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Leia o Texto I a seguir e responda ao item.
TEXTO I
Pessoas são diferentes
São duas crianças lindas
Mas são muito diferentes!
Uma é toda desdentada,
A outra é cheia de dentes...(a)
Uma anda descabelada,
A outra é cheia de pentes!(b)
Uma delas usa óculos,(c)
E a outra só usa lentes.
Uma gosta de gelados(d),
A outra gosta de quentes.
Uma tem cabelos longos(e),
A outra corta eles rentes.
Não queiras que sejam iguais,
Aliás, nem mesmo tentes!
São duas crianças lindas
Mas são muito diferentes!
(ROCHA, Ruth. In: Poesia para criança.
Disponível em: <http://poesiaparacrianca.blogspot.com.br>. Acesso em: 27 set. 2016.)
Assinale a alternativa em que o termo destacado serve para dar característica a um substantivo do poema.
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Leia o Texto I a seguir e responda ao item.
TEXTO I
Pessoas são diferentes
São duas crianças lindas
Mas são muito diferentes!
Uma é toda desdentada,
A outra é cheia de dentes...
Uma anda descabelada,
A outra é cheia de pentes!
Uma delas usa óculos,
E a outra só usa lentes.
Uma gosta de gelados,
A outra gosta de quentes.
Uma tem cabelos longos,
A outra corta eles rentes.
Não queiras que sejam iguais,
Aliás, nem mesmo tentes!
São duas crianças lindas
Mas são muito diferentes!
(ROCHA, Ruth. In: Poesia para criança.
Disponível em: <http://poesiaparacrianca.blogspot.com.br>. Acesso em: 27 set. 2016.)
O recurso utilizado que NÃO serve para atribuir ritmo ao poema é o(a)
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Leia atentamente o Texto III a seguir e responda ao item.
TEXTO III





(SOUSA, Maurício de. Dorinha –
a nova amiguinha. In: Turma da Mônica. São Paulo: Globo, 2012. Adaptado.)
De acordo com o Texto III, Dorinha justifica que o nome do cachorro é “Radar” porque
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Leia atentamente o Texto II a seguir e responda ao item.
TEXTO II
A perna do seu Duílio
Era domingo e eu estava extremamente emburrado. Vinha esperando a semana inteira pelo especial de um ano do Bambalalão, com novos quadros, convidados especiais e um minibugue camuflado para o grande vencedor da gincana; aí, quando já tinha até arrumado meu canto do sofá, posicionado as almofadas preferidas, pegado 5 a mantinha de lã e estava indo preparar a xícara com Leite Moça e Nescau, minha mãe chega penteando o cabelo e diz que vamos sair: é aniversário do seu Duílio.
E por acaso eu conhecia algum Duílio?! Ela explicou tratar-se do pai do marido da minha tia, e que naquele dia ele faria aniversário. Eu expliquei que Bambalalão era meu programa predileto e que naquele dia ele também faria aniversário. Minha mãe sentou-se ao meu lado e deu início à inútil tática de despertar meu interesse, a mesma que usava para me convencer a comer coisas verdes e pastosas ou tomar xarope para tosse: “Olha que legal, o seu Duílio vai fazer oitenta anos! Sabe quanto é oitenta? Todos os dedos das duas mãos abertas uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito vezes!”.
O abrir e fechar de dedos podia servir para me fazer um cafuné, se ela quisesse, ou preparar massa de biscoito, mas não ajudaria em nada a me convencer de que conhecer uma pessoa muito velha fosse mais interessante do que assistir à corrida de saco na piscina de bolinhas, o pega-pega de olhos vendados ou ver o vencedor recebendo o minibugue de pintura camuflada, que eu vinha cobiçando a semana inteira diante da TV.
Reagi, como sempre fazia naquelas ocasiões. Olhei por cima do seu ombro, mudei de canal com o controle remoto. Minha mãe tentou fisgar meu interesse de outra forma: disse que lá ia estar cheio de crianças da minha idade.
Chorei, esperneei, bufei, enfiei a cabeça debaixo da manta e me fechei num casulo de lã. Minha mãe abandonou a sedução e resolveu me pegar pela culpa. Explicou que o seu Duílio tinha me visto nascer, tinha me pegado no colo, pequenininho. Grande coisa, eu não me lembrava de ter nascido, não havia pedido que ele me pegasse no colo, problema dele. Minha mãe tentou me descobrir, eu esperneei mais ainda, comecei a atirar as almofadas no chão, gritei “Não vou! Não vou! Não vou!”, até que ela abandonou todas as técnicas de convencimento e ordenou: “Menino, engole esse choro, você vai e pronto!”.
Fui no banco de trás do carro, encolhido e de olhos fechados, torcendo para que ela se virasse, me visse e pensasse, “Caramba, acho que dessa vez a gente exagerou, o Antônio tá sofrendo de verdade, melhor voltar e deixá-lo assistir ao programa dele”. Mas nos breves momentos em que abri os olhos para conferir, ela não estava prestando atenção. Estava, na verdade, concentrada numa conversa com meu padrasto: “Melhor não”, ela dizia, “Se a gente avisa, desperta o interesse. Deixa acontecer naturalmente”, “É, pode ser, bom, de qualquer forma o seu Duílio deve saber como lidar com essas coisas, não é de hoje, né…”. Não entendi o que eles diziam nem me interessei, só pensava que, no dia seguinte, na escola, todo mundo ia estar falando sobre a corrida de saco na piscina de bolinhas, ia comentar sobre a criança que ganhou o minibugue e se ela mereceu mais que a outra, e eu não poderia opinar, porque estava na festa de um homem cuja maior qualidade era ter tantos anos quanto todos os dedos das duas mãos abertas oito vezes. Que emoção.
Chegamos. Era aquela coisa de sempre: um monte de parentes e outros adultos mexendo no meu cabelo, na minha bochecha e na minha barriga, dizendo que eu estava grande e bonito.
O seu Duílio estava sentado numa poltrona, num dos cantos da sala. Tinha os cabelos todos brancos. Minha mãe o beijou, dizendo: “Parabéns, seu Duílio!” Depois, meu padrasto apertou sua mão e falou: “Oitenta, hein, seu Duílio! Daqui a pouco é noventa, já!”
O velho ficou falando umas coisas sobre fazer oitenta anos, eu fiquei olhando pra ele, fingindo que ouvia, mas a minha cabeça estava longe, lá na sala de casa, imaginando assistir ao Bambalalão, e provavelmente por lá ficaria até o final daquela tarde se meus olhos não tivessem, acidentalmente, ido parar na perna esquerda do aniversariante — ou melhor, num pedaço da poltrona onde deveria estar sua perna esquerda. Olhei uma vez, olhei duas, olhei três. Longos segundos se passaram até que eu pudesse aceitar o que via: a perna esquerda do seu Duílio não existia!
Que coisa espetacular! Se a minha mãe tivesse perguntado: “O que você prefere, assistir a Bambalalão ou conhecer um homem sem perna?”, claro que eu ficaria com a segunda 55 alternativa. Lembrei-me do homem que eu tinha visto no circo, um dia, botando uma mulher de maiô numa caixa e a serrando ao meio. Seria seu Duílio aquele homem? Teria ele cortado a própria perna? Como? Será que ele conseguia tirar e recolocar a perna sempre que quisesse? Onde guardava a perna, quando não a usava? Numa gaveta do quarto, no banheiro, na área de serviço, junto à bicicleta? Conseguiria ele remover também outros membros?
Minha mãe me cutucou: “Ô, Antônio, não vai dar oi pro seu Duílio?”. Como não? “Oi, seu Duílio! Cadê sua perna?!” Minha mãe me olhou com uma cara estranha. Achei que ela não tivesse ouvido o que eu acabara de dizer. Falei ainda mais alto: “Olha! Olha! Ele só tem uma perna! Mãe! Mãe! Cadê a perna do seu Duílio?”. Todos na sala fizeram silêncio.
Ninguém mais se empolgava com aquela situação? Será que não haviam percebido? Seria o primeiro dia em que o seu Duílio saía sem a perna? Uma surpresa que preparou para a festa de oitenta anos, uma mágica, e eu havia sido o único a notar?
O silêncio foi quebrado pelo próprio Duílio. Ele me fez sentar no braço da poltrona e me contou a história inteira, respondendo a todas as perguntas que eu fazia. Explicou que a perna fora cortada por causa de uma doença, mas que eu não deveria me preocupar, era uma doença que só dava em velhos. A operação aconteceu num hospital. Não, ele não precisou ir de bermuda, porque no hospital dão uma camisola. Sim, uma camisola, mesmo para os homens. Depois de vesti-la, médicos deram-lhe uma injeção no braço e ele dormiu, de um jeito que você não sente dor e não acorda nem se pularem na sua barriga. Aí é que vem a parte mais estranha: depois de tirarem a perna, não fizeram um curativo enorme, nem vários, nem puseram esparadrapo, não: eles o costuraram, com agulha e linha, da mesma forma que minha mãe costurava pedaços redondos de couro nos joelhos dos meus moletons. A cor da linha era preta, e seu Duílio não soube dizer se poderia ser azul, verde ou vermelha, caso ele assim preferisse.
Queria passar a tarde inteira ali, sentado no braço da poltrona, seguindo com a entrevista, mas minha mãe logo me pôs no chão e me mandou para o quintal, onde estavam as outras crianças.
No dia seguinte, na escola, mal se falou sobre o Bambalalão: só queriam saber da minha história com o homem de perna cortada. O único que não se interessou foi o Válter, do pré: nem ligou e disse que ter a perna cortada não era nada de mais; toda noite, antes de dormir, a avó dele tirava os dentes e as gengivas e punha dentro de um copo d’água. Claro, ninguém acreditou e ficou evidente que o Válter só queria roubar a atenção.
(PRATA, Antonio. In: Folha de S. Paulo. Caderno Ilustrada, 02 abr. 2016, p. E2.)
Da atenta leitura do Texto II, conclui-se que a causa de seu Duílio não ter uma perna é por ele haver
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Leia atentamente o Texto IV a seguir e responda ao item.
TEXTO IV

(GOVERNO FEDERAL. Ministério da Saúde. In: Nova Escola, 2010.)
A palavra destacada em “Mas existem diferenças que a sociedade não entende” (4º quadrinho do cartaz), estabelece, no contexto em que foi utilizada, uma relação de:
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Os alunos do 6° ano do ensino fundamental do Colégio Militar de Campo Grande são conhecidos como araras-azuis. O professor de Matemática Euclides, para homenageá-los no primeiro dia de aula, escreveu no quadro a seguinte expressão:

E disse a seus alunos que letras diferentes representam dígitos diferentes, letras iguais representam dígitos iguais e que tal expressão equivale à divisão entre o produto das letras da palavra – ARARAS − pelo produto das letras da palavra − AZUIS. Com essas informações, podemos afirmar que o maior valor possível dessa expressão apresentada pelo professor Euclides é:
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Leia atentamente o Texto III a seguir e responda ao item.
TEXTO III





(SOUSA, Maurício de. Dorinha –
a nova amiguinha. In: Turma da Mônica. São Paulo: Globo, 2012. Adaptado.)
Todos os elementos não verbais abaixo caracterizam a deficiência da personagem Dorinha, menos o/a(s)
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Bháskara resolveu construir um cata-vento. Para tanto, ele cortou quatro retângulos com 6 cm de comprimento por 2 cm de largura de uma cartolina e juntou-os conforme o polígono representado pela figura 1. Após isso, fixou um palito de sorvete no centro do polígono formado, conforme a figura 2. Podemos afirmar que o perímetro do polígono formado pelas hélices do cata-vento (figura 1), em cm, é igual a:

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Um caminhão de transporte de combustível, totalmente carregado com gasolina, descarregou !$ { \large 1 \over 4} !$ no Posto A, !$ { \large 1 \over 8} !$ no Posto B e !$ { \large 3 \over 8} !$ no Posto C. Todas as descargas foram calculadas sobre a carga inicial, restando ainda 9.000 litros de gasolina no caminhão. As quantidades de gasolina descarregadas nos Postos A e C, em litros, foram, respectivamente, de:
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Leia atentamente o Texto II a seguir e responda ao item.
TEXTO II
A perna do seu Duílio
Era domingo e eu estava extremamente emburrado. Vinha esperando a semana inteira pelo especial de um ano do Bambalalão(d), com novos quadros, convidados especiais e um minibugue camuflado para o grande vencedor da gincana; aí, quando já tinha até arrumado meu canto do sofá, posicionado as almofadas preferidas, pegado 5 a mantinha de lã e estava indo preparar a xícara com Leite Moça e Nescau, minha mãe chega penteando o cabelo e diz que vamos sair: é aniversário do seu Duílio.
E por acaso eu conhecia algum Duílio?! Ela explicou tratar-se do pai do marido da minha tia, e que naquele dia ele faria aniversário. Eu expliquei que Bambalalão era meu programa predileto e que naquele dia ele também faria aniversário. Minha mãe sentou-se ao meu lado e deu início à inútil tática de despertar meu interesse, a mesma que usava para me convencer a comer coisas verdes e pastosas ou tomar xarope para tosse: “Olha que legal, o seu Duílio vai fazer oitenta anos! Sabe quanto é oitenta? Todos os dedos das duas mãos abertas uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito vezes!”.
O abrir e fechar de dedos podia servir para me fazer um cafuné, se ela quisesse, ou preparar massa de biscoito, mas não ajudaria em nada a me convencer de que conhecer uma pessoa muito velha fosse mais interessante do que assistir à corrida de saco na piscina de bolinhas, o pega-pega de olhos vendados ou ver o vencedor recebendo o minibugue de pintura camuflada, que eu vinha cobiçando a semana inteira diante da TV.
Reagi, como sempre fazia naquelas ocasiões. Olhei por cima do seu ombro, mudei de canal com o controle remoto. Minha mãe tentou fisgar meu interesse de outra forma: disse que lá ia estar cheio de crianças da minha idade.
Chorei, esperneei, bufei, enfiei a cabeça debaixo da manta e me fechei num casulo de lã. Minha mãe abandonou a sedução e resolveu me pegar pela culpa. Explicou que o seu Duílio tinha me visto nascer(a), tinha me pegado no colo, pequenininho. Grande coisa, eu não me lembrava de ter nascido, não havia pedido que ele me pegasse no colo, problema dele. Minha mãe tentou me descobrir, eu esperneei mais ainda, comecei a atirar as almofadas no chão, gritei “Não vou! Não vou! Não vou!”, até que ela abandonou todas as técnicas de convencimento e ordenou: “Menino, engole esse choro, você vai e pronto!”.
Fui no banco de trás do carro, encolhido e de olhos fechados, torcendo para que ela se virasse, me visse e pensasse, “Caramba, acho que dessa vez a gente exagerou, o Antônio tá sofrendo de verdade, melhor voltar e deixá-lo assistir ao programa dele”. Mas nos breves momentos em que abri os olhos para conferir, ela não estava prestando atenção. Estava, na verdade, concentrada numa conversa com meu padrasto: “Melhor não”, ela dizia, “Se a gente avisa, desperta o interesse. Deixa acontecer naturalmente”, “É, pode ser, bom, de qualquer forma o seu Duílio deve saber como lidar com essas coisas, não é de hoje, né…”. Não entendi o que eles diziam nem me interessei, só pensava que, no dia seguinte, na escola, todo mundo ia estar falando sobre a corrida de saco na piscina de bolinhas, ia comentar sobre a criança que ganhou o minibugue e se ela mereceu mais que a outra, e eu não poderia opinar, porque estava na festa de um homem cuja maior qualidade era ter tantos anos quanto todos os dedos das duas mãos abertas oito vezes. Que emoção.
Chegamos. Era aquela coisa de sempre: um monte de parentes e outros adultos mexendo no meu cabelo, na minha bochecha e na minha barriga, dizendo que eu estava grande e bonito.
O seu Duílio estava sentado numa poltrona, num dos cantos da sala. Tinha os cabelos todos brancos. Minha mãe o beijou, dizendo: “Parabéns, seu Duílio!” Depois, meu padrasto apertou sua mão e falou: “Oitenta, hein, seu Duílio! Daqui a pouco é noventa, já!”
O velho ficou falando umas coisas sobre fazer oitenta anos, eu fiquei olhando pra ele, fingindo que ouvia, mas a minha cabeça estava longe, lá na sala de casa, imaginando assistir ao Bambalalão, e provavelmente por lá ficaria até o final daquela tarde se meus olhos não tivessem, acidentalmente, ido parar na perna esquerda do aniversariante — ou melhor, num pedaço da poltrona onde deveria estar sua perna esquerda. Olhei uma vez, olhei duas, olhei três. Longos segundos se passaram até que eu pudesse aceitar o que via: a perna esquerda do seu Duílio não existia!
Que coisa espetacular! Se a minha mãe tivesse perguntado(b): “O que você prefere, assistir a Bambalalão ou conhecer um homem sem perna?”, claro que eu ficaria com a segunda 55 alternativa. Lembrei-me do homem que eu tinha visto no circo, um dia, botando uma mulher de maiô numa caixa e a serrando ao meio. Seria seu Duílio aquele homem?(c) Teria ele cortado a própria perna? Como? Será que ele conseguia tirar e recolocar a perna sempre que quisesse? Onde guardava a perna, quando não a usava? Numa gaveta do quarto, no banheiro, na área de serviço, junto à bicicleta? Conseguiria ele remover também outros membros?
Minha mãe me cutucou: “Ô, Antônio, não vai dar oi pro seu Duílio?”. Como não? “Oi, seu Duílio! Cadê sua perna?!” Minha mãe me olhou com uma cara estranha. Achei que ela não tivesse ouvido o que eu acabara de dizer. Falei ainda mais alto: “Olha! Olha! Ele só tem uma perna! Mãe! Mãe! Cadê a perna do seu Duílio?”. Todos na sala fizeram silêncio.
Ninguém mais se empolgava com aquela situação? Será que não haviam percebido? Seria o primeiro dia em que o seu Duílio saía sem a perna? Uma surpresa que preparou para a festa de oitenta anos, uma mágica, e eu havia sido o único a notar?
O silêncio foi quebrado pelo próprio Duílio. Ele me fez sentar no braço da poltrona e me contou a história inteira(e), respondendo a todas as perguntas que eu fazia. Explicou que a perna fora cortada por causa de uma doença, mas que eu não deveria me preocupar, era uma doença que só dava em velhos. A operação aconteceu num hospital. Não, ele não precisou ir de bermuda, porque no hospital dão uma camisola. Sim, uma camisola, mesmo para os homens. Depois de vesti-la, médicos deram-lhe uma injeção no braço e ele dormiu, de um jeito que você não sente dor e não acorda nem se pularem na sua barriga. Aí é que vem a parte mais estranha: depois de tirarem a perna, não fizeram um curativo enorme, nem vários, nem puseram esparadrapo, não: eles o costuraram, com agulha e linha, da mesma forma que minha mãe costurava pedaços redondos de couro nos joelhos dos meus moletons. A cor da linha era preta, e seu Duílio não soube dizer se poderia ser azul, verde ou vermelha, caso ele assim preferisse.
Queria passar a tarde inteira ali, sentado no braço da poltrona, seguindo com a entrevista, mas minha mãe logo me pôs no chão e me mandou para o quintal, onde estavam as outras crianças.
No dia seguinte, na escola, mal se falou sobre o Bambalalão: só queriam saber da minha história com o homem de perna cortada. O único que não se interessou foi o Válter, do pré: nem ligou e disse que ter a perna cortada não era nada de mais; toda noite, antes de dormir, a avó dele tirava os dentes e as gengivas e punha dentro de um copo d’água. Claro, ninguém acreditou e ficou evidente que o Válter só queria roubar a atenção.
(PRATA, Antonio. In: Folha de S. Paulo. Caderno Ilustrada, 02 abr. 2016, p. E2.)
O trecho no qual a palavra destacada, no contexto em que foi usada, indica o foco narrativo do texto é:
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