Texto para a questão
O voluntário da pátria
Os franceses com sua incontornável paixão por
classificar tudo, inventaram a palavra “incontornável” para
definir algo ou alguém de que ou de quem não se pode fugir
ou abrir mão. E que bom que a tenham inventado, porque não
há melhor maneira de explicar a presença, hoje, como
sempre, de Antônio Carlos Jobim entre nós.
A história o dá como tendo morrido de uma
complicação cardíaca aos 67 anos durante uma cirurgia no
Hospital Mount Sinai, em Nova York, em 8 de dezembro de
1994, e, dias depois, sido trazido para o Rio, velado no Jardim
Botânico e levado ao Cemitério São João Batista, num cortejo
que emocionou a cidade. Desde então, Tom deixou de ser
visto nas ruas do Rio, onde, apesar de mundialmente famoso,
circulava com o mais carioca dos à vontades e se deixava
abordar por populares, amorosos e reverentes. Mas isso é só
um formalismo. Tom não morreu.
É o que sua permanência em nosso dia a dia faz
pensar. Suas canções, em qualquer gênero, estilo ou formato,
não saem de circulação. Estão em shows, rádios, discos e no
streaming, indiferentes a fronteiras. Não há país a que se vá que não se possa ouvi-las, em salas de concerto, cabarés e
até na rua. Cantores e músicos de toda parte continuam a
gravar songbooks de sua obra. Livros são escritos a seu
respeito, filmes são produzidos. Enquanto tantos de seus
parceiros e contemporâneos foram reduzidos a referências
nos livros de história, Tom parece fisicamente vivo e ativo.
Mas sua preocupação com o meio ambiente, em
termos de preservação e defesa de mares, matas e seres, que
tantas incompreensões lhe rendeu, só há pouco entrou para a
pauta nacional. Tom foi, antes de muitos, um ouvidor do Brasil,
um ombudsman por conta própria. Ninguém o contratou ou
escalou para isso – ao contrário, era um voluntário da pátria.
E, não fosse ele um músico, ninguém mais equipado para
ouvir o país, do pio do inhambu aos gritos da floresta sendo
abatida a machado ou serra. Mas quantos outros músicos o
seguiram nessa missão?
Tom não morreu, e a qualquer hora dessas vamos
cruzar com ele, aflito, à sombra de alguma árvore que já não
está mais lá.
O ouvidor do Brasil:99 vezes Tom Jobim. Ruy Castro
“Mas isso é só um formalismo. Tom não morreu.”
Em relação ao trecho apresentado, a conjunção, “mas” estabelece, no contexto, uma relação de:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Médico
60 Questões
Médico - Otorrinolaringologia
60 Questões