“A tematização da brincadeira enquanto prática corporal
exige que um novo conceito seja formado acerca do seu
papel na escola. Em lugar de pensar a brincadeira enquanto
uma estratégia de ensino e regulação, a concepção aqui
adotada concebe-a como artefato cultural. A cultura, por
sua vez, é tratada como dimensão simbólica presente nos
significados compartilhados por um determinado grupo.
Trata-se de uma prática social. Nesse enfoque, coisas e
eventos do mundo natural existem, mas não apresentam
sentidos intrínsecos: os significados são atribuídos a partir
da linguagem. Pertencer a um grupo cultural implica o
compartilhamento de um conjunto de significados que as
linguagens colocam em circulação”.
NEIRA, Marcos Garcia. Práticas Corporais: brincadeiras, danças, lutas,
esportes e ginásticas. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2014, p. 36.
De acordo com a proposta, é correto afirmar:
(...) Num primeiro momento da Psicomotricidade nós
vamos ter um lado, um vigoroso envolvimento da Educação
Física com as tarefas da escola, com o desenvolvimento da
criança, com o ato de aprender (talvez bem mais do que
com o de ensinar), com os processos cognitivos, afetivos e
psicomotores. Mergulhamos num outro universo teórico,
metodológico e linguístico. Descobrimos, naquele
momento, que estávamos na escola para algo maior, para a
formação integral da criança. A Educação Física era apenas
um meio (...).
SOARES, Carmen Lúcia. Educação física escolar: conhecimento e
especificidade. In: Revista Paulista de Educação Física, São Paulo, supl. 2,
p. 6-12, 1996, p. 9
Nessa perspectiva, a autora cita a influencia da
psicomotricidade na Educação Física, de forma:
Podemos compreender o ato indisciplinado como
materialização da tirania e/ou descaso das novas gerações
com a vida pública e, consequentemente, prova cabal do
esfacelamento da escola como instituição democrática. Ou,
de modo oposto, compreendê-lo como força legítima de
contestação e/ou resistência civil ao modelo anacrônico e
discriminatório da organização escolar. Seja como for, a
escola será tomada como palco de confluência de forças
molares, que em muito ultrapassam seu escopo de atuação.
Ora vítimas (porque reproduzem tais forças), ora algozes
(porque fazem reproduzi-las), professores e alunos estariam
sempre constrangidos pela camisa de força do entorno
escolar, relativizadora da autonomia de seus protagonistas.
AQUINO. Júlio Groppa. Indisciplina: o contraponto das escolas
democráticas. São Paulo, Moderna. 2003, p. 39-40.
De acordo com o excerto, podemos afirmar:
Sabe-se claramente que a indisciplina constitui uma das
queixas reinantes quanto ao cotidiano não apenas de
professores, mas também de pais. Um tema, portanto,
emblemático da dificuldade de educar na atualidade, seja
na família, seja na escola – as duas instituições
historicamente reconhecidas como principais responsáveis
pela educação de crianças e jovens.
AQUINO. Júlio Groppa. Indisciplina: o contraponto das escolas
democráticas. São Paulo, Moderna. 2003, p. 7.
Ainda sobre a questão da indisciplina escolar, de acordo
com o autor:
Considerando as características dos conhecimentos e das
experiências próprias da Educação Física, é importante que
cada dimensão seja sempre abordada de modo integrado
com as outras, levando-se em conta sua natureza vivencial,
experiencial e subjetiva. Assim, não é possível operar como
se as dimensões pudessem ser tratadas de forma isolada ou
sobreposta. Assim, em articulação com as competências
gerais da Educação Básica e as competências específicas da
área de Linguagens, o componente curricular de Educação
Física deve garantir aos alunos o desenvolvimento de
competências específicas (BNCC, 2019).
São competências descritas pelo documento em questão:
De acordo com a proposta curricular ilustrada na obra
“Práticas Corporais: brincadeiras, danças, lutas, esportes e
ginásticas” (NEIRA, 2014), para uma pedagogia
culturalmente orientada, é preciso:
De acordo com Neira (2014) na Educação Física escolar, o
trabalho pedagógico com as práticas corporais objetiva,
principalmente, auxiliar as crianças a analisá-las, significá-las e produzi-las, pois, afinal, constituem-se em textos
elaborados pela linguagem corporal. A contribuição que isso
pode oferecer para o entendimento da sociedade atual
consiste, exatamente, na leitura dos significados e na
compreensão das representações que os diferentes grupos
sociais veiculam através da sua cultura do corpo, bem como
na ampliação das possibilidades e formas de expressão
corporal das crianças. Desse modo, na perspectiva do autor:
De acordo com o Coletivo de autores (2012), a Educação
Física é compreendida como uma disciplina do currículo,
cujo objeto de estudo é a expressão corporal como
linguagem. É através da expressão corporal enquanto
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linguagem que será mediado o processo de sociabilização
das crianças e jovens na busca da apreensão e atuação
autônoma e crítica na realidade, através do conhecimento
sistematizado, ampliado, aprofundado, especificamente no
âmbito da cultura corporal. Nessa concepção, evidenciam-se possibilidades de a Educação Física trazer contribuições
relevantes ao esforço coletivo de construção de um projeto
político-pedagógico que se concretiza através da dinâmica
do currículo. Nessa perspectiva crítica, é correto afirmar
sobre a avaliação:
De acordo com Coletivo de Autores (2012), no âmbito da
escola, os exercícios físicos na forma cultural de jogos,
ginástica, dança, surgem na Europa no final do século XVIII
e início do século XIX. Esse é o tempo e o espaço da
formação dos sistemas nacionais de ensino característicos
da sociedade burguesa. A Europa constituiu-se no palco da
construção e consolidação de uma nova sociedade - a
sociedade capitalista. Nessa perspectiva, a força física, a
energia física, transformava-se em força de trabalho e era
vendida como mais uma mercadoria, e era a única coisa de
que o trabalhador dispunha. Assim, a educação física
adentrou a escola e começou a ser vista como importante
instrumento de aprimoramento físico dos indivíduos que,
"fortalecidos" pelo exercício físico, estariam mais aptos para
contribuir com a grandeza da indústria nascente, dos
exércitos, assim como com a prosperidade da pátria. Ainda
em relação ao contexto histórico e a emergência do
componente no ambiente escolar, os autores destacam: