Foram encontradas 40 questões.
O comando de teclado F5 quando executado
durante a utilização do Power Point 2016, executa
qual das funcionalidades abaixo:
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Sobre o uso de aplicativos da Microsoft, qual
dos programas abaixo é o programa da Microsoft
apropriado para criação de planilhas eletrônicas:
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2998072
Ano: 2023
Disciplina: Engenharia Ambiental e Sanitária
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Disciplina: Engenharia Ambiental e Sanitária
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Provas:
A falta de disponibilização de coleta de esgotos,
coleta de resíduos sólidos e a pouca oferta de água
potável para a população, pode, sob o ponto de vista
epidemiológico:
I. Aumentar as taxas de incidência de doenças infecciosas.
II. Dinamizar a ocorrência de parasitoses e outras zoonoses.
III. Implicar em situações que aumentem as demandas orgânico-imunes em crianças e consequentemente aumentar a expectativa de vida.
Está(riam) correta(s):
I. Aumentar as taxas de incidência de doenças infecciosas.
II. Dinamizar a ocorrência de parasitoses e outras zoonoses.
III. Implicar em situações que aumentem as demandas orgânico-imunes em crianças e consequentemente aumentar a expectativa de vida.
Está(riam) correta(s):
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2997878
Ano: 2023
Disciplina: Direito Administrativo
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Disciplina: Direito Administrativo
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Provas:
- Agentes PúblicosCargos, Empregos e Funções PúblicasAcessoConcurso Público
- Agentes PúblicosCargos, Empregos e Funções PúblicasFormas de Provimento
- Lei 8.112/1990: RJU
Quanto a estabilidade no serviço público, podemos afirmar que esse fato ocorre após:
I. Aprovação no concurso público.
II. Nomeação e posse para o cargo.
III. Execução adequada das atividades por 3 anos.
Está(riam) correta(s):
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2997816
Ano: 2023
Disciplina: Segurança e Saúde no Trabalho (SST)
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Disciplina: Segurança e Saúde no Trabalho (SST)
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Provas:
- Fundamentos da Saúde OcupacionalSaúde Ocupacional
- Saúde e Segurança no Ambiente de Trabalho
- Sistema de Saúde Brasileira
Em relação a biossegurança, podemos inferir
que são riscos de características biológicas que
envolve o serviço do fiscal sanitário:
I. Exposição ocupacional a agentes biológicos tais como bactérias e vírus.
II. Exposição a variações de temperatura.
III. Acidentes devido ao contato com materiais biológicos contaminados.
Está(riam) correta(s):
I. Exposição ocupacional a agentes biológicos tais como bactérias e vírus.
II. Exposição a variações de temperatura.
III. Acidentes devido ao contato com materiais biológicos contaminados.
Está(riam) correta(s):
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Os vira-latas de Tiradentes
1 Anos atrás não havia problema em não curtir cachorro. Era como não comer jiló ou não jogar gamão. Gosto
pessoal. Hoje, sou visto quase como um pária por não achar graça em interagir com quadrúpedes, em ter as
costas das mãos babadas ou a blusa tatuada por patas de cães desconhecidos. Creem que seja falta de
empatia — e provavelmente acham que, na etimologia de "empatia", esteja a palavra "pata".
2 Numa das últimas eleições havia um candidato a deputado que propunha destinar verbas do SUS para
cachorros. Todos sabemos que as verbas públicas são finitas. Falta dinheiro pra tudo, inclusive pra saúde. Dar
dinheiro do SUS pra tratar sarna de um basset significa, portanto, tirar dinheiro de gente. O que estava por
trás da proposta — nem tão por trás, na verdade — era que entre uma pessoa e um cachorro, devemos optar
pelo cachorro.
3 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que explique o fenômeno, mas acredito que haja uma ligação direta
entre o esgarçamento dos laços sociais e a ascensão dos lulus-da-pomerânia. Culpamos Zuckerberg por tudo,
mas há de se considerar que parte da responsabilidade pelo murundu contemporâneo seja da Cobasi.
4 No meu bairro, onde 20 anos atrás havia duas videolocadoras excelentes, agora há dois pet shops — e
ninguém vai me convencer de que trocar Fellini por Royal Canin faz da Terra um lugar melhor. São quase
antípodas, o cinema e o totó. O primeiro nos faz refletir sobre o mundo, problematiza a realidade, traz uma
questão para o nosso sábado à noite. O segundo é um red-bull do narcisismo, um viés de confirmação para
nossa estropiada autoestima.
5 Vira-latas, porém, são outra história. Estou há dois dias em Tiradentes para participar da FLITI, uma feira
literária. De longe admiro, trupicando pelo calçamento de pedras, entre os sobrados centenários, velhos ídolos
da pena. Nestas últimas 48 horas, porém, tenho idolatrado mesmo é a turma dos cachorros.
6 Um bando de vira-latas está para os bichos de estimação como o bando de Lampião está para uma reunião de
condomínio. Tô nem aí pra bicho de estimação. Sou fã dos cachorros de Tiradentes. Ontem à tarde
estavam Reinaldo Moraes e Bob Wolfenson no meio da maior discussão sobre o erotismo na fotografia e na
literatura, um vira-latas caramelo adentrou o palco na maior malemolência, parou na frente dos dois e passou
a lamber suas partes íntimas.
7 Ninguém se incomoda com eles — e por que deveríamos? Sabemos — e eles, mais ainda— que são os donos
da cidade. Aquele filho de pastor com fox paulistinha é um barão, você pensa. O salsicha com boxer é
visconde. O supracitado caramelo, de raça indefinida, manco, certamente é um conde — se fosse ser humano,
usaria uma bengala de ouro e marfim.
8 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que trate do assunto, mas acredito que haja uma ligação direta e
inversa entre as redes sociais e os vira-latas. Eles são uma espécie de anti-Instagram. A expressão física do
#nofilter. Um aprazível #TBT todos os dias da semana.
9 Ontem de madrugada, chegando de uma festa — sob o mesmo teto em que, há uns 150 anos,
provavelmente, Joaquim José da Silva Xavier trocou suas inconfidências — avistei o vira-latas caramelo. A rua
estava vazia. Só uma cigarra, distante, quebrava o silêncio. Ao nos cruzarmos eu disse "boa-noite". Ele, sem
nem me olhar, abanou o rabo. Dormi o sono dos justos, recém-intitulado grão-duque de São José do Rio das
Mortes, capitania de Minas Gerais, reino de Portugal.
Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2023/10/os-vira-latas-de-tiradentes.shtml
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Os vira-latas de Tiradentes
1 Anos atrás não havia problema em não curtir cachorro. Era como não comer jiló ou não jogar gamão. Gosto
pessoal. Hoje, sou visto quase como um pária por não achar graça em interagir com quadrúpedes, em ter as
costas das mãos babadas ou a blusa tatuada por patas de cães desconhecidos. Creem que seja falta de
empatia — e provavelmente acham que, na etimologia de "empatia", esteja a palavra "pata".
2 Numa das últimas eleições havia um candidato a deputado que propunha destinar verbas do SUS para
cachorros. Todos sabemos que as verbas públicas são finitas. Falta dinheiro pra tudo, inclusive pra saúde. Dar
dinheiro do SUS pra tratar sarna de um basset significa, portanto, tirar dinheiro de gente. O que estava por
trás da proposta — nem tão por trás, na verdade — era que entre uma pessoa e um cachorro, devemos optar
pelo cachorro.
3 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que explique o fenômeno, mas acredito que haja uma ligação direta
entre o esgarçamento dos laços sociais e a ascensão dos lulus-da-pomerânia. Culpamos Zuckerberg por tudo,
mas há de se considerar que parte da responsabilidade pelo murundu contemporâneo seja da Cobasi.
4 No meu bairro, onde 20 anos atrás havia duas videolocadoras excelentes, agora há dois pet shops — e
ninguém vai me convencer de que trocar Fellini por Royal Canin faz da Terra um lugar melhor. São quase
antípodas, o cinema e o totó. O primeiro nos faz refletir sobre o mundo, problematiza a realidade, traz uma
questão para o nosso sábado à noite. O segundo é um red-bull do narcisismo, um viés de confirmação para
nossa estropiada autoestima.
5 Vira-latas, porém, são outra história. Estou há dois dias em Tiradentes para participar da FLITI, uma feira
literária. De longe admiro, trupicando pelo calçamento de pedras, entre os sobrados centenários, velhos ídolos
da pena. Nestas últimas 48 horas, porém, tenho idolatrado mesmo é a turma dos cachorros.
6 Um bando de vira-latas está para os bichos de estimação como o bando de Lampião está para uma reunião de
condomínio. Tô nem aí pra bicho de estimação. Sou fã dos cachorros de Tiradentes. Ontem à tarde
estavam Reinaldo Moraes e Bob Wolfenson no meio da maior discussão sobre o erotismo na fotografia e na
literatura, um vira-latas caramelo adentrou o palco na maior malemolência, parou na frente dos dois e passou
a lamber suas partes íntimas.
7 Ninguém se incomoda com eles — e por que deveríamos? Sabemos — e eles, mais ainda— que são os donos
da cidade. Aquele filho de pastor com fox paulistinha é um barão, você pensa. O salsicha com boxer é
visconde. O supracitado caramelo, de raça indefinida, manco, certamente é um conde — se fosse ser humano,
usaria uma bengala de ouro e marfim.
8 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que trate do assunto, mas acredito que haja uma ligação direta e
inversa entre as redes sociais e os vira-latas. Eles são uma espécie de anti-Instagram. A expressão física do
#nofilter. Um aprazível #TBT todos os dias da semana.
9 Ontem de madrugada, chegando de uma festa — sob o mesmo teto em que, há uns 150 anos,
provavelmente, Joaquim José da Silva Xavier trocou suas inconfidências — avistei o vira-latas caramelo. A rua
estava vazia. Só uma cigarra, distante, quebrava o silêncio. Ao nos cruzarmos eu disse "boa-noite". Ele, sem
nem me olhar, abanou o rabo. Dormi o sono dos justos, recém-intitulado grão-duque de São José do Rio das
Mortes, capitania de Minas Gerais, reino de Portugal.
Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2023/10/os-vira-latas-de-tiradentes.shtml
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Os vira-latas de Tiradentes
1 Anos atrás não havia problema em não curtir cachorro. Era como não comer jiló ou não jogar gamão. Gosto
pessoal. Hoje, sou visto quase como um pária por não achar graça em interagir com quadrúpedes, em ter as
costas das mãos babadas ou a blusa tatuada por patas de cães desconhecidos. Creem que seja falta de
empatia — e provavelmente acham que, na etimologia de "empatia", esteja a palavra "pata".
2 Numa das últimas eleições havia um candidato a deputado que propunha destinar verbas do SUS para
cachorros. Todos sabemos que as verbas públicas são finitas. Falta dinheiro pra tudo, inclusive pra saúde. Dar
dinheiro do SUS pra tratar sarna de um basset significa, portanto, tirar dinheiro de gente. O que estava por
trás da proposta — nem tão por trás, na verdade — era que entre uma pessoa e um cachorro, devemos optar
pelo cachorro.
3 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que explique o fenômeno, mas acredito que haja uma ligação direta
entre o esgarçamento dos laços sociais e a ascensão dos lulus-da-pomerânia. Culpamos Zuckerberg por tudo,
mas há de se considerar que parte da responsabilidade pelo murundu contemporâneo seja da Cobasi.
4 No meu bairro, onde 20 anos atrás havia duas videolocadoras excelentes, agora há dois pet shops — e
ninguém vai me convencer de que trocar Fellini por Royal Canin faz da Terra um lugar melhor. São quase
antípodas, o cinema e o totó. O primeiro nos faz refletir sobre o mundo, problematiza a realidade, traz uma
questão para o nosso sábado à noite. O segundo é um red-bull do narcisismo, um viés de confirmação para
nossa estropiada autoestima.
5 Vira-latas, porém, são outra história. Estou há dois dias em Tiradentes para participar da FLITI, uma feira
literária. De longe admiro, trupicando pelo calçamento de pedras, entre os sobrados centenários, velhos ídolos
da pena. Nestas últimas 48 horas, porém, tenho idolatrado mesmo é a turma dos cachorros.
6 Um bando de vira-latas está para os bichos de estimação como o bando de Lampião está para uma reunião de
condomínio. Tô nem aí pra bicho de estimação. Sou fã dos cachorros de Tiradentes. Ontem à tarde
estavam Reinaldo Moraes e Bob Wolfenson no meio da maior discussão sobre o erotismo na fotografia e na
literatura, um vira-latas caramelo adentrou o palco na maior malemolência, parou na frente dos dois e passou
a lamber suas partes íntimas.
7 Ninguém se incomoda com eles — e por que deveríamos? Sabemos — e eles, mais ainda— que são os donos
da cidade. Aquele filho de pastor com fox paulistinha é um barão, você pensa. O salsicha com boxer é
visconde. O supracitado caramelo, de raça indefinida, manco, certamente é um conde — se fosse ser humano,
usaria uma bengala de ouro e marfim.
8 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que trate do assunto, mas acredito que haja uma ligação direta e
inversa entre as redes sociais e os vira-latas. Eles são uma espécie de anti-Instagram. A expressão física do
#nofilter. Um aprazível #TBT todos os dias da semana.
9 Ontem de madrugada, chegando de uma festa — sob o mesmo teto em que, há uns 150 anos,
provavelmente, Joaquim José da Silva Xavier trocou suas inconfidências — avistei o vira-latas caramelo. A rua
estava vazia. Só uma cigarra, distante, quebrava o silêncio. Ao nos cruzarmos eu disse "boa-noite". Ele, sem
nem me olhar, abanou o rabo. Dormi o sono dos justos, recém-intitulado grão-duque de São José do Rio das
Mortes, capitania de Minas Gerais, reino de Portugal.
Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2023/10/os-vira-latas-de-tiradentes.shtml
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Os vira-latas de Tiradentes
1 Anos atrás não havia problema em não curtir cachorro. Era como não comer jiló ou não jogar gamão. Gosto
pessoal. Hoje, sou visto quase como um pária por não achar graça em interagir com quadrúpedes, em ter as
costas das mãos babadas ou a blusa tatuada por patas de cães desconhecidos. Creem que seja falta de
empatia — e provavelmente acham que, na etimologia de "empatia", esteja a palavra "pata".
2 Numa das últimas eleições havia um candidato a deputado que propunha destinar verbas do SUS para
cachorros. Todos sabemos que as verbas públicas são finitas. Falta dinheiro pra tudo, inclusive pra saúde. Dar
dinheiro do SUS pra tratar sarna de um basset significa, portanto, tirar dinheiro de gente. O que estava por
trás da proposta — nem tão por trás, na verdade — era que entre uma pessoa e um cachorro, devemos optar
pelo cachorro.
3 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que explique o fenômeno, mas acredito que haja uma ligação direta
entre o esgarçamento dos laços sociais e a ascensão dos lulus-da-pomerânia. Culpamos Zuckerberg por tudo,
mas há de se considerar que parte da responsabilidade pelo murundu contemporâneo seja da Cobasi.
4 No meu bairro, onde 20 anos atrás havia duas videolocadoras excelentes, agora há dois pet shops — e
ninguém vai me convencer de que trocar Fellini por Royal Canin faz da Terra um lugar melhor. São quase
antípodas, o cinema e o totó. O primeiro nos faz refletir sobre o mundo, problematiza a realidade, traz uma
questão para o nosso sábado à noite. O segundo é um red-bull do narcisismo, um viés de confirmação para
nossa estropiada autoestima.
5 Vira-latas, porém, são outra história. Estou há dois dias em Tiradentes para participar da FLITI, uma feira
literária. De longe admiro, trupicando pelo calçamento de pedras, entre os sobrados centenários, velhos ídolos
da pena. Nestas últimas 48 horas, porém, tenho idolatrado mesmo é a turma dos cachorros.
6 Um bando de vira-latas está para os bichos de estimação como o bando de Lampião está para uma reunião de
condomínio. Tô nem aí pra bicho de estimação. Sou fã dos cachorros de Tiradentes. Ontem à tarde
estavam Reinaldo Moraes e Bob Wolfenson no meio da maior discussão sobre o erotismo na fotografia e na
literatura, um vira-latas caramelo adentrou o palco na maior malemolência, parou na frente dos dois e passou
a lamber suas partes íntimas.
7 Ninguém se incomoda com eles — e por que deveríamos? Sabemos — e eles, mais ainda— que são os donos
da cidade. Aquele filho de pastor com fox paulistinha é um barão, você pensa. O salsicha com boxer é
visconde. O supracitado caramelo, de raça indefinida, manco, certamente é um conde — se fosse ser humano,
usaria uma bengala de ouro e marfim.
8 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que trate do assunto, mas acredito que haja uma ligação direta e
inversa entre as redes sociais e os vira-latas. Eles são uma espécie de anti-Instagram. A expressão física do
#nofilter. Um aprazível #TBT todos os dias da semana.
9 Ontem de madrugada, chegando de uma festa — sob o mesmo teto em que, há uns 150 anos,
provavelmente, Joaquim José da Silva Xavier trocou suas inconfidências — avistei o vira-latas caramelo. A rua
estava vazia. Só uma cigarra, distante, quebrava o silêncio. Ao nos cruzarmos eu disse "boa-noite". Ele, sem
nem me olhar, abanou o rabo. Dormi o sono dos justos, recém-intitulado grão-duque de São José do Rio das
Mortes, capitania de Minas Gerais, reino de Portugal.
Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2023/10/os-vira-latas-de-tiradentes.shtml
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Os vira-latas de Tiradentes
1 Anos atrás não havia problema em não curtir cachorro. Era como não comer jiló ou não jogar gamão. Gosto
pessoal. Hoje, sou visto quase como um pária por não achar graça em interagir com quadrúpedes, em ter as
costas das mãos babadas ou a blusa tatuada por patas de cães desconhecidos. Creem que seja falta de
empatia — e provavelmente acham que, na etimologia de "empatia", esteja a palavra "pata".
2 Numa das últimas eleições havia um candidato a deputado que propunha destinar verbas do SUS para
cachorros. Todos sabemos que as verbas públicas são finitas. Falta dinheiro pra tudo, inclusive pra saúde. Dar
dinheiro do SUS pra tratar sarna de um basset significa, portanto, tirar dinheiro de gente. O que estava por
trás da proposta — nem tão por trás, na verdade — era que entre uma pessoa e um cachorro, devemos optar
pelo cachorro.
3 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que explique o fenômeno, mas acredito que haja uma ligação direta
entre o esgarçamento dos laços sociais e a ascensão dos lulus-da-pomerânia. Culpamos Zuckerberg por tudo,
mas há de se considerar que parte da responsabilidade pelo murundu contemporâneo seja da Cobasi.
4 No meu bairro, onde 20 anos atrás havia duas videolocadoras excelentes, agora há dois pet shops — e
ninguém vai me convencer de que trocar Fellini por Royal Canin faz da Terra um lugar melhor. São quase
antípodas, o cinema e o totó. O primeiro nos faz refletir sobre o mundo, problematiza a realidade, traz uma
questão para o nosso sábado à noite. O segundo é um red-bull do narcisismo, um viés de confirmação para
nossa estropiada autoestima.
5 Vira-latas, porém, são outra história. Estou há dois dias em Tiradentes para participar da FLITI, uma feira
literária. De longe admiro, trupicando pelo calçamento de pedras, entre os sobrados centenários, velhos ídolos
da pena. Nestas últimas 48 horas, porém, tenho idolatrado mesmo é a turma dos cachorros.
6 Um bando de vira-latas está para os bichos de estimação como o bando de Lampião está para uma reunião de
condomínio. Tô nem aí pra bicho de estimação. Sou fã dos cachorros de Tiradentes. Ontem à tarde
estavam Reinaldo Moraes e Bob Wolfenson no meio da maior discussão sobre o erotismo na fotografia e na
literatura, um vira-latas caramelo adentrou o palco na maior malemolência, parou na frente dos dois e passou
a lamber suas partes íntimas.
7 Ninguém se incomoda com eles — e por que deveríamos? Sabemos — e eles, mais ainda— que são os donos
da cidade. Aquele filho de pastor com fox paulistinha é um barão, você pensa. O salsicha com boxer é
visconde. O supracitado caramelo, de raça indefinida, manco, certamente é um conde — se fosse ser humano,
usaria uma bengala de ouro e marfim.
8 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que trate do assunto, mas acredito que haja uma ligação direta e
inversa entre as redes sociais e os vira-latas. Eles são uma espécie de anti-Instagram. A expressão física do
#nofilter. Um aprazível #TBT todos os dias da semana.
9 Ontem de madrugada, chegando de uma festa — sob o mesmo teto em que, há uns 150 anos,
provavelmente, Joaquim José da Silva Xavier trocou suas inconfidências — avistei o vira-latas caramelo. A rua
estava vazia. Só uma cigarra, distante, quebrava o silêncio. Ao nos cruzarmos eu disse "boa-noite". Ele, sem
nem me olhar, abanou o rabo. Dormi o sono dos justos, recém-intitulado grão-duque de São José do Rio das
Mortes, capitania de Minas Gerais, reino de Portugal.
Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2023/10/os-vira-latas-de-tiradentes.shtml
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