Foi sorte, nada mais que sorte. A mulher pode amar, segundo sua estrela, um escafandrista, um domador, um trocador de ônibus ou um príncipe. A você, Fulana, coube a seguinte sorte: amar um ladrão.”

(Extraído e adaptado de Rui Castro, O Anjo Pornográfico:

A Vida de Nelson Rodrigues. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. p.219-220. 517 palavras.)

Assinale a alteração referente a sinal de pontuação que seria INCORRETA no texto.

 

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2127683 Ano: 2021
Disciplina: Legislação Estadual e Distrital
Banca: FUNDATEC
Orgão: PGE-RS

Considerando as disposições da Lei Complementar Estadual nº 11.742, de 17 de janeiro de 2002, é INCORRETO afirmar que:

 

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2127682 Ano: 2021
Disciplina: Legislação Estadual e Distrital
Banca: FUNDATEC
Orgão: PGE-RS

Analise as assertivas abaixo, em relação aos servidores da Procuradoria-Geral do Estado do Rio Grande do Sul, à luz da Lei Estadual nº 13.380, de 20 de janeiro de 2010.

I. O Plano de Carreira e de Vencimentos do Quadro de Pessoal dos Serviços Auxiliares da Procuradoria-Geral do Estado do Rio Grande do Sul tem por diretriz a adoção de carreira para o pessoal de seus serviços auxiliares, organizando o escalonamento de cargos e proporcionando o crescimento profissional pela promoção vertical e progressão horizontal, com quadro próprio, sujeito ao regime estatutário, e recrutado, exclusivamente, por concurso público de provas ou de provas e títulos.

II. Não fará jus à promoção por merecimento o servidor licenciado para o exercício de mandato classista, nem o servidor posto à disposição de outros órgãos ou entidades.

III. O estágio probatório dos integrantes do Quadro de Pessoal dos Serviços Auxiliares da Procuradoria-Geral do Estado será regulamentado pelo Procurador- Geral do Estado.

Quais estão corretas?

 

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2115747 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: PGE-RS

Alguém tinha contado a David a história do sujeito diagnosticado com uma doença grave a quem o médico só havia dado um ano de vida: o doente pediu demissão do emprego, vendeu tudo o que tinha e foi gastar numa farra de dimensões épicas. Pouco depois, descobriu-se que o diagnóstico estava errado. Parece que o médico teve que enfrentar um processo, mas daí em diante a história perdia o interesse para David.

Ele pensava nisso ao observar o oncologista pegando um pequeno elefante de pedra verde que tinha em sua estante. Revirava-o entre as mãos enquanto falava. Era como se estivessem ali discutindo o caso do pequeno elefantea de pedra, não o de David. Tratamentos disponíveis. Meses a mais, meses a menos, dependendo disso ou daquilo. O médico examinou a tromba do elefante, as patas. Virou o animalb para um lado, para outro. Disse qualquer coisa sobre quimioterapia (e que no caso deleb não recomendava, e por que não) e radioterapia (e que no caso dele recomendava, e por quê ).

Lá do fundo do oceano de silêncio onde David estava mergulhado, por um instante ele teve a impressão de que o elefante ia responder. Seu novo porta-vozc de pedra verde, que falaria por ele, com uma voz pequena, mineral e ponderada. Já que as palavras de David pareciam estar enfiadas dentro de alguma gaveta, num canto do seu cérebro doente. Em meio à pressa e à desordem, elec não conseguia encontrá-las.

David tinha lido numa revista, muitos anos antes, que os elefantes abandonam sua manada ao sentir que a morte está próxima e vão sozinhos procurar um lugar onde não seja difícil encontrar água e abrigo. Os dentes se fragilizam, perdem a eficiência, e os animais vão buscar áreas pantanosas,d onde encontram o alimento já amolecido. Parecia ser essad a origem do mito do cemitério de elefantes: era só uma coincidência geográfica, um lugar onde tentavam aliviar as dificuldades de enfrentar por si a última fase da vida. Era ali que, solitários, viam seu último dia e davam seu último suspiro, abandonando aquele colosso de corpo que antes parecia indestrutível. Elefantes não deveriam morrer. Mas morriam. Sobravam os ossos.

Terminada a consulta, ele apertou com sua mão fria a mão morna e segura do médico. A enfermeirae, profissionalíssima, levou-o para tratar de todas as formalidades que continuavam existindo, a mesma teia de ordem, o mesmo seguir adiante. Havia papéis que devia assinar,e agradecimentos que devia fazer, com sorrisos que não eram sorrisos, eram só contrações dos músculos do rosto. Ele pensou na embocadura do trompete. Ajeite os músculos desse jeito, coloque a pressão correta, nem mais, nem menos, e sopre.

Não arrancou as roupas e saiu gritando pelas ruas, parte de um grupo de pessoas às quais finalmente se permitia certa falta de juízo. Não passou a mão na bunda da enfermeira que fazia o possível para fingir que não era bonita. Não subiu no telhado da clínica. Só o que fez foi procurar um café ali perto, surpreso com o modo como tudo continuava igual. O céu não tinha ficado cor de abóbora, nem o chão tremia, nem godzillas pisoteavam os carros.

(Extraído e adaptado de Adriana Lisboa, Hanói. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013. p.9-11. 522 palavras.)

Assinale a alternativa em que a relação de referência está correta.

 

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2115746 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: PGE-RS

Alguém tinha contado a David a história do sujeito diagnosticado com uma doença grave a quem o médico só havia dado um ano de vida: o doente pediu demissão do emprego, vendeu tudo o que tinha e foi gastar numa farra de dimensões épicas. Pouco depois, descobriu-se que o diagnóstico estava errado. Parece que o médico teve que enfrentar um processo, mas daí em diante a história perdia o interesse para David.

Ele pensava nisso ao observar o oncologista pegando um pequeno elefante de pedra verde que tinha em sua estante. Revirava-o entre as mãos enquanto falava. Era como se estivessem ali discutindo o caso do pequeno elefante de pedra, não o de David. Tratamentos disponíveis. Meses a mais, meses a menos, dependendo disso ou daquilo. O médico examinou a tromba do elefante, as patas. Virou o animal para um lado, para outro. Disse qualquer coisa sobre quimioterapia (e que no caso dele não recomendava, e por quê não) e radioterapia (e que no caso dele recomendava, e por que ).

Lá do fundo do oceano de silêncio onde David estava mergulhado, por um instante ele teve a impressão de que o elefante ia responder. Seu novo porta-voz de pedra verde, que falaria por ele, com uma voz pequena, mineral e ponderada. Já que as palavras de David pareciam estar enfiadas dentro de alguma gaveta, num canto do seu cérebro doente. Em meio à pressa e à desordem, ele não conseguia encontrá-las.

David tinha lido numa revista, muitos anos antes, que os elefantes abandonam sua manada ao sentir que a morte está próxima e vão sozinhos procurar um lugar onde não seja difícil encontrar água e abrigo. Os dentes se fragilizam, perdem a eficiência, e os animais vão buscar áreas pantanosas, onde encontram o alimento já amolecido. Parecia ser essa a origem do mito do cemitério de elefantes: era só uma coincidência geográfica, um lugar onde tentavam aliviar as dificuldades de enfrentar por si a última fase da vida. Era ali que, solitários, viam seu último dia e davam seu último suspiro, abandonando aquele colosso de corpo que antes parecia indestrutível. Elefantes não deveriam morrer. Mas morriam. Sobrava os ossos.

Terminada a consulta, ele apertou com sua mão fria a mão morna e segura do médico. A enfermeira, profissionalíssima, levou-o para tratar de todas as formalidades que continuavam existindo, a mesma teia de ordem, o mesmo seguir adiante. Havia papéis que devia assinar, agradecimentos que devia fazer, com sorrisos que não eram sorrisos, eram só contrações dos músculos do rosto. Ele pensou na embocadura do trompete. Ajeite os músculos desse jeito, coloque a pressão correta, nem mais, nem menos, e sopre.

Não arrancou as roupas e saiu gritando pelas ruas, parte de um grupo de pessoas às quais finalmente se permitia certa falta de juízo. Não passou a mão na bunda da enfermeira que fazia o possível para fingir que não era bonita. Não subiu no telhado da clínica. Só o que fez foi procurar um café ali perto, surpreso com o modo como tudo continuava igual. O céu não tinha ficado cor de abóbora, nem o chão tremia, nem godzillas pisoteavam os carros.

(Extraído e adaptado de Adriana Lisboa, Hanói. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013. p.9-11. 522 palavras.)

Assinale a afirmação que está de acordo com o texto.

 

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2115745 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: PGE-RS

Alguém tinha contado a David a história do sujeito diagnosticado com uma doença grave a quem o médico só havia dado um ano de vida: o doente pediu demissão do emprego, vendeu tudo o que tinha e foi gastar numa farra de dimensões épicas. Pouco depoisI, descobriu-se que o diagnóstico estava errado. Parece que o médico teve que enfrentar um processo, mas daí em diante a história perdia o interesse para David.

Ele pensava nisso ao observar o oncologista pegando um pequeno elefante de pedra verde que tinha em sua estante. Revirava-o entre as mãos enquanto falava. Era como se estivessem ali discutindo o caso do pequeno elefante de pedra, não o de David. Tratamentos disponíveis. Meses a mais, meses a menos, dependendo disso ou daquilo. O médico examinou a tromba do elefante, as patas. Virou o animal para um lado, para outro. Disse qualquer coisa sobre quimioterapia (e que no caso dele não recomendava, e por quê não) e radioterapia (e que no caso dele recomendava, e por que ).

Lá do fundo do oceano de silêncio onde David estava mergulhado, por um instante ele teve a impressão de que o elefante ia responder. Seu novo porta-voz de pedra verde, que falaria por ele, com uma voz pequena, mineral e ponderada. Já que as palavras de David pareciam estar enfiadas dentro de alguma gaveta, num canto do seu cérebro doente. Em meio à pressa e à desordem, ele não conseguia encontrá-las.

David tinha lido numa revista, muitos anos antes, que os elefantes abandonam sua manada ao sentir que a morte está próxima e vão sozinhos procurar um lugar onde não seja difícil encontrar água e abrigo. Os dentes se fragilizam, perdem a eficiência, e os animaisII vão buscar áreas pantanosas, onde encontram o alimento já amolecido. Parecia ser essa a origem do mito do cemitério de elefantes: era só uma coincidência geográfica, um lugar onde tentavam aliviar as dificuldades de enfrentar por si a última fase da vida. Era ali que, solitários, viam seu último dia e davam seu último suspiro, abandonando aquele colosso de corpo que antes parecia indestrutível. Elefantes não deveriam morrer. Mas morriam. Sobrava os ossos.

TerminadaIII a consulta, ele apertou com sua mão fria a mão morna e segura do médico. A enfermeira, profissionalíssima, levou-o para tratar de todas as formalidades que continuavam existindo, a mesma teia de ordem, o mesmo seguir adiante. Havia papéis que devia assinar, agradecimentos que devia fazer, com sorrisos que não eram sorrisos, eram só contrações dos músculos do rosto. Ele pensou na embocadura do trompete. Ajeite os músculos desse jeito, coloque a pressão correta, nem mais, nem menos, e sopre.

Não arrancou as roupas e saiu gritando pelas ruas, parte de um grupo de pessoas às quais finalmente se permitia certa falta de juízo. Não passou a mão na bunda da enfermeira que fazia o possível para fingir que não era bonita. Não subiu no telhado da clínica. Só o que fez foi procurar um café ali perto, surpreso com o modo como tudo continuava igual. O céu não tinha ficado cor de abóbora, nem o chão tremia, nem godzillas pisoteavam os carros.

(Extraído e adaptado de Adriana Lisboa, Hanói. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013. p.9-11. 522 palavras.)

Analise as possibilidades de alterações abaixo, referentes ao uso de nexos no texto, desconsiderando as eventuais alterações de maiúsculas e minúsculas:

I. Inserção de Mas seguido de vírgula antes de Pouco depois.

II. Substituição de ..., e... em a eficiência, e os animais por ...; por isso,... .

III. Inserção de Assim que antes de Terminada.

Quais estão corretas?

 

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2115744 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: PGE-RS

Alguém tinha contado a David a história do sujeito diagnosticado com uma doença grave a quem o médico só havia dado um ano de vida: o doente pediu demissão do emprego, vendeu tudo o que tinha e foi gastar numa farra de dimensões épicas. Pouco depois, descobriu-se que o diagnóstico estava errado. Parece que o médico teve que enfrentar um processo, mas daí em diante a história perdia o interesse para David.

Ele pensava nisso ao observar o oncologista pegando um pequeno elefante de pedra verde que tinha em sua estante. Revirava-o entre as mãos enquanto falava. Era como se estivessem ali discutindo o caso do pequeno elefante de pedra, não o de David. Tratamentos disponíveis. Meses a mais, meses a menos, dependendo disso ou daquilo. O médico examinou a tromba do elefante, as patas. Virou o animal para um lado, para outro. Disse qualquer coisa sobre quimioterapia (e que no caso dele não recomendava, e por quê não) e radioterapia (e que no caso dele recomendava, e por que ).

Lá do fundo do oceano de silêncio onde David estava mergulhado, por um instante ele teve a impressão de que o elefante ia responder. Seu novo porta-voz de pedra verde, que falaria por ele, com uma voz pequena, mineral e ponderada. Já que as palavras de David pareciam estar enfiadas dentro de alguma gaveta, num canto do seu cérebro doente. Em meio à pressa e à desordem, ele não conseguia encontrá-las.

David tinha lido numa revista, muitos anos antes, que os elefantes abandonam sua manada ao sentir que a morte está próxima e vão sozinhos procurar um lugar onde não seja difícil encontrar água e abrigo. Os dentes se fragilizam, perdem a eficiência, e os animais vão buscar áreas pantanosas, onde encontram o alimento já amolecido. Parecia ser essa a origem do mito do cemitério de elefantes: era só uma coincidência geográfica, um lugar onde tentavam aliviar as dificuldades de enfrentar por si a última fase da vida. Era ali que, solitários, viam seu último dia e davam seu último suspiro, abandonando aquele colosso de corpo que antes parecia indestrutível. Elefantes não deveriam morrer. Mas morriam. Sobrava os ossos.

Terminada a consulta, ele apertou com sua mão fria a mão morna e segura do médico. A enfermeira, profissionalíssima, levou-o para tratar de todas as formalidades que continuavam existindo, a mesma teia de ordem, o mesmo seguir adiante. Havia papéis que devia assinar, agradecimentos que devia fazer, com sorrisos que não eram sorrisos, eram só contrações dos músculos do rosto. Ele pensou na embocadura do trompete. Ajeite os músculos desse jeito, coloque a pressão correta, nem mais, nem menos, e sopre.

Não arrancou as roupas e saiu gritando pelas ruas, parte de um grupo de pessoas às quais finalmente se permitia certa falta de juízo. Não passou a mão na bunda da enfermeira que fazia o possível para fingir que não era bonita. Não subiu no telhado da clínica. Só o que fez foi procurar um café ali perto, surpreso com o modo como tudo continuava igual. O céu não tinha ficado cor de abóbora, nem o chão tremia, nem godzillas pisoteavam os carros.

(Extraído e adaptado de Adriana Lisboa, Hanói. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013. p.9-11. 522 palavras.)

Analise o trecho abaixo (extraído e adaptado) e as propostas de reescrita para ele a seguir.

Seu novo porta-voz de pedra falaria por ele. Já que as palavras de David pareciam estar escondidas num canto do seu cérebro. Em meio à pressa e à desordem, ele não conseguia encontrá-las.

I. Seu novo porta-voz de pedra falaria por ele, já que as palavras de David pareciam estar escondidas num canto do seu cérebro: em meio à pressa e à desordem, ele não conseguia encontrá-las.

II. Seu novo porta-voz de pedra falaria por ele. Já que as palavras de David pareciam estar escondidas num canto do seu cérebro, em meio à pressa e à desordem ele não conseguia encontrá-las.

III. Seu novo porta-voz de pedra falaria por ele; já que as palavras de David pareciam estar escondidas num canto do seu cérebro em meio à pressa e à desordem, ele não conseguia encontrá-las.

Quais propostas são corretas e mantêm o sentido do trecho?

 

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2115743 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: PGE-RS

Em julho de 1948, Nelson Rodrigues lançou mais uma novela de “Suzana Flag”: “Núpcias de fogo”. O primeiro capítulo saiu simultaneamente em “O Cruzeiro” e “O Jornal”, e o folhetim seguiu depois no matutino. Os leitores pareciam não se cansar de “Suzana Flag” – Nelson é que já não a tolerava mais. Estava com a cabeça definitivamente no teatro e só continuava escrevendo folhetins ....porque......... precisava sustentar-se. Em 1949, Freddy Chateaubriand trocou sua função de diretor de “O Jornal” pelo comando no “Diário da Noite” e levou Nelson com ele. A pedido de Nelson, deixaram “Suzana Flag” para trás, congelada e morta.

Mas Nelson não ficou livre. Em lugar de “Suzana Flag”, Freddy inventou “Myrna”, a nova máscara feminina de Nelson Rodrigues. Dava na mesma, exceto que “Myrna” teria um concorrente à altura no “Diário da Noite”: o folhetim “Giselle, a espiã nua que abalou Paris”, assinado por “Giselle de Monfort” – na verdade, David Nasser – e ilustrado com fotos moderadamente eróticas de Jean Manzon, com modelos cariocas. Talvez por essa, talvez por outras razões, “Myrna” não conheceu a glória longeva de “Suzana Flag”. Viveu apenas um ano, durante o qual produziu “A mulher que amou demais” – e propiciou a Freddy Chateaubriand uma ideia que ele não tivera em “O Jornal”.

A correspondência de “Myrna” era tão descomunal que era uma pena não transformá-la num “correio sentimental”. Ei, e .....por...que.... não? As leitoras acreditavam em “Myrna” e escreviam contando suas brigas com a mãe ou com o namorado, pedindo conselhos. Nelson poderia responder-lhes, com a solidariedade que sempre dispensara ....às.... mulheres – e faturando mais alguma grana. A seção se chamaria “Myrna escreve” e teria a ilustração de uma mulher com os olhos tarjados; Nelson escreveria na primeira pessoa do feminino.

Numa das cartas, a leitora contava que, mal conhecera um rapaz, apaixonou-se por ele e lhe emprestou um valioso anel; o namorado pôs o anel no prego, jogou nos cavalos e ficou sem dinheiro para resgatar a cautela; a mãe obrigou-a a largar o rapaz e lhe raspou a cabeça, para que tão cedo não saísse de casa. A moça perguntava a “Myrna”: “Pode-se amar um ladrão?”

Nelson, lixando unhas invisíveis, respondeu: “Ai de nós, Fulana! Uma mulher pode, perfeitamente, gostar de um ladrão. Por um motivo: o coração não enxerga um palmo adiante do nariz. Se ele só se inclinasse por rapazes direitos, estaria tudo salvo. De onde resultam as tragédias amorosas? Precisamente, do fato de que ninguém escolhe certo, mas escolhe, quase sempre, errado. Vou mais longe: a gente não escolhe certo, nem errado. A gente não escolhe.

“Gostamos e deixamos de gostar, por uma série de fatores estranhos à nossa vontade. De forma que, em realidade, tudo é uma pura e simples questão de sorte. Às vezes coincide que o nosso amor seja um cidadão seríssimo, respeitador, cumpridor dos deveres. Foi o quê? Uma escolha consciente? Uma seleção hábil? Não, em absoluto. Foi sorte, nada mais que sorte. A mulher pode amar, segundo sua estrela, um escafandrista, um domador, um trocador de ônibus ou um príncipe. A você, Fulana, coube a seguinte sorte: amar um ladrão.”

(Extraído e adaptado de Rui Castro, O Anjo Pornográfico:

A Vida de Nelson Rodrigues. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. p.219-220. 517 palavras.)

Assinale a afirmação que NÃO está de acordo com o texto.

 

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2115742 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: PGE-RS

Em julho de 1948, Nelson Rodrigues lançou mais uma novela de “Suzana Flag”: “Núpcias de fogo”. O primeiro capítulo saiu simultaneamente em “O Cruzeiro” e “O Jornal”, e o folhetim seguiu depois no matutino. Os leitores pareciam não se cansar de “Suzana Flag” – Nelson é que já não a tolerava mais. Estava com a cabeça definitivamente no teatro e só continuava escrevendo folhetins ....porque......... precisava sustentar-se. Em 1949, Freddy Chateaubriand trocou sua função de diretor de “O Jornal” pelo comando no “Diário da Noite” e levou Nelson com ele. A pedido de Nelson, deixaram “Suzana Flag” para trás, congelada e morta.

Mas Nelson não ficou livreI. Em lugar de “Suzana Flag”, Freddy inventou “Myrna”, a nova máscara feminina de Nelson Rodrigues. Dava na mesma, exceto que “Myrna” teria um concorrente à altura no “Diário da Noite”: o folhetim “Giselle, a espiã nua que abalou Paris”, assinado por “Giselle de Monfort” – na verdade, David Nasser – e ilustrado com fotos moderadamente eróticas de Jean Manzon, com modelos cariocas. Talvez por essa, talvez por outras razões, “Myrna” não conheceu a glória longeva de “Suzana Flag”. Viveu apenas um ano, durante o qual produziu “A mulher que amou demais” – e propiciou a Freddy Chateaubriand uma ideia que ele não tivera em “O Jornal”.

A correspondência de “Myrna” era tão descomunal que era uma pena não transformá-la num “correio sentimental”. Ei, e .....por...que.... não? As leitoras acreditavam em “Myrna” e escreviam contando suas brigas com a mãe ou com o namorado, pedindo conselhos. Nelson poderia responder-lhes, com a solidariedade que sempre dispensara ....às.... mulheres – e faturando mais alguma grana. A seção se chamaria “Myrna escreve” e teria a ilustração de uma mulher com os olhos tarjados; Nelson escreveria na primeira pessoa do feminino.

Numa das cartas, a leitora contava que, mal conhecera um rapaz, apaixonou-se por ele e lhe emprestou um valioso anel; o namorado pôs o anel no prego, jogou nos cavalos e ficou sem dinheiro para resgatar a cautela; a mãe obrigou-a a largar o rapaz e lhe raspou a cabeça, para que tão cedo não saísse de casa. A moça perguntava a “Myrna”: “Pode-se amar um ladrão?”

Nelson, lixando unhas invisíveis, respondeu: “Ai de nós, Fulana!II Uma mulher pode, perfeitamente, gostar de um ladrão. Por um motivo: o coração não enxerga um palmo adiante do nariz. Se ele só se inclinasse por rapazes direitos, estaria tudo salvo. De onde resultam as tragédias amorosas? Precisamente, do fato de que ninguém escolhe certo, mas escolhe, quase sempre, errado. Vou mais longe: a gente não escolhe certo, nem errado. A gente não escolhe.

“Gostamos e deixamos de gostar, por uma série de fatores estranhos à nossa vontade. De forma que, em realidade, tudo é uma pura e simples questão de sorte. Às vezes coincide que o nosso amor seja um cidadão seríssimo, respeitador, cumpridor dos deveres. Foi o quê? Uma escolha consciente? Uma seleção hábil? Não, em absoluto. Foi sorte, nada mais que sorte. A mulher pode amar, segundo sua estrela, um escafandrista, um domador, um trocador de ônibus ou um príncipeIII. A você, Fulana, coube a seguinte sorte: amar um ladrão.”

(Extraído e adaptado de Rui Castro, O Anjo Pornográfico:

A Vida de Nelson Rodrigues. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. p.219-220. 517 palavras.)

Analise as seguintes afirmações sobre o sentido das expressões no texto:

I. A frase Mas Nelson não ficou livre sugere que Nelson Rodrigues tinha esperança de que, indo para o “Diário da Noite”, não teria mais de escrever folhetins como o de “Suzana Flag”.

II. Na frase “Ai de nós, Fulana!”, nós refere-se às mulheres, expressando a identificação e a solidariedade de “Myrna” – a voz feminina de Nelson – com sua leitora.

III. Entre os termos listados no segmento um escafandrista, um domador, um trocador de ônibus ou um príncipe, só um não é aleatório, acidental, para o sentido do texto: um príncipe.

Quais estão corretas?

 

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2115741 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: PGE-RS

Em julho de 1948, Nelson Rodrigues lançou mais uma novela de “Suzana Flag”: “Núpcias de fogo”. O primeiro capítulo saiu simultaneamente em “O Cruzeiro” e “O Jornal”, e o folhetim seguiu depois no matutino. Os leitores pareciam não se cansar de “Suzana Flag” – Nelson é que já não a tolerava mais. Estava com a cabeça definitivamente no teatro e só continuava escrevendo folhetins ....porque......... precisava sustentar-se. Em 1949, Freddy Chateaubriand trocou sua função de diretor de “O Jornal” pelo comando no “Diário da Noite” e levou Nelson com ele. A pedido de Nelson, deixaram “Suzana Flag” para trás, congelada e morta.

Mas Nelson não ficou livre. Em lugar de “Suzana Flag”, Freddy inventou “Myrna”, a nova máscara feminina de Nelson Rodrigues. Dava na mesma, exceto que “Myrna” teria um concorrente à altura no “Diário da Noite”: o folhetim “Giselle, a espiã nua que abalou Paris”, assinado por “Giselle de Monfort” – na verdade, David Nasser – e ilustrado com fotos moderadamente eróticas de Jean Manzon, com modelos cariocas. Talvez por essa, talvez por outras razões, “Myrna” não conheceu a glória longeva de “Suzana Flag”. Viveu apenas um ano, durante o qual produziu “A mulher que amou demais” – e propiciou a Freddy Chateaubriand uma ideia que ele não tivera em “O Jornal”.

A correspondência de “Myrna” era tão descomunal que era uma pena não transformá-la num “correio sentimental”. Ei, e .....por...que.... não? As leitoras acreditavam em “Myrna” e escreviam contando suas brigas com a mãe ou com o namorado, pedindo conselhos. Nelson poderia responder-lhes, com a solidariedade que sempre dispensara ....às.... mulheres – e faturando mais alguma grana. A seção se chamaria “Myrna escreve” e teria a ilustração de uma mulher com os olhos tarjados; Nelson escreveria na primeira pessoa do feminino.

Numa das cartas, a leitora contava que, mal conhecera um rapaz, apaixonou-se por ele e lhe emprestou um valioso anel; o namorado pôs o anel no prego, jogou nos cavalos e ficou sem dinheiro para resgatar a cautela; a mãe obrigou-a a largar o rapaz e lhe raspou a cabeça, para que tão cedo não saísse de casa. A moça perguntava a “Myrna”: “Pode-se amar um ladrão?”

Nelson, lixando unhas invisíveis, respondeu: “Ai de nós, Fulana! Uma mulher pode, perfeitamente, gostar de um ladrão. Por um motivo: o coração não enxerga um palmo adiante do nariz. Se ele só se inclinasse por rapazes direitos, estaria tudo salvo. De onde resultam as tragédias amorosas? Precisamente, do fato de que ninguém escolhe certo, mas escolhe, quase sempre, errado. Vou mais longe: a gente não escolhe certo, nem errado. A gente não escolhe.

“Gostamos e deixamos de gostar, por uma série de fatores estranhos à nossa vontade. De forma que, em realidade, tudo é uma pura e simples questão de sorte. Às vezes coincide que o nosso amor seja um cidadão seríssimo, respeitador, cumpridor dos deveres. Foi o quê? Uma escolha consciente? Uma seleção hábil? Não, em absoluto. Foi sorte, nada mais que sorte. A mulher pode amar, segundo sua estrela, um escafandrista, um domador, um trocador de ônibus ou um príncipe. A você, Fulana, coube a seguinte sorte: amar um ladrão.”

(Extraído e adaptado de Rui Castro, O Anjo Pornográfico:

A Vida de Nelson Rodrigues. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. p.219-220. 517 palavras.)

Assinale a alternativa que contém, de acordo com o texto, a melhor substituição para definitivamente, longeva e sua estrela.

 

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