Quando refletimos sobre a questão da justiça, algumas associações são feitas quase intuitivamente, tais como a de equilíbrio entre as partes, princípio de igualdade, distribuição equitativa, mas logo as dificuldades se mostram. Isso porque a nossa sociedade, sendo bastante diversificada, apresenta uma heterogeneidade tanto em termos das diversas culturas que coexistem em um mundo interligado como em relação aos modos de vida e aos valores que surgem no interior de uma mesma sociedade.
CHEDIAK, K. A pluralidade como ideia reguladora: a noção de justiça a partir da filosofia de Lyotard. Trans/Form/Ação, n. 1,2001 (adaptado).
A relação entre justiça e pluralidade, apresentada pela autora, está indicada em:
A característica fundamental é que ele não é mais somente um agricultor ou um pecuarista: ele combina atividades agropecuárias com outras atividades não agrícolas dentro ou fora de seu estabelecimento, tanto nos ramos tradicionais urbano-industriais como nas novas atividades que vêm se desenvolvendo no meio rural, como lazer, turismo, conservação da natureza, moradia e prestação de serviços pessoais.
SILVA, J. G. O novo rural brasileiro. Revista Nova Economia, n. 1, maio 1997 (adaptado).
Essa nova forma de organização social do trabalho é denominada
Não estou mais pensando como costumava pensar. Percebo isso de modo mais acentuado quando estou lendo. Mergulhar num livro, ou num longo artigo, costumava ser fácil. Isso raramente ocorre atualmente. Agora minha atenção começa a divagar depois de duas ou três páginas. Creio que sei o que está acontecendo. Por mais de uma década venho passando mais tempo on-line, procurando e surfando e algumas vezes acrescentando informação à grande biblioteca da internet. A internet tem sido uma dádiva para um escritor como eu. Pesquisas que antes exigiam dias de procura em jornais ou na biblioteca agora podem ser feitas em minutos. Como disse o teórico da comunicação Marshall McLuhan nos anos 60, a mídia não é apenas um canal passivo para o tráfego de informação. Ela fornece a matéria, mas também molda o processo de pensamento. E o que a net parece fazer é pulverizar minha capacidade de concentração e contemplação.
CARR, N. Is Google making us stupid? Disponível em: www.theatlantic.com.
Em relação à internet, a perspectiva defendida pelo autor ressalta um paradoxo que se caracteriza por
“Na sociedade aristocrática de corte, a vida sexual era por certo
muito mais escondida do que na sociedade medieval. O que o
observador de uma sociedade industrializada-burguesa amiúde
interpreta como ‘frivolidade’ da sociedade de corte nada mais é
do que essa orientação rumo à privacidade. Não obstante,
medidos pelo padrão de controle dos impulsos na própria
sociedade burguesa, o ocultamento e a segregação da
sexualidade na vida social, tanto quanto na consciência, foram
relativamente sem importância nessa fase. Aqui, também, o
julgamento de fases posteriores é com frequência induzido em
erro porque os padrões, da pessoa que julga e da aristocracia de
corte, são considerados como absolutos e não como opostos
inseparáveis, e também porque o padrão próprio é utilizado como
medida de todos os demais.”(ELIAS, N. O Processo Civilizador: Uma história dos costumes.
Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1994, v. 1, p. 178.)Em O Processo Civilizador, Norbert Elias analisa a história dos
costumes, buscando compreender o curso das transformações
gerais da sociedade ocidental que, na longa duração,
contribuíram para um processo civilizatório. A esse respeito, com base no fragmento acima, assinale V para a
afirmativa verdadeira e F para a falsa.
( ) O autor examina a dinâmica civilizadora, entendida como as
reações dos indivíduos às condições materiais de vida.
( ) O autor estuda os processos de naturalização de hábitos e
costumes, como os processos de controle das emoções
individuais.
( ) O autor identifica representações sociais e hábitos analisando
o processo cognitivo pelo qual lhe são atribuídos significados.
As afirmativas são, respectivamente,
Maria da Vila Matilde
(Porque se a da Penha é brava, imagine a da Vila Matilde!) Cadê meu celular?
Eu vou ligar prum oito zero Vou entregar teu nome
E explicar meu endereço
Aqui você não entra mais
Eu digo que não te conheço
E jogo água fervendo
Se você se aventurar (...)
E quando o samango chegar
Eu mostro o roxo no meu braço
Entrego teu baralho
Teu bloco de pule
Teu dado chumbado
Ponho água no bule
Passo e ofereço um cafezim
Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim (...)
Mão, cheia de dedo
Dedo, cheio de unha suja
E pra cima de mim? Pra cima de muá? Jamé, mané!
Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim.
(Samba-de-breque com arranjo distorcido gravado
por Elza Soares [A Mulher do Fim do Mundo, 2015])
Após o estudo do tema “gênero”, o professor de sociologia
propõe uma atividade sobre o problema da violência doméstica
no Brasil hoje a partir da apreciação e da análise da música
“Maria da Vila Matilde”, da leitura e compreensão da legislação
brasileira recente que trata da violência doméstica e da
construção coletiva de uma campanha contra a violência
doméstica a ser realizada na escola, em colaboração com outros
alunos e professores.
As opções a seguir descrevem corretamente os objetivos e os
métodos dessa atividade, em sintonia com os textos dos PCNsEnsino
Médio, à exceção de uma. Assinale-a.
“Aquele que estudar cuidadosamente o passado pode prever os
acontecimentos que se produzirão em cada Estado e utilizar os
mesmos meios que os empregados pelos antigos. Ou então, se
não há mais os remédios que já foram empregados, imaginar
outros novos, segundo a semelhança dos acontecimentos.”
(Nicolau Maquiavel. Discursos, livro I, cap. XXX [1513-17])
A filosofia política de Nicolau Maquiavel contribuiu para que a
sociologia clássica construísse a imagem do ser humano como um
ser político e social, privilegiando o adquirido sobre o inato e a
razão sobre a tradição. Com base no trecho citado, assinale a
opção que interpreta corretamente a relação entre natureza
humana, história e repetibilidade proposta pelo secretário
florentino.
Analise os fragmentos a seguir.
“Amigos, aí é que está: - o sujeito que quiser conhecer o Brasil
terá que olhar o escrete. Não há nada mais Brasil do que Pelé. E
repito: - todo o Brasil estava no goal que Pelé marcou, de
cacetada, contra o País de Gales. Também a desgraça venta no
futebol. Pior do que Canudos foi a vergonha épica de 50. No
Maracanã inaugurado, o uruguaio Obdulio Varela venceu, no
palavrão, o escrete e toda a nação.”(Nelson Rodrigues. O Brasil em campo.
Rio de janeiro: Nova Fronteira, 2012, p. 14.)
“Evidentemente, existe “verdade” na literatura, mas é a verdade
da literatura – da mesma forma que existe uma verdade da
ciência, embora ela só possa ser a verdade da ciência. Em ambos
os casos, as verdades de que estamos falando afirmam seu valor
de verdade porque seguiram fielmente o código de procedimento
prescrito. Não é uma questão de marcar pontos na mesma liga
dos que se dedicam à busca da verdade, mas de competir em
diferentes ligas para ganhar diferentes troféus. Em última
instância, é a compreensão que cada um tem da vocação
sociológica que determina sua escolha, e não a superioridade
intrínseca de rivais e competidores na mesma corrida e na mesma
pista.”
(Zygmunt Bauman. Para que serve a sociologia?
Rio de Janeiro: Zahar, 2015, p. 30-31) Com base nos trechos citados, sobre o uso sociológico da
metáfora literária do Brasil como país do futebol, analise as
afirmativas a seguir.
I. Tanto a sociologia quanto a literatura interpretam o futebol
como fenômeno social, capaz de gerar identidade e mobilizar
sentimentos e ações coletivas. II. Para a literatura e a sociologia, na sociedade brasileira o
futebol extrapola a dimensão esportiva e está associado ao
imaginário coletivo.
III. Literatura e sociologia se aproximam na tentativa de explicar
a realidade social captando aspectos materiais e simbólicos
do cotidiano.
Está correto o que se afirma em
O desenvolvimento de uma ciência da sociedade está relacionado
à descoberta das relações entre homem, natureza e sociedade.
Os filósofos iluministas contribuem para esse processo na medida
em que
Em 1835, Alexis de Tocqueville regressou de uma viagem aos
Estados Unidos e publicou suas reflexões sobre a vida política na
nova nação: “O gradual desenvolvimento da igualdade é uma
realidade providencial. Dessa realidade, tem ele as principais
características: é universal, é durável, foge dia a dia à
interferência humana; e, para seu progresso, contribuíram todos
os acontecimentos, assim como todos os homens. Seria prudente
imaginar que um movimento social de tão remotas origens
pudesse ser detido por uma geração? Pode-se conceber que, após
ter destruído o sistema feudal e vencido os reis, ele irá recuar
ante a burguesia e a classe rica? Agora que se tornou tão forte, e
tão frágeis os seus adversários, deter-se-á ainda?”
Neste trecho o autor descreve um processo igualitário por ele
considerado um movimento social cuja marcha está associada à
história da humanidade.
Esse movimento social corresponde à
O termo “darwinismo social” foi cunhado em 1879, em um
contexto em que filósofos e cientistas se interrogavam a respeito
do impacto político, social e ético da aplicação das teorias
evolucionistas de Darwin sobre as sociedades humanas.
As opções a seguir retratam corretamente princípios do
darwinismo social, à exceção de uma. Assinale-a.