Calar, responder no mesmo
tom ou revelar as coisas pequenas?
Fim das festas, enfim. Imagino que seus encontros
com a família, colegas e comidas fartas tenham feito emergir o tema do autocontrole. Exemplo: ouvir coisas difíceis
e não responder imediatamente pelo bem da harmonia do
lar e do emprego. Ver muita comida e bebida e ingerir só
o suficiente. Driblar o cansaço do final do ano (...). Continuar “fazendo social” além do momento de esgotar a bateria familiar.(...) Avançar com a vida sem deixar vítimas
pelo caminho e sempre pensando que o cadáver simbólico
pode ser você. (...) Basicamente, isso dominou o final de
ano de muitos.
Autocontrole é louvado pela Bíblia. ( ) No Novo
Testamento, são exaltados os pacificadores, os mansos e
humildes de coração, virtudes identificadas no Sermão da
Montanha de Mateus. (...) Perdoe agressores como Jesus
pendurado ao madeiro. Afinal, eles “não sabem o que fazem”.( ) Ao encontrar alguém abalado e instável, você é
desafiado a responder se a paz lhe pertence ou não. Se ela
for do outro, ele a toma; se sua permanece. Para os tipos
coléricos, exiba sua paz inabalável. Controlar-se é ser livre. (...) Você se arrepende se sua boca ou seu corpo acompanharem a explosão negativa que a situação causou em
você. Você tem emprego e casamento porque aprendeu a
se calar. A arte de engolir sapos é pura estratégia. Vivemos outro momento cultural. Bons psicólogos recomendam que você se expresse sobre aquilo que lhe agride. (...)
Muita gente se orgulha de ter redescoberto a lei do Talião
e de se vingar a partir de olho por olho, dente por dente.
(...) Viramos pessoas que consideram o silêncio como uma
capitulação.
Calar sempre? Responder no mesmo tom? Não tenho uma resposta clara, pois já me arrependi de calar e de
gritar. Eu darei uma solução subjetiva: revelar a maioria
das coisas pequenas. (...) Boa postura costuma ser muito
forte como argumento. Como saber a diferença? Complexo, mas possível. Permita-se alguns segundos de reflexão
antes de reagir. Treine, especialmente antes de um evento
desafiador. (...) Acho que isso pode ajudar a tornar 2026
mais sábio, sem epiderme ao vento e sem couro de jacaré.
Lembrando o peso da metáfora: jacarés têm o ventre macio
e o mantêm sob a água, escondido; possuem a couraça superior quase impenetrável e a exibem ao mundo. Segundo
a crença popular, “em rio com piranhas , jacaré nada de
costas”. Tenho a esperança de aprender a viver em nado de
peito, costas e borboleta, dependendo da fauna da água.
Bom 2026 para mamíferos fofos e répteis astutos.
(https://www.estadao.com.br/cultura/leandro/
karnal/calar-responder-no-mesmo-tom-ou-revelar-as-coisas
-pequenas/texto adaptado. Acesso em 03 fev. 2026).
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