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Leia o texto para responder a questão.
Uso de suplementos proteicos de whey protein e creatina em
crianças e adolescentes: implicações clínicas e nutricionais
Nota emitida pela Sociedade Brasileira de Pediatria
Contexto atual e relevância para a pediatria
Os produtos comercialmente conhecidos como whey
protein e creatina são enquadrados pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (ANVISA) na categoria de suplementos
alimentares, sendo compostos, respectivamente, por proteína
do soro do leite e creatina. O whey protein apresenta-se em
diferentes formas (concentrada, isolada ou hidrolisada) e é
divulgado com alegações relacionadas ao ganho de massa
muscular e à melhora do desempenho físico. A creatina, por sua
vez, é um composto nitrogenado derivado de aminoácidos
(arginina, glicina e metionina), produzido pelo organismo e
também obtido pela alimentação, especialmente por meio de
carnes e peixes, e desempenha papel no metabolismo
energético celular, especialmente em tecidos de alta demanda,
como o músculo esquelético. Esses suplementos estão
amplamente difundidos no contexto da prática de atividade
física e esportiva entre adultos e caracterizam-se, em sua
maioria, como produtos ultraprocessados, por incorporarem
ingredientes como aromatizantes, edulcorantes e
emulsificantes. Diferentemente dos alimentos, que fornecem
proteínas associadas a vitaminas, minerais, fibras e compostos
bioativos, esses produtos promovem uma oferta concentrada e
descontextualizada de nutrientes, em desacordo com as
recomendações de uma alimentação adequada e saudável. O
whey protein e a creatina têm sido introduzidos, de forma
inadvertida, na alimentação de crianças e adolescentes,
impulsionados por estratégias de marketing e pela influência
das mídias digitais, frequentemente sem indicação clínica e sem
orientação profissional. Esse cenário é agravado pela crescente
oferta desses suplementos com apelo direcionado ao público
infantil, por meio de rotulagem atrativa, sabores adocicados e
formatos lúdicos, como balas, gomas e bebidas saborizadas.
Tais características favorecem a percepção equivocada de que
se trata de produtos habituais para a faixa etária pediátrica.
Necessidades proteicas na infância e adolescência: o
papel dos alimentos
A proteína é essencial para o crescimento e o
desenvolvimento, mas sua necessidade é frequentemente
superestimada. Crianças e adolescentes saudáveis apresentam
requerimentos proteicos que, em média, variam entre 0,85 e
0,95 g/kg/dia, facilmente atingidos por meio de uma
alimentação variada e equilibrada. Na prática, observa-se que
muitas crianças já apresentam ingestão proteica superior às
necessidades fisiológicas, de modo que a adição de
suplementos — mesmo em pequenas quantidades — não traz
benefício comprovado e não é isenta de riscos. Uma
alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente
processados — como carnes, ovos, leite e derivados,
leguminosas, cereais, tubérculos, frutas e hortaliças — assegura
não apenas a adequada oferta proteica (quantidade e qualidade),
mas também a ingestão de todos os nutrientes essenciais para o
crescimento e desenvolvimento saudáveis. O uso de
suplementos proteicos na pediatria é restrito a condições
clínicas específicas, como desnutrição, doenças crônicas,
síndromes de má absorção ou aumento da demanda metabólica,
entre outras, sempre sob prescrição e acompanhamento
profissional. Esse contexto não é extrapolável ao uso de suplementos de whey protein ou de creatina em crianças e
adolescentes com ou sem doenças associadas. Estudos
descrevem potenciais efeitos adversos renais, hepáticos e
metabólicos associados ao consumo excessivo e crônico de
proteína, atribuídos à sobrecarga das vias de metabolização e
de excreção de compostos nitrogenados. No rim, pode-se
observar aumento da produção de ureia e hiperfiltração
glomerular, com potencial de lesão intraglomerular em
indivíduos suscetíveis. No fígado, intensificam-se a
desaminação e o ciclo da ureia, elevando a produção de amônia,
especialmente em contextos de imaturidade. Do ponto de vista
metabólico, o excesso proteico pode estimular a secreção de
insulina e de Fator de Crescimento Semelhante à Insulina tipo
1 (IGF-1), interferir no balanço energético e favorecer a
lipogênese. Diante das evidências científicas atuais, não há
indicação para o uso rotineiro de suplementos proteicos à base
de whey protein e de creatina em crianças e adolescentes
saudáveis. Nessa fase, deve-se priorizar a construção do
comportamento alimentar e a oferta de uma alimentação
diversificada, capaz de atender às necessidades nutricionais de
cada etapa do desenvolvimento. O uso indiscriminado desses
suplementos, além de favorecer a ingestão excessiva de
nutrientes com potencial de sobrecarga de órgãos e sistemas,
também expõe as crianças e adolescentes a aditivos alimentares
(corantes, conservantes, emulsificantes) e pode determinar a
substituição de refeições, contribuindo para práticas
alimentares inadequadas e para o desenvolvimento de uma
relação disfuncional com a alimentação, cenário
frequentemente agravado pela influência das redes sociais e por
padrões corporais idealizados. O ato de se alimentar não se
limita ao consumo de nutrientes, mas integra um processo
relacional, cultural e identitário, construído no convívio
familiar e social e marcado por escolhas, preparo e modos de
consumo que expressam valores, tradições e vínculos afetivos.
Considerações finais
O uso de suplementos proteicos à base de whey protein
e de creatina não é indicado para crianças saudáveis e não deve
ser adotado de forma rotineira na adolescência. Uma
alimentação saudável, variada e baseada em alimentos in natura
ou minimamente processados, em preparações culinárias, é
suficiente para atender às necessidades nutricionais e promover
a formação de hábitos alimentares adequados. A suplementação
deve ser reservada a situações clínicas específicas, com
avaliação individualizada e acompanhamento profissional. O
pediatra desempenha papel central na orientação de famílias,
crianças e adolescentes, sendo fundamental esclarecer que
esses suplementos não são necessários para o crescimento e
desenvolvimento adequados. A abordagem deve contemplar a
educação nutricional, a valorização de práticas alimentares
saudáveis e a discussão crítica sobre influências externas, como
o marketing e as mídias sociais. Além disso, é essencial
reconhecer precocemente o uso inadequado desses produtos e
intervir de forma oportuna. O cuidado com a alimentação na
infância e na adolescência constitui uma estratégia fundamental
para a promoção da saúde ao longo da vida.
Disponível em https://www.sbp.com.br/pediatras-alertam-sobre-perigos-douso-de-suplementos-proteicos-de-whey-protein-e-creatina-por-criancas-eadolescentes/
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crianças e adolescentes: implicações clínicas e nutricionais
Nota emitida pela Sociedade Brasileira de Pediatria
Contexto atual e relevância para a pediatria
Os produtos comercialmente conhecidos como whey
protein e creatina são enquadrados pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (ANVISA) na categoria de suplementos
alimentares, sendo compostos, respectivamente, por proteína
do soro do leite e creatina. O whey protein apresenta-se em
diferentes formas (concentrada, isolada ou hidrolisada) e é
divulgado com alegações relacionadas ao ganho de massa
muscular e à melhora do desempenho físico. A creatina, por sua
vez, é um composto nitrogenado derivado de aminoácidos
(arginina, glicina e metionina), produzido pelo organismo e
também obtido pela alimentação, especialmente por meio de
carnes e peixes, e desempenha papel no metabolismo
energético celular, especialmente em tecidos de alta demanda,
como o músculo esquelético. Esses suplementos estão
amplamente difundidos no contexto da prática de atividade
física e esportiva entre adultos e caracterizam-se, em sua
maioria, como produtos ultraprocessados, por incorporarem
ingredientes como aromatizantes, edulcorantes e
emulsificantes. Diferentemente dos alimentos, que fornecem
proteínas associadas a vitaminas, minerais, fibras e compostos
bioativos, esses produtos promovem uma oferta concentrada e
descontextualizada de nutrientes, em desacordo com as
recomendações de uma alimentação adequada e saudável. O
whey protein e a creatina têm sido introduzidos, de forma
inadvertida, na alimentação de crianças e adolescentes,
impulsionados por estratégias de marketing e pela influência
das mídias digitais, frequentemente sem indicação clínica e sem
orientação profissional. Esse cenário é agravado pela crescente
oferta desses suplementos com apelo direcionado ao público
infantil, por meio de rotulagem atrativa, sabores adocicados e
formatos lúdicos, como balas, gomas e bebidas saborizadas.
Tais características favorecem a percepção equivocada de que
se trata de produtos habituais para a faixa etária pediátrica.
Necessidades proteicas na infância e adolescência: o
papel dos alimentos
A proteína é essencial para o crescimento e o
desenvolvimento, mas sua necessidade é frequentemente
superestimada. Crianças e adolescentes saudáveis apresentam
requerimentos proteicos que, em média, variam entre 0,85 e
0,95 g/kg/dia, facilmente atingidos por meio de uma
alimentação variada e equilibrada. Na prática, observa-se que
muitas crianças já apresentam ingestão proteica superior às
necessidades fisiológicas, de modo que a adição de
suplementos — mesmo em pequenas quantidades — não traz
benefício comprovado e não é isenta de riscos. Uma
alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente
processados — como carnes, ovos, leite e derivados,
leguminosas, cereais, tubérculos, frutas e hortaliças — assegura
não apenas a adequada oferta proteica (quantidade e qualidade),
mas também a ingestão de todos os nutrientes essenciais para o
crescimento e desenvolvimento saudáveis. O uso de
suplementos proteicos na pediatria é restrito a condições
clínicas específicas, como desnutrição, doenças crônicas,
síndromes de má absorção ou aumento da demanda metabólica,
entre outras, sempre sob prescrição e acompanhamento
profissional. Esse contexto não é extrapolável ao uso de suplementos de whey protein ou de creatina em crianças e
adolescentes com ou sem doenças associadas. Estudos
descrevem potenciais efeitos adversos renais, hepáticos e
metabólicos associados ao consumo excessivo e crônico de
proteína, atribuídos à sobrecarga das vias de metabolização e
de excreção de compostos nitrogenados. No rim, pode-se
observar aumento da produção de ureia e hiperfiltração
glomerular, com potencial de lesão intraglomerular em
indivíduos suscetíveis. No fígado, intensificam-se a
desaminação e o ciclo da ureia, elevando a produção de amônia,
especialmente em contextos de imaturidade. Do ponto de vista
metabólico, o excesso proteico pode estimular a secreção de
insulina e de Fator de Crescimento Semelhante à Insulina tipo
1 (IGF-1), interferir no balanço energético e favorecer a
lipogênese. Diante das evidências científicas atuais, não há
indicação para o uso rotineiro de suplementos proteicos à base
de whey protein e de creatina em crianças e adolescentes
saudáveis. Nessa fase, deve-se priorizar a construção do
comportamento alimentar e a oferta de uma alimentação
diversificada, capaz de atender às necessidades nutricionais de
cada etapa do desenvolvimento. O uso indiscriminado desses
suplementos, além de favorecer a ingestão excessiva de
nutrientes com potencial de sobrecarga de órgãos e sistemas,
também expõe as crianças e adolescentes a aditivos alimentares
(corantes, conservantes, emulsificantes) e pode determinar a
substituição de refeições, contribuindo para práticas
alimentares inadequadas e para o desenvolvimento de uma
relação disfuncional com a alimentação, cenário
frequentemente agravado pela influência das redes sociais e por
padrões corporais idealizados. O ato de se alimentar não se
limita ao consumo de nutrientes, mas integra um processo
relacional, cultural e identitário, construído no convívio
familiar e social e marcado por escolhas, preparo e modos de
consumo que expressam valores, tradições e vínculos afetivos.
Considerações finais
O uso de suplementos proteicos à base de whey protein
e de creatina não é indicado para crianças saudáveis e não deve
ser adotado de forma rotineira na adolescência. Uma
alimentação saudável, variada e baseada em alimentos in natura
ou minimamente processados, em preparações culinárias, é
suficiente para atender às necessidades nutricionais e promover
a formação de hábitos alimentares adequados. A suplementação
deve ser reservada a situações clínicas específicas, com
avaliação individualizada e acompanhamento profissional. O
pediatra desempenha papel central na orientação de famílias,
crianças e adolescentes, sendo fundamental esclarecer que
esses suplementos não são necessários para o crescimento e
desenvolvimento adequados. A abordagem deve contemplar a
educação nutricional, a valorização de práticas alimentares
saudáveis e a discussão crítica sobre influências externas, como
o marketing e as mídias sociais. Além disso, é essencial
reconhecer precocemente o uso inadequado desses produtos e
intervir de forma oportuna. O cuidado com a alimentação na
infância e na adolescência constitui uma estratégia fundamental
para a promoção da saúde ao longo da vida.
Disponível em https://www.sbp.com.br/pediatras-alertam-sobre-perigos-douso-de-suplementos-proteicos-de-whey-protein-e-creatina-por-criancas-eadolescentes/
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Uso de suplementos proteicos de whey protein e creatina em
crianças e adolescentes: implicações clínicas e nutricionais
Nota emitida pela Sociedade Brasileira de Pediatria
Contexto atual e relevância para a pediatria
Os produtos comercialmente conhecidos como whey
protein e creatina são enquadrados pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (ANVISA) na categoria de suplementos
alimentares, sendo compostos, respectivamente, por proteína
do soro do leite e creatina. O whey protein apresenta-se em
diferentes formas (concentrada, isolada ou hidrolisada) e é
divulgado com alegações relacionadas ao ganho de massa
muscular e à melhora do desempenho físico. A creatina, por sua
vez, é um composto nitrogenado derivado de aminoácidos
(arginina, glicina e metionina), produzido pelo organismo e
também obtido pela alimentação, especialmente por meio de
carnes e peixes, e desempenha papel no metabolismo
energético celular, especialmente em tecidos de alta demanda,
como o músculo esquelético. Esses suplementos estão
amplamente difundidos no contexto da prática de atividade
física e esportiva entre adultos e caracterizam-se, em sua
maioria, como produtos ultraprocessados, por incorporarem
ingredientes como aromatizantes, edulcorantes e
emulsificantes. Diferentemente dos alimentos, que fornecem
proteínas associadas a vitaminas, minerais, fibras e compostos
bioativos, esses produtos promovem uma oferta concentrada e
descontextualizada de nutrientes, em desacordo com as
recomendações de uma alimentação adequada e saudável. O
whey protein e a creatina têm sido introduzidos, de forma
inadvertida, na alimentação de crianças e adolescentes,
impulsionados por estratégias de marketing e pela influência
das mídias digitais, frequentemente sem indicação clínica e sem
orientação profissional. Esse cenário é agravado pela crescente
oferta desses suplementos com apelo direcionado ao público
infantil, por meio de rotulagem atrativa, sabores adocicados e
formatos lúdicos, como balas, gomas e bebidas saborizadas.
Tais características favorecem a percepção equivocada de que
se trata de produtos habituais para a faixa etária pediátrica.
Necessidades proteicas na infância e adolescência: o
papel dos alimentos
A proteína é essencial para o crescimento e o
desenvolvimento, mas sua necessidade é frequentemente
superestimada. Crianças e adolescentes saudáveis apresentam
requerimentos proteicos que, em média, variam entre 0,85 e
0,95 g/kg/dia, facilmente atingidos por meio de uma
alimentação variada e equilibrada. Na prática, observa-se que
muitas crianças já apresentam ingestão proteica superior às
necessidades fisiológicas, de modo que a adição de
suplementos — mesmo em pequenas quantidades — não traz
benefício comprovado e não é isenta de riscos. Uma
alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente
processados — como carnes, ovos, leite e derivados,
leguminosas, cereais, tubérculos, frutas e hortaliças — assegura
não apenas a adequada oferta proteica (quantidade e qualidade),
mas também a ingestão de todos os nutrientes essenciais para o
crescimento e desenvolvimento saudáveis. O uso de
suplementos proteicos na pediatria é restrito a condições
clínicas específicas, como desnutrição, doenças crônicas,
síndromes de má absorção ou aumento da demanda metabólica,
entre outras, sempre sob prescrição e acompanhamento
profissional. Esse contexto não é extrapolável ao uso de suplementos de whey protein ou de creatina em crianças e
adolescentes com ou sem doenças associadas. Estudos
descrevem potenciais efeitos adversos renais, hepáticos e
metabólicos associados ao consumo excessivo e crônico de
proteína, atribuídos à sobrecarga das vias de metabolização e
de excreção de compostos nitrogenados. No rim, pode-se
observar aumento da produção de ureia e hiperfiltração
glomerular, com potencial de lesão intraglomerular em
indivíduos suscetíveis. No fígado, intensificam-se a
desaminação e o ciclo da ureia, elevando a produção de amônia,
especialmente em contextos de imaturidade. Do ponto de vista
metabólico, o excesso proteico pode estimular a secreção de
insulina e de Fator de Crescimento Semelhante à Insulina tipo
1 (IGF-1), interferir no balanço energético e favorecer a
lipogênese. Diante das evidências científicas atuais, não há
indicação para o uso rotineiro de suplementos proteicos à base
de whey protein e de creatina em crianças e adolescentes
saudáveis. Nessa fase, deve-se priorizar a construção do
comportamento alimentar e a oferta de uma alimentação
diversificada, capaz de atender às necessidades nutricionais de
cada etapa do desenvolvimento. O uso indiscriminado desses
suplementos, além de favorecer a ingestão excessiva de
nutrientes com potencial de sobrecarga de órgãos e sistemas,
também expõe as crianças e adolescentes a aditivos alimentares
(corantes, conservantes, emulsificantes) e pode determinar a
substituição de refeições, contribuindo para práticas
alimentares inadequadas e para o desenvolvimento de uma
relação disfuncional com a alimentação, cenário
frequentemente agravado pela influência das redes sociais e por
padrões corporais idealizados. O ato de se alimentar não se
limita ao consumo de nutrientes, mas integra um processo
relacional, cultural e identitário, construído no convívio
familiar e social e marcado por escolhas, preparo e modos de
consumo que expressam valores, tradições e vínculos afetivos.
Considerações finais
O uso de suplementos proteicos à base de whey protein
e de creatina não é indicado para crianças saudáveis e não deve
ser adotado de forma rotineira na adolescência. Uma
alimentação saudável, variada e baseada em alimentos in natura
ou minimamente processados, em preparações culinárias, é
suficiente para atender às necessidades nutricionais e promover
a formação de hábitos alimentares adequados. A suplementação
deve ser reservada a situações clínicas específicas, com
avaliação individualizada e acompanhamento profissional. O
pediatra desempenha papel central na orientação de famílias,
crianças e adolescentes, sendo fundamental esclarecer que
esses suplementos não são necessários para o crescimento e
desenvolvimento adequados. A abordagem deve contemplar a
educação nutricional, a valorização de práticas alimentares
saudáveis e a discussão crítica sobre influências externas, como
o marketing e as mídias sociais. Além disso, é essencial
reconhecer precocemente o uso inadequado desses produtos e
intervir de forma oportuna. O cuidado com a alimentação na
infância e na adolescência constitui uma estratégia fundamental
para a promoção da saúde ao longo da vida.
Disponível em https://www.sbp.com.br/pediatras-alertam-sobre-perigos-douso-de-suplementos-proteicos-de-whey-protein-e-creatina-por-criancas-eadolescentes/
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Uso de suplementos proteicos de whey protein e creatina em
crianças e adolescentes: implicações clínicas e nutricionais
Nota emitida pela Sociedade Brasileira de Pediatria
Contexto atual e relevância para a pediatria
Os produtos comercialmente conhecidos como whey
protein e creatina são enquadrados pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (ANVISA) na categoria de suplementos
alimentares, sendo compostos, respectivamente, por proteína
do soro do leite e creatina. O whey protein apresenta-se em
diferentes formas (concentrada, isolada ou hidrolisada) e é
divulgado com alegações relacionadas ao ganho de massa
muscular e à melhora do desempenho físico. A creatina, por sua
vez, é um composto nitrogenado derivado de aminoácidos
(arginina, glicina e metionina), produzido pelo organismo e
também obtido pela alimentação, especialmente por meio de
carnes e peixes, e desempenha papel no metabolismo
energético celular, especialmente em tecidos de alta demanda,
como o músculo esquelético. Esses suplementos estão
amplamente difundidos no contexto da prática de atividade
física e esportiva entre adultos e caracterizam-se, em sua
maioria, como produtos ultraprocessados, por incorporarem
ingredientes como aromatizantes, edulcorantes e
emulsificantes. Diferentemente dos alimentos, que fornecem
proteínas associadas a vitaminas, minerais, fibras e compostos
bioativos, esses produtos promovem uma oferta concentrada e
descontextualizada de nutrientes, em desacordo com as
recomendações de uma alimentação adequada e saudável. O
whey protein e a creatina têm sido introduzidos, de forma
inadvertida, na alimentação de crianças e adolescentes,
impulsionados por estratégias de marketing e pela influência
das mídias digitais, frequentemente sem indicação clínica e sem
orientação profissional. Esse cenário é agravado pela crescente
oferta desses suplementos com apelo direcionado ao público
infantil, por meio de rotulagem atrativa, sabores adocicados e
formatos lúdicos, como balas, gomas e bebidas saborizadas.
Tais características favorecem a percepção equivocada de que
se trata de produtos habituais para a faixa etária pediátrica.
Necessidades proteicas na infância e adolescência: o
papel dos alimentos
A proteína é essencial para o crescimento e o
desenvolvimento, mas sua necessidade é frequentemente
superestimada. Crianças e adolescentes saudáveis apresentam
requerimentos proteicos que, em média, variam entre 0,85 e
0,95 g/kg/dia, facilmente atingidos por meio de uma
alimentação variada e equilibrada. Na prática, observa-se que
muitas crianças já apresentam ingestão proteica superior às
necessidades fisiológicas, de modo que a adição de
suplementos — mesmo em pequenas quantidades — não traz
benefício comprovado e não é isenta de riscos. Uma
alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente
processados — como carnes, ovos, leite e derivados,
leguminosas, cereais, tubérculos, frutas e hortaliças — assegura
não apenas a adequada oferta proteica (quantidade e qualidade),
mas também a ingestão de todos os nutrientes essenciais para o
crescimento e desenvolvimento saudáveis. O uso de
suplementos proteicos na pediatria é restrito a condições
clínicas específicas, como desnutrição, doenças crônicas,
síndromes de má absorção ou aumento da demanda metabólica,
entre outras, sempre sob prescrição e acompanhamento
profissional. Esse contexto não é extrapolável ao uso de suplementos de whey protein ou de creatina em crianças e
adolescentes com ou sem doenças associadas. Estudos
descrevem potenciais efeitos adversos renais, hepáticos e
metabólicos associados ao consumo excessivo e crônico de
proteína, atribuídos à sobrecarga das vias de metabolização e
de excreção de compostos nitrogenados. No rim, pode-se
observar aumento da produção de ureia e hiperfiltração
glomerular, com potencial de lesão intraglomerular em
indivíduos suscetíveis. No fígado, intensificam-se a
desaminação e o ciclo da ureia, elevando a produção de amônia,
especialmente em contextos de imaturidade. Do ponto de vista
metabólico, o excesso proteico pode estimular a secreção de
insulina e de Fator de Crescimento Semelhante à Insulina tipo
1 (IGF-1), interferir no balanço energético e favorecer a
lipogênese. Diante das evidências científicas atuais, não há
indicação para o uso rotineiro de suplementos proteicos à base
de whey protein e de creatina em crianças e adolescentes
saudáveis. Nessa fase, deve-se priorizar a construção do
comportamento alimentar e a oferta de uma alimentação
diversificada, capaz de atender às necessidades nutricionais de
cada etapa do desenvolvimento. O uso indiscriminado desses
suplementos, além de favorecer a ingestão excessiva de
nutrientes com potencial de sobrecarga de órgãos e sistemas,
também expõe as crianças e adolescentes a aditivos alimentares
(corantes, conservantes, emulsificantes) e pode determinar a
substituição de refeições, contribuindo para práticas
alimentares inadequadas e para o desenvolvimento de uma
relação disfuncional com a alimentação, cenário
frequentemente agravado pela influência das redes sociais e por
padrões corporais idealizados. O ato de se alimentar não se
limita ao consumo de nutrientes, mas integra um processo
relacional, cultural e identitário, construído no convívio
familiar e social e marcado por escolhas, preparo e modos de
consumo que expressam valores, tradições e vínculos afetivos.
Considerações finais
O uso de suplementos proteicos à base de whey protein
e de creatina não é indicado para crianças saudáveis e não deve
ser adotado de forma rotineira na adolescência. Uma
alimentação saudável, variada e baseada em alimentos in natura
ou minimamente processados, em preparações culinárias, é
suficiente para atender às necessidades nutricionais e promover
a formação de hábitos alimentares adequados. A suplementação
deve ser reservada a situações clínicas específicas, com
avaliação individualizada e acompanhamento profissional. O
pediatra desempenha papel central na orientação de famílias,
crianças e adolescentes, sendo fundamental esclarecer que
esses suplementos não são necessários para o crescimento e
desenvolvimento adequados. A abordagem deve contemplar a
educação nutricional, a valorização de práticas alimentares
saudáveis e a discussão crítica sobre influências externas, como
o marketing e as mídias sociais. Além disso, é essencial
reconhecer precocemente o uso inadequado desses produtos e
intervir de forma oportuna. O cuidado com a alimentação na
infância e na adolescência constitui uma estratégia fundamental
para a promoção da saúde ao longo da vida.
Disponível em https://www.sbp.com.br/pediatras-alertam-sobre-perigos-douso-de-suplementos-proteicos-de-whey-protein-e-creatina-por-criancas-eadolescentes/
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Leia o texto para responder a questão.
Uso de suplementos proteicos de whey protein e creatina em
crianças e adolescentes: implicações clínicas e nutricionais
Nota emitida pela Sociedade Brasileira de Pediatria
Contexto atual e relevância para a pediatria
Os produtos comercialmente conhecidos como whey
protein e creatina são enquadrados pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (ANVISA) na categoria de suplementos
alimentares, sendo compostos, respectivamente, por proteína
do soro do leite e creatina. O whey protein apresenta-se em
diferentes formas (concentrada, isolada ou hidrolisada) e é
divulgado com alegações relacionadas ao ganho de massa
muscular e à melhora do desempenho físico. A creatina, por sua
vez, é um composto nitrogenado derivado de aminoácidos
(arginina, glicina e metionina), produzido pelo organismo e
também obtido pela alimentação, especialmente por meio de
carnes e peixes, e desempenha papel no metabolismo
energético celular, especialmente em tecidos de alta demanda,
como o músculo esquelético. Esses suplementos estão
amplamente difundidos no contexto da prática de atividade
física e esportiva entre adultos e caracterizam-se, em sua
maioria, como produtos ultraprocessados, por incorporarem
ingredientes como aromatizantes, edulcorantes e
emulsificantes. Diferentemente dos alimentos, que fornecem
proteínas associadas a vitaminas, minerais, fibras e compostos
bioativos, esses produtos promovem uma oferta concentrada e
descontextualizada de nutrientes, em desacordo com as
recomendações de uma alimentação adequada e saudável. O
whey protein e a creatina têm sido introduzidos, de forma
inadvertida, na alimentação de crianças e adolescentes,
impulsionados por estratégias de marketing e pela influência
das mídias digitais, frequentemente sem indicação clínica e sem
orientação profissional. Esse cenário é agravado pela crescente
oferta desses suplementos com apelo direcionado ao público
infantil, por meio de rotulagem atrativa, sabores adocicados e
formatos lúdicos, como balas, gomas e bebidas saborizadas.
Tais características favorecem a percepção equivocada de que
se trata de produtos habituais para a faixa etária pediátrica.
Necessidades proteicas na infância e adolescência: o
papel dos alimentos
A proteína é essencial para o crescimento e o
desenvolvimento, mas sua necessidade é frequentemente
superestimada. Crianças e adolescentes saudáveis apresentam
requerimentos proteicos que, em média, variam entre 0,85 e
0,95 g/kg/dia, facilmente atingidos por meio de uma
alimentação variada e equilibrada. Na prática, observa-se que
muitas crianças já apresentam ingestão proteica superior às
necessidades fisiológicas, de modo que a adição de
suplementos — mesmo em pequenas quantidades — não traz
benefício comprovado e não é isenta de riscos. Uma
alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente
processados — como carnes, ovos, leite e derivados,
leguminosas, cereais, tubérculos, frutas e hortaliças — assegura
não apenas a adequada oferta proteica (quantidade e qualidade),
mas também a ingestão de todos os nutrientes essenciais para o
crescimento e desenvolvimento saudáveis. O uso de
suplementos proteicos na pediatria é restrito a condições
clínicas específicas, como desnutrição, doenças crônicas,
síndromes de má absorção ou aumento da demanda metabólica,
entre outras, sempre sob prescrição e acompanhamento
profissional. Esse contexto não é extrapolável ao uso de suplementos de whey protein ou de creatina em crianças e
adolescentes com ou sem doenças associadas. Estudos
descrevem potenciais efeitos adversos renais, hepáticos e
metabólicos associados ao consumo excessivo e crônico de
proteína, atribuídos à sobrecarga das vias de metabolização e
de excreção de compostos nitrogenados. No rim, pode-se
observar aumento da produção de ureia e hiperfiltração
glomerular, com potencial de lesão intraglomerular em
indivíduos suscetíveis. No fígado, intensificam-se a
desaminação e o ciclo da ureia, elevando a produção de amônia,
especialmente em contextos de imaturidade. Do ponto de vista
metabólico, o excesso proteico pode estimular a secreção de
insulina e de Fator de Crescimento Semelhante à Insulina tipo
1 (IGF-1), interferir no balanço energético e favorecer a
lipogênese. Diante das evidências científicas atuais, não há
indicação para o uso rotineiro de suplementos proteicos à base
de whey protein e de creatina em crianças e adolescentes
saudáveis. Nessa fase, deve-se priorizar a construção do
comportamento alimentar e a oferta de uma alimentação
diversificada, capaz de atender às necessidades nutricionais de
cada etapa do desenvolvimento. O uso indiscriminado desses
suplementos, além de favorecer a ingestão excessiva de
nutrientes com potencial de sobrecarga de órgãos e sistemas,
também expõe as crianças e adolescentes a aditivos alimentares
(corantes, conservantes, emulsificantes) e pode determinar a
substituição de refeições, contribuindo para práticas
alimentares inadequadas e para o desenvolvimento de uma
relação disfuncional com a alimentação, cenário
frequentemente agravado pela influência das redes sociais e por
padrões corporais idealizados. O ato de se alimentar não se
limita ao consumo de nutrientes, mas integra um processo
relacional, cultural e identitário, construído no convívio
familiar e social e marcado por escolhas, preparo e modos de
consumo que expressam valores, tradições e vínculos afetivos.
Considerações finais
O uso de suplementos proteicos à base de whey protein
e de creatina não é indicado para crianças saudáveis e não deve
ser adotado de forma rotineira na adolescência. Uma
alimentação saudável, variada e baseada em alimentos in natura
ou minimamente processados, em preparações culinárias, é
suficiente para atender às necessidades nutricionais e promover
a formação de hábitos alimentares adequados. A suplementação
deve ser reservada a situações clínicas específicas, com
avaliação individualizada e acompanhamento profissional. O
pediatra desempenha papel central na orientação de famílias,
crianças e adolescentes, sendo fundamental esclarecer que
esses suplementos não são necessários para o crescimento e
desenvolvimento adequados. A abordagem deve contemplar a
educação nutricional, a valorização de práticas alimentares
saudáveis e a discussão crítica sobre influências externas, como
o marketing e as mídias sociais. Além disso, é essencial
reconhecer precocemente o uso inadequado desses produtos e
intervir de forma oportuna. O cuidado com a alimentação na
infância e na adolescência constitui uma estratégia fundamental
para a promoção da saúde ao longo da vida.
Disponível em https://www.sbp.com.br/pediatras-alertam-sobre-perigos-douso-de-suplementos-proteicos-de-whey-protein-e-creatina-por-criancas-eadolescentes/
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Leia o texto para responder a questão.
Uso de suplementos proteicos de whey protein e creatina em
crianças e adolescentes: implicações clínicas e nutricionais
Nota emitida pela Sociedade Brasileira de Pediatria
Contexto atual e relevância para a pediatria
Os produtos comercialmente conhecidos como whey
protein e creatina são enquadrados pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (ANVISA) na categoria de suplementos
alimentares, sendo compostos, respectivamente, por proteína
do soro do leite e creatina. O whey protein apresenta-se em
diferentes formas (concentrada, isolada ou hidrolisada) e é
divulgado com alegações relacionadas ao ganho de massa
muscular e à melhora do desempenho físico. A creatina, por sua
vez, é um composto nitrogenado derivado de aminoácidos
(arginina, glicina e metionina), produzido pelo organismo e
também obtido pela alimentação, especialmente por meio de
carnes e peixes, e desempenha papel no metabolismo
energético celular, especialmente em tecidos de alta demanda,
como o músculo esquelético. Esses suplementos estão
amplamente difundidos no contexto da prática de atividade
física e esportiva entre adultos e caracterizam-se, em sua
maioria, como produtos ultraprocessados, por incorporarem
ingredientes como aromatizantes, edulcorantes e
emulsificantes. Diferentemente dos alimentos, que fornecem
proteínas associadas a vitaminas, minerais, fibras e compostos
bioativos, esses produtos promovem uma oferta concentrada e
descontextualizada de nutrientes, em desacordo com as
recomendações de uma alimentação adequada e saudável. O
whey protein e a creatina têm sido introduzidos, de forma
inadvertida, na alimentação de crianças e adolescentes,
impulsionados por estratégias de marketing e pela influência
das mídias digitais, frequentemente sem indicação clínica e sem
orientação profissional. Esse cenário é agravado pela crescente
oferta desses suplementos com apelo direcionado ao público
infantil, por meio de rotulagem atrativa, sabores adocicados e
formatos lúdicos, como balas, gomas e bebidas saborizadas.
Tais características favorecem a percepção equivocada de que
se trata de produtos habituais para a faixa etária pediátrica.
Necessidades proteicas na infância e adolescência: o
papel dos alimentos
A proteína é essencial para o crescimento e o
desenvolvimento, mas sua necessidade é frequentemente
superestimada. Crianças e adolescentes saudáveis apresentam
requerimentos proteicos que, em média, variam entre 0,85 e
0,95 g/kg/dia, facilmente atingidos por meio de uma
alimentação variada e equilibrada. Na prática, observa-se que
muitas crianças já apresentam ingestão proteica superior às
necessidades fisiológicas, de modo que a adição de
suplementos — mesmo em pequenas quantidades — não traz
benefício comprovado e não é isenta de riscos. Uma
alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente
processados — como carnes, ovos, leite e derivados,
leguminosas, cereais, tubérculos, frutas e hortaliças — assegura
não apenas a adequada oferta proteica (quantidade e qualidade),
mas também a ingestão de todos os nutrientes essenciais para o
crescimento e desenvolvimento saudáveis. O uso de
suplementos proteicos na pediatria é restrito a condições
clínicas específicas, como desnutrição, doenças crônicas,
síndromes de má absorção ou aumento da demanda metabólica,
entre outras, sempre sob prescrição e acompanhamento
profissional. Esse contexto não é extrapolável ao uso de suplementos de whey protein ou de creatina em crianças e
adolescentes com ou sem doenças associadas. Estudos
descrevem potenciais efeitos adversos renais, hepáticos e
metabólicos associados ao consumo excessivo e crônico de
proteína, atribuídos à sobrecarga das vias de metabolização e
de excreção de compostos nitrogenados. No rim, pode-se
observar aumento da produção de ureia e hiperfiltração
glomerular, com potencial de lesão intraglomerular em
indivíduos suscetíveis. No fígado, intensificam-se a
desaminação e o ciclo da ureia, elevando a produção de amônia,
especialmente em contextos de imaturidade. Do ponto de vista
metabólico, o excesso proteico pode estimular a secreção de
insulina e de Fator de Crescimento Semelhante à Insulina tipo
1 (IGF-1), interferir no balanço energético e favorecer a
lipogênese. Diante das evidências científicas atuais, não há
indicação para o uso rotineiro de suplementos proteicos à base
de whey protein e de creatina em crianças e adolescentes
saudáveis. Nessa fase, deve-se priorizar a construção do
comportamento alimentar e a oferta de uma alimentação
diversificada, capaz de atender às necessidades nutricionais de
cada etapa do desenvolvimento. O uso indiscriminado desses
suplementos, além de favorecer a ingestão excessiva de
nutrientes com potencial de sobrecarga de órgãos e sistemas,
também expõe as crianças e adolescentes a aditivos alimentares
(corantes, conservantes, emulsificantes) e pode determinar a
substituição de refeições, contribuindo para práticas
alimentares inadequadas e para o desenvolvimento de uma
relação disfuncional com a alimentação, cenário
frequentemente agravado pela influência das redes sociais e por
padrões corporais idealizados. O ato de se alimentar não se
limita ao consumo de nutrientes, mas integra um processo
relacional, cultural e identitário, construído no convívio
familiar e social e marcado por escolhas, preparo e modos de
consumo que expressam valores, tradições e vínculos afetivos.
Considerações finais
O uso de suplementos proteicos à base de whey protein
e de creatina não é indicado para crianças saudáveis e não deve
ser adotado de forma rotineira na adolescência. Uma
alimentação saudável, variada e baseada em alimentos in natura
ou minimamente processados, em preparações culinárias, é
suficiente para atender às necessidades nutricionais e promover
a formação de hábitos alimentares adequados. A suplementação
deve ser reservada a situações clínicas específicas, com
avaliação individualizada e acompanhamento profissional. O
pediatra desempenha papel central na orientação de famílias,
crianças e adolescentes, sendo fundamental esclarecer que
esses suplementos não são necessários para o crescimento e
desenvolvimento adequados. A abordagem deve contemplar a
educação nutricional, a valorização de práticas alimentares
saudáveis e a discussão crítica sobre influências externas, como
o marketing e as mídias sociais. Além disso, é essencial
reconhecer precocemente o uso inadequado desses produtos e
intervir de forma oportuna. O cuidado com a alimentação na
infância e na adolescência constitui uma estratégia fundamental
para a promoção da saúde ao longo da vida.
Disponível em https://www.sbp.com.br/pediatras-alertam-sobre-perigos-douso-de-suplementos-proteicos-de-whey-protein-e-creatina-por-criancas-eadolescentes/
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Uso de suplementos proteicos de whey protein e creatina em
crianças e adolescentes: implicações clínicas e nutricionais
Nota emitida pela Sociedade Brasileira de Pediatria
Contexto atual e relevância para a pediatria
Os produtos comercialmente conhecidos como whey
protein e creatina são enquadrados pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (ANVISA) na categoria de suplementos
alimentares, sendo compostos, respectivamente, por proteína
do soro do leite e creatina. O whey protein apresenta-se em
diferentes formas (concentrada, isolada ou hidrolisada) e é
divulgado com alegações relacionadas ao ganho de massa
muscular e à melhora do desempenho físico. A creatina, por sua
vez, é um composto nitrogenado derivado de aminoácidos
(arginina, glicina e metionina), produzido pelo organismo e
também obtido pela alimentação, especialmente por meio de
carnes e peixes, e desempenha papel no metabolismo
energético celular, especialmente em tecidos de alta demanda,
como o músculo esquelético. Esses suplementos estão
amplamente difundidos no contexto da prática de atividade
física e esportiva entre adultos e caracterizam-se, em sua
maioria, como produtos ultraprocessados, por incorporarem
ingredientes como aromatizantes, edulcorantes e
emulsificantes. Diferentemente dos alimentos, que fornecem
proteínas associadas a vitaminas, minerais, fibras e compostos
bioativos, esses produtos promovem uma oferta concentrada e
descontextualizada de nutrientes, em desacordo com as
recomendações de uma alimentação adequada e saudável. O
whey protein e a creatina têm sido introduzidos, de forma
inadvertida, na alimentação de crianças e adolescentes,
impulsionados por estratégias de marketing e pela influência
das mídias digitais, frequentemente sem indicação clínica e sem
orientação profissional. Esse cenário é agravado pela crescente
oferta desses suplementos com apelo direcionado ao público
infantil, por meio de rotulagem atrativa, sabores adocicados e
formatos lúdicos, como balas, gomas e bebidas saborizadas.
Tais características favorecem a percepção equivocada de que
se trata de produtos habituais para a faixa etária pediátrica.
Necessidades proteicas na infância e adolescência: o
papel dos alimentos
A proteína é essencial para o crescimento e o
desenvolvimento, mas sua necessidade é frequentemente
superestimada. Crianças e adolescentes saudáveis apresentam
requerimentos proteicos que, em média, variam entre 0,85 e
0,95 g/kg/dia, facilmente atingidos por meio de uma
alimentação variada e equilibrada. Na prática, observa-se que
muitas crianças já apresentam ingestão proteica superior às
necessidades fisiológicas, de modo que a adição de
suplementos — mesmo em pequenas quantidades — não traz
benefício comprovado e não é isenta de riscos. Uma
alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente
processados — como carnes, ovos, leite e derivados,
leguminosas, cereais, tubérculos, frutas e hortaliças — assegura
não apenas a adequada oferta proteica (quantidade e qualidade),
mas também a ingestão de todos os nutrientes essenciais para o
crescimento e desenvolvimento saudáveis. O uso de
suplementos proteicos na pediatria é restrito a condições
clínicas específicas, como desnutrição, doenças crônicas,
síndromes de má absorção ou aumento da demanda metabólica,
entre outras, sempre sob prescrição e acompanhamento
profissional. Esse contexto não é extrapolável ao uso de suplementos de whey protein ou de creatina em crianças e
adolescentes com ou sem doenças associadas. Estudos
descrevem potenciais efeitos adversos renais, hepáticos e
metabólicos associados ao consumo excessivo e crônico de
proteína, atribuídos à sobrecarga das vias de metabolização e
de excreção de compostos nitrogenados. No rim, pode-se
observar aumento da produção de ureia e hiperfiltração
glomerular, com potencial de lesão intraglomerular em
indivíduos suscetíveis. No fígado, intensificam-se a
desaminação e o ciclo da ureia, elevando a produção de amônia,
especialmente em contextos de imaturidade. Do ponto de vista
metabólico, o excesso proteico pode estimular a secreção de
insulina e de Fator de Crescimento Semelhante à Insulina tipo
1 (IGF-1), interferir no balanço energético e favorecer a
lipogênese. Diante das evidências científicas atuais, não há
indicação para o uso rotineiro de suplementos proteicos à base
de whey protein e de creatina em crianças e adolescentes
saudáveis. Nessa fase, deve-se priorizar a construção do
comportamento alimentar e a oferta de uma alimentação
diversificada, capaz de atender às necessidades nutricionais de
cada etapa do desenvolvimento. O uso indiscriminado desses
suplementos, além de favorecer a ingestão excessiva de
nutrientes com potencial de sobrecarga de órgãos e sistemas,
também expõe as crianças e adolescentes a aditivos alimentares
(corantes, conservantes, emulsificantes) e pode determinar a
substituição de refeições, contribuindo para práticas
alimentares inadequadas e para o desenvolvimento de uma
relação disfuncional com a alimentação, cenário
frequentemente agravado pela influência das redes sociais e por
padrões corporais idealizados. O ato de se alimentar não se
limita ao consumo de nutrientes, mas integra um processo
relacional, cultural e identitário, construído no convívio
familiar e social e marcado por escolhas, preparo e modos de
consumo que expressam valores, tradições e vínculos afetivos.
Considerações finais
O uso de suplementos proteicos à base de whey protein
e de creatina não é indicado para crianças saudáveis e não deve
ser adotado de forma rotineira na adolescência. Uma
alimentação saudável, variada e baseada em alimentos in natura
ou minimamente processados, em preparações culinárias, é
suficiente para atender às necessidades nutricionais e promover
a formação de hábitos alimentares adequados. A suplementação
deve ser reservada a situações clínicas específicas, com
avaliação individualizada e acompanhamento profissional. O
pediatra desempenha papel central na orientação de famílias,
crianças e adolescentes, sendo fundamental esclarecer que
esses suplementos não são necessários para o crescimento e
desenvolvimento adequados. A abordagem deve contemplar a
educação nutricional, a valorização de práticas alimentares
saudáveis e a discussão crítica sobre influências externas, como
o marketing e as mídias sociais. Além disso, é essencial
reconhecer precocemente o uso inadequado desses produtos e
intervir de forma oportuna. O cuidado com a alimentação na
infância e na adolescência constitui uma estratégia fundamental
para a promoção da saúde ao longo da vida.
Disponível em https://www.sbp.com.br/pediatras-alertam-sobre-perigos-douso-de-suplementos-proteicos-de-whey-protein-e-creatina-por-criancas-eadolescentes/
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TEXTO 2
FATOS SOBRE OS PAPAGAIOS
Você já parou para pensar em como seria o
nosso mundo sem os papagaios? Seria tão monótono,
sem suas penas deslumbrantes iluminando as
paisagens, né? Mas essas aves têm muito mais do que
apenas sua boa aparência.
Os papagaios são grandes comunicadores,
mímicos, companheiros leais e fazem um trabalho
fantástico de apoio aos nossos ecossistemas. Isso
porque, por serem comedores desordenados, as
sementes e frutas que eles soltam e “jogam fora”
ajudam a regenerar as florestas e a alimentar animais
maiores.
Atualmente, existem mais de 350 espécies de
papagaios na Terra – entre eles estão os periquitos,
araras, calopsitas e cacatuas. Para serem classificados
como papagaios, as aves devem ter bicos curvos e os
pés devem ser zigodáctilos (ou seja, aves com quatro
dedos em cada pé, sendo que dois dedos são voltados
para a frente e dois para trás).
Os papagaios têm muitas formas e tamanhos
diferentes, sendo que a maioria vive nos climas
quentes do hemisfério sul. O menor é o papagaio-pigmeu-de-cara-amarela, que pode ser encontrado na
Nova Guiné e na Nova Bretanha. Ele pesa entre 10 e
15 gramas e mede cerca de 8,5 centímetros de
comprimento. Esta pequena ave é completamente
ofuscada pelo maior papagaio do mundo, a arara-azul
da América do Sul, que mede entre 90 e 100
centímetros. Já o papagaio mais pesado é o kakapo
noturno da Nova Zelândia, que não voa e pode pesar
até 4 quilos – similar ao peso de um gato doméstico!
Frutas, flores, sementes, bagas, nozes e
pequenos insetos são alimentos naturais para os
papagaios, mas as dietas podem variar de espécie para
espécie e de região para região. Os bicos dos
papagaios permitem que eles abram cascas de nozes,
enquanto suas línguas fortes os ajudam a chegar às sementes dentro. Alguns hábitos alimentares dos
papagaios podem parecer um pouco incomuns, como
o fato de as araras-azuis procurarem no esterco de
gado por nozes de palmeira não digeridas para
comer. Algumas espécies comem argila que ocorre
naturalmente ao redor das margens dos rios e costas.
Os cientistas ainda estão pesquisando o motivo dos
papagaios fazerem isso, mas a maioria acredita que a
argila seja um importante suplemento nutricional para
eles. Além disso, os papagaios são comedores
desordenados – ou seja, jogam muita comida no chão
–, fazendo com que eles tenham um importante papel
no ecossistema.
As frutas caídas, sementes e sementes não
digeridas em seus excrementos podem ajudar a
regenerar as florestas e os restos de suas comidas
ajudam a alimentar animais menores que vivem no
solo. Os excrementos dos papagaios também são
importantes para o meio ambiente, nutrindo o solo
que sustenta o crescimento das florestas e pastagens.
As cores nas penas de um papagaio não são
apenas bonitas de se ver – elas desempenham um
papel importante na vida destas aves. Em um estudo
de 2011, pesquisadores expuseram penas de
papagaios a uma cepa de bactérias que danificam as
penas e descobriram que os pigmentos protegiam as
penas, que é formada por Psitacofulvinas, um
pigmento resistente a bactérias.
Os papagaios são, geralmente, monogâmicos.
Os papagaios-cinzentos africanos ficam prontos para
encontrar um parceiro quando têm entre 3 a 5 anos de
idade. Quando isso acontece, eles se estabelecem,
juntos, em sua própria árvore entre grandes bandos de
até 10.000 aves. Eles acasalam e põe ovos uma ou
duas vezes por ano, com até quatro ovos em cada
ninhada. A fêmea incuba os ovos, enquanto seu
parceiro a alimenta. Quando os filhotes nascem, após
cerca de 30 dias, a fêmea passa as duas primeiras
semanas alimentando-os com a comida que o macho
fornece regurgitando em seu bico. Os filhotes ficam
no ninho por cerca de 12 semanas e, depois, se juntam
aos pais e ao grupo familiar por vários anos. Mas
atenção: nem todos os papagaios constroem seus
ninhos em árvores. Algumas espécies põem seus ovos
em túneis e cavidades rochosas. Outras, como o
papagaio de ombros dourados da Austrália, o fazem
em cupinzeiros.
Se eles não forem mortos como presas ou
caçados, a expectativa de vida de algumas espécies de
papagaios pode ser semelhante à dos humanos – os
kakapos podem viver por até 95 anos e as araras-vermelhas entre 40 e 50 anos. Geralmente, quanto maior a espécie de papagaio, maior a sua vida útil.
Entre os predadores de papagaios estão: as pessoas,
aves de rapina (como falcões, águias e corujas),
cobras, felinos selvagens (como onças e jaguatiricas),
macacos e morcegos. Quando ameaçado, o primeiro
instinto de um papagaio é voar para longe. Mas, uma
vez capturado, ele lutará com seu forte bico e garras
para tentar escapar. Quando os predadores estão em
seu território, uma tática comum de defesa do
papagaio é ficar em silêncio e, de repente, explodir,
guinchando das árvores para assustá-los.
Os papagaios são animais muito sociais,
grandes comunicadores. Eles usam as penas de suas
caudas e vozes para transmitir mensagens. Alguns
também “coram” para comunicar emoções como
brincadeira, raiva e excitação. Eles podem imitar
outros animais e podem até construir vocabulários de
palavras humanas. Para se comunicar uns com os
outros, os papagaios – dependendo da espécie –
podem usar uma variedade de gritos, assobios, pios e
até sons de beijos.
Disponível em:
<https://www.worldanimalprotection.org.br/maisrecente/blogs/descubra-9-fatos-sobre-os-papagaios/>.
Adaptado. Acesso em: 17 de junho de 2026.
“Se eles não forem mortos como presas ou caçados, a expectativa de vida de algumas espécies de papagaios pode ser semelhante à dos humanos.”
As orações que compõem o período acima expressam, CORRETA e respectivamente:
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