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Leia o Texto III para responder às questões 37 e 38.
Texto III
Marcos, 72 anos, diagnóstico de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) esporádica há 4 anos. Início apendicular, com progressão para comprometimento bulbar nos últimos 2 anos. Atualmente acamado, com importante fraqueza global e dependência extensa para atividades diárias. Está em uso contínuo de riluzol desde o diagnóstico.
Há 6 meses, evoluiu com piora respiratória e episódios de pneumonia aspirativa, sendo submetido à traqueostomia eletiva. Utiliza ventilação mecânica de suporte noturno e oxigênio suplementar. Apresenta tosse muito fraca, acúmulo de secreções e necessidade frequente de aspiração traqueal. Tentativa de válvula de fala não foi bem-sucedida por intolerância, sem obtenção de fonação funcional.
Havia presença de disartronia severa antes da traqueostomia. Atualmente, não há comunicação oral efetiva. Registros anteriores descrevem voz fraca, soprosa, hipointensa, com redução de ressonância e velocidade de fala. Compreensão e cognição preservadas, utilizando comunicação alternativa simples (acenos e pranchas básicas).
Quanto à deglutição, apresentou piora progressiva, com episódios de engasgos e aspiração. Há 5 meses, foi instalada gastrostomia (PEG) como via principal de alimentação. Pequenas ofertas orais durante higiene bucal provocam tosse, queda transitória da saturação e presença de secreção salivar espessa, além de história de “voz úmida” registrada anteriormente à traqueostomia.
Na avaliação fonoaudiológica recente, apresentou: face com fraqueza de fechamento labial; língua com atrofia e fasciculações, com mobilidade bastante reduzida; palato com elevação limitada e assimétrica; tosse voluntária ineficaz e articulação impossibilitada funcionalmente.
Escore funcional:
- ALSFRS-R total: ALSFRS-R (Ampyotrophic Lateral Sclerosis Functional Rating Scale — Revised) que avalia desempenho em comunicação, deglutição, mobilidade e respiração: 9/48
- ALSFRS-R —subescala bulbar (fala, salivação, deglutição): 1/12
- Escala de Plaitakis — domínio bulbar que avalia face, língua, palato, fala e deglutição): 2/15
De acordo com Chieia et al., (2010), bem como Brown e Al-Chalabi, (2017), a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é a doença do neurônio motor mais comum, apesar de rara, apresentando incidência estimada entre 1,5 e 3 casos por 100.000 habitantes ao ano, com evolução que frequentemente compromete voz, fala e deglutição.
Fonte: BROWN,R. H.; AL-CHALABI, A. Amyotrophic lateral sclerosis. The New England Journal of Medicine, v.377,n.2, p. 162-172,2017.
CHIEIA, M. A. T. et al. Amyotrophic lateral sclerosis in Brazil: regional and demographic differences in a heterogeneous population. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, v. 68,n.2, p. 263-268, 2010.
Considerando o caso do Senhor Marcos, descrito no texto III, no que diz respeito ao manejo fonoaudiológico da voz diante do estágio atual da doença, é CORRETO afirmar que:
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Um estudo feito por Reis et al. (2024) demonstrou que profissionais da voz, como professores, cantores e teleatendentes, apresentam alta prevalência de sintomas decorrentes do uso intensivo da voz, incluindo fadiga vocal. Esta realidade intensificou pesquisas e diretrizes clínicas publicadas para discutir o uso da fotobiomodulação (FBM) como recurso tecnológico potencialmente aplicável à habilitação e reabilitação vocal, considerando seus possíveis efeitos fisiológicos, bem como as limitações metodológicas ainda existentes.
Fonte: REIS, A.S.B.F.et al. Fadiga vocal de professores brasileiros da rede pública: prevalência e autorreferência. Audiol Commun Res., v. 29, e2933, p. 1-8,2024.
Essas discussões enfatizam princípios amplamente reconhecidos na área da voz, como o caráter multifatorial das disfonias, a centralidade da terapia vocal comportamental, a necessidade de formação específica para o uso de dispositivos terapêuticos e a prudência diante de condições vocais complexas.
Com base nesses princípios, é CORRETO afirmar que:
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De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS, 2019), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2020), estima-se que, no Brasil, mais de 10 milhões de pessoas tenham algum grau de deficiência auditiva e uma parcela significativa desse grupo depende de políticas públicas que promovam autonomia, mobilidade e acessibilidade, entre elas os benefícios fiscais destinados a pessoas com deficiência, como isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), reconhecidos pelo Ministério Público Federal e previstos na legislação brasileira (Lei nº 8.989/1995 e normativos correlatos). Esses mecanismos configuram ações estatais voltadas à equidade, inclusão e acessibilidade que impactam diretamente a vida da pessoa com deficiência auditiva, dialogando diretamente com a atuação do fonoaudiólogo ao favorecer condições para que o indivíduo exerça sua autonomia e usufrua de direitos previstos em políticas públicas inclusivas.
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Nacional de Saúde 2019: Ciclos de Vida. Rio de Janeiro: IBGE, 2020.
Considerando o papel da Fonoaudiologia para a orientação dos usuários com deficiência auditiva no âmbito da saúde coletiva e das políticas públicas, é CORRETO afirmar que:
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O processo de envelhecimento tem impacto generalizado sobre o organismo humano, ocasionando também degeneração dos órgãos vestibulares periféricos, fator que aumenta a probabilidade de deslocamento de otocônias, o qual ajuda a explicar a maior incidência de Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB) em idosos. E recentemente, Hõhn, Sheldon e Bézier (2019) reforçaram a informação de que mecanismos de canalitíase no canal semicircular posterior são responsáveis pela maioria dos quadros clínicos, e que manobras de reposicionamento canalicular seguem como primeira linha de tratamento. Estas informações foram localizadas a partir da busca de fundamentação teórica para oferecer suporte terapêutico em um ambulatório público para Nilda, uma paciente de 72 anos, que relata vertigem breve e rotatória ao virar na cama e ao estender a cabeça para trás. A manobra de Dix-Hallpike evoca vertigem intensa e nistagmo torsional hiperbatido em direção ao ouvido examinado, compatível com VPPB de canal semicircular posterior por canalitíase.
Fonte: HÖHN, S.; SHELDON, M.; BÉZIER, M. Cupulolithiasis vs canalolithiasis in posterior canal BPPV: diagnostic challenges. European Archives of Oto-Rhino-Laryngology, v. 276, n. 5, p. 1531–1538, 2019.
Considerando as recomendações atuais para avaliação e manejo da VPPB, é CORRETO afirmar que:
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Em estudo realizado na cidade de São Paulo, Oiticica e Bittar (2015) identificaram que aproximadamente 22% da população adulta relatou zumbido, reforçando sua relevância epidemiológica para a saúde pública municipal. As informações desta pesquisa foram relembradas durante o atendimento de um paciente de 56 anos, trabalhador industrial exposto a ruído ocupacional que procurou acompanhamento no serviço municipal de fonoaudiologia, que passou a adotar um protocolo ampliado com medidas psicoacústicas do zumbido e investigação do Limiar de Desconforto Auditivo (LDA).
Fonte: OITICICA, Jeanne; BITTAR, Roseli Saraiva Moreira. Prevalência de zumbido na população adulta da cidade de São Paulo. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, São Paulo, v. 81, n. 2, p. 167–177, 2015.
Durante a avaliação, o paciente descreve o zumbido como contínuo e unilateral, dificuldade em identificar sua qualidade sonora e incômodo exacerbado a sons de intensidade moderada. Considerando a prática clínica e a literatura técnico-científica, analise as afirmativas abaixo.
I- As medidas psicoacústicas do zumbido podem ser aplicadas normalmente mesmo quando o zumbido é pulsátil, desde que o paciente consiga descrever sua intensidade.
II- A pesquisa da intensidade e da frequência do zumbido deve sempre ser realizada na orelha ipsilateral, independentemente de o sintoma ser unilateral ou bilateral.
III- Em zumbidos descritos como ruídos complexos (como chiado, cachoeira ou mistura de sons), recomenda-se iniciar a aproximação do estímulo utilizando ruído branco (white noise) ou ruído de banda estreita para facilitar a correspondência perceptiva.
IV- O Limiar Mínimo de Mascaramento (LMM) deve ser pesquisado na orelha ipsilateral ao zumbido, utilizando apresentação ascendente de estímulos; em zumbidos de origem coclear, costuma ser encontrado entre 5 e 10 dB acima do limiar tonal.
V- O LDA tem como objetivo determinar o limiar de dor auditiva do paciente e, por isso, deve ser conduzido com incrementos até que o paciente relate dor física evidente.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
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Leia o Texto II para responder à questão 29.
Texto II
Acidente de Herbert Vianna e implicações fonoaudiológicas
No dia 4 de fevereiro de 2001, o cantor e compositor Herbert Vianna, vocalista do Paralamas do Sucesso, sofreu um grave acidente quando o ultraleve que pilotava caiu no mar, em Mangaratiba (RJ). No impacto, sua esposa faleceu no local, e Herbert foi resgatado em estado crítico, sendo encaminhado para uma longa internação hospitalar.
Durante o período de internação, Herbert permaneceu em coma por cerca de 40 dias, evoluindo posteriormente com sequelas físicas e neurológicas significativas decorrentes do trauma cranioencefálico. Relatos médicos e boletins da época indicam que, ao retomar a consciência, ele apresentou alterações de linguagem: inicialmente, não utilizava o português, passando a se comunicar em línguas estrangeiras que já conhecia anteriormente. Segundo o neurologista responsável, esse fenômeno poderia ocorrer em quadros neurológicos pós-trauma.
Ao longo da reabilitação, Herbert enfrentou um processo gradual de reaprendizado, necessitando recuperar habilidades de fala, comunicação e também aspectos relacionados à música, como tocar instrumentos e cantar, atividades centrais à sua vida profissional.
Fonte:MIRANDA, Igor. Como aconteceu o acidente de ultraleve de Herbert Vianna, dos Paralamas do Sucesso. em: www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff052200101.htm. Acesso em: 27 mar. 2026.
O cantor Herbert Vianna sofreu, em 4 de fevereiro de 2001, um acidente com ultraleve que provocou traumatismo cranioencefálico grave. Após longo período em coma e internação hospitalar, ele despertou com sequelas neurológicas significativas, especialmente alterações na linguagem e comunicação, sendo necessário passar por reabilitação, reaprendendo a falar e a retomar habilidades comunicativas e musicais.
Estudos de Carteri e Silva (2021) apontam que, no Brasil, a cada ano, milhares de pessoas são hospitalizadas por Traumatismo Cranioencefálico (TCE): entre 2008 e 2019, a média foi de aproximadamente 131.015 internações anuais por TCE, com uma incidência de cerca de 65,5 casos por 100 mil habitantes/ano.
Fonte: SOUZA, Thiago Ramos; REGIS, Andressa Cardoso; FONSECA, Eduardo José; MOURA, Denilson Gomes; OLIVEIRA, Cláudio Moreira de; OLIVEIRA, Tagliani. Epidemiology of traumatic brain injury in Brazil. PLoS ONE, v. 16, n. 7, 2021.
CARTERI, M.; SILVA, C.S. Traumatismo cranioencefálico: uma revisão de literatura. Research Gate, Acesso em: 27 mar. 2026. , 2021. Disponível em: researchgate.net/publication/379974981_Traumatismo_Cranioencefalico_Uma_Revisao_de_Literatura.
Considerando esse cenário e os impactos de um TCE grave sobre a linguagem e a comunicação, evidenciados no caso clínico descrito no texto II, bem como a relevância epidemiológica da condição, na fase aguda pós-lesão, em relação à conduta do fonoaudiólogo responsável pela avaliação e intervenção, é CORRETO afirmar que compete ao profissional:
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Leia o Texto I para responder às questões 26 e 27.
Texto I
Gagos Famosos
*O texto foi extraído e adaptado de uma reportagem de 2011 e reproduzido com expressões tal como publicado originalmente, podendo conter terminologias não alinhadas às diretrizes atuais de inclusão. No entanto, a importância do tema permanece inalterada e não afeta o raciocínio sobre o conteúdo abordado.
A gagueira é um transtorno da fluência caracterizado por interrupções involuntárias na fala, como repetições, prolongamentos e bloqueios, que podem gerar esforço articulatório e desconforto comunicativo. Embora suas causas sejam multifatoriais — envolvendo aspectos genéticos, motores, neurofuncionais e emocionais, a condição não está relacionada à inteligência nem limita o potencial profissional de quem convive com ela. O tratamento fonoaudiológico é considerado essencial para promover maior controle da fluência e ampliar a participação social.
A trajetória de diversas personalidades reforça que a gagueira não impede carreiras brilhantes nem reduz o potencial de expressão artística, intelectual ou profissional. Entre nomes amplamente reconhecidos pelo público, estão: Murilo Benício, Malvino Salvador, Bruce Willis, Julia Roberts e Nicole Kidman, que demonstram que a fluência pode ser desafiadora, mas não define o valor, o talento ou o impacto social de uma pessoa. Suas histórias inspiram, fortalecem a visibilidade do tema e ajudam a combater o estigma que ainda envolve este transtorno da fala. Assim como essas figuras públicas superaram desafios comunicativos em seus papéis sociais, muitos adultos que gaguejam vivenciam, em seus ambientes de trabalho, barreiras e exigências que influenciam sua participação profissional e suas relações comunicativas.
Fonte: GARCIA, Vera. 21 gagos famosos: Veja quem são eles! famosos.html. Acesso em: 27 mar. 2026.
A gagueira, classificada atualmente pela CID-11 como Transtorno da Fluência com Início na Infância, afeta aproximadamente 1% da população mundial na vida adulta (Yairi; Ambrose, 2013). Assim como as personalidades públicas citadas no texto, que demonstram que a gagueira não impede destaque e reconhecimento, muitos adultos também atuam profissionalmente em diferentes áreas; contudo, no ambiente de trabalho, enfrentam barreiras específicas relacionadas tanto às demandas comunicativas quanto a fatores sociais e emocionais que influenciam sua participação. Esses desafios, embora distintos das pressões do campo artístico, compartilham com ele a exigência de desempenho comunicativo eficaz.
Fonte: YAIRI, Ehud; AMBROSE, Nicoline. Epidemiology of stuttering: 21st century advances. Journal of Fluency Disorders, v. 38, n. 2, p. 66–87, 2013.
Com base no texto e no Transtorno da Fluência no contexto laboral, é CORRETO afirmar que:
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( ) O déficit na comunicação social e na interação social é um critério diagnóstico central, manifestando-se por dificuldades na reciprocidade socioemocional.
( ) O uso de sistemas de comunicação por troca de figuras é contraindicado para crianças autistas não verbais, pois impede o surgimento da fala oral.
( ) A presença de interesses restritos e comportamentos repetitivos pode interferir na motivação para a comunicação funcional com diferentes interlocutores.
( ) A pragmática é o nível da linguagem que costuma estar mais preservado em crianças com autismo de alto funcionamento e boa fluência verbal.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
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