Caio, 16 anos de idade, com diagnóstico de esquizofrenia,
mora com a mãe e um irmão de 5 anos de idade, e realiza
acompanhamento por equipe multiprofissional em um CAPS
infantojuvenil (CAPSij) há 5 meses. No entanto, nas últimas
duas semanas, apresentou piora importante do quadro clínico,
com desorganização do comportamento, agitação
psicomotora, agressividade verbal e episódios de agressão
física contra a mãe e o irmão. Durante visita domiciliar, a mãe
relata que Caio abandonou a medicação há mais de um mês.
Inicialmente, a mãe tentou convencê-lo a tomar a medicação,
mas devido piora da agressividade, desistiu. Equipe observa
que o paciente está com higiene precária, emagrecido, com
comportamento persecutório, dizendo que “precisa atacar
antes que o machuquem”. A equipe tentou aproximação, mas
Caio recusou qualquer contato com os profissionais. A mãe,
exausta e preocupada com a integridade do filho menor,
solicita ajuda da equipe. Com base na organização da RAPS
e nas diretrizes da Política Nacional de Saúde Mental para
adolescentes, nesse caso, a equipe deve
Os pais levam Julia (ainda sem nome social), adolescente de
14 anos do sexo biológico feminino e que tem se identificado
com o gênero masculino, ao atendimento psiquiátrico no
CAPS Infanto-Juvenil. Desde criança, Julia tem um
comportamento socialmente tido como mais masculino: seu
esporte preferido é o futebol, sempre teve muito mais amigos
homens, evitava usar roupas rosas ou vestidos e saias, dentre
outros. Os pais permitiam que ela tivesse essas vivências, mas
aos 13 anos ela falou que se entendia como um garoto, o que
eles não aceitaram muito bem e consideraram apenas como
uma fase, não buscando nenhum suporte profissional.
Entretanto, com o decorrer do tempo, além de manter este
discurso, os pais notaram que a adolescente tem estado
cabisbaixa, vem faltando a escola, não frequenta mais os
treinos de futebol por se sentir cansada e se afastou de
amigos. Mais recentemente, ela vem apresentando crises
intensas de raiva e se cortando, o que despertou a urgência
dos pais em buscarem cuidado em saúde mental. Sobre o
acompanhamento em saúde mental de adolescentes trans,
assinale a alternativa correta.
Sobre os mecanismos psicopatológicos e neurobiológicos
que fundamentam a compreensão atual dos transtornos por
uso de substâncias (TUS) e dos comportamentos aditivos
digitais, como o transtorno de jogos eletrônicos, assinale a
alternativa correta.
Uma adolescente de 16 anos apresenta, ao longo do último
ano, diversos episódios recorrentes de irritabilidade
acentuada, redução da necessidade de sono, aumento de
energia, distratibilidade, fuga de ideias e engajamento em
múltiplos projetos escolares com produtividade reduzida. Os
episódios duram cerca de 4 a 6 dias e se alternam com
períodos de apatia, isolamento social, ideação negativa e
hipersonia. Não há histórico familiar de transtorno bipolar, mas
há antecedente de TDAH na infância. Com base nos critérios
diagnósticos atuais, assinale a alternativa correta.
Desde junho de 2018, a Organização Mundial de Saúde
(OMS) deixou de classificar a transexualidade como uma
condição patológica, reconhecendo-a como uma expressão
legítima da diversidade sexual e de gênero. Ainda que a
identidade de gênero seja subjetiva e autoatribuída, a
formulação de um diagnóstico clínico permanece necessária
para, por exemplo, justificar possíveis intervenções médicas.
Com base neste cenário e considerando o DSM-5 (5ª edição
do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e
a CID-11 (11ª edição da Classificação Internacional de
Doenças), assinale a alternativa correta sobre critérios
diagnósticos relacionados à transexualidade.
Juliana, 17 anos de idade, está em Terapia Comportamental
Dialética para Adolescentes (DBT-A), há 2 meses, para tratar
um quadro de Transtorno de Personalidade Borderline (TPB).
Apesar da boa adesão terapêutica, os sintomas permanecem
intensos. Ela relata flutuações de humor rápidas e intensas ao
longo do dia, descrevendo-se como “no fundo do poço” em
um momento e “paralisada” pela ansiedade horas depois.
Esses estados emocionais são frequentemente
acompanhados por episódios de raiva que ela sente como
incontroláveis, resultando em conflitos interpessoais graves
que prejudicam seu convívio social. Além disso, quando se
sente mais pressionada, Juliana desenvolve uma
desconfiança intensa, chegando a ter pensamentos
recorrentes de que está sendo secretamente observada e que
seus colegas de trabalho conspiram ativamente contra ela,
embora, com esforço, consiga manter um distanciamento
crítico dessas ideias. Diante da persistência e da gravidade
desses sintomas, seu psiquiatra avalia a introdução de um
tratamento farmacológico adjuvante. Considerando o cenário
clínico e as evidências atuais sobre a psicofarmacologia no
TPB, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais
apropriada.
Mulher, 42 anos de idade, advogada, G5P2A2, com
antecedente de 2 partos normais a termo de um
relacionamento anterior, sem intercorrências durante a
gestação e partos. Com o atual marido, apresentou
2 abortamentos de primeiro trimestre, há cerca de 1 ano, sem
causa aparente. Refere quadro depressivo há 15 anos, após
a separação do primeiro marido, com tratamento
medicamentoso. Na atual gestação, apresentou alteração no
ultrassom morfológico de primeiro trimestre, sendo submetida
a biópsia de vilo corial e diagnosticada trissomia do
cromossomo 21. Comparece à consulta de pré-natal de rotina
com 20 semanas, referindo tristeza, perda de ânimo, com
dificuldade para realizar as tarefas domésticas e do trabalho.
Refere, também, perda de apetite e dificuldade para acordar.
Está ansiosa para realizar o ultrassom morfológico de segundo
trimestre, devido à possibilidade de malformações cardíacas
fetais, sente-se culpada pela alteração fetal. Assinale a
alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica e a conduta
adequada para o caso, respectivamente.
Homem, 49 anos de idade, etilista importante (meia garrafa de
destilado por dia), em tratamento de carcinoma escamoso de
laringe, em uso de traqueostomia, comparece ao pronto-socorro com quadro de piora da secreção traqueal, febre e
queda do estado geral. Encaminhado à UTI para
antibioticoterapia e monitorização respiratória. Após 48 horas,
paciente evoluiu com agitação psicomotora, sudorese, FC de
140 bpm (ritmo sinusal), PA de 170×110 mmHg e um episódio
de crise convulsiva tônico-clônico generalizada com reversão
em menos de um minuto.
• Gasometria arterial:
pH: 7,5
pO2: 80 mmHg
pCO2: 32 mmHg
HCO3
-
: 21 mEq/L
BE: -1
SpO2: 96%
Na+
: 154 mEq/L
Restante dos exames laboratoriais normais, dextro de
90 mg/dL. Assinale a alternativa que apresenta o provável
diagnóstico e tratamento indicado.