Foram encontradas 55 questões.
Pandemia nos faz questionar noção
de individualidade
Verlaine Freitas*
“Quem sou eu em meio ao oceano de pessoas do
país e do mundo?” “O que representam bilhões de
pessoas do planeta para mim, um mero indivíduo?”
Essas perguntas, que nos rondam ocasionalmente
como meras fantasias existenciais – sem respostas e
sem desdobramentos práticos, meros índices das
incertezas quanto ao sentido da existência individual
e coletiva em um mundo cada vez mais individualista,
repentinamente ganharam uma concretude avassaladora.
A pandemia de COVID-19 nos mostra a densidade
urgente, visceral e corpórea do tecido societário,
expondo à luz do dia como falácias inadmissíveis os
discursos baseados no mero esforço próprio, nas
opções individuais, no interesse centrado na maximização do lucro em detrimento do bem-estar coletivo.
[...]
Vivemos atualmente um chamamento à concretude radical da negatividade do mundo, muito além
da experimentada nas figuras dos vilões nos filmes,
nas derrotas esportivas e nas notícias de guerras do
outro lado do mundo.
Ela deverá forjar uma nova consciência do significado dessa vida “em piloto automático”, com este
vaivém constante, seguindo o eterno princípio da
maior vantagem para si. Tal como toda interrupção
do trânsito com objetos de desejo constrange a uma
posição crítica sobre o significado deste vínculo, agora também seremos levados a nos perguntar sobre
esta colonização expansiva do mundo, cuja marcha
inexorável levou a natureza a nos questionar: “Quais
seus limites? Qual a racionalidade social disso tudo?
Quais os custos ambientais e de vidas humanas vocês
estão dispostos a pagar para manter a ilusão de um
individualismo exacerbado?”.
Naturalmente, o aprendizado dessa experiência
negativa será muito diverso, pois alguns grupos sociais lucram com esta crise, outros aferram-se a leituras religiosas fundamentalistas baseando-se no conceito de castigo divino, e alguns tenderão a se fechar
mais ainda em seu mundo, isolando-se de toda e
qualquer responsabilização social.
Espero, porém, que a maior parte da sociedade
tenha uma visão crítica progressista, cobrando de si e
dos outros um comprometimento maior com o bemestar social, percebendo o quanto a vida em sociedade significa, por si, uma dimensão inexpugnável e
inelidível da vida individual no sentido mais próprio
do termo.
O isolamento social a que hoje nos vemos forçados pode ser lido como uma metáfora do quanto a
negligência para com os serviços públicos de saúde
significa o desprezo para com a vida de cada uma e
cada um de nós em termos singulares.
Os filósofos da Escola de Frankfurt, Theodor
Adorno e Max Horkheimer, haviam concebido a destruição avassaladora da Segunda Guerra Mundial
como um retorno violento da natureza recalcada,
reprimida e mutilada. Tal como, segundo a psicanálise, desejos recalcados retornam sob a forma de sofrimento neurótico, todo o complexo natural pareceu
retornar, furioso, nas centenas de bombas despejados sobre as metrópoles.
Agora vemos, mais uma vez, porém de forma menos metafórica, a natureza cobrando um alto preço
pelo esquecimento de que somos seres vivos, aliás
muito frágeis, muito mais fracos que outros, invisíveis
aos nossos olhos, mas muito mais poderosos que nós
humanos, demasiadamente humanos.
*Verlaine Freitas é professor da UFMG e pesquisador
do CNPq
Disponível em:<https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2020/ 03/28/interna_cultura,1133266/pandemia-nos-faz-questionar-nocao-de-individualidade-diz-filosofo-da.shtml>
. Acesso em 28 mar. 2020.
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Pandemia nos faz questionar noção
de individualidade
Verlaine Freitas*
“Quem sou eu em meio ao oceano de pessoas do
país e do mundo?” “O que representam bilhões de
pessoas do planeta para mim, um mero indivíduo?”
Essas perguntas, que nos rondam ocasionalmente
como meras fantasias existenciais – sem respostas e
sem desdobramentos práticos, meros índices das
incertezas quanto ao sentido da existência individual
e coletiva em um mundo cada vez mais individualista,
repentinamente ganharam uma concretude avassaladora.
A pandemia de COVID-19 nos mostra a densidade
urgente, visceral e corpórea do tecido societário,
expondo à luz do dia como falácias inadmissíveis os
discursos baseados no mero esforço próprio, nas
opções individuais, no interesse centrado na maximização do lucro em detrimento do bem-estar coletivo.
[...]
Vivemos atualmente um chamamento à concretude radical da negatividade do mundo, muito além
da experimentada nas figuras dos vilões nos filmes,
nas derrotas esportivas e nas notícias de guerras do
outro lado do mundo.
Ela deverá forjar uma nova consciência do significado dessa vida “em piloto automático”, com este
vaivém constante, seguindo o eterno princípio da
maior vantagem para si. Tal como toda interrupção
do trânsito com objetos de desejo constrange a uma
posição crítica sobre o significado deste vínculo, agora também seremos levados a nos perguntar sobre
esta colonização expansiva do mundo, cuja marcha
inexorável levou a natureza a nos questionar: “Quais
seus limites? Qual a racionalidade social disso tudo?
Quais os custos ambientais e de vidas humanas vocês
estão dispostos a pagar para manter a ilusão de um
individualismo exacerbado?”.
Naturalmente, o aprendizado dessa experiência
negativa será muito diverso, pois alguns grupos sociais lucram com esta crise, outros aferram-se a leituras religiosas fundamentalistas baseando-se no conceito de castigo divino, e alguns tenderão a se fechar
mais ainda em seu mundo, isolando-se de toda e
qualquer responsabilização social.
Espero, porém, que a maior parte da sociedade
tenha uma visão crítica progressista, cobrando de si e
dos outros um comprometimento maior com o bemestar social, percebendo o quanto a vida em sociedade significa, por si, uma dimensão inexpugnável e
inelidível da vida individual no sentido mais próprio
do termo.
O isolamento social a que hoje nos vemos forçados pode ser lido como uma metáfora do quanto a
negligência para com os serviços públicos de saúde
significa o desprezo para com a vida de cada uma e
cada um de nós em termos singulares.
Os filósofos da Escola de Frankfurt, Theodor
Adorno e Max Horkheimer, haviam concebido a destruição avassaladora da Segunda Guerra Mundial
como um retorno violento da natureza recalcada,
reprimida e mutilada. Tal como, segundo a psicanálise, desejos recalcados retornam sob a forma de sofrimento neurótico, todo o complexo natural pareceu
retornar, furioso, nas centenas de bombas despejados sobre as metrópoles.
Agora vemos, mais uma vez, porém de forma menos metafórica, a natureza cobrando um alto preço
pelo esquecimento de que somos seres vivos, aliás
muito frágeis, muito mais fracos que outros, invisíveis
aos nossos olhos, mas muito mais poderosos que nós
humanos, demasiadamente humanos.
*Verlaine Freitas é professor da UFMG e pesquisador
do CNPq
Disponível em:<https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2020/ 03/28/interna_cultura,1133266/pandemia-nos-faz-questionar-nocao-de-individualidade-diz-filosofo-da.shtml>
. Acesso em 28 mar. 2020.
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de individualidade
Verlaine Freitas*
“Quem sou eu em meio ao oceano de pessoas do
país e do mundo?” “O que representam bilhões de
pessoas do planeta para mim, um mero indivíduo?”
Essas perguntas, que nos rondam ocasionalmente
como meras fantasias existenciais – sem respostas e
sem desdobramentos práticos, meros índices das
incertezas quanto ao sentido da existência individual
e coletiva em um mundo cada vez mais individualista,
repentinamente ganharam uma concretude avassaladora.
A pandemia de COVID-19 nos mostra a densidade
urgente, visceral e corpórea do tecido societário,
expondo à luz do dia como falácias inadmissíveis os
discursos baseados no mero esforço próprio, nas
opções individuais, no interesse centrado na maximização do lucro em detrimento do bem-estar coletivo.
[...]
Vivemos atualmente um chamamento à concretude radical da negatividade do mundo, muito além
da experimentada nas figuras dos vilões nos filmes,
nas derrotas esportivas e nas notícias de guerras do
outro lado do mundo.
Ela deverá forjar uma nova consciência do significado dessa vida “em piloto automático”, com este
vaivém constante, seguindo o eterno princípio da
maior vantagem para si. Tal como toda interrupção
do trânsito com objetos de desejo constrange a uma
posição crítica sobre o significado deste vínculo, agora também seremos levados a nos perguntar sobre
esta colonização expansiva do mundo, cuja marcha
inexorável levou a natureza a nos questionar: “Quais
seus limites? Qual a racionalidade social disso tudo?
Quais os custos ambientais e de vidas humanas vocês
estão dispostos a pagar para manter a ilusão de um
individualismo exacerbado?”.
Naturalmente, o aprendizado dessa experiência
negativa será muito diverso, pois alguns grupos sociais lucram com esta crise, outros aferram-se a leituras religiosas fundamentalistas baseando-se no conceito de castigo divino, e alguns tenderão a se fechar
mais ainda em seu mundo, isolando-se de toda e
qualquer responsabilização social.
Espero, porém, que a maior parte da sociedade
tenha uma visão crítica progressista, cobrando de si e
dos outros um comprometimento maior com o bemestar social, percebendo o quanto a vida em sociedade significa, por si, uma dimensão inexpugnável e
inelidível da vida individual no sentido mais próprio
do termo.
O isolamento social a que hoje nos vemos forçados pode ser lido como uma metáfora do quanto a
negligência para com os serviços públicos de saúde
significa o desprezo para com a vida de cada uma e
cada um de nós em termos singulares.
Os filósofos da Escola de Frankfurt, Theodor
Adorno e Max Horkheimer, haviam concebido a destruição avassaladora da Segunda Guerra Mundial
como um retorno violento da natureza recalcada,
reprimida e mutilada. Tal como, segundo a psicanálise, desejos recalcados retornam sob a forma de sofrimento neurótico, todo o complexo natural pareceu
retornar, furioso, nas centenas de bombas despejados sobre as metrópoles.
Agora vemos, mais uma vez, porém de forma menos metafórica, a natureza cobrando um alto preço
pelo esquecimento de que somos seres vivos, aliás
muito frágeis, muito mais fracos que outros, invisíveis
aos nossos olhos, mas muito mais poderosos que nós
humanos, demasiadamente humanos.
*Verlaine Freitas é professor da UFMG e pesquisador
do CNPq
Disponível em:<https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2020/ 03/28/interna_cultura,1133266/pandemia-nos-faz-questionar-nocao-de-individualidade-diz-filosofo-da.shtml>
. Acesso em 28 mar. 2020.
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2663086
Ano: 2022
Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Banca: Unilavras
Orgão: Câm. Ipuiúna-MG
Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Banca: Unilavras
Orgão: Câm. Ipuiúna-MG
Provas:
Leia a letra da música "Apesar de você",
de Chico Buarque:
Amanhã vai ser outro dia
Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão
Viu?
Você que inventou esse
Estado Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão
(http://letras.terra.com.br/chico-buarque/7582/)
Desde o primeiro verso "Amanhã vai ser outro dia", o compositor Chico Buarque faz referência a uma possível queda dos militares. A letra criticava o regime militar (1964-1985). Seu trabalho recebe influências do cotidiano com as composições sempre permeadas de contextualização política e protesto social.
A partir da análise da letra da música "Apesar de você" e da temática apresentada no texto acima, assinale a alternativa correta:
Amanhã vai ser outro dia
Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão
Viu?
Você que inventou esse
Estado Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão
(http://letras.terra.com.br/chico-buarque/7582/)
Desde o primeiro verso "Amanhã vai ser outro dia", o compositor Chico Buarque faz referência a uma possível queda dos militares. A letra criticava o regime militar (1964-1985). Seu trabalho recebe influências do cotidiano com as composições sempre permeadas de contextualização política e protesto social.
A partir da análise da letra da música "Apesar de você" e da temática apresentada no texto acima, assinale a alternativa correta:
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2663085
Ano: 2022
Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Banca: Unilavras
Orgão: Câm. Ipuiúna-MG
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Banca: Unilavras
Orgão: Câm. Ipuiúna-MG
Provas:
O mundo está em estado de alerta com
o novo coronavírus (COVID-19). O vírus causa febre,
tosse, falta de ar e dificuldade em respirar. Em casos
mais graves, pode evoluir para pneumonia e síndrome
respiratória aguda grave ou causar insuficiência renal.
O primeiro caso da doença foi relatado em 31 de dezembro de 2019 em Wuhan, cidade com mais de 11
milhões de habitantes, é a capital e a maior cidade da
província de Hubei, a sétima cidade mais populosa do
país. E por que a China? Woolhouse, da Universidade
de Edimburgo, afirmou que a China tem mais casos desse tipo por causa do tamanho de seu território, de
sua densidade populacional e do contato próximo que
algumas pessoas têm com animais infectados. Os
países vizinhos expressam preocupação e em uma
tentativa de evitar a propagação do vírus, estão fechando as fronteiras terrestres.
Disponível em: <https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/01/30/ russia-vai-fechar-a-fronteira-com-a-china-por-causado-coronavirus.ghtml>. Acesso em 2 mar. 2020
Dentre as alternativas abaixo, assinale aquela que contenha todos os países que fazem fronteira terrestre com a China.
Disponível em: <https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/01/30/ russia-vai-fechar-a-fronteira-com-a-china-por-causado-coronavirus.ghtml>. Acesso em 2 mar. 2020
Dentre as alternativas abaixo, assinale aquela que contenha todos os países que fazem fronteira terrestre com a China.
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