TEXTO I
Depressão na contemporaneidade
O sofrimento psíquico manifesta-se sob forma de depressão, tristeza e apatia que atingem o corpo e a alma. Ele é decorrente de qualquer estado que desorganize o pensamento, inclusive a perda, segundo Bowlby (1993).
Porém, não somente as experiências internas são responsáveis pelo sofrimento e pela dor do depressivo. Outros fatores agregam sofrimento psíquico alterando a afetividade e a percepção da realidade traduzida pela depressão ou euforia ocasionando os chamados Transtornos de Humor. Várias justificativas foram levantadas para explicar a ocorrência dos mesmos, tais como fatores relacionados à magia, através da qual as alterações de humor são atribuídas à ação maléfica de espíritos; à religiosidade, em que Deus, independente da forma de manifestação ou instituição religiosa, seria o responsável pelo que acontece com o sujeito; a explicações orgânicas, que consideram a tendência para buscar soluções através do médico e da medicação; e ao tédio, ou seja, ao que poderíamos hoje denominar como falta de sentido, angústia, vazio, insegurança e uma série de outras manifestações que revelam a sensação de insuficiência vividas, às quais o sujeito sucumbe.
Os psicanalistas tendem a entender o fenômeno depressivo chamando-o de psicose maníaco-depressiva, trazendo à tona a chamada melancolia, nomenclatura usada por Freud em seu artigo sobre depressão intitulado “Luto e Melancolia” de 1917. Nesse artigo, ele descreve que os traços mentais relacionados à melancolia são um desânimo profundamente penoso, a cessação de interesse pelo mundo externo, a perda da capacidade de amar, a inibição de toda e qualquer atividade, e uma diminuição dos sentimentos de autoestima a ponto de encontrar expressão em autoenvilecimento, culminando numa expectativa delirante de punição. (Freud, 1917, p. 276) Tais traços alternam-se em alguns casos com a mania, cuja caracterização do quadro é a fuga desse sofrimento. M. Klein (1940), em “O luto e suas relações com os estados maníaco-depressivos”, propõe que as defesas maníacas vêm controlar ou manter em animação suspensa os objetos causadores de sofrimento.
Atualmente a classificação do DSM-IV e o CID-10 apoiam o estabelecimento de um diagnóstico a partir de critérios que levam em consideração as manifestações sintomáticas dos quadros. Contudo, a proposta desses Manuais Diagnósticos impõe ao profissional duas dificuldades. Primeiro: a psicologia e a psicanálise não restringem o diagnóstico à classificação das manifestações sintomáticas. Da utilização da proposta dos manuais decorrem lacunas para se fechar diagnósticos. Segundo: não há como avaliar o sujeito sem se levar em conta a subjetividade. Kristeva (1996) apud Maciel (2002) alerta para a impossibilidade de se estabelecer um diagnóstico totalizante sobre depressão quando se levam em consideração os processos de subjetivação.
Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-03942006000300012>. (adaptado). Acesso em 20 nov.
2019.
Leia as passagens a seguir e atente para o emprego da partícula "que".
I - O sofrimento é decorrente de qualquer estado que desorganize o pensamento.
II - No artigo "Luto e melancolia", Freud aborda os estados mentais que se relacionam com a depressão.
III - Psicólogos afirmam que é muito importante procurar auxílio especializado em casos de depressão crônica.
IV - As pessoas que sofrem de depressão muitas vezes perdem o interesse por quaisquer atividades do cotidiano e buscam o isolamento social.
Em quais passagens acima o "que" exerce função de pronome relativo?