Foram encontradas 65 questões.
O gráfico, a seguir, relaciona temperatura e precipitação desses biomas:
Ecologia [recurso eletrônico] / Michael L. Cain, William D. Bowman, Sally D. Hacker ; revisão técnica: Fernando Joner, Paulo Luiz de Oliveira. – 3. ed. - Porto Alegre : Artmed, 2018. Acesso em: 16 de junho 2025. Adaptado.
Os biomas savana tropical e tundra estão indicados no gráfico, respectivamente, pelas letras
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O componente celular que atua também como catalizador biológico é o(a)
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Sociedade Brasileira de Queimaduras – SBQ: Disponível em:https://www.sbqueimaduras.org.br/noticia/pele-de-tilapialiofilizada-devera-ser-comercializada-em-breve-apos-10-anos-depesquisa#nav_item. Acesso em: 17 jan. 2025.
Em janeiro de 2025, a Universidade Federal do Ceará (UFC) publicou o edital de chamada pública para empresas interessadas em obter a pele liofilizada para preparo de curativos voltados ao tratamento de lesões no Brasil e no exterior.
O uso de pele de tilápia para o tratamento de queimaduras na medicina regenerativa tem apontado algumas vantagens sobre os métodos tradicionais.
Uma vantagem desse curativo biológico para o processo de cicatrização da derme é a quantidade elevada da proteína
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Essa enzima
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“A saga do COVID no corpo humano”

Disponível em: https://agenciaescola.ufpr.br/hq-sobre-covid-19-no-corpo-humano-criadapelo-curso-de-medicina-campus-toledo-e-premiada-pelo-instituto-butantan/. Acesso em: 16 jul. 2025.
A tirinha apresentada faz parte de uma história em quadrinhos que detalha como o coronavírus se comporta dentro do corpo humano e como ocorre a resposta imunológica para este patógeno, explicando a atuação dos macrófagos, dos linfócitos, das células dendríticas, dos neutrófilos, entre outros.
As células dendríticas nesta resposta imune
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Texto 3
LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA
Ricardo Azevedo
No final de seu livro A letra e a voz, o
suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e
do discurso oral, diz que “o complexo é
muitíssimo mais provável do que o simples, e o
uno é muitíssimo menos provável do que o
diverso”. Creio que a literatura seja algo muito
complexo e diversificado. Não pode ser vista
como uma essência ou um elemento
monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!
Para mim, a literatura lembra mais uma rica e
frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos
representam diferentes literaturas, todas
legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um
mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,
que as literaturas são expressões da sociedade
em que são produzidas. Para o sociólogo
Norbert Elias, a literatura é sempre
“testemunho e expressão de um certo nível de
consciência”.
Parece razoável pensar que, nos
tempos individualistas, tecnológicos e
consumistas em que vivemos, as pessoas têm
sido levadas a enxergar e a valorizar mais as
coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,
gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de
status – do que a valorizar as outras pessoas.
Vivemos, creio, num ambiente de grande
analfabetismo político e social. O “modelo de
consciência” dominante, para ficar com o termo
de Norbert Elias, parece ser essencialmente
técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e
higiênica − classifica, analisa, controla e
determina a função de tudo. Além disso, a
técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e
visa ao menor custo e ao maior lucro. Para
alguns (Hannah Arendt em A condição
humana), a “racionalidade” nada mais é do que
o “cálculo das consequências”. É preciso
reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma
ideia nova, por exemplo.
Num ambiente apenas técnico,
impessoal, consumista e utilitarista – tempos,
volto a dizer, de analfabetismo político e social
– sinto que duas palavras andam cada vez mais
desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é
“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em
tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é
ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos
pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das
consequências”, perguntam aflitos: para que
gastar dinheiro com literatura? Por que não dão
ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e
úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar
de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma
forma de experimentar a verdade”. Falar de
literatura significa falar de ficção e de
linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da
linguagem, criamos situações humanas
complexas que não aconteceram, mas
poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos
a chance de pensar melhor sobre a vida e o
mundo.
A partir da literatura podemos nos
“redescrever” como pessoas. A literatura tem o
dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.
Não me refiro apenas ao número de palavras,
mas, sim, a palavras que entram no nosso
vocabulário de forma inesperada, para
expressar, expandir, ressignificar, “re-
descrever” nossos sentimentos, nossa visão
política e social, nossa leitura da vida e do
mundo.
AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.
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Texto 3
LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA
Ricardo Azevedo
No final de seu livro A letra e a voz, o
suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e
do discurso oral, diz que “o complexo é
muitíssimo mais provável do que o simples, e o
uno é muitíssimo menos provável do que o
diverso”. Creio que a literatura seja algo muito
complexo e diversificado. Não pode ser vista
como uma essência ou um elemento
monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!
Para mim, a literatura lembra mais uma rica e
frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos
representam diferentes literaturas, todas
legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um
mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,
que as literaturas são expressões da sociedade
em que são produzidas. Para o sociólogo
Norbert Elias, a literatura é sempre
“testemunho e expressão de um certo nível de
consciência”.
Parece razoável pensar que, nos
tempos individualistas, tecnológicos e
consumistas em que vivemos, as pessoas têm
sido levadas a enxergar e a valorizar mais as
coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,
gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de
status – do que a valorizar as outras pessoas.
Vivemos, creio, num ambiente de grande
analfabetismo político e social. O “modelo de
consciência” dominante, para ficar com o termo
de Norbert Elias, parece ser essencialmente
técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e
higiênica − classifica, analisa, controla e
determina a função de tudo. Além disso, a
técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e
visa ao menor custo e ao maior lucro. Para
alguns (Hannah Arendt em A condição
humana), a “racionalidade” nada mais é do que
o “cálculo das consequências”. É preciso
reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma
ideia nova, por exemplo.
Num ambiente apenas técnico,
impessoal, consumista e utilitarista – tempos,
volto a dizer, de analfabetismo político e social
– sinto que duas palavras andam cada vez mais
desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é
“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em
tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é
ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos
pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das
consequências”, perguntam aflitos: para que
gastar dinheiro com literatura? Por que não dão
ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e
úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar
de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma
forma de experimentar a verdade”. Falar de
literatura significa falar de ficção e de
linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da
linguagem, criamos situações humanas
complexas que não aconteceram, mas
poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos
a chance de pensar melhor sobre a vida e o
mundo.
A partir da literatura podemos nos
“redescrever” como pessoas. A literatura tem o
dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.
Não me refiro apenas ao número de palavras,
mas, sim, a palavras que entram no nosso
vocabulário de forma inesperada, para
expressar, expandir, ressignificar, “re-
descrever” nossos sentimentos, nossa visão
política e social, nossa leitura da vida e do
mundo.
AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.
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LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA
Ricardo Azevedo
No final de seu livro A letra e a voz, o
suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e
do discurso oral, diz que “o complexo é
muitíssimo mais provável do que o simples, e o
uno é muitíssimo menos provável do que o
diverso”. Creio que a literatura seja algo muito
complexo e diversificado. Não pode ser vista
como uma essência ou um elemento
monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!
Para mim, a literatura lembra mais uma rica e
frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos
representam diferentes literaturas, todas
legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um
mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,
que as literaturas são expressões da sociedade
em que são produzidas. Para o sociólogo
Norbert Elias, a literatura é sempre
“testemunho e expressão de um certo nível de
consciência”.
Parece razoável pensar que, nos
tempos individualistas, tecnológicos e
consumistas em que vivemos, as pessoas têm
sido levadas a enxergar e a valorizar mais as
coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,
gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de
status – do que a valorizar as outras pessoas.
Vivemos, creio, num ambiente de grande
analfabetismo político e social. O “modelo de
consciência” dominante, para ficar com o termo
de Norbert Elias, parece ser essencialmente
técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e
higiênica − classifica, analisa, controla e
determina a função de tudo. Além disso, a
técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e
visa ao menor custo e ao maior lucro. Para
alguns (Hannah Arendt em A condição
humana), a “racionalidade” nada mais é do que
o “cálculo das consequências”. É preciso
reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma
ideia nova, por exemplo.
Num ambiente apenas técnico,
impessoal, consumista e utilitarista – tempos,
volto a dizer, de analfabetismo político e social
– sinto que duas palavras andam cada vez mais
desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é
“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em
tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é
ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos
pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das
consequências”, perguntam aflitos: para que
gastar dinheiro com literatura? Por que não dão
ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e
úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar
de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma
forma de experimentar a verdade”. Falar de
literatura significa falar de ficção e de
linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da
linguagem, criamos situações humanas
complexas que não aconteceram, mas
poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos
a chance de pensar melhor sobre a vida e o
mundo.
A partir da literatura podemos nos
“redescrever” como pessoas. A literatura tem o
dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.
Não me refiro apenas ao número de palavras,
mas, sim, a palavras que entram no nosso
vocabulário de forma inesperada, para
expressar, expandir, ressignificar, “re-
descrever” nossos sentimentos, nossa visão
política e social, nossa leitura da vida e do
mundo.
AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.
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Texto 3
LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA
Ricardo Azevedo
No final de seu livro A letra e a voz, o
suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e
do discurso oral, diz que “o complexo é
muitíssimo mais provável do que o simples, e o
uno é muitíssimo menos provável do que o
diverso”. Creio que a literatura seja algo muito
complexo e diversificado. Não pode ser vista
como uma essência ou um elemento
monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!
Para mim, a literatura lembra mais uma rica e
frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos
representam diferentes literaturas, todas
legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um
mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,
que as literaturas são expressões da sociedade
em que são produzidas. Para o sociólogo
Norbert Elias, a literatura é sempre
“testemunho e expressão de um certo nível de
consciência”.
Parece razoável pensar que, nos
tempos individualistas, tecnológicos e
consumistas em que vivemos, as pessoas têm
sido levadas a enxergar e a valorizar mais as
coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,
gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de
status – do que a valorizar as outras pessoas.
Vivemos, creio, num ambiente de grande
analfabetismo político e social. O “modelo de
consciência” dominante, para ficar com o termo
de Norbert Elias, parece ser essencialmente
técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e
higiênica − classifica, analisa, controla e
determina a função de tudo. Além disso, a
técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e
visa ao menor custo e ao maior lucro. Para
alguns (Hannah Arendt em A condição
humana), a “racionalidade” nada mais é do que
o “cálculo das consequências”. É preciso
reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma
ideia nova, por exemplo.
Num ambiente apenas técnico,
impessoal, consumista e utilitarista – tempos,
volto a dizer, de analfabetismo político e social
– sinto que duas palavras andam cada vez mais
desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é
“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em
tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é
ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos
pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das
consequências”, perguntam aflitos: para que
gastar dinheiro com literatura? Por que não dão
ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e
úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar
de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma
forma de experimentar a verdade”. Falar de
literatura significa falar de ficção e de
linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da
linguagem, criamos situações humanas
complexas que não aconteceram, mas
poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos
a chance de pensar melhor sobre a vida e o
mundo.
A partir da literatura podemos nos
“redescrever” como pessoas. A literatura tem o
dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.
Não me refiro apenas ao número de palavras,
mas, sim, a palavras que entram no nosso
vocabulário de forma inesperada, para
expressar, expandir, ressignificar, “re-
descrever” nossos sentimentos, nossa visão
política e social, nossa leitura da vida e do
mundo.
AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.
“No final de seu livro A letra e a voz, o suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e do discurso oral, diz que ‘o complexo é muitíssimo mais provável do que o simples, e o uno é muitíssimo menos provável do que o diverso.” (Linhas 1-6)
Em “o complexo é muitíssimo mais provável do que o simples, e o uno é muitíssimo menos provável do que o diverso”, as formas sublinhadas exemplificam, respectivamente o
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Ricardo Azevedo
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suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e
do discurso oral, diz que “o complexo é
muitíssimo mais provável do que o simples, e o
uno é muitíssimo menos provável do que o
diverso”. Creio que a literatura seja algo muito
complexo e diversificado. Não pode ser vista
como uma essência ou um elemento
monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!
Para mim, a literatura lembra mais uma rica e
frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos
representam diferentes literaturas, todas
legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um
mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,
que as literaturas são expressões da sociedade
em que são produzidas. Para o sociólogo
Norbert Elias, a literatura é sempre
“testemunho e expressão de um certo nível de
consciência”.
Parece razoável pensar que, nos
tempos individualistas, tecnológicos e
consumistas em que vivemos, as pessoas têm
sido levadas a enxergar e a valorizar mais as
coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,
gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de
status – do que a valorizar as outras pessoas.
Vivemos, creio, num ambiente de grande
analfabetismo político e social. O “modelo de
consciência” dominante, para ficar com o termo
de Norbert Elias, parece ser essencialmente
técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e
higiênica − classifica, analisa, controla e
determina a função de tudo. Além disso, a
técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e
visa ao menor custo e ao maior lucro. Para
alguns (Hannah Arendt em A condição
humana), a “racionalidade” nada mais é do que
o “cálculo das consequências”. É preciso
reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma
ideia nova, por exemplo.
Num ambiente apenas técnico,
impessoal, consumista e utilitarista – tempos,
volto a dizer, de analfabetismo político e social
– sinto que duas palavras andam cada vez mais
desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é
“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em
tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é
ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos
pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das
consequências”, perguntam aflitos: para que
gastar dinheiro com literatura? Por que não dão
ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e
úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar
de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma
forma de experimentar a verdade”. Falar de
literatura significa falar de ficção e de
linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da
linguagem, criamos situações humanas
complexas que não aconteceram, mas
poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos
a chance de pensar melhor sobre a vida e o
mundo.
A partir da literatura podemos nos
“redescrever” como pessoas. A literatura tem o
dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.
Não me refiro apenas ao número de palavras,
mas, sim, a palavras que entram no nosso
vocabulário de forma inesperada, para
expressar, expandir, ressignificar, “re-
descrever” nossos sentimentos, nossa visão
política e social, nossa leitura da vida e do
mundo.
AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.
“No final de seu livro A letra e a voz, o suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e do discurso oral, diz que ‘o complexo é muitíssimo mais provável do que o simples, e o uno é muitíssimo menos provável do que o diverso.” (Linhas 1-6)
A expressão “estudioso da oralidade e do discurso oral”, acima sublinhada, funciona sintaticamente como
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