Magna Concursos
1316460 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FAUEL
Orgão: Câm. Sarandi-PR
Acabaram com a nossa letra
Você já notou que a gente não escreve mais nada? Nada! Acho que desde que saí da faculdade não uso a mão para tais finalidades. Estão aí todas as máquinas e cartões para tal uso.
E olha que aprender a escrever à mão, no meu tempo, era uma dificuldade. No curso primário a gente tinha aula de linguagem. Tinha o caderno de linguagem, que todos eram obrigados a comprar. A linha era subdividida em duas partes, sendo a de baixo menorzinha para caberem as letras baixas, como o “a” e o “o”, por exemplo. E quando pintava um “l” ou um “t”, tinha que ir até lá em cima. Assim, todo mundo ficava com a letra igual à da professora, que era perfeita, por sinal.
Com o passar dos anos e com o desuso, a minha letra foi ficando horrorosa demais. Nem eu mesmo entendia. Passei a só escrever em letra de forma. O tempo passou mais e mais e a letra se foi deformando toda. Mas dava para o cheque. Agora, com a máquina de preencher cheque, lá se vai a minha letra. Com você anda acontecendo o mesmo?
Tenho certeza que, no futuro próximo, os alunos em vez de caderno vão levar os notebooks para a sala de aula. A letra à mão será coisa pré-histórica. Imagino os novos alunos, quando já grandinhos, olhando as receitas dos médicos e imaginando que os pais e avós escreviam daquele jeito. Ou será que também os médicos vão ter uma maquininha para dar suas tortas receitas?
Fico triste ao constatar tudo isso. É como se uma parte de mim fosse embora. Uma parte trabalhada duramente durante anos e anos.
O correio elegante das quermesses, como ficará? Persistirá, mesmo com as pessoas tendo letras cada vez mais confusas? Como conquistar uma moça com aquela letra, gente? E o cartãozinho das flores remetidas? Será que só usaremos as letras manuais para os motivos apaixonantes?
Chegará o momento que usaremos a nossa mão apenas para a assinatura. Ou será que teremos um cartão a laser que, passado em cima de um papel, depois de codificado por um número, imprimirá nossa assinatura? Ou será que voltaremos ao uso infalível da impressão digital?
Será que um dia chegaremos ao absurdo de ser proibido escrever à mão? Penas pesadas para os infratores? Fulano preso escrevendo poesias em plena praça. O que o pai do fulano não vai pensar daquilo? Mesmo a multa aplicada pela guarda não será escrita à mão. Ele digita a placa do seu carro e a informação vai diretamente para o Detran.
Nos países mais metidos a besta (também conhecidos como Primeiro Mundo), os garçons já pegam o seu pedido com um mini computador que leva imediatamente o seu pedido para o cozinheiro.
Claro que o jogo do bicho será rapidamente informatizado, evitando aqueles papeizinhos que a gente sempre perde ou não confere. Sorteio de amigo-secreto com aqueles pedacinhos de papéis dobrados. Sobreviverá? Haverá na seção ainda alguém com boa letra para tanto?
Como as secretárias vão avisar o chefe que fulano telefonou a tal hora? Tudo por cabos eletrônicos, é claro.
Listinha de pecados para confessar. Grava-se num gravadorzinho e enfia no ouvido do padre. Afinal, os nossos pecados são sempre os mesmos. Principalmente o pecado da preguiça, que marcará nossas vidas neste século que está chegando. Em algarismos romanos, sei lá por quê.
(PRATA, Mario. In: O Estado de S. Paulo, 12 nov. 1997.)
Analise as afirmativas referentes ao texto:
I - O autor lamenta que, pouco a pouco, pelo uso das máquinas, as pessoas estejam deixando de escrever.
II - O fato novo no supermercado: a máquina preenche cheque, leva o autor a suas reflexões sobre a escrita manual.
III - Para o autor mesmo após a substituição da escrita manual os registros continuaram sendo feitos de outra maneira, a leitura continuaria existindo.
Quais afirmativas estão corretas?
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Advogado

50 Questões

Auxiliar Legislativo

50 Questões

Oficial Legislativo

50 Questões

Operador - Áudio e Web Designer

50 Questões

Operador - Comunicação

50 Questões

Recepcionista

50 Questões