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Texto IV
Entrevistadora: e::... André... eu queria que ago/... agora que você me contasse uma história... que tenha acontecido com você... e que você tenha achado engraçada... ou triste... ou constrangedora...
Informante: bem... ah:: o fato engraçado foi a partir da data de hoje... né? seis de agosto de mil novecentos e noventa e três... é que eu cheguei em torno de::... nove horas no::... no meu antigo estágio... na Light... que é na Presidente Vargas... meia quatro dois... décimo quarto andar... e:: chegando lá... como... entrou um novo estagiário...
CORPUS Discurso&Gramática – UFRJ. Disponível em: <http://www.discursoegramatica.
letras. ufrj.br/download/rio_ de_janeiro_a.pdf>. Acesso em: 05 abr. 2014.
O trecho do Texto IV que deve ser revisto e verificado por causar ambiguidade é:
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Escrever é fácil?
Para estimular crianças e jovens a escrever, há
quem diga que escrever é fácil: basta pôr no papel o
que está na cabeça. Na maioria das vezes, porém,
este estímulo é deveras desestimulante.
Há boas explicações para o desestímulo: se a
pessoa não consegue escrever, convencê-la de que
escrever é fácil na verdade a convence apenas da
sua própria incompetência, a convence apenas de
que ela nunca vai conseguir escrever direito; não
se escreve pondo no papel o que está na cabeça,
sob pena de ninguém entender nada; quem escreve
profissionalmente nunca acha que escrever é fácil,
nem mesmo quando escreve há muito tempo — a não
ser que já escreva mecanicamente, apenas repetindo
frases e fórmulas.
Via de regra, nosso pensamento é caótico: funciona
para alimentar nossas decisões cotidianas, mas não
funciona se for expresso, em voz alta ou por escrito,
tal qual se encontra na cabeça. Para entender o nosso
próprio pensamento, precisamos expressá-lo para
outra pessoa. Ao fazê-lo, organizamos o pensamento
segundo um código comum e então, finalmente, o
entendemos, isto é, nos entendemos. Não à toa o
jagunço Riobaldo, personagem do escritor Guimarães
Rosa, dizia: professor é aquele que de repente aprende.
Todo professor conhece este segredo: você
entende melhor o seu assunto depois de dar sua
aula sobre ele, e não antes. Ao falar sobre o meu
tema, tentando explicá-lo a quem o conhece pouco,
aumento exponencialmente a minha compreensão
a respeito. Motivado pelas expressões de dúvida e
até de estupor dos alunos, refino minhas explicações
e, ao fazê-lo, entendo bem melhor o que queria
dizer. Costumo dizer que, passados tantos anos de
profissão, gosto muito de dar aula, principalmente
porque ensinar ainda é o melhor método de estudar
e compreender.
Ora, do mesmo jeito que ensino me dirigindo a
um grupo de alunos que não conheço, pelo menos
no começo dos meus cursos, quem escreve o faz
para ser lido por leitores que ele potencialmente não
conhece e que também não o conhecem. Mesmo
ao escrever um diário secreto, faço-o imaginando
um leitor futuro: ou eu mesmo daqui a alguns anos,
ou quem sabe a posteridade. Logo, preciso do outro
e do leitor para entender a mim mesmo e, em última
análise, para ser e saber quem sou.
Exatamente porque esta relação com o outro,
aluno ou leitor, é tão fundamental, todo professor sente
um frio na espinha quando encontra uma nova turma,
não importa há quantos anos exerça o magistério.
Pela mesma razão, todo escritor fica “enrolando” até
começar um texto novo, arrumando a escrivaninha ou
vagando pela internet, não importa quantos livros já
tenha publicado. Pela mesmíssima razão, todo aluno
não quer que ninguém leia sua redação enquanto a
escreve ou faz questão de colocá-la debaixo da pilha
de redações na mesa do professor, não importa se
suas notas são boas ou não na matéria.
Escrever definitivamente não é fácil, porque nos
expõe no momento mesmo de fazê-lo. [...] Quem
escreve sente de repente todas as suas hesitações,
lacunas e omissões, percebendo como o seu próprio
pensamento é incompleto e o quanto ainda precisa
pensar. Quem escreve de repente entende o quanto
a sua própria pessoa é incompleta e fraturada, o
quanto ainda precisa se refazer, se inventar, enfim:
se reescrever.
BERNARDO, G. Conversas com um professor de literatura. Rio de Janeiro: Rocco, 2013. Adaptado.
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Escrever é fácil?
Para estimular crianças e jovens a escrever, há
quem diga que escrever é fácil: basta pôr no papel o
que está na cabeça. Na maioria das vezes, porém,
este estímulo é deveras desestimulante.
Há boas explicações para o desestímulo: se a
pessoa não consegue escrever, convencê-la de que
escrever é fácil na verdade a convence apenas da
sua própria incompetência, a convence apenas de
que ela nunca vai conseguir escrever direito; não
se escreve pondo no papel o que está na cabeça,
sob pena de ninguém entender nada; quem escreve
profissionalmente nunca acha que escrever é fácil,
nem mesmo quando escreve há muito tempo — a não
ser que já escreva mecanicamente, apenas repetindo
frases e fórmulas.
Via de regra, nosso pensamento é caótico: funciona
para alimentar nossas decisões cotidianas, mas não
funciona se for expresso, em voz alta ou por escrito,
tal qual se encontra na cabeça. Para entender o nosso
próprio pensamento, precisamos expressá-lo para
outra pessoa. Ao fazê-lo, organizamos o pensamento
segundo um código comum e então, finalmente, o
entendemos, isto é, nos entendemos. Não à toa o
jagunço Riobaldo, personagem do escritor Guimarães
Rosa, dizia: professor é aquele que de repente aprende.
Todo professor conhece este segredo: você
entende melhor o seu assunto depois de dar sua
aula sobre ele, e não antes. Ao falar sobre o meu
tema, tentando explicá-lo a quem o conhece pouco,
aumento exponencialmente a minha compreensão
a respeito. Motivado pelas expressões de dúvida e
até de estupor dos alunos, refino minhas explicações
e, ao fazê-lo, entendo bem melhor o que queria
dizer. Costumo dizer que, passados tantos anos de
profissão, gosto muito de dar aula, principalmente
porque ensinar ainda é o melhor método de estudar
e compreender.
Ora, do mesmo jeito que ensino me dirigindo a
um grupo de alunos que não conheço, pelo menos
no começo dos meus cursos, quem escreve o faz
para ser lido por leitores que ele potencialmente não
conhece e que também não o conhecem. Mesmo
ao escrever um diário secreto, faço-o imaginando
um leitor futuro: ou eu mesmo daqui a alguns anos,
ou quem sabe a posteridade. Logo, preciso do outro
e do leitor para entender a mim mesmo e, em última
análise, para ser e saber quem sou.
Exatamente porque esta relação com o outro,
aluno ou leitor, é tão fundamental, todo professor sente
um frio na espinha quando encontra uma nova turma,
não importa há quantos anos exerça o magistério.
Pela mesma razão, todo escritor fica “enrolando” até
começar um texto novo, arrumando a escrivaninha ou
vagando pela internet, não importa quantos livros já
tenha publicado. Pela mesmíssima razão, todo aluno
não quer que ninguém leia sua redação enquanto a
escreve ou faz questão de colocá-la debaixo da pilha
de redações na mesa do professor, não importa se
suas notas são boas ou não na matéria.
Escrever definitivamente não é fácil, porque nos
expõe no momento mesmo de fazê-lo. [...] Quem
escreve sente de repente todas as suas hesitações,
lacunas e omissões, percebendo como o seu próprio
pensamento é incompleto e o quanto ainda precisa
pensar. Quem escreve de repente entende o quanto
a sua própria pessoa é incompleta e fraturada, o
quanto ainda precisa se refazer, se inventar, enfim:
se reescrever.
BERNARDO, G. Conversas com um professor de literatura. Rio de Janeiro: Rocco, 2013. Adaptado.
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O trecho que comprova essa afirmação é:
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Escrever é fácil?
Para estimular crianças e jovens a escrever, há
quem diga que escrever é fácil: basta pôr no papel o
que está na cabeça. Na maioria das vezes, porém,
este estímulo é deveras desestimulante.
Há boas explicações para o desestímulo: se a
pessoa não consegue escrever, convencê-la de que
escrever é fácil na verdade a convence apenas da
sua própria incompetência, a convence apenas de
que ela nunca vai conseguir escrever direito; não
se escreve pondo no papel o que está na cabeça,
sob pena de ninguém entender nada; quem escreve
profissionalmente nunca acha que escrever é fácil,
nem mesmo quando escreve há muito tempo — a não
ser que já escreva mecanicamente, apenas repetindo
frases e fórmulas.
Via de regra, nosso pensamento é caótico: funciona
para alimentar nossas decisões cotidianas, mas não
funciona se for expresso, em voz alta ou por escrito,
tal qual se encontra na cabeça. Para entender o nosso
próprio pensamento, precisamos expressá-lo para
outra pessoa. Ao fazê-lo, organizamos o pensamento
segundo um código comum e então, finalmente, o
entendemos, isto é, nos entendemos. Não à toa o
jagunço Riobaldo, personagem do escritor Guimarães
Rosa, dizia: professor é aquele que de repente aprende.
Todo professor conhece este segredo: você
entende melhor o seu assunto depois de dar sua
aula sobre ele, e não antes. Ao falar sobre o meu
tema, tentando explicá-lo a quem o conhece pouco,
aumento exponencialmente a minha compreensão
a respeito. Motivado pelas expressões de dúvida e
até de estupor dos alunos, refino minhas explicações
e, ao fazê-lo, entendo bem melhor o que queria
dizer. Costumo dizer que, passados tantos anos de
profissão, gosto muito de dar aula, principalmente
porque ensinar ainda é o melhor método de estudar
e compreender.
Ora, do mesmo jeito que ensino me dirigindo a
um grupo de alunos que não conheço, pelo menos
no começo dos meus cursos, quem escreve o faz
para ser lido por leitores que ele potencialmente não
conhece e que também não o conhecem. Mesmo
ao escrever um diário secreto, faço-o imaginando
um leitor futuro: ou eu mesmo daqui a alguns anos,
ou quem sabe a posteridade. Logo, preciso do outro
e do leitor para entender a mim mesmo e, em última
análise, para ser e saber quem sou.
Exatamente porque esta relação com o outro,
aluno ou leitor, é tão fundamental, todo professor sente
um frio na espinha quando encontra uma nova turma,
não importa há quantos anos exerça o magistério.
Pela mesma razão, todo escritor fica “enrolando” até
começar um texto novo, arrumando a escrivaninha ou
vagando pela internet, não importa quantos livros já
tenha publicado. Pela mesmíssima razão, todo aluno
não quer que ninguém leia sua redação enquanto a
escreve ou faz questão de colocá-la debaixo da pilha
de redações na mesa do professor, não importa se
suas notas são boas ou não na matéria.
Escrever definitivamente não é fácil, porque nos
expõe no momento mesmo de fazê-lo. [...] Quem
escreve sente de repente todas as suas hesitações,
lacunas e omissões, percebendo como o seu próprio
pensamento é incompleto e o quanto ainda precisa
pensar. Quem escreve de repente entende o quanto
a sua própria pessoa é incompleta e fraturada, o
quanto ainda precisa se refazer, se inventar, enfim:
se reescrever.
BERNARDO, G. Conversas com um professor de literatura. Rio de Janeiro: Rocco, 2013. Adaptado.
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Texto I
Quando o porteiro do Hotel Novo Mundo me entregou o embrulho, mesmo depois de reconhecer a letra do pai, não tive hesitação em segurá-lo como se fosse encomenda banal,(a) um pacote contendo um livro, originais de algum autor que desejava opinião, recortes de jornais.
Pela flacidez,(b) só podia ser coisa parecida. Mas o embrulho estava bem-feito, revelava meticulosidade nos pormenores,(c) nas dobras do papel que se fechavam para trás, no acerto das pontas, na eficiência do barbante. Tudo isso mais a evidência(d) da letra, da tinta roxa levaram-me a outros pacotes e embrulhos que havia recebido no passado, todos feitos, amarrados e enviados pelo pai.
E havia sobretudo o nó. Depois de tanto contemplá-lo à distância, com receio de tocá-lo, dele me aproximei não mais para lhe sentir o cheiro — ou os cheiros — mas para admirar o nó perfeito, justo, obra de arte de que só o pai era capaz.
Parece exagero louvar um nó, mas o pai era o primeiro a se vangloriar da arte de dar um nó. Lá está ele, bem no centro do embrulho, simétrico, sem uma laçada a mais ou a menos. Por experiências(e) anteriores, sei que será impossível desatá-lo, como se fosse um nó qualquer. Precisarei de tesoura, de canivete, de faca. Ele só poderá ser cortado, jamais desfeito: assim era o nó que Ernesto Cony Filho, o pai, sabia e gostava de dar.
Ele se jactava de ter aprendido aquele tipo de nó nos tempos em que fora escoteiro — embora nunca tenha sido escoteiro. Foi fase passageira em sua imaginação, atribuía diversas habilidades que aprendera vida afora a tempos e funções inexistentes. Depois, sem que nada houvesse acontecido para mudar de opinião, esqueceu esta referência a um passado imaginário e adotou outra versão — igualmente improvável.
Passou a atribuir essas habilidades a outras circunstâncias e pessoas. No que dizia respeito ao nó, a versão escoteira foi transformada numa história meio enrolada: ele conhecera um marinheiro holandês no bar do Zica, na praça Mauá, no térreo do edifício de A Noite, reduto de uma certa boemia dos anos 30 e 40.
CONY, C. H. Quase memória: quase-romance. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. p. 39-40. Adaptado.
No Texto I, a significação da palavra “meticulosidade” apresenta pontos comuns basicamente com
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Quando dois candidatos disputavam uma vaga de Senador pelo Maranhão, foi sugerido o nome de um terceiro, como solução conciliatória: o professor Jubileu de Almeida.
SABINO, F. Livro Aberto. Rio de Janeiro: Record, 2001, p. 204.
O texto se refere a um fato já ocorrido, mas se for necessário reescrevê-lo considerando que o fato ainda vai ocorrer, qual será a nova redação?
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Caderno Container