Foram encontradas 349.780 questões.
Leia o texto abaixo para responder à questão.
Entenda a lógica por trás das ‘bets’, os sistemas de apostas on-line
A principal motivação para apostar é a “emoção”, aponta um estudo do Instituto QualiBest
Os brasileiros estão cada vez mais animados com o mercado de apostas. Pelo menos é o que mostra o estudo Raio
X do Investidor Brasileiro, realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais em parceria com o Datafolha.
O levantamento mostra que cerca de 22 milhões de brasileiros (14% da população) dizem ter feito pelo menos uma
‘bet’ em 2023. Os números chamam a atenção, principalmente ao comparar com a quantidade de pessoas que investem
na B3 (a Bolsa de valores): há somente 3,7 milhões de pessoas no Brasil. Logo, constata-se uma preferência maior da população por bets ou ao menos uma maior propagação. Mas qual é a lógica por trás dos sistemas de apostas on-line?
O setor de apostas on-line foi regulamentado no Brasil em 2018. De lá para cá, o mercado popularizou e hoje chovem diferentes tipos de bet, como as apostas esportivas que se destacam principalmente entre o público masculino consumidor de futebol.
Outras modalidades também se popularizaram, mas é preciso cuidado e atenção. Os jogos “do Tigrinho” e “do Aviãozinho” causaram diversas polêmicas e são ilegais no País. Nesse ponto, há uma diferença crucial: jogos como o do Tigre
são considerados de azar, categoria proibida no Brasil, seguindo a lógica dos caça-níqueis e dos cassinos. Já as apostas esportivas são enquadradas no mesmo segmento das loterias.
A “Lei das Bets”, sancionada em dezembro do ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, trouxe alguns
fatores relevantes para os investidores. Houve uma imposição de 15% de Imposto de Renda da Pessoa Física sobre o lucro
líquido dos prêmios. Além disso, algumas categorias de indivíduos são impedidas de apostar, incluindo menores de idade,
pessoas com influência significativa, agentes públicos relacionados à regulação e fiscalização da atividade, entre outros.
Para maximizar os resultados, muitos investidores confiam em sua intuição. Outros, por sua vez, utilizam algoritmos mais sofisticados e tendem a obter resultados mais consistentes: eles levam em consideração o histórico de resultados
e o desempenho dos atletas, analisam o histórico de confrontos, avaliam a eficácia de cada equipe em diferentes aspectos
do esporte, e assim por diante. Por essa razão, esse ambiente é mais propício à lógica do que à emoção.
Plataformas como Bet365, Betfair, Betdaq, WBX e Ladbrokes Exchange movimentam cifras astronômicas anualmente, o que tem atraído crescente interesse tanto de analistas financeiros quanto de entusiastas de futebol, basquete e
outras modalidades esportivas.
O trading esportivo oferece uma gama variada de opções de apostas em cada tipo de partida: desde prever o vencedor até estimar o número de gols ou pontos no total do jogo. Os apostadores podem combinar essas variáveis; quanto
mais específicas forem, menos provável será o resultado, mas maior será o potencial de ganhos se a aposta for bemsucedida.
Como apostar de maneira mais segura?
Uma das principais motivações para os brasileiros se envolverem em jogos é a excitante “emoção” da aposta. Uma
pesquisa realizada pelo Instituto QualiBest e a ENV Media, agência especializada na indústria de iGaming, revela que aproximadamente 38% das pessoas entrevistadas realizam apostas on-line pelo menos uma vez por semana, enquanto outros
23% o fazem quinzenalmente. Participaram 550 pessoas maiores de 18 anos, de todas as classes sociais e regiões do Brasil.
Embora as apostas esportivas não sejam tão imprevisíveis quanto uma “Mega-Sena”, cujos resultados dependem
puramente da sorte, sua natureza não sistemática não proporciona o mesmo nível de segurança que os investimentos nas
bolsas.
A regra básica é clara: para realizar um investimento, é essencial uma pesquisa aprofundada. A leitura e análise da
dinâmica do setor onde se deseja investir fazem parte do dia a dia daqueles que optam por direcionar seus recursos para o
mercado de ações ou instituições financeiras. É o entendimento dos fundamentos dos ativos que permite uma tomada de
decisão embasada.
Embora existam métodos sofisticados para prever resultados mais prováveis, o risco das apostas esportivas é elevado porque os eventos esportivos estão sujeitos a uma variedade de circunstâncias imprevistas. As surpresas, como resultados inesperados, são exemplos comuns disso. Apesar do aumento do desempenho dos jogadores e da profissionalização
na gestão dos clubes, os noventa minutos de uma partida de futebol ainda contêm um elemento de imprevisibilidade.
Nesse contexto, a experiência como torcedor pode ser útil, pois é evidente que, em alguns dias, a sorte não está a
favor: o goleiro defende, a trave impede, o juiz invalida. Portanto, há uma parcela significativa de incerteza e fortuna envolvida nesse fenômeno. Por outro lado, no mercado de ações, os fundamentos permitem uma previsão mais precisa do destino do dinheiro investido.
Do ponto de vista técnico, é crucial ressaltar que até mesmo investimentos de alto risco garantem a aquisição de
um ativo. Seja uma participação em uma empresa, um contrato de câmbio, um título do governo, uma debênture ou qualquer outro ativo negociado por meio de uma plataforma online, o investidor possui uma propriedade tangível.
Entretanto, no caso das apostas esportivas, isso não se aplica: no final das contas, pode-se ficar sem nada.
(Geovani Bucci – maio/2024
https://einvestidor.estadao.com.br/comportamento/como-funcionam-as-bets-apostas-esportivas/)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto abaixo para responder à questão.
Entenda a lógica por trás das ‘bets’, os sistemas de apostas on-line
A principal motivação para apostar é a “emoção”, aponta um estudo do Instituto QualiBest
Os brasileiros estão cada vez mais animados com o mercado de apostas. Pelo menos é o que mostra o estudo Raio
X do Investidor Brasileiro, realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais em parceria com o Datafolha.
O levantamento mostra que cerca de 22 milhões de brasileiros (14% da população) dizem ter feito pelo menos uma
‘bet’ em 2023. Os números chamam a atenção, principalmente ao comparar com a quantidade de pessoas que investem
na B3 (a Bolsa de valores): há somente 3,7 milhões de pessoas no Brasil. Logo, constata-se uma preferência maior da população por bets ou ao menos uma maior propagação. Mas qual é a lógica por trás dos sistemas de apostas on-line?
O setor de apostas on-line foi regulamentado no Brasil em 2018. De lá para cá, o mercado popularizou e hoje chovem diferentes tipos de bet, como as apostas esportivas que se destacam principalmente entre o público masculino consumidor de futebol.
Outras modalidades também se popularizaram, mas é preciso cuidado e atenção. Os jogos “do Tigrinho” e “do Aviãozinho” causaram diversas polêmicas e são ilegais no País. Nesse ponto, há uma diferença crucial: jogos como o do Tigre
são considerados de azar, categoria proibida no Brasil, seguindo a lógica dos caça-níqueis e dos cassinos. Já as apostas esportivas são enquadradas no mesmo segmento das loterias.
A “Lei das Bets”, sancionada em dezembro do ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, trouxe alguns
fatores relevantes para os investidores. Houve uma imposição de 15% de Imposto de Renda da Pessoa Física sobre o lucro
líquido dos prêmios. Além disso, algumas categorias de indivíduos são impedidas de apostar, incluindo menores de idade,
pessoas com influência significativa, agentes públicos relacionados à regulação e fiscalização da atividade, entre outros.
Para maximizar os resultados, muitos investidores confiam em sua intuição. Outros, por sua vez, utilizam algoritmos mais sofisticados e tendem a obter resultados mais consistentes: eles levam em consideração o histórico de resultados
e o desempenho dos atletas, analisam o histórico de confrontos, avaliam a eficácia de cada equipe em diferentes aspectos
do esporte, e assim por diante. Por essa razão, esse ambiente é mais propício à lógica do que à emoção.
Plataformas como Bet365, Betfair, Betdaq, WBX e Ladbrokes Exchange movimentam cifras astronômicas anualmente, o que tem atraído crescente interesse tanto de analistas financeiros quanto de entusiastas de futebol, basquete e
outras modalidades esportivas.
O trading esportivo oferece uma gama variada de opções de apostas em cada tipo de partida: desde prever o vencedor até estimar o número de gols ou pontos no total do jogo. Os apostadores podem combinar essas variáveis; quanto
mais específicas forem, menos provável será o resultado, mas maior será o potencial de ganhos se a aposta for bemsucedida.
Como apostar de maneira mais segura?
Uma das principais motivações para os brasileiros se envolverem em jogos é a excitante “emoção” da aposta. Uma
pesquisa realizada pelo Instituto QualiBest e a ENV Media, agência especializada na indústria de iGaming, revela que aproximadamente 38% das pessoas entrevistadas realizam apostas on-line pelo menos uma vez por semana, enquanto outros
23% o fazem quinzenalmente. Participaram 550 pessoas maiores de 18 anos, de todas as classes sociais e regiões do Brasil.
Embora as apostas esportivas não sejam tão imprevisíveis quanto uma “Mega-Sena”, cujos resultados dependem
puramente da sorte, sua natureza não sistemática não proporciona o mesmo nível de segurança que os investimentos nas
bolsas.
A regra básica é clara: para realizar um investimento, é essencial uma pesquisa aprofundada. A leitura e análise da
dinâmica do setor onde se deseja investir fazem parte do dia a dia daqueles que optam por direcionar seus recursos para o
mercado de ações ou instituições financeiras. É o entendimento dos fundamentos dos ativos que permite uma tomada de
decisão embasada.
Embora existam métodos sofisticados para prever resultados mais prováveis, o risco das apostas esportivas é elevado porque os eventos esportivos estão sujeitos a uma variedade de circunstâncias imprevistas. As surpresas, como resultados inesperados, são exemplos comuns disso. Apesar do aumento do desempenho dos jogadores e da profissionalização
na gestão dos clubes, os noventa minutos de uma partida de futebol ainda contêm um elemento de imprevisibilidade.
Nesse contexto, a experiência como torcedor pode ser útil, pois é evidente que, em alguns dias, a sorte não está a
favor: o goleiro defende, a trave impede, o juiz invalida. Portanto, há uma parcela significativa de incerteza e fortuna envolvida nesse fenômeno. Por outro lado, no mercado de ações, os fundamentos permitem uma previsão mais precisa do destino do dinheiro investido.
Do ponto de vista técnico, é crucial ressaltar que até mesmo investimentos de alto risco garantem a aquisição de
um ativo. Seja uma participação em uma empresa, um contrato de câmbio, um título do governo, uma debênture ou qualquer outro ativo negociado por meio de uma plataforma online, o investidor possui uma propriedade tangível.
Entretanto, no caso das apostas esportivas, isso não se aplica: no final das contas, pode-se ficar sem nada.
(Geovani Bucci – maio/2024
https://einvestidor.estadao.com.br/comportamento/como-funcionam-as-bets-apostas-esportivas/)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto abaixo para responder à questão:
Certa manhã, ao acordar de sonhos inquietos, Gregor Samsa se viu em sua cama metamorfoseado num imenso inseto. Estava deitado sobre suas costas, que eram duras como uma carapaça. Ao levantar um pouco a cabeça, viu sua barriga
marrom, côncava, toda dividida em arcos; ela se elevava tão alto que o cobertor mal podia cobri-la e deslizava quase por
inteiro para o chão. Suas muitas pernas se agitavam desesperadas diante de seus olhos, e eram tão finas em comparação
com o resto do seu corpo que dava pena vê-las.
“O que aconteceu comigo?”, ele pensou. Não era um sonho. Seu quarto, um quarto perfeitamente humano, em
bora pequeno demais, mantinha-se silencioso entre as quatro paredes bem conhecidas. Acima da mesa, sobre a qual se
espalhava um mostruário de tecidos desempacotado — Samsa era caixeiro-viajante —, estava pendurada a figura que há
pouco tempo ele havia recortado de uma revista ilustrada e posto em uma bela moldura dourada. Na imagem, via-se uma
mulher de chapéu e cachecol, ambos de pele felpuda, sentada com as costas eretas, oferecendo aos olhos do espectador
um pesado aquecedor de mãos também de pele felpuda, dentro do qual escondia todo o seu antebraço.
Então o olhar de Gregor se voltou para a janela e o tempo fechado — ouviam-se as gotas de chuva baterem contra
as folhas da janela — lhe causou uma forte melancolia. “E se eu dormisse mais um pouco e esquecesse toda essa loucura?”,
pensou, mas isso era impossível, pois ele estava acostumado a dormir deitado sobre o seu lado direito; em seu atual estado,
contudo, ele não conseguia se pôr nessa posição. Por mais força que fizesse ao tentar se acomodar sobre o seu lado direito,
ele sempre balançava de volta, pondo-se de costas. Ele tentou fazer isso uma centena de vezes, fechando os olhos para não
ter de ver as pernas inquietas, e só desistiu quando começou a sentir uma dor lateral leve e difusa, que nunca havia sentido
antes.
“Ah, meu Deus”, ele pensou, “que profissão cansativa eu escolhi! Dia sim, dia não em viagem. É muito mais tenso
trabalhar em casa do que na loja. Além disso, tenho de suportar esse flagelo que é viajar, as preocupações com as conexões
dos trens, a comida ruim e em horários irregulares, o contato sempre inconstante com as pessoas, nunca duradouro, um
contato que nunca se torna afetuoso. Que o diabo carregue isso tudo!” Sentiu uma leve coceira na parte de cima da barriga.
Sempre de costas, arrastou-se lentamente para mais perto da cabeceira da cama, para que pudesse levantar um pouco mais
a cabeça. O lugar que coçava estava repleto de pontinhos brancos, algo que não entendeu bem; quis, então, tocar aquele
lugar com uma das pernas, mas imediatamente a puxou de volta, pois foi inteiramente tomado por calafrios ao mais leve
contato.
(KAFKA, Franz (1883-1924). A metamorfose. Tradução de Giovane Rodrigues. São Paulo: Instituto Mojo, 2022. p. 7-8).
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto abaixo para responder à questão:
Certa manhã, ao acordar de sonhos inquietos, Gregor Samsa se viu em sua cama metamorfoseado num imenso inseto. Estava deitado sobre suas costas, que eram duras como uma carapaça. Ao levantar um pouco a cabeça, viu sua barriga
marrom, côncava, toda dividida em arcos; ela se elevava tão alto que o cobertor mal podia cobri-la e deslizava quase por
inteiro para o chão. Suas muitas pernas se agitavam desesperadas diante de seus olhos, e eram tão finas em comparação
com o resto do seu corpo que dava pena vê-las.
“O que aconteceu comigo?”, ele pensou. Não era um sonho. Seu quarto, um quarto perfeitamente humano, em
bora pequeno demais, mantinha-se silencioso entre as quatro paredes bem conhecidas. Acima da mesa, sobre a qual se
espalhava um mostruário de tecidos desempacotado — Samsa era caixeiro-viajante —, estava pendurada a figura que há
pouco tempo ele havia recortado de uma revista ilustrada e posto em uma bela moldura dourada. Na imagem, via-se uma
mulher de chapéu e cachecol, ambos de pele felpuda, sentada com as costas eretas, oferecendo aos olhos do espectador
um pesado aquecedor de mãos também de pele felpuda, dentro do qual escondia todo o seu antebraço.
Então o olhar de Gregor se voltou para a janela e o tempo fechado — ouviam-se as gotas de chuva baterem contra
as folhas da janela — lhe causou uma forte melancolia. “E se eu dormisse mais um pouco e esquecesse toda essa loucura?”,
pensou, mas isso era impossível, pois ele estava acostumado a dormir deitado sobre o seu lado direito; em seu atual estado,
contudo, ele não conseguia se pôr nessa posição. Por mais força que fizesse ao tentar se acomodar sobre o seu lado direito,
ele sempre balançava de volta, pondo-se de costas. Ele tentou fazer isso uma centena de vezes, fechando os olhos para não
ter de ver as pernas inquietas, e só desistiu quando começou a sentir uma dor lateral leve e difusa, que nunca havia sentido
antes.
“Ah, meu Deus”, ele pensou, “que profissão cansativa eu escolhi! Dia sim, dia não em viagem. É muito mais tenso
trabalhar em casa do que na loja. Além disso, tenho de suportar esse flagelo que é viajar, as preocupações com as conexões
dos trens, a comida ruim e em horários irregulares, o contato sempre inconstante com as pessoas, nunca duradouro, um
contato que nunca se torna afetuoso. Que o diabo carregue isso tudo!” Sentiu uma leve coceira na parte de cima da barriga.
Sempre de costas, arrastou-se lentamente para mais perto da cabeceira da cama, para que pudesse levantar um pouco mais
a cabeça. O lugar que coçava estava repleto de pontinhos brancos, algo que não entendeu bem; quis, então, tocar aquele
lugar com uma das pernas, mas imediatamente a puxou de volta, pois foi inteiramente tomado por calafrios ao mais leve
contato.
(KAFKA, Franz (1883-1924). A metamorfose. Tradução de Giovane Rodrigues. São Paulo: Instituto Mojo, 2022. p. 7-8).
I. O desabafo de Gregor sobre a profissão evidencia a alienação do sujeito moderno, aprisionado pela lógica produtiva e desprovido de satisfação pessoal.
II. A referência à “comida ruim e em horários irregulares” não indica uma crítica às condições físicas e mentais impostas pelo ritmo industrial, que desumaniza o trabalhador.
III. O incômodo físico e a coceira simbolizam a transição entre a identidade humana e a condição animal, funcionando como metáfora da deterioração da consciência.
IV. O trecho apresenta o trabalho como fonte de prazer e realização existencial, pois é nele que Gregor encontra sentido e estabilidade emocional.
V. A recusa de Gregor em tocar o próprio corpo representa o horror diante de si mesmo, sintetizando o estranhamento e a perda da identidade corporal.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto abaixo para responder à questão:
Certa manhã, ao acordar de sonhos inquietos, Gregor Samsa se viu em sua cama metamorfoseado num imenso inseto. Estava deitado sobre suas costas, que eram duras como uma carapaça. Ao levantar um pouco a cabeça, viu sua barriga
marrom, côncava, toda dividida em arcos; ela se elevava tão alto que o cobertor mal podia cobri-la e deslizava quase por
inteiro para o chão. Suas muitas pernas se agitavam desesperadas diante de seus olhos, e eram tão finas em comparação
com o resto do seu corpo que dava pena vê-las.
“O que aconteceu comigo?”, ele pensou. Não era um sonho. Seu quarto, um quarto perfeitamente humano, em
bora pequeno demais, mantinha-se silencioso entre as quatro paredes bem conhecidas. Acima da mesa, sobre a qual se
espalhava um mostruário de tecidos desempacotado — Samsa era caixeiro-viajante —, estava pendurada a figura que há
pouco tempo ele havia recortado de uma revista ilustrada e posto em uma bela moldura dourada. Na imagem, via-se uma
mulher de chapéu e cachecol, ambos de pele felpuda, sentada com as costas eretas, oferecendo aos olhos do espectador
um pesado aquecedor de mãos também de pele felpuda, dentro do qual escondia todo o seu antebraço.
Então o olhar de Gregor se voltou para a janela e o tempo fechado — ouviam-se as gotas de chuva baterem contra
as folhas da janela — lhe causou uma forte melancolia. “E se eu dormisse mais um pouco e esquecesse toda essa loucura?”,
pensou, mas isso era impossível, pois ele estava acostumado a dormir deitado sobre o seu lado direito; em seu atual estado,
contudo, ele não conseguia se pôr nessa posição. Por mais força que fizesse ao tentar se acomodar sobre o seu lado direito,
ele sempre balançava de volta, pondo-se de costas. Ele tentou fazer isso uma centena de vezes, fechando os olhos para não
ter de ver as pernas inquietas, e só desistiu quando começou a sentir uma dor lateral leve e difusa, que nunca havia sentido
antes.
“Ah, meu Deus”, ele pensou, “que profissão cansativa eu escolhi! Dia sim, dia não em viagem. É muito mais tenso
trabalhar em casa do que na loja. Além disso, tenho de suportar esse flagelo que é viajar, as preocupações com as conexões
dos trens, a comida ruim e em horários irregulares, o contato sempre inconstante com as pessoas, nunca duradouro, um
contato que nunca se torna afetuoso. Que o diabo carregue isso tudo!” Sentiu uma leve coceira na parte de cima da barriga.
Sempre de costas, arrastou-se lentamente para mais perto da cabeceira da cama, para que pudesse levantar um pouco mais
a cabeça. O lugar que coçava estava repleto de pontinhos brancos, algo que não entendeu bem; quis, então, tocar aquele
lugar com uma das pernas, mas imediatamente a puxou de volta, pois foi inteiramente tomado por calafrios ao mais leve
contato.
(KAFKA, Franz (1883-1924). A metamorfose. Tradução de Giovane Rodrigues. São Paulo: Instituto Mojo, 2022. p. 7-8).
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto abaixo para responder à questão:
Certa manhã, ao acordar de sonhos inquietos, Gregor Samsa se viu em sua cama metamorfoseado num imenso inseto. Estava deitado sobre suas costas, que eram duras como uma carapaça. Ao levantar um pouco a cabeça, viu sua barriga
marrom, côncava, toda dividida em arcos; ela se elevava tão alto que o cobertor mal podia cobri-la e deslizava quase por
inteiro para o chão. Suas muitas pernas se agitavam desesperadas diante de seus olhos, e eram tão finas em comparação
com o resto do seu corpo que dava pena vê-las.
“O que aconteceu comigo?”, ele pensou. Não era um sonho. Seu quarto, um quarto perfeitamente humano, em
bora pequeno demais, mantinha-se silencioso entre as quatro paredes bem conhecidas. Acima da mesa, sobre a qual se
espalhava um mostruário de tecidos desempacotado — Samsa era caixeiro-viajante —, estava pendurada a figura que há
pouco tempo ele havia recortado de uma revista ilustrada e posto em uma bela moldura dourada. Na imagem, via-se uma
mulher de chapéu e cachecol, ambos de pele felpuda, sentada com as costas eretas, oferecendo aos olhos do espectador
um pesado aquecedor de mãos também de pele felpuda, dentro do qual escondia todo o seu antebraço.
Então o olhar de Gregor se voltou para a janela e o tempo fechado — ouviam-se as gotas de chuva baterem contra
as folhas da janela — lhe causou uma forte melancolia. “E se eu dormisse mais um pouco e esquecesse toda essa loucura?”,
pensou, mas isso era impossível, pois ele estava acostumado a dormir deitado sobre o seu lado direito; em seu atual estado,
contudo, ele não conseguia se pôr nessa posição. Por mais força que fizesse ao tentar se acomodar sobre o seu lado direito,
ele sempre balançava de volta, pondo-se de costas. Ele tentou fazer isso uma centena de vezes, fechando os olhos para não
ter de ver as pernas inquietas, e só desistiu quando começou a sentir uma dor lateral leve e difusa, que nunca havia sentido
antes.
“Ah, meu Deus”, ele pensou, “que profissão cansativa eu escolhi! Dia sim, dia não em viagem. É muito mais tenso
trabalhar em casa do que na loja. Além disso, tenho de suportar esse flagelo que é viajar, as preocupações com as conexões
dos trens, a comida ruim e em horários irregulares, o contato sempre inconstante com as pessoas, nunca duradouro, um
contato que nunca se torna afetuoso. Que o diabo carregue isso tudo!” Sentiu uma leve coceira na parte de cima da barriga.
Sempre de costas, arrastou-se lentamente para mais perto da cabeceira da cama, para que pudesse levantar um pouco mais
a cabeça. O lugar que coçava estava repleto de pontinhos brancos, algo que não entendeu bem; quis, então, tocar aquele
lugar com uma das pernas, mas imediatamente a puxou de volta, pois foi inteiramente tomado por calafrios ao mais leve
contato.
(KAFKA, Franz (1883-1924). A metamorfose. Tradução de Giovane Rodrigues. São Paulo: Instituto Mojo, 2022. p. 7-8).
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto abaixo para responder à questão.
Profissões extintas pela tecnologia: veja quais não resistiram ao avanço digital
Automação provocou o fim de carreiras; Transformações atingiram setores bancário e de transporte, reduzindo posto de
caixas e cobradores.
Ao longo das últimas décadas, o avanço da tecnologia reconfigurou processos produtivos e afetou profissões até
então consideradas indispensáveis. Diversas ocupações simplesmente deixaram de existir ou foram drasticamente reduzidas, substituídas por máquinas, programas computacionais ou soluções mais eficientes proporcionadas pela inovação tecnológica. Entre as carreiras que desapareceram, destacam-se profissões ligadas à manipulação de mídias, à digitação e ao
atendimento presencial em funções rotineiras.
O datilógrafo, por exemplo, foi uma figura central em escritórios durante o século XX. Com a popularização dos
computadores pessoais e a digitalização dos processos, o trabalho de digitação passou a ser parte integrante de outras carreiras, tornando a função de datilógrafo obsoleta. O operador de telégrafo, responsável por receber e transmitir mensagens
via código Morse, foi gradualmente superado pelo advento do telefone e, depois, pela comunicação digital. Locadoras de
vídeo e seus atendentes, que foram muito populares entre os anos 1980 e 2000, cederam espaço aos serviços de streaming
e às mídias digitais on demand.
Acendedores de poste, profissionais encarregados de ligar manualmente a iluminação pública, tornaram-se desnecessários com a automação dos sistemas elétricos e uso de temporizadores. Cobradores de ônibus e pedágios vêm perdendo espaço para sistemas integrados de cobrança automática, como cartões inteligentes, aplicativos e sensores sem contato.
Leitores de medidores de água e energia quase desapareceram em grandes cidades, já que a telemetria permite a leitura
remota e automatizada, otimizando o acesso às informações de consumo.
No setor bancário, funções como caixa e atendente presencial foram drasticamente reduzidas com a digitalização
dos serviços e o acesso remoto via aplicativos. Reveladores de fotografia, essenciais no processo químico de revelação de
filmes, tornaram-se raridade diante da fotografia digital, que dispensa a etapa física de processamento da imagem. Profissões como arquivista manual, de fundamental importância no controle de documentos físicos, perderam espaço para sistemas informatizados de organização e armazenamento em nuvem.
O desaparecimento dessas carreiras reflete não só o progresso, mas a necessidade constante de adaptação dos
trabalhadores diante de um cenário em que habilidades técnicas e conhecimento digital são cada vez mais valorizados. Em
contraponto, habilidades inerentemente humanas, como criatividade, empatia e capacidade de solucionar problemas complexos, seguem como diferencial. O fenômeno reforça a importância da qualificação e do aprendizado contínuo para enfrentar as transformações do mercado.
(Portal Economia – 30/07/2025 – https://noticiamais360.com.br/)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto abaixo para responder à questão.
Profissões extintas pela tecnologia: veja quais não resistiram ao avanço digital
Automação provocou o fim de carreiras; Transformações atingiram setores bancário e de transporte, reduzindo posto de
caixas e cobradores.
Ao longo das últimas décadas, o avanço da tecnologia reconfigurou processos produtivos e afetou profissões até
então consideradas indispensáveis. Diversas ocupações simplesmente deixaram de existir ou foram drasticamente reduzidas, substituídas por máquinas, programas computacionais ou soluções mais eficientes proporcionadas pela inovação tecnológica. Entre as carreiras que desapareceram, destacam-se profissões ligadas à manipulação de mídias, à digitação e ao
atendimento presencial em funções rotineiras.
O datilógrafo, por exemplo, foi uma figura central em escritórios durante o século XX. Com a popularização dos
computadores pessoais e a digitalização dos processos, o trabalho de digitação passou a ser parte integrante de outras carreiras, tornando a função de datilógrafo obsoleta. O operador de telégrafo, responsável por receber e transmitir mensagens
via código Morse, foi gradualmente superado pelo advento do telefone e, depois, pela comunicação digital. Locadoras de
vídeo e seus atendentes, que foram muito populares entre os anos 1980 e 2000, cederam espaço aos serviços de streaming
e às mídias digitais on demand.
Acendedores de poste, profissionais encarregados de ligar manualmente a iluminação pública, tornaram-se desnecessários com a automação dos sistemas elétricos e uso de temporizadores. Cobradores de ônibus e pedágios vêm perdendo espaço para sistemas integrados de cobrança automática, como cartões inteligentes, aplicativos e sensores sem contato.
Leitores de medidores de água e energia quase desapareceram em grandes cidades, já que a telemetria permite a leitura
remota e automatizada, otimizando o acesso às informações de consumo.
No setor bancário, funções como caixa e atendente presencial foram drasticamente reduzidas com a digitalização
dos serviços e o acesso remoto via aplicativos. Reveladores de fotografia, essenciais no processo químico de revelação de
filmes, tornaram-se raridade diante da fotografia digital, que dispensa a etapa física de processamento da imagem. Profissões como arquivista manual, de fundamental importância no controle de documentos físicos, perderam espaço para sistemas informatizados de organização e armazenamento em nuvem.
O desaparecimento dessas carreiras reflete não só o progresso, mas a necessidade constante de adaptação dos
trabalhadores diante de um cenário em que habilidades técnicas e conhecimento digital são cada vez mais valorizados. Em
contraponto, habilidades inerentemente humanas, como criatividade, empatia e capacidade de solucionar problemas complexos, seguem como diferencial. O fenômeno reforça a importância da qualificação e do aprendizado contínuo para enfrentar as transformações do mercado.
(Portal Economia – 30/07/2025 – https://noticiamais360.com.br/)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto abaixo para responder à questão.
Profissões extintas pela tecnologia: veja quais não resistiram ao avanço digital
Automação provocou o fim de carreiras; Transformações atingiram setores bancário e de transporte, reduzindo posto de
caixas e cobradores.
Ao longo das últimas décadas, o avanço da tecnologia reconfigurou processos produtivos e afetou profissões até
então consideradas indispensáveis. Diversas ocupações simplesmente deixaram de existir ou foram drasticamente reduzidas, substituídas por máquinas, programas computacionais ou soluções mais eficientes proporcionadas pela inovação tecnológica. Entre as carreiras que desapareceram, destacam-se profissões ligadas à manipulação de mídias, à digitação e ao
atendimento presencial em funções rotineiras.
O datilógrafo, por exemplo, foi uma figura central em escritórios durante o século XX. Com a popularização dos
computadores pessoais e a digitalização dos processos, o trabalho de digitação passou a ser parte integrante de outras carreiras, tornando a função de datilógrafo obsoleta. O operador de telégrafo, responsável por receber e transmitir mensagens
via código Morse, foi gradualmente superado pelo advento do telefone e, depois, pela comunicação digital. Locadoras de
vídeo e seus atendentes, que foram muito populares entre os anos 1980 e 2000, cederam espaço aos serviços de streaming
e às mídias digitais on demand.
Acendedores de poste, profissionais encarregados de ligar manualmente a iluminação pública, tornaram-se desnecessários com a automação dos sistemas elétricos e uso de temporizadores. Cobradores de ônibus e pedágios vêm perdendo espaço para sistemas integrados de cobrança automática, como cartões inteligentes, aplicativos e sensores sem contato.
Leitores de medidores de água e energia quase desapareceram em grandes cidades, já que a telemetria permite a leitura
remota e automatizada, otimizando o acesso às informações de consumo.
No setor bancário, funções como caixa e atendente presencial foram drasticamente reduzidas com a digitalização
dos serviços e o acesso remoto via aplicativos. Reveladores de fotografia, essenciais no processo químico de revelação de
filmes, tornaram-se raridade diante da fotografia digital, que dispensa a etapa física de processamento da imagem. Profissões como arquivista manual, de fundamental importância no controle de documentos físicos, perderam espaço para sistemas informatizados de organização e armazenamento em nuvem.
O desaparecimento dessas carreiras reflete não só o progresso, mas a necessidade constante de adaptação dos
trabalhadores diante de um cenário em que habilidades técnicas e conhecimento digital são cada vez mais valorizados. Em
contraponto, habilidades inerentemente humanas, como criatividade, empatia e capacidade de solucionar problemas complexos, seguem como diferencial. O fenômeno reforça a importância da qualificação e do aprendizado contínuo para enfrentar as transformações do mercado.
(Portal Economia – 30/07/2025 – https://noticiamais360.com.br/)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto abaixo para responder à questão.
Profissões extintas pela tecnologia: veja quais não resistiram ao avanço digital
Automação provocou o fim de carreiras; Transformações atingiram setores bancário e de transporte, reduzindo posto de
caixas e cobradores.
Ao longo das últimas décadas, o avanço da tecnologia reconfigurou processos produtivos e afetou profissões até
então consideradas indispensáveis. Diversas ocupações simplesmente deixaram de existir ou foram drasticamente reduzidas, substituídas por máquinas, programas computacionais ou soluções mais eficientes proporcionadas pela inovação tecnológica. Entre as carreiras que desapareceram, destacam-se profissões ligadas à manipulação de mídias, à digitação e ao
atendimento presencial em funções rotineiras.
O datilógrafo, por exemplo, foi uma figura central em escritórios durante o século XX. Com a popularização dos
computadores pessoais e a digitalização dos processos, o trabalho de digitação passou a ser parte integrante de outras carreiras, tornando a função de datilógrafo obsoleta. O operador de telégrafo, responsável por receber e transmitir mensagens
via código Morse, foi gradualmente superado pelo advento do telefone e, depois, pela comunicação digital. Locadoras de
vídeo e seus atendentes, que foram muito populares entre os anos 1980 e 2000, cederam espaço aos serviços de streaming
e às mídias digitais on demand.
Acendedores de poste, profissionais encarregados de ligar manualmente a iluminação pública, tornaram-se desnecessários com a automação dos sistemas elétricos e uso de temporizadores. Cobradores de ônibus e pedágios vêm perdendo espaço para sistemas integrados de cobrança automática, como cartões inteligentes, aplicativos e sensores sem contato.
Leitores de medidores de água e energia quase desapareceram em grandes cidades, já que a telemetria permite a leitura
remota e automatizada, otimizando o acesso às informações de consumo.
No setor bancário, funções como caixa e atendente presencial foram drasticamente reduzidas com a digitalização
dos serviços e o acesso remoto via aplicativos. Reveladores de fotografia, essenciais no processo químico de revelação de
filmes, tornaram-se raridade diante da fotografia digital, que dispensa a etapa física de processamento da imagem. Profissões como arquivista manual, de fundamental importância no controle de documentos físicos, perderam espaço para sistemas informatizados de organização e armazenamento em nuvem.
O desaparecimento dessas carreiras reflete não só o progresso, mas a necessidade constante de adaptação dos
trabalhadores diante de um cenário em que habilidades técnicas e conhecimento digital são cada vez mais valorizados. Em
contraponto, habilidades inerentemente humanas, como criatividade, empatia e capacidade de solucionar problemas complexos, seguem como diferencial. O fenômeno reforça a importância da qualificação e do aprendizado contínuo para enfrentar as transformações do mercado.
(Portal Economia – 30/07/2025 – https://noticiamais360.com.br/)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Cadernos
Caderno Container