Leia o texto para responder à questão.
Mas voltemos a Achille Mbembe, com seu livro mais importante, Crítica da razão negra, e que já nasceu clássico. Ali o autor sustenta que a constituição do pensamento europeu como um humanismo ou um discurso sobre a humanidade é indissociável do surgimento da figura do Negro como personagem racial. (…) Escravos sempre houve ao longo da história da humanidade, mas eram fruto em geral da vitória numa guerra e, portanto, ex-adversários. Nunca se tornariam escravos em virtude da cor da pele. Apenas com o trato atlântico de homens e mulheres originários da África, a partir do século 16, os negros se transformaram em homens-objeto, homens-mercadoria e homens-moeda. (…) Mas o Negro é também o nome de uma injúria, de uma calúnia, do perigo, do revoltoso a ser domado incessantemente – no contexto da plantation isso tudo é condição de produção, é o que vai permitir uma das formas mais eficazes de acumulação. A racialização foi um elemento central na acumulação colonial que deu origem ao capitalismo. Capitalismo, colonialismo, racismo são peças de uma mesma engrenagem da qual somos herdeiros diretos – seja dos colonos ou de suas vítimas.
Segundo o texto, é correto afirmar que