Foram encontradas 364.682 questões.
O principal problema do Pangram é que é caro – para o volume da minha necessidade, preciso assinar um plano de 65 dólares mensais.
Aproveitei e apliquei a ferramenta aqui no Substack. Descobri o segredo daqueles que publicam textos muito longos, muito elaborados, aparentemente com muita pesquisa, inéditos, toda semana, às vezes com frequência ainda maior. Tudo feito por IA.
Não vai rolar, é claro, mas a plataforma deveria incorporar o detector de IA e colocar um alerta. Não quero perder meu tempo, muito menos pagar assinatura para ler algo que é produzido sinteticamente.
ADAPTADO. Luis Felipe Miguel - @lfmiguel - Professor de Ciência Política da Universidade de Brasília. Coodenador do Grupo de Pesquisa sobre Democracia e Desigualdades (Demodê). Texto disponível em: https://substack.com/@lfmiguel/note/c-288532710?r=56xf9d
TEXTO II
I. Embora tratem do mesmo objeto discursivo: a Inteligência Artificial, os textos são produzidos em diferentes formações discursivas: o Texto I constrói-se a partir de uma posição enunciativa marcada pela experiência individual e pela argumentação opinativa, ao passo que o Texto II se ancora em uma formação discursiva técnico-institucional, sustentada por dados científicos e organismos internacionais.
II. Os dois textos apresentam o enunciador da mesma forma, uma vez que ambos fundamentam seus argumentos exclusivamente em evidências científicas, eliminando marcas de subjetividade e de posicionamento ideológico.
III. A relação entre os textos evidencia um processo de interdiscursividade, pois ambos dialogam com discursos contemporâneos sobre os impactos da Inteligência Artificial, ainda que privilegiem diferentes objetos de problematização e distintas condições de produção.
IV. No Texto I, predominam estratégias de modalização subjetiva, como avaliações, experiências pessoais e marcas explícitas da primeira pessoa; no Texto II, observa-se predominância de estratégias de apagamento enunciativo, mediante o emprego de dados estatísticos, citações institucionais e argumentos de autoridade, produzindo efeito discursivo de objetividade.
V. Sob a perspectiva discursiva, os textos defendem teses incompatíveis entre si, pois o Texto I condena integralmente a Inteligência Artificial, enquanto o Texto II sustenta que a tecnologia deve ser utilizada sem qualquer restrição ambiental ou regulatória.
Assinale a alternativa com a sequência CORRETA.
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I. Embora apresente predominância da sequência expositiva, o texto incorpora sequências argumentativas ao mobilizar dados estatísticos, argumentos de autoridade, exemplificações e relações de causa e consequência, com a finalidade de orientar a interpretação do leitor acerca dos impactos ambientais da Inteligência Artificial.
II. A recorrência de orações subordinadas adjetivas, adverbiais e substantivas não desempenha apenas função sintática, mas também função pragmática, ao hierarquizar informações, estabelecer relações lógico-semânticas entre os enunciados e controlar a progressão argumentativa do texto.
III. As perguntas que estruturam parte do texto, como “Por que as pessoas estão entusiasmadas com o potencial da IA no que diz respeito ao meio ambiente?” e “Como o mundo pode controlar as consequências ambientais da IA?”, configuram exclusivamente um diálogo efetivo entre interlocutores reais, caracterizando o gênero como conversacional.
IV. Ao recorrer a expressões como “de acordo com um crescente corpo de pesquisas”, “informou a Agência Internacional de Energia” e “o PNUMA recomenda cinco coisas principais”, o texto constrói seu percurso argumentativo mediante argumentos de autoridade e referências institucionais, estratégia que reforça o efeito de credibilidade e reduz a centralidade da opinião individual do enunciador.
V. No trecho “Embora os dados globais sejam escassos, a agência estima que, no centro tecnológico da Irlanda, a ascensão da IA poderá fazer com que os data centers respondam por quase 35% do uso de energia do país até 2026”, a oração subordinada introduzida por “embora” exerce apenas função sintática de adjunto adverbial concessivo, sem produzir qualquer efeito pragmático na orientação argumentativa do enunciado.
Assinale a alternativa CORRETA.
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A partir do Texto I, abaixo, leia-o com atenção para responder à questão.
Texto I
I. Ao afirmar que “o uso de Inteligência Artificial na educação é um problema, algo que se constata desde que o ChatGPT surgiu”, o autor mobiliza um pressuposto segundo o qual a existência do problema decorre temporalmente do surgimento do ChatGPT, sem necessidade de demonstrá-lo explicitamente.
II. O trecho “Caso se escorem na IA, perderão a capacidade até mesmo de avaliar aquilo que a IA lhes entrega” produz uma inferência de natureza causal, segundo a qual a dependência tecnológica compromete progressivamente a autonomia intelectual dos estudantes.
III. A expressão “o que é o fim da picada”, empregada pelo autor ao comentar a necessidade de aplicar provas presenciais, constitui uma marca avaliativa que evidencia subjetividade discursiva e reforça o posicionamento argumentativo do enunciador.
IV. Ao afirmar que “é muito menos grave deixar passar um aluno picareta do que punir injustamente um estudante honesto”, o autor constrói um efeito de sentido baseado na comparação de consequências, estabelecendo uma hierarquia axiológica que orienta a interpretação do leitor.
V. A afirmação “Descobri o segredo daqueles que publicam textos muito longos [...] Tudo feito por IA” autoriza inferir, exclusivamente a partir do texto, que todos os produtores de textos longos e frequentes utilizam Inteligência Artificial.
Assinale a alternativa CORRETA.
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Leia o texto abaixo para responder à questão.
O Bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
(BANDEIRA, Manuel. Belo belo. Rio de Janeiro: José Olympio, 1948)
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Leia o texto abaixo para responder à questão.
O Bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
(BANDEIRA, Manuel. Belo belo. Rio de Janeiro: José Olympio, 1948)
I. Ao demonstrar que “o bicho” era um ser humano faminto e excluído, o sujeito lírico denuncia as condições de sofrimento e desumanidade da miséria.
II. A estratégia discursiva do sujeito lírico ao longo do poema promove a interpretação da cena da fome extrema apenas como uma parte do cotidiano.
III. A identificação final do “bicho” evidencia o espanto do sujeito lírico diante da descoberta e provoca no leitor compaixão pela terrível condição social dos famintos e excluídos.
IV. O poema parece ter a função de chocar o leitor sobre a situação das pessoas relegadas à miséria, para isso coloca o homem na condição de um animal faminto qualquer.
Selecione a alternativa correta.
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Leia o texto abaixo para a questão:
“[…] Quando chegaram ao Igarapé, enquanto as senhoras cuidavam da roupa, Anita e suas colegas adentraram o mato à procura de flores silvestres. E nesta brincadeira demoraram algum tempo.
E ato contínuo subiu o Igarapé até a cabeceira. Ali arremedando um ritual, levantou as flores silvestres em atitude de oferenda.
— Mãe d'Água, trouxe-lhe estas flores como presente...
Dizendo isto, jogou-as no Igarapé. As flores acompanharam a correnteza, e as mocinhas - agora apenas Anita e sua irmã - seguiram-nas. Na brincadeira, correndo sempre pelo leito do Igarapé, Anita acabou caindo.
Neste trecho, a corrente um pouco mais forte obrigou Anita a se debater com as águas, até conseguir acocorar-se. As senhoras, que a tudo assistiram, mandaram que saísse imediatamente de dentro d'água.
Ao levantar-se, parou. E permaneceu estática. Olhava, sem conseguir tirar a vista, para um determinado ponto do Igarapé. Ali estava uma cobra coral, vermelha, com os traços brancos e pretos como todas as cobras corais, só que, em cima da cabeça, ela tinha... uma cruz branca!
[…] as senhoras chamaram a atenção das mocinhas para não brincarem da maneira que haviam feito.
— A gente não deve nunca mexer com estas coisas. Cada lugar tem seu dono e, se a gente respeita, está tudo bem.
Mas, se irritá-los, eles podem muito bem malinar. Tu, Anita, não tinhas nada que estar com aquela história de aniversário da Mãe d'Água do Igarapé. E ainda vai se pôr a dar flores, fazendo graça. Queira Deus nada te aconteça...! Aquela cobra coral com a cruz branca na cabeça bem pode ser um aviso.
[…]
Mas Anita não respondeu. Ela já não se sentia bem, o corpo parecia que estava ardendo. E estava mesmo. Ao chegar em casa, tanto ela como a irmã estavam com febre alta […]
(Fonte: MONTEIRO, Walcyr. A Mãe d’água do Igarapé de São Joaquim. In: Visagens e Assombrações de Belém, Belém: Editota Paka Tatu 2007)
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Leia o texto abaixo para a questão:
“[…] Quando chegaram ao Igarapé, enquanto as senhoras cuidavam da roupa, Anita e suas colegas adentraram o mato à procura de flores silvestres. E nesta brincadeira demoraram algum tempo.
E ato contínuo subiu o Igarapé até a cabeceira. Ali arremedando um ritual, levantou as flores silvestres em atitude de oferenda.
— Mãe d'Água, trouxe-lhe estas flores como presente...
Dizendo isto, jogou-as no Igarapé. As flores acompanharam a correnteza, e as mocinhas - agora apenas Anita e sua irmã - seguiram-nas. Na brincadeira, correndo sempre pelo leito do Igarapé, Anita acabou caindo.
Neste trecho, a corrente um pouco mais forte obrigou Anita a se debater com as águas, até conseguir acocorar-se. As senhoras, que a tudo assistiram, mandaram que saísse imediatamente de dentro d'água.
Ao levantar-se, parou. E permaneceu estática. Olhava, sem conseguir tirar a vista, para um determinado ponto do Igarapé. Ali estava uma cobra coral, vermelha, com os traços brancos e pretos como todas as cobras corais, só que, em cima da cabeça, ela tinha... uma cruz branca!
[…] as senhoras chamaram a atenção das mocinhas para não brincarem da maneira que haviam feito.
— A gente não deve nunca mexer com estas coisas. Cada lugar tem seu dono e, se a gente respeita, está tudo bem.
Mas, se irritá-los, eles podem muito bem malinar. Tu, Anita, não tinhas nada que estar com aquela história de aniversário da Mãe d'Água do Igarapé. E ainda vai se pôr a dar flores, fazendo graça. Queira Deus nada te aconteça...! Aquela cobra coral com a cruz branca na cabeça bem pode ser um aviso.
[…]
Mas Anita não respondeu. Ela já não se sentia bem, o corpo parecia que estava ardendo. E estava mesmo. Ao chegar em casa, tanto ela como a irmã estavam com febre alta […]
(Fonte: MONTEIRO, Walcyr. A Mãe d’água do Igarapé de São Joaquim. In: Visagens e Assombrações de Belém, Belém: Editota Paka Tatu 2007)
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Leia o texto abaixo para a questão:
“[…] Quando chegaram ao Igarapé, enquanto as senhoras cuidavam da roupa, Anita e suas colegas adentraram o mato à procura de flores silvestres. E nesta brincadeira demoraram algum tempo.
E ato contínuo subiu o Igarapé até a cabeceira. Ali arremedando um ritual, levantou as flores silvestres em atitude de oferenda.
— Mãe d'Água, trouxe-lhe estas flores como presente...
Dizendo isto, jogou-as no Igarapé. As flores acompanharam a correnteza, e as mocinhas - agora apenas Anita e sua irmã - seguiram-nas. Na brincadeira, correndo sempre pelo leito do Igarapé, Anita acabou caindo.
Neste trecho, a corrente um pouco mais forte obrigou Anita a se debater com as águas, até conseguir acocorar-se. As senhoras, que a tudo assistiram, mandaram que saísse imediatamente de dentro d'água.
Ao levantar-se, parou. E permaneceu estática. Olhava, sem conseguir tirar a vista, para um determinado ponto do Igarapé. Ali estava uma cobra coral, vermelha, com os traços brancos e pretos como todas as cobras corais, só que, em cima da cabeça, ela tinha... uma cruz branca!
[…] as senhoras chamaram a atenção das mocinhas para não brincarem da maneira que haviam feito.
— A gente não deve nunca mexer com estas coisas. Cada lugar tem seu dono e, se a gente respeita, está tudo bem.
Mas, se irritá-los, eles podem muito bem malinar. Tu, Anita, não tinhas nada que estar com aquela história de aniversário da Mãe d'Água do Igarapé. E ainda vai se pôr a dar flores, fazendo graça. Queira Deus nada te aconteça...! Aquela cobra coral com a cruz branca na cabeça bem pode ser um aviso.
[…]
Mas Anita não respondeu. Ela já não se sentia bem, o corpo parecia que estava ardendo. E estava mesmo. Ao chegar em casa, tanto ela como a irmã estavam com febre alta […]
(Fonte: MONTEIRO, Walcyr. A Mãe d’água do Igarapé de São Joaquim. In: Visagens e Assombrações de Belém, Belém: Editota Paka Tatu 2007)
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(BECK, Alexandre. Armandinho. Disponível em: https://tirasarmandinho.tumblr.com/. Acesso em: 05 de julho, 2026.)
A tirinha é um gênero textual multimodal que aborda temas cotidianos, apresenta críticas sociais e reflexões ou cria efeito cômico. Nesse sentido, na tirinha do Armandinho, o humor decorre principalmente de
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Para a questão, leia atentamente o texto a seguir:
“Sua casa ficava para trás da Serra do Mim, quase no meio de um brejo de água limpa, lugar chamado o Temor-deDeus. O Pai, pequeno sitiante, lidava com vacas e arroz; a Mãe, urucuiana, nunca tirava o terço da mão, mesmo quando matando galinhas ou passando descompostura em alguém. E ela, menininha, por nome Maria, Nhinhinha dita, nascera já muito para miúda, cabeçudota e com olhos enormes.
Não que parecesse olhar ou enxergar de propósito. Parava quieta, não queria bruxas de pano, brinquedo nenhum, sempre sentadinha onde se achasse, pouco se mexia. – “Ninguém entende muita coisa que ela fala...” – dizia o Pai, com certo espanto. Menos pela estranhez das palavras, pois só em raro ela perguntava, por exemplo: - “Ele xurugou?” – e, vai ver, quem e o quê, jamais se saberia. Mas, pelo esquisito do juízo ou enfeitado do sentido. Com riso imprevisto: - “Tatu não vê a lua...” – ela falasse. Ou referia estórias, absurdas, vagas, tudo muito curto: da abelha que se voou para uma nuvem; de uma porção de meninas e meninos sentados a uma mesa de doces, comprida, comprida, por tempo que nem se acabava; ou da precisão de se fazer lista das coisas todas que no dia por dia a gente vem perdendo. Só a pura vida.
Em geral, porém, Nhinhinha, com seus nem quatro anos, não incomodava ninguém, e não se fazia notada, a não ser pela perfeita calma, imobilidade e silêncios. Nem parecia gostar ou desgostar especialmente de coisa ou pessoa nenhuma. Botavam para ela a comida, ela continuava sentada, o prato de folha no colo, comia logo a carne ou o ovo, os torresmos, o do que fosse mais gostoso e atraente, e ia consumindo depois o resto, feijão, angu, ou arroz, abóbora, com artística lentidão. De vê-la tão perpétua e imperturbada, a gente se assustava de repente. – “Nhinhinha, que é que você está fazendo?” – perguntava-se. E ela respondia, alongada, sorrida, moduladamente: - “Eu... to-u... fa-a-zendo”. Fazia vácuos. Seria mesmo seu tanto tolinha?
Nada a intimidava. Ouvia o Pai querendo que a Mãe coasse um café forte, e comentava, se sorrindo: - “Menino pidão... Menino pidão...” Costumava também dirigir-se à Mãe desse jeito: - “Menina grande... Menina grande...” Com isso Pai e Mãe davam de zangar-se. Em vão. Nhinhinha murmurava só: - “Deixa... Deixa...” – suasibilíssima, inábil como uma flor. O mesmo dizia quando vinham chamá-la para qualquer novidade, dessas de entusiasmar adultos e crianças. Não se importava com os acontecimentos. Tranqüila, mas viçosa em saúde. Ninguém tinha real poder sobre ela, não se sabiam suas preferências. Como puni-la? E, baterlhe, não ousassem; nem havia motivo. Mas, o respeito que tinha por Mãe e Pai, parecia mais uma engraças espécie de tolerância. E Nhinhinha gostava de mim. [...]”
(Adaptado de ROSA, João Guimarães. A Menina de Lá. In: Primeiras Estórias. Rio de Janeiro: José Olympio, 1962)
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