Esta industrialização do campo é possível justamente
pelo aumento da produtividade, pela ampliação da capacidade
de produção agrícola, através da absorção de formas de
produção da indústria pelo campo - concentração dos meios de
produção (neste caso, especialmente a da propriedade da terra),
especialização da produção e mecanização. Estes mecanismos
acentuam a articulação entre a cidade e o campo, transformando
o rural, um espaço altamente dependente do urbano, inclusive
porque há um aumento do consumo da produção e dos serviços
da cidade pelos moradores do campo. Esta articulação acentuada
coloca em dúvida a própria distinção entre a cidade e o campo.
SPOSITO, M. Capitalismo e urbanização. 5ª ed. São Paulo:
Contexto, 1994, p. 65.
Na perspectiva analítica acima, campo e cidade estão cada vez
mais:
Assim, a cultura popular, "cultura selvagem" e irracional,
é substituída, lenta ou rapidamente, pela cultura de massas,
o espaço "selvagem" cede lugar a um espaço que enquadra
e limita as expressões populares, e o que deveria surgir como
sociedade de massas apenas se dá como sociedade alienada.
Em lugar do cidadão surge o consumidor insatisfeito e, por isso,
votado a permanecer consumidor. Sua dependência em relação a
novos objetos limita sua vocação para obter uma individualidade
e reduz a possibilidade dos encontros interpessoais diretos e
enriquecedores, porque simbólicos em sua própria origem.
SANTOS, M. O espaço do cidadão. São Paulo: Nobel, 1987, p. 16-17.
Um dos elementos marcantes para a transformação do cidadão
para um consumidor, na ótica de pensadores como Milton
Santos, envolve a:
Portanto, assim como os EUA do pós-guerra, a China ganha
centralidade no comércio mundial, tornando-se destino de parcela
crescente da produção - não só de commodities, mas também de
eletrônicos e serviços de alto valor agregado. Porém, ao contrário
do caso anterior, esta centralidade é rivalizada pela permanência
de alta demanda do mercado norte-americano, em que pese o
choque da crise financeira de 2008.
HENDLER, B. Crise de hegemonia e rivalidade EUA-China. In:
MUSSE, R. (Org.). China contemporânea: Seis interpretações.
1ª ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2021, p. 122.
Um dos elementos pertinentes às disputas hegemônicas entre
EUA e China envolve as/os:
A pobreza e a exclusão socioespacial, antes amplamente
dominantes nos países periféricos, hoje alcançam com inusitada
amplitude também nos países centrais e nas cidades mais ricas
do mundo. Não há, também, como acreditava uma certa esquerda,
uma relação unilateral e estável entre países centrais "exploradores"
e países periféricos "explorados". Formas aviltantes de exploração
se dão tanto dentro da Periferia quanto do Centro, e nada impede
que um espaço nacional periférico se transforme, ainda que em um
processo lento e com custos muito altos, em um espaço central.
HAESBAERT, R.; PORTO-GONÇALVES, C. A nova des-ordem
mundial. São Paulo: Editora Unesp, 2006, p. 137.
As desigualdades socioespaciais perceptíveis nos centros
hegemônicos do capitalismo mundial trazem como impacto a:
O espaço na visão hartshorniana é o espaço absoluto,
isto é, um conjunto de pontos que tem existência em si, sendo
independente de qualquer coisa. É um quadro de referência que
não deriva da experiência, sendo apenas intuitivamente utilizado
na experiência. Trata-se de uma visão kantiana, por sua vez
influenciada por Newton, em que o espaço (e o tempo) associa
se a todas as dimensões da vida.
CASTRO, I.; GOMES, P.; CORRÊA, R. (Orgs.). Geografia: conceitos
e temas. 10ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007, p. 18.
A percepção sobre o conceito de espaço descrita acima envolve
qual escola da geografia:
O aparecimento de um imenso setor produtivo ladeado por
uma série de instrumentos políticos, financeiros e institucionais,
tem possibilitado mais um salto qualitativo da economia chinesa.
A predominância estatal sobre os gânglios vitais da grande
produção e da grande finança unida a uma soberania monetária
particular permite ao Estado gerir um processo que entrelaça
tanto uma maior restrição à ação da lei do valor quanto da
transição de uma planificação orientada à geração de valor e ao
mercado para o que chamamos de planejamento baseado no
projeto. É essa transformação operada ao longo dos últimos 20
anos, que explica, em grande medida, a crescente capacidade de
intervenção do Estado chinês sobre o território e a economia do
país, independentemente da queda da participação do Estado no
que tange ao controle dos fluxos de renda no país.
JABBOUR, E.; DANTAS, A. Apontamentos sobre a geopolítica
da China. In: MUSSE, R. (Org.). China contemporânea: Seis
interpretações. 1ª ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2021, p. 50-51.
Uma das transformações que envolvem o caso do desenvolvimento
chinês pode ser indicada pela capacidade estatal em:
Países tipicamente de imigração até a primeira metade
do século XX, como o Brasil, no mesmo ritmo com que suas
economias entraram em crise, tornaram-se países de emigração.
Pela observação dos principais fluxos migratórios do mundo
contemporâneo, fica evidente a relação crise-expansão
econômica, com países mais pobres exportando força de trabalho
para países mais ricos.
HAESBAERT, R.; PORTO-GONÇALVES, C. A nova des-ordem
mundial. São Paulo: Editora Unesp, 2006, p. 94.
Um dos efeitos contraditórios que do exposto acima envolve a(o):
A racionalização geográfica do processo produtivo depende,
em parte, da estrutura mutável dos recursos de transporte,
das matérias-primas, das demandas do mercado em relação à
indústria, da tendência inerente à aglomeração e à concentração
da parte do próprio capital. No entanto, essa tendência exige,
para sustentá-la, a inovação tecnológica.
HARVEY, D. A produção capitalista do espaço. 2ª ed. São
Paulo: Annablume, 2005, p. 50.
O texto sustenta que a inovação tecnológica é um paradigma
importante nas relações econômicas contemporâneas, já que:
Com a rápida expansão da industrialização para alguns
países periféricos (alguns denominados depois "semiperiféricos"),
principalmente a partir dos anos 1950, houve uma complexidade
dos espaços produtivos. Dessa forma, a nova divisão internacional
do trabalho passou a ser baseada não estritamente nos setores
da economia por tipo de produto, mas nos níveis tecnológicos
de produção, nas formas de gestão e nas relações de trabalho
dominantes, o que inclui, é claro, o valor dos salários pagos aos
trabalhadores.
HAESBAERT, R.; PORTO-GONÇALVES, C. A nova des-ordem
mundial. São Paulo: Editora Unesp, 2006, p. 43.
A partir do excerto acima, um dos desafios ainda correntes em
relação à indústria brasileira envolve a:
A reorganização espacial da economia brasileira
acompanhou as modificações substanciais do modo de inserção
do Brasil na economia-mundo. A formidável expansão do sistema
capitalista mundial no pós-guerra foi acompanhada pelo Brasil,
já não somente como exportador de mercadorias, mas, devido à
marcante presença do Estado na oferta de infraestrutura, como
campo de investimentos, produtivos de empresas nacionais e
multinacionais.
BECKER, B.; EGLER, C. Brasil, uma nova potência regional na
economia mundo. 8ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011,
p. 112.
Um dos elementos que corroboram o modo de inserção do Brasil
na economia-mundo no pós-segunda guerra é a(o):