Quando as expressões deixam de expressar
Quase tão comum quanto alguns erros gramaticais, são certos hábitos ou vícios de linguagem e expressão: os chamados clichês. Eles não chegam a ser infrações, mas bem que podiam ser tachados como supérfluos. Cômodos porque estão sempre à mão, os clichês são formas expressivamente inúteis, já que, pelo desgaste do uso, não querem dizer mais nada. Por exemplo: Caiu como uma luva – Via de regra – Dirimir dúvidas – Tachado de – Em foco – Preencher uma lacuna - Conjugar esforços – Grosso modo – A nível de – etc.
A exemplo do que ocorre com a economia, o esporte ou a política, a crítica literária também criou seus clichês, em geral sofisticados. Uma leitura de alguns desses textos, aparecidos em jornais, leva às seguintes conclusões:
Toda prosa que motiva é instigante, todo pesquisador mergulha, emerge e desvenda alguma coisa. Todos têm potencialidade – de preferência, infinitas. O humor ou é corrosivo ou é delicioso. Qualquer estudo é fruto – de esforço, talento – só não é de árvore. Os escritores em geral vivem num universo onde tecem imagens, conjugam esforços, têm nuanças e compõem tramas intrigantes. Todos têm um traço marcante, mesmo que nunca tenham desenhado nada. O resultado desse trabalho intelectual costuma ser revigorante.
Vivian Wyler e Zuenir Ventura, in Curso prático
de português – Luis Agostinho Cadore.
De acordo com o texto, é correto afirmar:
1. Clichês são quase tão comuns quanto erros gramaticais.
2. A crítica literária criou clichês, geralmente sofisticados.
3. Para se ter traço marcante não é necessário desenhar, ou ser grande artista plástico.
4. “Via de regra” não é um clichê literário.
5. Os clichês nem sempre são cômodos, pois são expressões inúteis.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.