O debate contemporâneo sobre sustentabilidade e ESG (Environmental, Social and Governance) tem ganhado centralidade nas decisões de gestores, investidores e consumidores. No entanto, embora, atualmente, existam modelos referenciais, como o International <IR> Framework, elaborado pelo International Integrated Reporting Council (IIRC), um dos principais desafios ainda consiste na ausência de padrões universalmente adotados e consolidados para mensuração e divulgação do desempenho em sustentabilidade, o que tem provocado complexidade, fragmentação metodológica e insegurança informacional no mercado.
Leia os textos de apoio a seguir:
TEXTO I
“Embora a sustentabilidade tenha se tornado uma preocupação central para muitos gerentes, investidores e consumidores, o movimento ESG ainda tem um ponto de atrito importante: Ainda não há padrões universalmente adotados sobre como as empresas podem medir e relatar seu desempenho em sustentabilidade. Em vez disso, temos um grande número de ONGs trabalhando de forma independente para desenvolver padrões para relatórios de sustentabilidade, o que está criando complexidade e confusão para empresas e investidores. Mas isso pode estar prestes a mudar, graças a uma revolução silenciosa na comunidade contábil.”
BARKER, Richard; ECCLES, Robert G.; SERAFEIM, George. The Future of ESG Is… Accounting? Harvard Business Review. Versão traduzida pelo website. 2020. Disponível em: https://hbr.org/2020/12/the-future-of-esg-is-accounting. Acesso em: 05 fev. 2026.
TEXTO II
“A agenda ESG (ambiental, social e governança) consolidou-se como referência para orientar decisões corporativas e investimentos responsáveis, mas enfrenta um entrave relevante: a ausência de padrões universalmente adotados para mensuração e reporte. Esse cenário contribuiu para a fragmentação do campo, com metodologias e métricas inconsistentes, dificultando a comparabilidade entre empresas, aumentando custos de conformidade e enfraquecendo a confiabilidade dos relatórios. Além disso, a complexidade de medir impactos em cadeias produtivas extensas, somada à diversidade de modelos e agências, favorece distorções e amplia o risco de práticas como o greenwashing, tornando as informações ambientais frequentemente difíceis de interpretar.
Como resposta a essa lacuna, a contabilidade de impacto (impact accounting) surge como uma alternativa baseada em padronização, auditabilidade e escalabilidade. A proposta defende a incorporação de externalidades aos sistemas tradicionais de contabilidade de custos, permitindo mensurar custos indiretos impostos à sociedade (como emissões e poluição) por meio de métricas universais e auditorias consistentes. Ao integrar esses custos ao reporte financeiro e, potencialmente, à formação de preços, a contabilidade de impacto tende a reduzir a confusão do ESG, fortalecer a transparência e criar incentivos para que empresas e setores avancem na redução efetiva de impactos ambientais.”
Texto elaborado com base em Giancarlo (2024). GIANCARLO, Charles. Impact Accounting: Raising ESG Reporting Standards. Harvard Business Review, 2024. Disponível em: https://hbr.org/sponsored/2024/04/impact-accounting-raising-esg-reporting-standards. Acesso em: 05 fev. 2026.
Com base nos textos e no papel da contabilidade na evidenciação de informações ESG, analise as assertivas a seguir e assinale a alternativa CORRETA:
I. A ausência de padrões universalmente aceitos para mensuração e relato de sustentabilidade contribui para a fragmentação informacional, dificultando a comparabilidade dos relatórios ESG entre empresas.
II. A atuação de múltiplas organizações independentes na criação de padrões e métricas de sustentabilidade tende a aumentar a complexidade e pode gerar insegurança para empresas e investidores quanto à consistência das informações divulgadas.
III. A contabilidade pode contribuir para o fortalecimento do ESG ao fornecer critérios técnicos de mensuração, evidenciação e asseguração, aumentando a comparabilidade e a confiabilidade dos relatórios.
IV. A “revolução silenciosa na comunidade contábil” mencionada no texto indica que a contabilidade não possui relação com a padronização e a confiabilidade das divulgações ESG, permanecendo esse tipo de relatório sob responsabilidade exclusiva de ONGs.
Assinale a alternativa CORRETA: