Mas vale também notar que esses grandes movimentos começaram a partir de idéias na cabeça das pessoas – idéias sobre o que as relações entre os homens foram, são, poderiam ou deveriam ser – e perceber como elas vieram a ser transformadas em nome da visão de uma meta suprema na mente dos líderes, principalmente de profetas com exércitos às costas. Essas idéias são a substância da ética. O pensamento ético consiste no exame sistemático das relações dos seres humanos entre si, nas concepções, nos interesses e ideais que originam o modo humano de uns tratarem os outros, e nos sistemas de valor em que esses objetivos de vida se baseiam. (...)
Se temos a pretensão de compreender o mundo freqüentemente violento em que vivemos (e, se não tentamos compreendê-lo, não podemos nutrir a esperança de saber agir racionalmente no mundo e influenciá-lo), não devemos limitar a nossa atenção às grandes forças impessoais, naturais e criadas pelo homem, que agem sobre nós. As metas e os motivos que guiam a ação humana devem ser observados à luz de tudo o que sabemos e compreendemos; as suas raízes e seu crescimento, a sua essência e, acima de tudo, a sua validade devem ser criticamente examinados com todo e qualquer recurso intelectual de que dispusermos. Essa necessidade urgente, à parte o valor intrínseco da descoberta da verdade sobre as relações humanas, torna a ética um campo de importância primordial. Somente os bárbaros não são curiosos sobre o lugar de onde vêm, como chegaram aonde estão, para onde parecem estar indo, se desejam ir para esse lugar, em caso positivo, por quê, em caso negativo, por que não.
(BERLIN, Isaiah. Estudos
sobre a humanidade. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 41-42)
Está correta a seguinte assertiva: