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4140212 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: IFC
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O alívio de não ser tão importante

Por Pedro Guerra Kuman

01 No início dos anos 2000, um estudante entrou numa sala cheia usando uma camiseta

02 considerada constrangedora. Não era provocação nem descuido: era parte de um experimento

03 de psicologia social. Depois de alguns minutos entre olhares dispersos e conversas paralelas,

04 perguntaram a ele quantas pessoas haviam reparado na vestimenta. “Metade da sala”,

05 respondeu confiante. Todavia, na prática, pouco mais de um quinto percebeu.

06 Lembrei-me dessa história dias atrás, quando um amigo me disse: nós não somos tão

07 importantes assim.

08 Nós, pessoas de pensamento acelerado, tendemos a acreditar que a catástrofe é uma

09 certeza que eventualmente vai nos encontrar. Antecipamos cenários inexistentes, ensaiamos

10 diálogos que nunca existirão, prevemos um enredo que, de tanto ninguém querer ver, ele nem

11 mesmo acontece. Gostamos de acreditar que somos protagonistas da nossa própria história —

12 e, em alguma medida, somos mesmo. A questão é que, na vida dos outros, na maioria das

13 vezes, a gente é só figurante.

14 A Psicologia chama isso de “efeito holofote”: a tendência de acreditar que há sempre um

15 foco apontado para nós, por isso superestimamos o quanto os outros estão nos julgando e nos

16 assistindo. E de fato: a vida é uma eterna performance. Porém, muitas vezes esquecemos que

17 nem sempre seremos o centro da plateia alheia. Não porque sejamos irrelevantes ou porque

18 ninguém se importe em absoluto, mas porque cada um está ocupado demais tentando

19 administrar as próprias dores.

20 Na sociedade da vitrine, nos acostumamos a sermos observados o tempo inteiro. Há

21 reação, há métrica — há sempre algum número medindo nossa existência. As redes sociais

22 reforçaram essa sensação de palco permanente. Sem perceber, passamos a buscar confirmação:

23 eu quero ser aceito para não correr o risco de ficar de fora. Curioso como, em pleno século 21,

24 ainda reagimos como se estivéssemos tentando garantir um lugar na fogueira da caverna.

25 Para mim, a frase do meu amigo foi como um lembrete: nem todo mundo está interessado

26 no que a gente veste, escolhe fazer, diz ou em como nos desempenhamos. É quase mágico esse

27 momento em que percebemos o alívio de não ser tão importante. Funciona quase como uma

28 redenção, um desprender-se. É o local onde se pode errar em paz. Afinal, se o mundo não para

29 por causa dos nossos constrangimentos, ele certamente também não irá parar por conta dos

30 nossos fracassos. E, se repararmos bem, veremos que há uma espécie de humildade nisso. É a

31 constatação de que o mundo é grande demais para girar em torno dos nossos tropeços. E que,

32 ainda assim, seguimos pertencendo a ele.

33 Talvez o erro seja acreditar que precisamos ser protagonistas o tempo todo. Há uma

34 liberdade silenciosa e extraordinária em simplesmente aceitar o papel de coadjuvante vez que

35 outra. Para todos os efeitos, basta estar. Basta aprender a ser espectador. No fim, quem sabe a

36 vida não esteja nem aí para cada malabarismo das nossas performances. Ela só quer que a gente

37 esteja presente e que saibamos existir sem tanto esforço.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/pedro-guerra/noticia/2026/03/o-alivio-de-nao-ser-tao-importante-cmmdhxr1b01bg016a3bk8hyoi.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o correto emprego dos sinais de pontuação, analise as assertivas a seguir sobre trechos retirados do texto:

I. Em “A questão é que, na vida dos outros, na maioria das vezes, a gente é só figurante”, a dupla vírgula hachurada não poderia, em nenhuma circunstância, ser substituída por duplo travessão.

II. Em “E de fato: a vida é uma eterna performance”, pode-se substituir os dois-pontos por vírgula.

III. Em “Há reação, há métrica há sempre algum número medindo nossa existência”, pode-se substituir o travessão por dois-pontos sem causar prejuízo à correção do período.

Quais estão corretas?

 

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4140211 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: IFC
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O alívio de não ser tão importante

Por Pedro Guerra Kuman

01 No início dos anos 2000, um estudante entrou numa sala cheia usando uma camiseta

02 considerada constrangedora. Não era provocação nem descuido: era parte de um experimento

03 de psicologia social. Depois de alguns minutos entre olhares dispersos e conversas paralelas,

04 perguntaram a ele quantas pessoas haviam reparado na vestimenta. “Metade da sala”,

05 respondeu confiante. Todavia, na prática, pouco mais de um quinto percebeu.

06 Lembrei-me dessa história dias atrás, quando um amigo me disse: nós não somos tão

07 importantes assim.

08 Nós, pessoas de pensamento acelerado, tendemos a acreditar que a catástrofe é uma

09 certeza que eventualmente vai nos encontrar. Antecipamos cenários inexistentes, ensaiamos

10 diálogos que nunca existirão, prevemos um enredo que, de tanto ninguém querer ver, ele nem

11 mesmo acontece. Gostamos de acreditar que somos protagonistas da nossa própria história —

12 e, em alguma medida, somos mesmo. A questão é que, na vida dos outros, na maioria das

13 vezes, a gente é só figurante.

14 A Psicologia chama isso de “efeito holofote”: a tendência de acreditar que há sempre um

15 foco apontado para nós, por isso superestimamos o quanto os outros estão nos julgando e nos

16 assistindo. E de fato: a vida é uma eterna performance. Porém, muitas vezes esquecemos que

17 nem sempre seremos o centro da plateia alheia. Não porque sejamos irrelevantes ou porque

18 ninguém se importe em absoluto, mas porque cada um está ocupado demais tentando

19 administrar as próprias dores.

20 Na sociedade da vitrine, nos acostumamos a sermos observados o tempo inteiro. Há

21 reação, há métrica — há sempre algum número medindo nossa existência. As redes sociais

22 reforçaram essa sensação de palco permanente. Sem perceber, passamos a buscar confirmação:

23 eu quero ser aceito para não correr o risco de ficar de fora. Curioso como, em pleno século 21,

24 ainda reagimos como se estivéssemos tentando garantir um lugar na fogueira da caverna.

25 Para mim, a frase do meu amigo foi como um lembrete: nem todo mundo está interessado

26 no que a gente veste, escolhe fazer, diz ou em como nos desempenhamos. É quase mágico esse

27 momento em que percebemos o alívio de não ser tão importante. Funciona quase como uma

28 redenção, um desprender-se. É o local onde se pode errar em paz. Afinal, se o mundo não para

29 por causa dos nossos constrangimentos, ele certamente também não irá parar por conta dos

30 nossos fracassos. E, se repararmos bem, veremos que há uma espécie de humildade nisso. É a

31 constatação de que o mundo é grande demais para girar em torno dos nossos tropeços. E que,

32 ainda assim, seguimos pertencendo a ele.

33 Talvez o erro seja acreditar que precisamos ser protagonistas o tempo todo. Há uma

34 liberdade silenciosa e extraordinária em simplesmente aceitar o papel de coadjuvante vez que

35 outra. Para todos os efeitos, basta estar. Basta aprender a ser espectador. No fim, quem sabe a

36 vida não esteja nem aí para cada malabarismo das nossas performances. Ela só quer que a gente

37 esteja presente e que saibamos existir sem tanto esforço.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/pedro-guerra/noticia/2026/03/o-alivio-de-nao-ser-tao-importante-cmmdhxr1b01bg016a3bk8hyoi.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Analise as propostas de alteração de trechos retirados do texto apresentadas a seguir, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.

( ) Em “Na sociedade da vitrine, nos acostumamos a sermos observados o tempo inteiro”, a substituição da forma verbal “acostumamos” por “habituamos” requer a troca da preposição “a” por “com”, embora não haja alteração do sentido original.

( ) No trecho “esse momento em que percebemos o alívio de não ser tão importante”, caso se faça a substituição da forma verbal “percebemos” pela expressão “nos damos conta”, seria obrigatória a inserção da preposição “de”, contraída ao artigo “o”, determinante de “alívio”.

( ) Em “E que, ainda assim, seguimos pertencendo a ele”, a substituição da forma verbal “pertencendo” por “sendo parte” acarretaria a obrigatória substituição da preposição “a” por “de”, em contração com o pronome pessoal “ele”.

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

 

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4140210 Ano: 2026
Disciplina: Português
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O alívio de não ser tão importante

Por Pedro Guerra Kuman

01 No início dos anos 2000, um estudante entrou numa sala cheia usando uma camiseta

02 considerada constrangedora. Não era provocação nem descuido: era parte de um experimento

03 de psicologia social. Depois de alguns minutos entre olhares dispersos e conversas paralelas,

04 perguntaram a ele quantas pessoas haviam reparado na vestimenta. “Metade da sala”,

05 respondeu confiante. Todavia, na prática, pouco mais de um quinto percebeu.

06 Lembrei-me dessa história dias atrás, quando um amigo me disse: nós não somos tão

07 importantes assim.

08 Nós, pessoas de pensamento acelerado, tendemos a acreditar que a catástrofe é uma

09 certeza que eventualmente vai nos encontrar. Antecipamos cenários inexistentes, ensaiamos

10 diálogos que nunca existirão, prevemos um enredo que, de tanto ninguém querer ver, ele nem

11 mesmo acontece. Gostamos de acreditar que somos protagonistas da nossa própria história —

12 e, em alguma medida, somos mesmo. A questão é que, na vida dos outros, na maioria das

13 vezes, a gente é só figurante.

14 A Psicologia chama isso de “efeito holofote”: a tendência de acreditar que há sempre um

15 foco apontado para nós, por isso superestimamos o quanto os outros estão nos julgando e nos

16 assistindo. E de fato: a vida é uma eterna performance. Porém, muitas vezes esquecemos que

17 nem sempre seremos o centro da plateia alheia. Não porque sejamos irrelevantes ou porque

18 ninguém se importe em absoluto, mas porque cada um está ocupado demais tentando

19 administrar as próprias dores.

20 Na sociedade da vitrine, nos acostumamos a sermos observados o tempo inteiro. Há

21 reação, há métrica — há sempre algum número medindo nossa existência. As redes sociais

22 reforçaram essa sensação de palco permanente. Sem perceber, passamos a buscar confirmação:

23 eu quero ser aceito para não correr o risco de ficar de fora. Curioso como, em pleno século 21,

24 ainda reagimos como se estivéssemos tentando garantir um lugar na fogueira da caverna.

25 Para mim, a frase do meu amigo foi como um lembrete: nem todo mundo está interessado

26 no que a gente veste, escolhe fazer, diz ou em como nos desempenhamos. É quase mágico esse

27 momento em que percebemos o alívio de não ser tão importante. Funciona quase como uma

28 redenção, um desprender-se. É o local onde se pode errar em paz. Afinal, se o mundo não para

29 por causa dos nossos constrangimentos, ele certamente também não irá parar por conta dos

30 nossos fracassos. E, se repararmos bem, veremos que há uma espécie de humildade nisso. É a

31 constatação de que o mundo é grande demais para girar em torno dos nossos tropeços. E que,

32 ainda assim, seguimos pertencendo a ele.

33 Talvez o erro seja acreditar que precisamos ser protagonistas o tempo todo. Há uma

34 liberdade silenciosa e extraordinária em simplesmente aceitar o papel de coadjuvante vez que

35 outra. Para todos os efeitos, basta estar. Basta aprender a ser espectador. No fim, quem sabe a

36 vida não esteja nem aí para cada malabarismo das nossas performances. Ela só quer que a gente

37 esteja presente e que saibamos existir sem tanto esforço.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/pedro-guerra/noticia/2026/03/o-alivio-de-nao-ser-tao-importante-cmmdhxr1b01bg016a3bk8hyoi.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Leia a charge abaixo e analise as asserções seguintes, considerando a relação proposta entre elas:

Enunciado 4680119-1

Fonte: Blog do Grupo de Estudos sobre Comunicação, Cultura e Sociedade – Grecos (2015).

I. A charge aborda uma das questões levantadas pelo texto da prova: a espetacularização da vida.

PORÉM

II. Ao passo que a charge demonstra como nos distanciamos das reais necessidades do outro, o texto reflete sobre como buscamos ser o espetáculo para o outro para não sermos excluídos do espetáculo em que se transformou a vida.

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.

 

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4140209 Ano: 2026
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O alívio de não ser tão importante

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01 No início dos anos 2000, um estudante entrou numa sala cheia usando uma camiseta

02 considerada constrangedora. Não era provocação nem descuido: era parte de um experimento

03 de psicologia social. Depois de alguns minutos entre olhares dispersos e conversas paralelas,

04 perguntaram a ele quantas pessoas haviam reparado na vestimenta. “Metade da sala”,

05 respondeu confiante. Todavia, na prática, pouco mais de um quinto percebeu.

06 Lembrei-me dessa história dias atrás, quando um amigo me disse: nós não somos tão

07 importantes assim.

08 Nós, pessoas de pensamento acelerado, tendemos a acreditar que a catástrofe é uma

09 certeza que eventualmente vai nos encontrar. Antecipamos cenários inexistentes, ensaiamos

10 diálogos que nunca existirão, prevemos um enredo que, de tanto ninguém querer ver, ele nem

11 mesmo acontece. Gostamos de acreditar que somos protagonistas da nossa própria história —

12 e, em alguma medida, somos mesmo. A questão é que, na vida dos outros, na maioria das

13 vezes, a gente é só figurante.

14 A Psicologia chama isso de “efeito holofote”: a tendência de acreditar que há sempre um

15 foco apontado para nós, por isso superestimamos o quanto os outros estão nos julgando e nos

16 assistindo. E de fato: a vida é uma eterna performance. Porém, muitas vezes esquecemos que

17 nem sempre seremos o centro da plateia alheia. Não porque sejamos irrelevantes ou porque

18 ninguém se importe em absoluto, mas porque cada um está ocupado demais tentando

19 administrar as próprias dores.

20 Na sociedade da vitrine, nos acostumamos a sermos observados o tempo inteiro. Há

21 reação, há métrica — há sempre algum número medindo nossa existência. As redes sociais

22 reforçaram essa sensação de palco permanente. Sem perceber, passamos a buscar confirmação:

23 eu quero ser aceito para não correr o risco de ficar de fora. Curioso como, em pleno século 21,

24 ainda reagimos como se estivéssemos tentando garantir um lugar na fogueira da caverna.

25 Para mim, a frase do meu amigo foi como um lembrete: nem todo mundo está interessado

26 no que a gente veste, escolhe fazer, diz ou em como nos desempenhamos. É quase mágico esse

27 momento em que percebemos o alívio de não ser tão importante. Funciona quase como uma

28 redenção, um desprender-se. É o local onde se pode errar em paz. Afinal, se o mundo não para

29 por causa dos nossos constrangimentos, ele certamente também não irá parar por conta dos

30 nossos fracassos. E, se repararmos bem, veremos que há uma espécie de humildade nisso. É a

31 constatação de que o mundo é grande demais para girar em torno dos nossos tropeços. E que,

32 ainda assim, seguimos pertencendo a ele.

33 Talvez o erro seja acreditar que precisamos ser protagonistas o tempo todo. Há uma

34 liberdade silenciosa e extraordinária em simplesmente aceitar o papel de coadjuvante vez que

35 outra. Para todos os efeitos, basta estar. Basta aprender a ser espectador. No fim, quem sabe a

36 vida não esteja nem aí para cada malabarismo das nossas performances. Ela só quer que a gente

37 esteja presente e que saibamos existir sem tanto esforço.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/pedro-guerra/noticia/2026/03/o-alivio-de-nao-ser-tao-importante-cmmdhxr1b01bg016a3bk8hyoi.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas a seguir:

I. O texto classifica-se como crônica, uma vez que o autor parte de uma cena cotidiana particular para estabelecer uma reflexão atrelada à contemporaneidade, empregando linguagem acessível e trazendo exemplos de eventos do dia a dia.

II. O autor entende que não devemos gastar nossa energia para satisfazer o que acreditamos ser a expectativa dos outros a nosso respeito, como se todos os holofotes estivessem sobre nós, já que a maior parte das pessoas estão tão imersas na sua própria existência que sequer percebem a nossa.

III. A conclusão final do autor vai de encontro ao que muitos buscam na sociedade, que ele associa a uma vitrine. Para ele, sermos ignorados é um exercício de desprendimento, pois nos leva a perceber que a vida segue seu fluxo independentemente de nossos percalços particulares.

Quais estão corretas?

 

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O alívio de não ser tão importante

Por Pedro Guerra Kuman

01 No início dos anos 2000, um estudante entrou numa sala cheia usando uma camiseta

02 considerada constrangedora. Não era provocação nem descuido: era parte de um experimento

03 de psicologia social. Depois de alguns minutos entre olhares dispersos e conversas paralelas,

04 perguntaram a ele quantas pessoas haviam reparado na vestimenta. “Metade da sala”,

05 respondeu confiante. Todavia, na prática, pouco mais de um quinto percebeu.

06 Lembrei-me dessa história dias atrás, quando um amigo me disse: nós não somos tão

07 importantes assim.

08 Nós, pessoas de pensamento acelerado, tendemos a acreditar que a catástrofe é uma

09 certeza que eventualmente vai nos encontrar. Antecipamos cenários inexistentes, ensaiamos

10 diálogos que nunca existirão, prevemos um enredo que, de tanto ninguém querer ver, ele nem

11 mesmo acontece. Gostamos de acreditar que somos protagonistas da nossa própria história —

12 e, em alguma medida, somos mesmo. A questão é que, na vida dos outros, na maioria das

13 vezes, a gente é só figurante.

14 A Psicologia chama isso de “efeito holofote”: a tendência de acreditar que há sempre um

15 foco apontado para nós, por isso superestimamos o quanto os outros estão nos julgando e nos

16 assistindo. E de fato: a vida é uma eterna performance. Porém, muitas vezes esquecemos que

17 nem sempre seremos o centro da plateia alheia. Não porque sejamos irrelevantes ou porque

18 ninguém se importe em absoluto, mas porque cada um está ocupado demais tentando

19 administrar as próprias dores.

20 Na sociedade da vitrine, nos acostumamos a sermos observados o tempo inteiro. Há

21 reação, há métrica — há sempre algum número medindo nossa existência. As redes sociais

22 reforçaram essa sensação de palco permanente. Sem perceber, passamos a buscar confirmação:

23 eu quero ser aceito para não correr o risco de ficar de fora. Curioso como, em pleno século 21,

24 ainda reagimos como se estivéssemos tentando garantir um lugar na fogueira da caverna.

25 Para mim, a frase do meu amigo foi como um lembrete: nem todo mundo está interessado

26 no que a gente veste, escolhe fazer, diz ou em como nos desempenhamos. É quase mágico esse

27 momento em que percebemos o alívio de não ser tão importante. Funciona quase como uma

28 redenção, um desprender-se. É o local onde se pode errar em paz. Afinal, se o mundo não para

29 por causa dos nossos constrangimentos, ele certamente também não irá parar por conta dos

30 nossos fracassos. E, se repararmos bem, veremos que há uma espécie de humildade nisso. É a

31 constatação de que o mundo é grande demais para girar em torno dos nossos tropeços. E que,

32 ainda assim, seguimos pertencendo a ele.

33 Talvez o erro seja acreditar que precisamos ser protagonistas o tempo todo. Há uma

34 liberdade silenciosa e extraordinária em simplesmente aceitar o papel de coadjuvante vez que

35 outra. Para todos os efeitos, basta estar. Basta aprender a ser espectador. No fim, quem sabe a

36 vida não esteja nem aí para cada malabarismo das nossas performances. Ela só quer que a gente

37 esteja presente e que saibamos existir sem tanto esforço.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/pedro-guerra/noticia/2026/03/o-alivio-de-nao-ser-tao-importante-cmmdhxr1b01bg016a3bk8hyoi.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando a manutenção do sentido original dos excertos, analise as seguintes propostas de reescrita de trechos retirados do texto, assinalando C, se corretas, ou I, se incorretas.

( ) De “um estudante entrou numa sala cheia usando uma camiseta considerada constrangedora” para “um estudante entrou numa sala cheia enquanto usava uma camiseta considerada constrangedora”.

( ) De “eu quero ser aceito para não correr o risco de ficar de fora” para “eu quero ser aceito já que não corro o risco de ficar de fora”.

( ) De “Basta aprender a ser espectador” para “Basta que aprendamos a ser espectadores”.

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

 

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