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Brasil inventou a fuzarca e precisa exportar a tecnologia do furdunço
País da algazarra, alvoroço, arruaça, baderna, bagunça e bafafá tem uma desordem que há de nos levar ao progresso
1. Duvido que tenha alguma língua no mundo com tanta palavra pra bagunça quanto a nossa. E o léxico não vem do grego ou do latim: nossos termos pra desordem nasceram por aqui, às vezes sem pai nem mãe.
2. Bagunça, por exemplo: tem pais desconhecidos, assim como furdunço e fuzuê. O Brasil inventou a fuzarca − ou talvez o contrário.
3. Auê, fuzuê, frege, bafafá, rebuliço. Qualquer falante do português saberá do que trata essas palavras, mesmo que nunca as tenha ouvido. Escarcéu e banzeiro vieram do mar. O primeiro é a onda gigante, o segundo é o mar agitado, e ambos passaram a designar agitação de gente que se comporta como o mar.
4. Minha vó chamava de murundum um baú cheio de cartas e fotos − corruptela de murundu, sinônimo de barafunda, aquele amontoado de qualquer coisa. Tenho pena das bagunças obsoletas, que morreram com o tempo. Ninguém nunca me chamou pra uma patuscada, um salsifré, um bailarico. Gandaia ainda se usa, mas só pra cair nela. Já ninguém se levanta pra uma gandaia.
5. Baderna veio da Marietta − a bailarina italiana que fez um sucesso estrondoso no Rio ao misturar danças africanas e balé clássico − isso em 1850. Proibida de dançar lundu nos palcos, passou a dançar ao ar livre, no largo da Carioca, junto com africanos escravizados.
6. Baderna virou, primeiro, sinônimo de beleza, depois de tumulto: seus fãs, os badernistas, protestaram contra a proibição fazendo o que melhor sabiam fazer: fuzuê. (Chamei minha filha de Marieta por causa dela, e os nomes têm força: quando não está no balé, está na bagunça − geralmente nos dois.)
7. Arruaça quem faz são os outros − e geralmente quem acusa é a imprensa. Quando a polícia chega, o que podia ser um tumulto vira quebra-pau. Perceba que, quando a confusão vira porradaria, ela ganha um hífen: se transforma num quebra-quebra, um pega- pra-capar, um deus-nos-acuda, um salve-se-quem-puder, uma casa-da-mãe-joana, vulgo casa-da-sogra (pobre da sogra chamada Joana).
8. Alvoroço vem do árabe, onde servia pra designar um tipo muito específico de confusão: os gritos de alegria que a gente dá ao receber alguém querido. Algazarra também vem dos mouros, mas designa um tipo de tumulto mais específico: o banzeiro que o Exército mouro promovia antes de atacar, pra assustar o inimigo. Os árabes, assim como nós, tinham pós-graduação em gritaria.
9. Gosto das palavras que servem pra designar ao mesmo tempo uma forma de confusão e uma forma de comida − sururu, sarapatel, angu de caroço. Grande parte da nossa culinária tem origem na bagunça. Não é só o prato que parece um murundum, mas também a ocasião em que se come: não se degusta um sururu sem promover um sarapatel, e vice-versa. Galhofa já significou banquete, até virar sinônimo de bagunça, e hoje virou humor fácil − no teatro, quando o comediante perde a mão, alerta-se, na coxia: “Cuidado com a galhofa”.
10. Tem ritmo que leva a confusão no nome: pagode, forró e frevo já significaram balbúrdia, antes de ela se organizar em notas musicais. Até hoje carregam a confusão em que nasceram, e, assim que as notas soam, logo se promove um furdunço. Um pagode, quando tocado sozinho, não é um pagode, mas outra coisa. Pra virar pagode precisa de alguém atrapalhando quem toca. Forró precisa de pelo menos três pessoas, uma tocando e duas dançando. Frevo precisa de uma cidade inteira.
11. Dominamos, como ninguém, a tecnologia do furdunço. Tudo o que funciona, no Brasil, do forró ao sarapatel, conseguimos através de algazarra. Toda tentativa de moralizar o galinheiro saiu pela culatra: a ordem só levou ao regresso. O progresso só alcançamos na fuzarca − sem cair na galhofa jamais. Não existe contradição entre o balé e a bagunça.
(DUVIVIER, Gregório. “Brasil inventou a fuzarca e precisa exportar a tecnologia do furdunço”. Folha de São Paulo [online], São Paulo, 15 fev. 2022. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br. Acessado em: 15 set. 2022)
No último parágrafo, o autor brinca com a frase Ordem e Progresso, presente na bandeira brasileira. Para o autor,
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Brasil inventou a fuzarca e precisa exportar a tecnologia do furdunço
País da algazarra, alvoroço, arruaça, baderna, bagunça e bafafá tem uma desordem que há de nos levar ao progresso
1. Duvido que tenha alguma língua no mundo com tanta palavra pra bagunça quanto a nossa. E o léxico não vem do grego ou do latim: nossos termos pra desordem nasceram por aqui, às vezes sem pai nem mãe.
2. Bagunça, por exemplo: tem pais desconhecidos, assim como furdunço e fuzuê. O Brasil inventou a fuzarca − ou talvez o contrário.
3. Auê, fuzuê, frege, bafafá, rebuliço. Qualquer falante do português saberá do que trata essas palavras, mesmo que nunca as tenha ouvido. Escarcéu e banzeiro vieram do mar. O primeiro é a onda gigante, o segundo é o mar agitado, e ambos passaram a designar agitação de gente que se comporta como o mar.
4. Minha vó chamava de murundum um baú cheio de cartas e fotos − corruptela de murundu, sinônimo de barafunda, aquele amontoado de qualquer coisa. Tenho pena das bagunças obsoletas, que morreram com o tempo. Ninguém nunca me chamou pra uma patuscada, um salsifré, um bailarico. Gandaia ainda se usa, mas só pra cair nela. Já ninguém se levanta pra uma gandaia.
5. Baderna veio da Marietta − a bailarina italiana que fez um sucesso estrondoso no Rio ao misturar danças africanas e balé clássico − isso em 1850. Proibida de dançar lundu nos palcos, passou a dançar ao ar livre, no largo da Carioca, junto com africanos escravizados.
6. Baderna virou, primeiro, sinônimo de beleza, depois de tumulto: seus fãs, os badernistas, protestaram contra a proibição fazendo o que melhor sabiam fazer: fuzuê. (Chamei minha filha de Marieta por causa dela, e os nomes têm força: quando não está no balé, está na bagunça − geralmente nos dois.)
7. Arruaça quem faz são os outros − e geralmente quem acusa é a imprensa. Quando a polícia chega, o que podia ser um tumulto vira quebra-pau. Perceba que, quando a confusão vira porradaria, ela ganha um hífen: se transforma num quebra-quebra, um pega- pra-capar, um deus-nos-acuda, um salve-se-quem-puder, uma casa-da-mãe-joana, vulgo casa-da-sogra (pobre da sogra chamada Joana).
8. Alvoroço vem do árabe, onde servia pra designar um tipo muito específico de confusão: os gritos de alegria que a gente dá ao receber alguém querido. Algazarra também vem dos mouros, mas designa um tipo de tumulto mais específico: o banzeiro que o Exército mouro promovia antes de atacar, pra assustar o inimigo. Os árabes, assim como nós, tinham pós-graduação em gritaria.
9. Gosto das palavras que servem pra designar ao mesmo tempo uma forma de confusão e uma forma de comida − sururu, sarapatel, angu de caroço. Grande parte da nossa culinária tem origem na bagunça. Não é só o prato que parece um murundum, mas também a ocasião em que se come: não se degusta um sururu sem promover um sarapatel, e vice-versa. Galhofa já significou banquete, até virar sinônimo de bagunça, e hoje virou humor fácil − no teatro, quando o comediante perde a mão, alerta-se, na coxia: “Cuidado com a galhofa”.
10. Tem ritmo que leva a confusão no nome: pagode, forró e frevo já significaram balbúrdia, antes de ela se organizar em notas musicais. Até hoje carregam a confusão em que nasceram, e, assim que as notas soam, logo se promove um furdunço. Um pagode, quando tocado sozinho, não é um pagode, mas outra coisa. Pra virar pagode precisa de alguém atrapalhando quem toca. Forró precisa de pelo menos três pessoas, uma tocando e duas dançando. Frevo precisa de uma cidade inteira.
11. Dominamos, como ninguém, a tecnologia do furdunço. Tudo o que funciona, no Brasil, do forró ao sarapatel, conseguimos através de algazarra. Toda tentativa de moralizar o galinheiro saiu pela culatra: a ordem só levou ao regresso. O progresso só alcançamos na fuzarca − sem cair na galhofa jamais. Não existe contradição entre o balé e a bagunça.
(DUVIVIER, Gregório. “Brasil inventou a fuzarca e precisa exportar a tecnologia do furdunço”. Folha de São Paulo [online], São Paulo, 15 fev. 2022. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br. Acessado em: 15 set. 2022)
Segundo o autor,
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Considere a tira de André Dahmer.

Na tira acima, o efeito de humor é produzido sobretudo pela
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Não pretendia voltar a escrever sobre como a língua vai mudando, por não querer ser chamado de velho caturra, mas é difícil segurar e aí não me contenho. Esta semana (ou, segundo a atual usança, “nesta semana”), por exemplo, cheguei à conclusão de que estamos caminhando para a adoção de uma nova regra em relação às orações com o sujeito na terceira pessoa, tanto do singular quanto do plural. Assisti a muitos noticiários de televisão nos últimos dias, ouvi muitas entrevistas com todo tipo de gente e a conclusão dispensa maiores pesquisas. Dentro em breve vai ser errado dizer, por exemplo, “o avião teve uma pane elétrica”. Imagino que, a continuar a tendência, as crianças nascidas hoje não compreenderão uma frase assim, porque jamais a ouvirão. Ouvirão “o avião, ele teve uma pane elétrica”. E lerão numa gramática da norma culta que, na terceira pessoa, o sujeito precisa ser confirmado pelo pronome para o enunciado ficar claro.
(RIBEIRO, João Ubaldo. “Vergonha da mesóclise”. O Estado de São Paulo, 6/6/2009)
O trecho acima de João Ubaldo Ribeiro lida com humor diante da transformação da língua e da diferença entre escrita e oralidade. Na frase indicada, a presença do pronome “ele”
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Declarações textuais só devem abrir notícia ou reportagem quando forem realmente de grande importância: O Brasil voltará a honrar seus compromissos. Com esta declaração, o ministro X pôs fim ontem à moratória que o País havia decretado um ano antes.
(Disponível em: www.estadao.com.br/manualredação)
O trecho acima assinala uma das práticas frequentes do jornalismo, que é o uso de frases declarativas em manchetes. Por meio delas, muitas vezes pretende-se uma informação que não indique explicitamente a opinião do jornal, acompanhada de verbos com sentido mais neutro, como “dizer” ou “afirmar”, sem que se confira, portanto, caráter positivo ou negativo às declarações. Apesar disso, o uso de declarações entre aspas, sobretudo em manchetes, tem efeitos implícitos. Um de seus efeitos MENOS prováveis é
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Considere a tirinha abaixo.

Pode-se inferir a partir da tirinha que
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A xilogravura abaixo, de Calasans Neto, faz parte do livro Tereza Batista Cansada de Guerra (1972) de Jorge Amado, que foi adaptado para uma minissérie televisiva dirigida por Paulo Afonso Grisolli (1992).

Seu título é também o título da segunda parte do romance, em que Tereza, personagem principal, mata com uma facada o seu violador ao vê-lo prestes a chicotear o seu amante. Em Jorge Amado, trata-se do seguinte trecho:
Suspende o braço novamente, o couro sibila no ar − vai chupar ou não, filho da puta? Daniel engole em seco, a taca suspensa, silvando, dispõe-se a obedecer, quando o capitão sente a facada nas costas, o frio da lâmina, o calor do sangue. Volta-se e vê Tereza de pé, a mão erguida, um clarão nos olhos, a beleza deslumbrante e o ódio desmedido. O medo onde está, o respeito ensinado tão bem aprendido, Tereza?”
(AMADO, Jorge. Tereza Batista Cansada de Guerra. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, p.193-194)
É MENOS evidente a possibilidade de abordagem interdisciplinar
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Considere a imagem a seguir.

A imagem provém de um tumblr intitulado “Português para executivos”, que brinca com estrangeirismos de origem na língua inglesa para uso empresarial. A interdisciplinaridade NÃO serve de base para uma aula cujo planejamento se paute exclusivamente em:
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O impossível é transformar o mundo que, para ser, tem de estar sendo, num mundo inapelavelmente imóvel, em que nada pudesse ocorrer fora do já estabelecido. Um mundo plano, horizontal, sem tempo. Algo assim até que é compatível com a vida animal, mas incompatível com a existência humana. É neste sentido que o animal se adapta a seu suporte enquanto o ser humano, integrando-se a seu contexto, por nele intervir, o transforma em mundo. Por isso também mulheres e homens contamos a história do que ocorre no suporte; falamos da vida ou das várias formas de vida que nele se realizam enquanto a história de que falamos e que se processa no mundo é a história feita pelos seres humanos e que os faz e refaz.
(FREIRE, Paulo. À sombra desta mangueira. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2015, ed. digital, grifos do autor)
Podemos inferir a partir do fragmento acima que a linguagem tem um significado social e cultural por ser
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Hilton Japiassu, em Interdisciplinaridade e patologia do saber (1976), assinala que a interdisciplinaridade é uma resposta a um processo de desintegração crescente do saber, que viria desde o advento da Idade Moderna. Das possíveis demandas que vêm, nos últimos tempos, mobilizando uma resposta a essa desintegração, conforme propostas pelo autor, é INCORRETO dizer que há uma demanda
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