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Texto 4
‘O Agente Secreto’ é um ‘thriller político estiloso e
vibrante’ candidato a Oscar, diz crítico da BBC
Um dos maiores destaques da temporada de premiações de
2025 foi Ainda Estou Aqui, que ganhou o Oscar de Melhor Filme
Internacional e que retrata a crueldade da ditadura militar no
Brasil nos anos 70. Agora, um outro filme, com a mesma
temática, está ganhando atenção e também se destaca na
próxima temporada de premiações. O diretor Kleber Mendonça
Filho foi premiado em Cannes e o protagonista Wagner Moura
levou o prêmio de melhor ator, o primeiro nessa categoria
conquistada por uma obra brasileira no festival francês.
O filme se passa na cidade de Recife, durante o efervescente
Carnaval e transborda sexo, tiroteios, matadores de aluguel e
carros antigos — e mostra uma perna humana decepada
encontrada na barriga de um tubarão. Mesmo com todo o visual
exagerado, com cores vibrantes e uma estética grindhouse, O
Agente Secreto está enraizado nas angústias de tragédias reais
de cidadãos comuns. Na verdade, seu herói não é um agente
secreto, apesar de Wagner Moura ser alto, moreno e tão
charmoso quanto qualquer outro superespião do cinema. Ele
interpreta Marcelo, um sujeito pacato que aparece na primeira
cena dirigindo o seu fusca amarelo com destino a Recife.
O
filme não tem pressa, mas, aos poucos, descobrimos que
Marcelo é um professor viúvo que se opôs às tentativas de um
funcionário do governo de roubar sua pesquisa patenteada.
Agora, Marcelo planeja se reencontrar com o filho pequeno, que
mora com os avós, e conseguir os documentos para deixar o
país. Enquanto isso, trabalha disfarçado em um cartório, onde
espera encontrar ao menos uma prova oficial da existência de
sua falecida mãe. Antes mesmo de chegar a Recife, Marcelo
encontra um cadáver no pátio de um posto de gasolina — um
corpo que ninguém se deu ao trabalho de remover —, o que
mostra que ele não é ingênuo sobre o quanto a vida está difícil
naquele momento. Mas Marcelo fica chocado ao descobrir que
um dos seus inimigos antigos contratou dois assassinos para
segui-lo e fica horrorizado com a falta de moral do chefe da
polícia local.
Marcelo observa os acontecimentos de Recife com um olhar de
turista maravilhado. Ele ri incrédulo de um gato de duas caras,
da obsessão de seu filho em assistir Tubarão no cinema, das
pessoas fazendo sexo em lugares públicos, e de uma lenda
urbana surreal sobre uma perna decepada que volta à vida e
chuta homens em um local de paquera.
Com mais de duas horas e meia de duração, o filme divaga aqui
e ali, acompanhando vários personagens que sonham em fugir
do Brasil. Um dos temas centrais do filme é o que é lembrado e
o que é esquecido no Brasil, e Kléber Mendonça Filho, que
cresceu em Recife, parece determinado em registrar, na
película, todos esses detalhes antes que eles sejam apagados
para sempre. Além de riqueza e comédia para a trama de
espionagem, esses detalhes da época reforçam a melancolia
silenciosa que Wagner Moura transmite tão bem em cena: de
um jeito ou de outro, Marcelo não vai ficar no Brasil por muito
tempo para aproveitar tudo isso. Uma perseguição pelas ruas
da cidade, coreografada com maestria, leva a um clímax
sangrento e espetacular, mas, assim como em Ainda Estou
Aqui, ainda há perguntas perturbadoras a serem respondidas e
mistérios a serem resolvidos. Afinal de contas, de quem era
aquela perna na barriga do tubarão?
Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4geld2gk1go.
Acesso em: 15 jan. 2026.
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Leia o texto a seguir.
História esquecida
Há mais de 8.500 anos, muito antes de a Noruega ter um nome, uma mulher viveu à beira do mar, em um mundo moldado pelo fim da Era do Gelo e pela lenta elevação dos oceanos. Hoje ela é conhecida como a Mulher de S⌀gne, identificada pela arqueologia como Hummervikholmen, mas em sua vida foi apenas parte de uma comunidade costeira, filha, pescadora e viajante do litoral. Ela caminhou por terras que não existem mais, posteriormente engolidas pelo avanço das águas. Seus restos mortais foram encontrados abaixo do atual nível do mar, no sul da Noruega, em uma área que era terra firme ou uma costa rasa. Ao longo de milênios, o oceano selou sua história, preservando-a até sua redescoberta. A mulher viveu durante o Mesolítico Inicial (cerca de 6600 e 6400 a.C.), sendo uma das pessoas mais antigas já identificadas em território norueguês. Pertencia às primeiras comunidades de caçadores-coletores que se estabeleceram na Escandinávia após o recuo das geleiras. Análises científicas indicam que mais de 80% de sua alimentação vinha de recursos marinhos, como peixes, mariscos e focas, o que revela um profundo conhecimento do mar, das marés e das tecnologias de pesca. Apenas fragmentos de seu crânio sobreviveram, mas eles indicam que era uma mulher adulta, possivelmente entre 20 e 40 anos. Geneticamente, fazia parte dos caçadores-coletores mesolíticos escandinavos, uma população formada pela mistura de linhagens do oeste e do leste da Europa glacial. Não é possível determinar com precisão sua aparência, mas sabe-se que havia grande diversidade física nesses grupos. Qualquer reconstrução facial é, portanto, uma interpretação informada, não uma verdade absoluta. Ainda assim, sua existência lembra que a história europeia começou muito antes das cidades e da escrita, com pessoas comuns enfrentando mudanças ambientais profundas e deixando rastros silenciosos que atravessaram o tempo até chegar a nós.
Disponível em: https://www.instagram.com/p/DTcYKTylP03/?igsh=MWFqZ3hyMzFqaWZkO A%3D%3D. Acesso em: 15 jan. 2026.
Segundo o texto, qual a importância de se reconstruir a imagem da mulher encontrada na Escandinávia?
História esquecida
Há mais de 8.500 anos, muito antes de a Noruega ter um nome, uma mulher viveu à beira do mar, em um mundo moldado pelo fim da Era do Gelo e pela lenta elevação dos oceanos. Hoje ela é conhecida como a Mulher de S⌀gne, identificada pela arqueologia como Hummervikholmen, mas em sua vida foi apenas parte de uma comunidade costeira, filha, pescadora e viajante do litoral. Ela caminhou por terras que não existem mais, posteriormente engolidas pelo avanço das águas. Seus restos mortais foram encontrados abaixo do atual nível do mar, no sul da Noruega, em uma área que era terra firme ou uma costa rasa. Ao longo de milênios, o oceano selou sua história, preservando-a até sua redescoberta. A mulher viveu durante o Mesolítico Inicial (cerca de 6600 e 6400 a.C.), sendo uma das pessoas mais antigas já identificadas em território norueguês. Pertencia às primeiras comunidades de caçadores-coletores que se estabeleceram na Escandinávia após o recuo das geleiras. Análises científicas indicam que mais de 80% de sua alimentação vinha de recursos marinhos, como peixes, mariscos e focas, o que revela um profundo conhecimento do mar, das marés e das tecnologias de pesca. Apenas fragmentos de seu crânio sobreviveram, mas eles indicam que era uma mulher adulta, possivelmente entre 20 e 40 anos. Geneticamente, fazia parte dos caçadores-coletores mesolíticos escandinavos, uma população formada pela mistura de linhagens do oeste e do leste da Europa glacial. Não é possível determinar com precisão sua aparência, mas sabe-se que havia grande diversidade física nesses grupos. Qualquer reconstrução facial é, portanto, uma interpretação informada, não uma verdade absoluta. Ainda assim, sua existência lembra que a história europeia começou muito antes das cidades e da escrita, com pessoas comuns enfrentando mudanças ambientais profundas e deixando rastros silenciosos que atravessaram o tempo até chegar a nós.
Disponível em: https://www.instagram.com/p/DTcYKTylP03/?igsh=MWFqZ3hyMzFqaWZkO A%3D%3D. Acesso em: 15 jan. 2026.
Segundo o texto, qual a importância de se reconstruir a imagem da mulher encontrada na Escandinávia?
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Texto 3
Por que o leite é um “apito de cachorro” racista?
Uma foto em preto e branco de Donald Trump com um bigode
de leite, publicada pelo perfil do Departamento de Agricultura
dos Estados Unidos no X, tem provocado considerações a
respeito da real mensagem. A imagem remete à
campanha “Got Milk?”, dos anos 1990 e foi rapidamente
replicada por aliados do republicano, gerando reação nas
redes. A postagem veio após mudanças nas regras federais de
nutrição escolar, que voltaram a permitir a oferta de leite integral
nas escolas públicas do país. A decisão coloca em pauta o
debate antigo sobre alimentação, gordura saturada e o papel
do Estado na definição do que crianças consomem no dia a dia,
mesmo com especialistas em saúde pública alertando para os
riscos do incentivo do consumo de leite integral sem considerar
o conjunto da dieta. Trump passou a tratar o produto como
símbolo de uma alimentação “de verdade”, em oposição ao leite
desnatado ou semidesnatado.
O uso do leite, porém, não se limita ao debate nutricional. Nos
Estados Unidos, o alimento vem sendo apropriado como
símbolo por grupos supremacistas brancos. Essa associação
tem contexto histórico, segundo o qual, dentre as décadas de
1920-1930, panfletos e relatórios afirmavam que pessoas que
consumiam mais leite seriam mais avançadas
intelectualmente e que povos arianos eram os maiores
consumidores de laticínios, hábito relacionado a um suposto
desenvolvimento superior.
Em artigo publicado no The Conversation, a professora de
direito Andrea Freeman, da Universidade do Havaí, observa
que a ligação entre leite e supremacismo branco é direta e
contínua. A autora afirma que a indústria alimentícia dos EUA
explorou diferenças raciais na digestão da lactose para
estimular o consumo entre elites brancas, embora grande
parte da população mundial não digira bem o leite. No Brasil,
o símbolo considerado um “apito de cachorro” carrega
significados específicos para determinados grupos e passou
a ser usado para descrever estratégias de comunicação
indireta, constituindo um código político, conectando
alimentação, identidade racial e poder.
Disponível em: https://revistaforum.com.br/global/por-que-o-leite-e-um-apitode-cachorro-racista. Acesso em: 15 jan. 2026. [Adaptado].
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Texto 3
Por que o leite é um “apito de cachorro” racista?
Uma foto em preto e branco de Donald Trump com um bigode
de leite, publicada pelo perfil do Departamento de Agricultura
dos Estados Unidos no X, tem provocado considerações a
respeito da real mensagem. A imagem remete à
campanha “Got Milk?”, dos anos 1990 e foi rapidamente
replicada por aliados do republicano, gerando reação nas
redes. A postagem veio após mudanças nas regras federais de
nutrição escolar, que voltaram a permitir a oferta de leite integral
nas escolas públicas do país. A decisão coloca em pauta o
debate antigo sobre alimentação, gordura saturada e o papel
do Estado na definição do que crianças consomem no dia a dia,
mesmo com especialistas em saúde pública alertando para os
riscos do incentivo do consumo de leite integral sem considerar
o conjunto da dieta. Trump passou a tratar o produto como
símbolo de uma alimentação “de verdade”, em oposição ao leite
desnatado ou semidesnatado.
O uso do leite, porém, não se limita ao debate nutricional. Nos
Estados Unidos, o alimento vem sendo apropriado como
símbolo por grupos supremacistas brancos. Essa associação
tem contexto histórico, segundo o qual, dentre as décadas de
1920-1930, panfletos e relatórios afirmavam que pessoas que
consumiam mais leite seriam mais avançadas
intelectualmente e que povos arianos eram os maiores
consumidores de laticínios, hábito relacionado a um suposto
desenvolvimento superior.
Em artigo publicado no The Conversation, a professora de
direito Andrea Freeman, da Universidade do Havaí, observa
que a ligação entre leite e supremacismo branco é direta e
contínua. A autora afirma que a indústria alimentícia dos EUA
explorou diferenças raciais na digestão da lactose para
estimular o consumo entre elites brancas, embora grande
parte da população mundial não digira bem o leite. No Brasil,
o símbolo considerado um “apito de cachorro” carrega
significados específicos para determinados grupos e passou
a ser usado para descrever estratégias de comunicação
indireta, constituindo um código político, conectando
alimentação, identidade racial e poder.
Disponível em: https://revistaforum.com.br/global/por-que-o-leite-e-um-apitode-cachorro-racista. Acesso em: 15 jan. 2026. [Adaptado].
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Analise a imagem a seguir.

FRAGA, Gilmar. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/opiniao/noticia/2025/02/gilmar-fraga-riocm72lg7vk008g015amyr4z0nk.html. Acesso em: 10 jan. 2026.
A charge faz alusão a uma situação recorrente no Rio de Janeiro. O efeito de sentido expresso pela imagem indica que
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De acordo com os estudos de Mikhail Bakhtin, a linguagem
é constituída socialmente. Nesse viés, nenhum enunciado é
isolado; ele é sempre uma resposta a enunciados anteriores
e se dirige a enunciados futuros. Essa característica
intrínseca da linguagem, que pressupõe a presença de
múltiplas vozes (sejam elas convergentes ou divergentes)
dentro de um mesmo texto, é definida tecnicamente como
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No âmbito da linguística brasileira, o movimento de crítica à
gramática normativa impôs a necessidade de reconfigurar o
ensino de Língua Portuguesa. João Wanderley Geraldi, um
dos principais pesquisadores que orientou a nova forma de
ensino do idioma materno, propôs que o estudo da língua
fosse retirado de seu isolamento e articulado com o uso
efetivo da linguagem, sob uma prática de ensino de natureza
funcional e reflexiva. Essa perspectiva de ensino se
materializa na articulação de três práticas pedagógicas que
devem compor o ensino de Língua Portuguesa, que são:
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A concepção de texto como um evento comunicativo e não
apenas uma estrutura formal exige que sua análise e
produção não se limitem à superfície do enunciado. Nesse
sentido, o conceito que representa o resultado da ativação
do conhecimento de mundo, da relação entre discursos para
a construção do sentido é
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Nos documentos curriculares atuais, a Análise Linguística
(AL) é entendida como um eixo de ensino que deve ser
realizado de forma reflexiva e contextualizada. Essa prática
se opõe à concepção tradicional de ensino da língua que
dissocia o estudo da gramática do uso real da língua,
transformando-o em um fim em si mesmo. Considerando a
perspectiva funcional e reflexiva da Análise Linguística (AL)
nas aulas de Língua Portuguesa, o objetivo principal dessa
prática pedagógica é
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Leia o texto a seguir.
O círculo de Bakhtin compreende o enunciado como memória discursiva, isto é, todo enunciado é uma resposta a algo já dito, orientado a um público em um dado contexto social (FARACO, 2009). Na psicologia do corpo social, os atos humanos são construídos por cadeias ininterruptas dos enunciados como, por exemplo, as conversas de corredor, as trocas de opinião nas diferentes reuniões sociais e as trocas puramente fortuitas (BAKHTIN, 2011).
CAMPOS, Paula Angélica da Silva. O gênero do discurso no ensinoaprendizagem: em direção a uma abordagem desestabilizadora e sóciohistórica da linguagem. Entretextos, Londrina, v. 18, n. 2, p. 51–76, 2018. Disponível em: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/entretextos/article/view/31994. Acesso em: 29 nov. 2025.
A compreensão do enunciado como memória discursiva e como ato sempre orientado a um contexto social deve ser levado em consideração nas aulas de língua portuguesa para que se desloque a abordagem normativa tradicional para uma prática de ensino funcional e reflexiva. Nessa perspectiva, qual é a principal implicação metodológica para o ensino de língua que contemple a dimensão social e discursiva da linguagem?
O círculo de Bakhtin compreende o enunciado como memória discursiva, isto é, todo enunciado é uma resposta a algo já dito, orientado a um público em um dado contexto social (FARACO, 2009). Na psicologia do corpo social, os atos humanos são construídos por cadeias ininterruptas dos enunciados como, por exemplo, as conversas de corredor, as trocas de opinião nas diferentes reuniões sociais e as trocas puramente fortuitas (BAKHTIN, 2011).
CAMPOS, Paula Angélica da Silva. O gênero do discurso no ensinoaprendizagem: em direção a uma abordagem desestabilizadora e sóciohistórica da linguagem. Entretextos, Londrina, v. 18, n. 2, p. 51–76, 2018. Disponível em: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/entretextos/article/view/31994. Acesso em: 29 nov. 2025.
A compreensão do enunciado como memória discursiva e como ato sempre orientado a um contexto social deve ser levado em consideração nas aulas de língua portuguesa para que se desloque a abordagem normativa tradicional para uma prática de ensino funcional e reflexiva. Nessa perspectiva, qual é a principal implicação metodológica para o ensino de língua que contemple a dimensão social e discursiva da linguagem?
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