Foram encontradas 46.180 questões.
A ideia de que existe mais simbolismo nos objetos e nas coisas do que a aparência indica sugere reconhecer tanto o valor mercantil como o valor cultural de um bem simbólico, isto é, a mercadoria e o símbolo. Assim, incialmente se dedica atenção à dimensão econômica do sagrado ao privilegiar os bens simbólicos, mercados e redes. O conceito de sagrado e sua representação simbólica remete-nos, inevitavelmente, à perspectiva do poder mantido e reproduzido pela comunidade em suas territorialidades religiosas ou quase-sagradas. De fato, “é pela existência de uma cultura que se cria um território, e é pelo território que se fortalece e se exprime a relação simbólica existente entre a cultura e o espaço”, de acordo com Joël Bonnemaison.
ROSENDAHL, Zeny. Espaço, cultura e religião: dimensões de análise. In. Corrêa, R.; Rosendahl, Z. (Org.). Introdução à Geografia Cultural. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003, p. 187. Adaptado.
No Ensino Fundamental, considere a preparação de uma aula para o 6º ano, utilizando o argumento do texto acima como conteúdo motivador. Nesse caso, o/a docente deve referir o conteúdo à unidade temática e ao objeto de conhecimento da Base Nacional Comum Curricular seguintes:
Provas
Considere a imagem e os textos sobre o conceito de paisagem.

Disponível em: https://www.marica.rj.gov.br/noticia/marica-e-aterceira-cidade-com-melhor-indice-relativo-de-empregos-nopais/. Acesso em: 02 abr. 2024.
Texto I
Provavelmente, o conceito de paisagem merece ser bem mais valorizado (e integrado com outros conceitos, tais como território e lugar) do que tem sido. É óbvio que ele possui certos limites, mas isso não é “privilégio” seu: toda ferramenta conceitual possui potencialidades e limitações. A questão é que, por enquanto, parece que as limitações do referido conceito têm sido mais sublinhadas que as suas potencialidades, que não são pequenas. Uma última potencialidade nos remete aliás, para o mundo das possibilidades oferecidas pelo exame dos aspectos mais fortemente (inter)subjetivos) da paisagem.
SOUZA, Marcelo. Os Conceitos Fundamentais da Pesquisa Sócio-espacial. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013, p. 61.
Texto II
O geógrafo John B. Jackson introduz a hodologia como a ciência dos caminhos, das estradas e das viagens. A principal questão legada por Jackson é a da potência estruturante dos caminhos para a paisagem. Uma reflexão sobre a potência dos caminhos e das viagens desdobra-se nas perguntas: como caminhos e viagens contribuem a estruturar objetivamente, concretamente as paisagens e os espaços? Como contribuem a estruturar a percepção e a representação das paisagens e dos espaços? O que significa pensar o caminho e a viagem não apenas como objetos de estudo, mas como pontos de vista sobre as coisas, as ideias e o mundo em geral?
BESSE, Jean-Marc. O Gosto do Mundo. Exercícios de paisagem. Rio de Janeiro: UERJ, 2014, p. 184 e 185. Adaptado.
A leitura articulada da imagem com os Textos I e II conduz à reflexão sobre a potencialidade do conceito de paisagem. Com base nessa leitura, a paisagem é definida como:
Provas
Identifica-se um tipo de territorialização humana pelo qual o indivíduo é capaz de produzir e habitar mais de um território. Essa territorialização resulta não apenas da sobreposição ou da imbricação entre tipos territoriais diversos (o que inclui territórios-zona e territórios-rede), mas também de sua experimentação/reconstrução de forma singular pelo indivíduo, grupo social ou instituição. Trata-se de uma reterritorialização complexa, em rede e com fortes conotações rizomáticas, ou seja, não-hierárquicas. As condições para a sua realização incluiriam a maior diversidade territorial, uma grande disponibilidade de e/ou acessibilidade a redes-conexões, a natureza rizomática menos centralizada dessas redes e, anteriores a tudo isto, a situação socioeconômica, a liberdade e, em parte, também a abertura cultural para efetivamente usufruir e/ou construir essa modalidade de territorialização. Essa territorialização específica implica a possibilidade de acessar ou conectar diversos territórios, através de uma mobilidade, no sentido de um deslocamento físico ou do ciberespaço.
HAESBAERT, Rogério. O Mito da Desterritorialização. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004. p. 343 e 344. Adaptado.
Com base nas ideias do autor, a modalidade de territorialização descrita é especificamente denominada:
Provas
Na nova geografia, fundamentada no positivismo lógico, formula-se uma divisão regional concebida pela objetividade máxima, implicando a ausência de subjetividade por parte do pesquisador. As regiões são definidas estatisticamente. No contexto dessa divisão regional, há dois enfoques que não se excluem mutuamente. O primeiro considera as regiões simples ou complexas. O segundo enfoque reconhece duas categorias de regiões, sendo uma delas definida de acordo com o movimento das pessoas, mercadorias, informações, decisões e ideias sobre a superfície da Terra. Identificam-se, assim, regiões de tráfego rodoviário, fluxos telefônicos ou matérias-primas industriais, migrações diárias para o trabalho, influência comercial das cidades etc.
CORRÊA, Roberto. Região e Organização Espacial. São Paulo: Ática: 1986, p. 34 e 25. Adaptado.
Nessa divisão regional, a região definida descritivamente no segundo enfoque é denominada:
Provas
Texto I
A globalização materializa-se concretamente no lugar, aqui se lê/percebe/entende o mundo moderno em suas múltiplas dimensões, numa perspectiva mais ampla, o que significa dizer que no lugar se vive, se realiza o cotidiano e é aí que ganha expressão o mundial. O mundial que existe no local, redefine seu conteúdo, sem todavia anularem-se as particularidades. A sociedade urbana que, hoje, se produz em parte de modo real e concreto, em parte virtual e possível, constitui-se enquanto mundialidade, apresentando tendência à homogeneização ao mesmo tempo em que permite a diferenciação. O lugar permite pensar a articulação do local com o espaço urbano que se manifesta como horizonte.
CARLOS, Ana. O Lugar no/do Mundo. São Paulo: Hucitec, 1996, p. 15
Texto II
Lugar é o sentido do pertencimento, a identidade biográfica do homem com os elementos do seu espaço vivido. No lugar, cada objeto ou coisa tem uma história que se confunde com a história de seus habitantes, assim compreendidos justamente por não terem com a ambiência uma relação de estrangeiros. E, reversivamente, cada momento da história de vida do homem está contada e datada na trajetória ocorrida de cada coisa e objeto, homens e objetos se identificando reciprocamente. A globalização não extingue, antes impõe que se refaça o sentido do pertencimento em face da nova forma que cria de espaço vivido.
MOREIRA, Ruy. Para Onde vai o Pensamento Geográfico? São Paulo: Contexto, 2006, p. 164.
A leitura comparada entre os Textos I e II conduz à seguinte conclusão:
Provas
Texto I
No processo de organização de seu espaço, o homem decide sobre um determinado lugar segundo este apresente atributos julgados de interesse de acordo com os diversos projetos estabelecidos. A fertilidade do solo, um sítio defensivo, a proximidade da matéria-prima, o acesso ao mercado consumidor ou a presença de um porto, de uma força de trabalho não qualificada e sindicalmente pouco ativa, são alguns dos atributos que podem levar a localizações específicas. Os atributos indicados, encontrados de forma isolada ou combinada, variam de lugar para lugar e são avaliados e reavaliados sistematicamente.
CORRÊA, Roberto. Espaço, um conceito-chave da geografia. In. Castro, I. et al. (Org.). Geografia: conceitos e temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995, p. 36. Adaptado.
Texto II
Na organização espacial da sociedade, há uma espécie de ponte entre a história natural e a história social se expressando já em termos de espaço: um processo de eleição do local com que a sociedade inicia a montagem da sua estrutura geográfica. Esse processo é uma expressão direta e combinada dos princípios da localização e da distribuição. Por meio da localização, o homem elege a melhor possibilidade de fixação espacial de suas ações. A distribuição compõe o sistema de localizações e transforma o processo de eleição numa configuração de pontos e o todo numa extensão.
MOREIRA, Ruy. Pensar e Ser em Geografia. São Paulo: Contexto, 2007, p. 82. Adaptado.
Nos Textos I e II, define-se descritivamente a seguinte prática espacial:
Provas
Texto I
Desde o começo dos anos 1980, os programas de “estabilização macroeconômica” e de “ajuste estrutural” impostos pelo FMI e pelo Banco Mundial aos países em desenvolvimento (como condição para negociação da dívida externa) têm levado centenas de milhões de pessoas ao empobrecimento. Contrariando o espírito do acordo de Bretton Woods, cuja intenção era a “reconstrução econômica” e a estabilidade das principais taxas de câmbio, o programa de ajuste estrutural tem contribuído amplamente para desestabilizar moedas nacionais e arruinar as economias dos países em desenvolvimento. O poder de compra interno entrou em colapso, a fome eclodiu, hospitais e escolas foram fechados, centenas de milhões de crianças viram negado seu direito à educação primária. Embora a missão do Banco Mundial seja “combater a pobreza” e proteger o meio ambiente, seu patrocínio para projetos hidrelétricos e agroindustriais em grande escala também tem acelerado o processo de desmatamento e destruição do meio ambiente.
CHOSSUDOVSKY, Michel. A Globalização da Pobreza. São Paulo: Moderna, 1999, p. 26.
Texto II
O período no qual nos encontramos revela uma pobreza de novo tipo, uma pobreza estrutural globalizada, resultante de um sistema de ação deliberada. Examinado o processo pelo qual o desemprego é gerado e a remuneração do emprego se torna cada vez pior, ao mesmo tempo em que o poder público se retira das tarefas de proteção social, é lícito considerar que a atual divisão “administrativa” do trabalho e a ausência deliberada do Estado de sua missão social de regulação estejam contribuindo para uma produção científica, globalizada e voluntária da pobreza. [...] Essa produção da pobreza aparece como um fenômeno banal. [...] Mas é uma pobreza produzida politicamente pelas empresas e instituições globais. Estas, de um lado, pagam para criar soluções localizadas, parcializadas, segmentadas, como é o caso do Banco Mundial, que, em diferentes partes do mundo, financia programas de atenção aos pobres, querendo passar a impressão de se interessar pelos desvalidos, quando, estruturalmente, é o grande produtor da pobreza.
SANTOS, Milton. Por Uma Outra Globalização. São Paulo: Record, 2000, p. 72 e 73.
A leitura comparada entre os Textos I e II leva à seguinte conclusão:
Provas
A globalização constitui o estádio supremo da internacionalização, a amplificação em “sistema-mundo” de todos os lugares e de todos os indivíduos, embora em graus diversos. Nesse sentido, com a unificação do planeta, a Terra torna-se um só e único “mundo” e assiste-se a uma refundição da “totalidade-terra”. Trata-se de uma nova fase da história humana. [...] Como qualquer totalidade, a globalização só se exprime por meio de suas funcionalizações. Uma delas é o espaço geográfico. [...] O processo de globalização acarreta a mundialização do espaço geográfico, cujas principais características incluem a tendência à formação de um meio técnico, científico e informacional.
SANTOS, Milton. Técnica Espaço Tempo. São Paulo: Hucitec, 1994, p. 48 e 50. Adaptado.
No processo de mundialização do espaço, além da tendência à formação do meio técnico científico e informacional, identifica-se a seguinte característica principal:
Provas
Considere a imagem e o texto sobre representação cartográfica.

Disponível em: https://www.google.com.br/url?sa=i&url=https%3A%2F%2Fwww.poder 360.com.br%2Fbrasil%2Fibge-faz-novo-mapa-e-coloca-brasil-nocentro-do-mundo [...]. Acesso em: 10 abr. 2024.
O novo formato de mapa-múndi lançado pelo IBGE, colocando o Brasil no centro da Terra, ganhou elogios no meio da cartografia. Embora especialistas esclareçam que o modelo tradicional, onde a América do Sul aparece à esquerda, toma como base o Meridiano de Greenwich, a mudança é vista como simbólica dentro da geopolítica. “É uma decisão que eu concordo, que tira essa visão eurocêntrica. Dará uma posição melhor do Brasil para o mundo” — resume o professor Paulo Menezes, da UFRJ. A divisão habitual não é adotada apenas para fins de distribuição espacial dos países dentro do mapa. Ela também é adotada, por exemplo, para separar o mundo entre Ocidente e Oriente, na medição da longitude e na definição de parâmetros para os fusos horários. “O Meridiano de Greenwich foi definido como sendo o marco zero em longitude e passa pela cidade de mesmo nome na Inglaterra” — explica o professor Marcelo Nero, da UFMG.
Disponível em: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2024/04/13/mapa-doibge-que-coloca-brasil-no-centro-do-mundo-tambem-indica-quemalvinas-sao-da-argentina.ghtml. Acesso em: 10 abr. 2024. Adaptado.
No mapa anterior, identifique a projeção cartográfica e a sua classificação quanto à superfície de projeção:
Provas
Nas atuais condições, os arranjos espaciais não se dão apenas através de figuras formadas por pontos contínuos e contíguos. Hoje, ao lado dessas manchas, ou sobre essas manchas, há, também, constelações de pontos descontínuos, mas interligados, que definem um espaço de fluxos reguladores. [...] De um lado, há extensões formadas de pontos que se agregam sem descontinuidade, como na definição tradicional de região. São as horizontalidades. De outro lado, há pontos no espaço que, separados uns dos outros, asseguram o funcionamento global da sociedade e da economia. São as verticalidades. O espaço se compõe de uns e de outros desses recortes, inseparavelmente. [...] As verticalidades são vetores de uma racionalidade superior e do discurso pragmático dos setores hegemônicos, criando um cotidiano obediente e disciplinado. As horizontalidades são tanto o lugar da finalidade imposta de fora, de longe e de cima, quanto o da contrafinalidade, localmente gerada. [...] Paralelamente, forças centrípetas e forças centrífugas atravessam o território, como tendências ao mesmo tempo contrastantes e confluentes, agindo em diversos níveis e escalas. As forças centrípetas resultam do processo econômico e do processo social, e tanto podem estar subordinadas às regularidades do processo de produção, quanto às surpresas da intersubjetividade. [...] As forças centrífugas podem ser consideradas um fator de desagregação, quando retiram à região os elementos de seu próprio comando, a ser buscado fora e longe dali.
SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço. São Paulo: Hucitec, 1996, p. 225 e 227.
Estabelecendo uma relação entre os recortes horizontal e vertical e as forças centrípetas e centrífugas que compõem os arranjos espaciais, conclui-se que:
Provas
Caderno Container