Foram encontradas 40 questões.
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Estratégias de sobrevivência
Hoje bateu uma saudade danada de visitar uma feira
literária, conversar com leitores, assinar os seus livros, tirar
a selfie de praxe e num abraço agradecer-lhes por manterem viva essa coisa tão necessária para a nossa saúde
mental a que chamamos de literatura. Me deu até saudade
de algo que não faço desde que me mudei para Berlim: visitar escolas do ensino secundário no Portugal mais remoto,
como Vila Nova de Paiva, Penalva do Castelo, Arruda ou
Sobral de Monte Agraço, lugares que nunca me ocorreria
visitar se não fosse pelos livros e pela curiosidade em conhecer o outro.
Colhi tanto prazer nisso que não o via como sacrifício.
Contrariando os meus hábitos de notívago, despertava com
uma alegria de criança aniversariante, antes do galo cantar.
Vestia a minha camisa e gravata favoritas e corria para a
estação de comboio de Santa Apolónia, cruzando-me no
caminho com outros madrugadores como eu, lisboetas por
nascimento ou afeto, africanos europeus, irmãos da diáspora que fazem parte do leque de personagens que pululam em muitas das minhas histórias. Esses personagens
me acompanharam da Flip em Paraty ao Africa Writes em
Londres, do Elinga Teatro em Luanda à Escola Secundária
de Penalva do Castelo, uma vila do distrito de Viseu, não
muito longe de Fornos de Algodres e Mangualde. Na biblioteca da escola, um tanto retraídos, duas dezenas de alunos
aguardavam pacientemente pela minha apresentação.
(Kalaf Epalanga. Minha pátria é a língua pretuguesa [Crônicas],
2023. Adaptado)
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Estratégias de sobrevivência
Hoje bateu uma saudade danada de visitar uma feira
literária, conversar com leitores, assinar os seus livros, tirar
a selfie de praxe e num abraço agradecer-lhes por manterem viva essa coisa tão necessária para a nossa saúde
mental a que chamamos de literatura. Me deu até saudade
de algo que não faço desde que me mudei para Berlim: visitar escolas do ensino secundário no Portugal mais remoto,
como Vila Nova de Paiva, Penalva do Castelo, Arruda ou
Sobral de Monte Agraço, lugares que nunca me ocorreria
visitar se não fosse pelos livros e pela curiosidade em conhecer o outro.
Colhi tanto prazer nisso que não o via como sacrifício.
Contrariando os meus hábitos de notívago, despertava com
uma alegria de criança aniversariante, antes do galo cantar.
Vestia a minha camisa e gravata favoritas e corria para a
estação de comboio de Santa Apolónia, cruzando-me no
caminho com outros madrugadores como eu, lisboetas por
nascimento ou afeto, africanos europeus, irmãos da diáspora que fazem parte do leque de personagens que pululam em muitas das minhas histórias. Esses personagens
me acompanharam da Flip em Paraty ao Africa Writes em
Londres, do Elinga Teatro em Luanda à Escola Secundária
de Penalva do Castelo, uma vila do distrito de Viseu, não
muito longe de Fornos de Algodres e Mangualde. Na biblioteca da escola, um tanto retraídos, duas dezenas de alunos
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(Kalaf Epalanga. Minha pátria é a língua pretuguesa [Crônicas],
2023. Adaptado)
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como Vila Nova de Paiva, Penalva do Castelo, Arruda ou
Sobral de Monte Agraço, lugares que nunca me ocorreria
visitar se não fosse pelos livros e pela curiosidade em conhecer o outro.
Colhi tanto prazer nisso que não o via como sacrifício.
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Vestia a minha camisa e gravata favoritas e corria para a
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caminho com outros madrugadores como eu, lisboetas por
nascimento ou afeto, africanos europeus, irmãos da diáspora que fazem parte do leque de personagens que pululam em muitas das minhas histórias. Esses personagens
me acompanharam da Flip em Paraty ao Africa Writes em
Londres, do Elinga Teatro em Luanda à Escola Secundária
de Penalva do Castelo, uma vila do distrito de Viseu, não
muito longe de Fornos de Algodres e Mangualde. Na biblioteca da escola, um tanto retraídos, duas dezenas de alunos
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(Kalaf Epalanga. Minha pátria é a língua pretuguesa [Crônicas],
2023. Adaptado)
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Hoje bateu uma saudade danada de visitar uma feira
literária, conversar com leitores, assinar os seus livros, tirar
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mental a que chamamos de literatura. Me deu até saudade
de algo que não faço desde que me mudei para Berlim: visitar escolas do ensino secundário no Portugal mais remoto,
como Vila Nova de Paiva, Penalva do Castelo, Arruda ou
Sobral de Monte Agraço, lugares que nunca me ocorreria
visitar se não fosse pelos livros e pela curiosidade em conhecer o outro.
Colhi tanto prazer nisso que não o via como sacrifício.
Contrariando os meus hábitos de notívago, despertava com
uma alegria de criança aniversariante, antes do galo cantar.
Vestia a minha camisa e gravata favoritas e corria para a
estação de comboio de Santa Apolónia, cruzando-me no
caminho com outros madrugadores como eu, lisboetas por
nascimento ou afeto, africanos europeus, irmãos da diáspora que fazem parte do leque de personagens que pululam em muitas das minhas histórias. Esses personagens
me acompanharam da Flip em Paraty ao Africa Writes em
Londres, do Elinga Teatro em Luanda à Escola Secundária
de Penalva do Castelo, uma vila do distrito de Viseu, não
muito longe de Fornos de Algodres e Mangualde. Na biblioteca da escola, um tanto retraídos, duas dezenas de alunos
aguardavam pacientemente pela minha apresentação.
(Kalaf Epalanga. Minha pátria é a língua pretuguesa [Crônicas],
2023. Adaptado)
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A tragédia das crianças sem saneamento
A falta de saneamento básico no Brasil faz com que
6,6 milhões de crianças de zero a seis anos, a chamada primeira infância, afastem-se de suas atividades, de acordo com o
estudo Futuro em risco: efeitos da falta de saneamento na vida
de grávidas, crianças e adolescentes, divulgado recentemente
pelo Instituto Trata Brasil. Esse contingente de crianças, que
equivale à população do Paraguai, segue sendo negligenciado
na fase da vida que é, segundo múltiplas evidências nacionais
e internacionais, determinante para um futuro digno.
Sem acesso a esgoto tratado e a creches, ou às vezes
sem poder frequentar a creche, quando esta existe, justamente porque falta saneamento na região em que vivem,
parte significativa das crianças brasileiras cresce com uma
herança nefasta, traduzida por uma renda 46,1% menor na
idade adulta, de acordo com o estudo. Considerando-se um
período de 35 anos de atuação profissional, a diferença de
renda entre quem conta e quem não conta com saneamento
básico é de mais de R$ 126 mil, montante nada trivial em um
país tão desigual quanto o Brasil.
O estudo do Trata Brasil radiografa uma série de efeitos
nefastos que vão se acumulando na vida de quem não conta
com saneamento na primeira infância. Sem água tratada ou
banheiro, crianças de 11 anos têm dificuldade para identificar
as horas em um relógio ou para calcular o valor de um troco, habilidades básicas e extremamente necessárias no dia a
dia. E esse é apenas um exemplo do quanto a falta do mínimo trava a capacidade de aprendizado e, por consequência,
de ascensão social. Crianças que viveram a primeira infância
em condições precárias de saneamento chegam à segunda
infância (7 a 11 anos) com sequelas no desenvolvimento e
têm notas sensivelmente mais baixas em avaliações como
o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Não é
surpresa, então, que jovens de 19 anos sem acesso a saneamento tenham, em média, atraso de 1,8 ano na escolaridade.
Garantir acesso à água e ao esgoto tratados, bem como
à educação, é o melhor investimento que o País pode fazer
em nome do bem-estar da população brasileira e de seu próprio futuro. Sem esgoto tratado, milhões de brasileiros estão
expostos a enfermidades que deveriam pertencer ao passado, sobrecarregando e onerando o sistema de saúde, faltam
às aulas (quando e se há escola), aprendem pouco ou quase nada, como demonstram indicadores nacionais e internacionais de educação, e tornam-se adultos despreparados e
dependentes de ajuda governamental.
(https://www.estadao.com.br/opiniao, 13.10.2024. Adaptado)
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A tragédia das crianças sem saneamento
A falta de saneamento básico no Brasil faz com que
6,6 milhões de crianças de zero a seis anos, a chamada primeira infância, afastem-se de suas atividades, de acordo com o
estudo Futuro em risco: efeitos da falta de saneamento na vida
de grávidas, crianças e adolescentes, divulgado recentemente
pelo Instituto Trata Brasil. Esse contingente de crianças, que
equivale à população do Paraguai, segue sendo negligenciado
na fase da vida que é, segundo múltiplas evidências nacionais
e internacionais, determinante para um futuro digno.
Sem acesso a esgoto tratado e a creches, ou às vezes
sem poder frequentar a creche, quando esta existe, justamente porque falta saneamento na região em que vivem,
parte significativa das crianças brasileiras cresce com uma
herança nefasta, traduzida por uma renda 46,1% menor na
idade adulta, de acordo com o estudo. Considerando-se um
período de 35 anos de atuação profissional, a diferença de
renda entre quem conta e quem não conta com saneamento
básico é de mais de R$ 126 mil, montante nada trivial em um
país tão desigual quanto o Brasil.
O estudo do Trata Brasil radiografa uma série de efeitos
nefastos que vão se acumulando na vida de quem não conta
com saneamento na primeira infância. Sem água tratada ou
banheiro, crianças de 11 anos têm dificuldade para identificar
as horas em um relógio ou para calcular o valor de um troco, habilidades básicas e extremamente necessárias no dia a
dia. E esse é apenas um exemplo do quanto a falta do mínimo trava a capacidade de aprendizado e, por consequência,
de ascensão social. Crianças que viveram a primeira infância
em condições precárias de saneamento chegam à segunda
infância (7 a 11 anos) com sequelas no desenvolvimento e
têm notas sensivelmente mais baixas em avaliações como
o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Não é
surpresa, então, que jovens de 19 anos sem acesso a saneamento tenham, em média, atraso de 1,8 ano na escolaridade.
Garantir acesso à água e ao esgoto tratados, bem como
à educação, é o melhor investimento que o País pode fazer
em nome do bem-estar da população brasileira e de seu próprio futuro. Sem esgoto tratado, milhões de brasileiros estão
expostos a enfermidades que deveriam pertencer ao passado, sobrecarregando e onerando o sistema de saúde, faltam
às aulas (quando e se há escola), aprendem pouco ou quase nada, como demonstram indicadores nacionais e internacionais de educação, e tornam-se adultos despreparados e
dependentes de ajuda governamental.
(https://www.estadao.com.br/opiniao, 13.10.2024. Adaptado)
Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, com:
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A tragédia das crianças sem saneamento
A falta de saneamento básico no Brasil faz com que
6,6 milhões de crianças de zero a seis anos, a chamada primeira infância, afastem-se de suas atividades, de acordo com o
estudo Futuro em risco: efeitos da falta de saneamento na vida
de grávidas, crianças e adolescentes, divulgado recentemente
pelo Instituto Trata Brasil. Esse contingente de crianças, que
equivale à população do Paraguai, segue sendo negligenciado
na fase da vida que é, segundo múltiplas evidências nacionais
e internacionais, determinante para um futuro digno.
Sem acesso a esgoto tratado e a creches, ou às vezes
sem poder frequentar a creche, quando esta existe, justamente porque falta saneamento na região em que vivem,
parte significativa das crianças brasileiras cresce com uma
herança nefasta, traduzida por uma renda 46,1% menor na
idade adulta, de acordo com o estudo. Considerando-se um
período de 35 anos de atuação profissional, a diferença de
renda entre quem conta e quem não conta com saneamento
básico é de mais de R$ 126 mil, montante nada trivial em um
país tão desigual quanto o Brasil.
O estudo do Trata Brasil radiografa uma série de efeitos
nefastos que vão se acumulando na vida de quem não conta
com saneamento na primeira infância. Sem água tratada ou
banheiro, crianças de 11 anos têm dificuldade para identificar
as horas em um relógio ou para calcular o valor de um troco, habilidades básicas e extremamente necessárias no dia a
dia. E esse é apenas um exemplo do quanto a falta do mínimo trava a capacidade de aprendizado e, por consequência,
de ascensão social. Crianças que viveram a primeira infância
em condições precárias de saneamento chegam à segunda
infância (7 a 11 anos) com sequelas no desenvolvimento e
têm notas sensivelmente mais baixas em avaliações como
o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Não é
surpresa, então, que jovens de 19 anos sem acesso a saneamento tenham, em média, atraso de 1,8 ano na escolaridade.
Garantir acesso à água e ao esgoto tratados, bem como
à educação, é o melhor investimento que o País pode fazer
em nome do bem-estar da população brasileira e de seu próprio futuro. Sem esgoto tratado, milhões de brasileiros estão
expostos a enfermidades que deveriam pertencer ao passado, sobrecarregando e onerando o sistema de saúde, faltam
às aulas (quando e se há escola), aprendem pouco ou quase nada, como demonstram indicadores nacionais e internacionais de educação, e tornam-se adultos despreparados e
dependentes de ajuda governamental.
(https://www.estadao.com.br/opiniao, 13.10.2024. Adaptado)
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A falta de saneamento básico no Brasil faz com que
6,6 milhões de crianças de zero a seis anos, a chamada primeira infância, afastem-se de suas atividades, de acordo com o
estudo Futuro em risco: efeitos da falta de saneamento na vida
de grávidas, crianças e adolescentes, divulgado recentemente
pelo Instituto Trata Brasil. Esse contingente de crianças, que
equivale à população do Paraguai, segue sendo negligenciado
na fase da vida que é, segundo múltiplas evidências nacionais
e internacionais, determinante para um futuro digno.
Sem acesso a esgoto tratado e a creches, ou às vezes
sem poder frequentar a creche, quando esta existe, justamente porque falta saneamento na região em que vivem,
parte significativa das crianças brasileiras cresce com uma
herança nefasta, traduzida por uma renda 46,1% menor na
idade adulta, de acordo com o estudo. Considerando-se um
período de 35 anos de atuação profissional, a diferença de
renda entre quem conta e quem não conta com saneamento
básico é de mais de R$ 126 mil, montante nada trivial em um
país tão desigual quanto o Brasil.
O estudo do Trata Brasil radiografa uma série de efeitos
nefastos que vão se acumulando na vida de quem não conta
com saneamento na primeira infância. Sem água tratada ou
banheiro, crianças de 11 anos têm dificuldade para identificar
as horas em um relógio ou para calcular o valor de um troco, habilidades básicas e extremamente necessárias no dia a
dia. E esse é apenas um exemplo do quanto a falta do mínimo trava a capacidade de aprendizado e, por consequência,
de ascensão social. Crianças que viveram a primeira infância
em condições precárias de saneamento chegam à segunda
infância (7 a 11 anos) com sequelas no desenvolvimento e
têm notas sensivelmente mais baixas em avaliações como
o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Não é
surpresa, então, que jovens de 19 anos sem acesso a saneamento tenham, em média, atraso de 1,8 ano na escolaridade.
Garantir acesso à água e ao esgoto tratados, bem como
à educação, é o melhor investimento que o País pode fazer
em nome do bem-estar da população brasileira e de seu próprio futuro. Sem esgoto tratado, milhões de brasileiros estão
expostos a enfermidades que deveriam pertencer ao passado, sobrecarregando e onerando o sistema de saúde, faltam
às aulas (quando e se há escola), aprendem pouco ou quase nada, como demonstram indicadores nacionais e internacionais de educação, e tornam-se adultos despreparados e
dependentes de ajuda governamental.
(https://www.estadao.com.br/opiniao, 13.10.2024. Adaptado)
• Esse contingente de crianças (...) segue sendo negligenciado... (1º parágrafo)
• ... parte significativa das crianças brasileiras cresce com uma herança nefasta... (2º parágrafo)
• ... montante nada trivial em um país tão desigual quanto o Brasil. (2º parágrafo)
• ... habilidades básicas e extremamente necessárias no dia a dia. (3º parágrafo)
Os termos destacados significam, correta e respectivamente:
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6,6 milhões de crianças de zero a seis anos, a chamada primeira infância, afastem-se de suas atividades, de acordo com o
estudo Futuro em risco: efeitos da falta de saneamento na vida
de grávidas, crianças e adolescentes, divulgado recentemente
pelo Instituto Trata Brasil. Esse contingente de crianças, que
equivale à população do Paraguai, segue sendo negligenciado
na fase da vida que é, segundo múltiplas evidências nacionais
e internacionais, determinante para um futuro digno.
Sem acesso a esgoto tratado e a creches, ou às vezes
sem poder frequentar a creche, quando esta existe, justamente porque falta saneamento na região em que vivem,
parte significativa das crianças brasileiras cresce com uma
herança nefasta, traduzida por uma renda 46,1% menor na
idade adulta, de acordo com o estudo. Considerando-se um
período de 35 anos de atuação profissional, a diferença de
renda entre quem conta e quem não conta com saneamento
básico é de mais de R$ 126 mil, montante nada trivial em um
país tão desigual quanto o Brasil.
O estudo do Trata Brasil radiografa uma série de efeitos
nefastos que vão se acumulando na vida de quem não conta
com saneamento na primeira infância. Sem água tratada ou
banheiro, crianças de 11 anos têm dificuldade para identificar
as horas em um relógio ou para calcular o valor de um troco, habilidades básicas e extremamente necessárias no dia a
dia. E esse é apenas um exemplo do quanto a falta do mínimo trava a capacidade de aprendizado e, por consequência,
de ascensão social. Crianças que viveram a primeira infância
em condições precárias de saneamento chegam à segunda
infância (7 a 11 anos) com sequelas no desenvolvimento e
têm notas sensivelmente mais baixas em avaliações como
o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Não é
surpresa, então, que jovens de 19 anos sem acesso a saneamento tenham, em média, atraso de 1,8 ano na escolaridade.
Garantir acesso à água e ao esgoto tratados, bem como
à educação, é o melhor investimento que o País pode fazer
em nome do bem-estar da população brasileira e de seu próprio futuro. Sem esgoto tratado, milhões de brasileiros estão
expostos a enfermidades que deveriam pertencer ao passado, sobrecarregando e onerando o sistema de saúde, faltam
às aulas (quando e se há escola), aprendem pouco ou quase nada, como demonstram indicadores nacionais e internacionais de educação, e tornam-se adultos despreparados e
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A tragédia das crianças sem saneamento
A falta de saneamento básico no Brasil faz com que
6,6 milhões de crianças de zero a seis anos, a chamada primeira infância, afastem-se de suas atividades, de acordo com o
estudo Futuro em risco: efeitos da falta de saneamento na vida
de grávidas, crianças e adolescentes, divulgado recentemente
pelo Instituto Trata Brasil. Esse contingente de crianças, que
equivale à população do Paraguai, segue sendo negligenciado
na fase da vida que é, segundo múltiplas evidências nacionais
e internacionais, determinante para um futuro digno.
Sem acesso a esgoto tratado e a creches, ou às vezes
sem poder frequentar a creche, quando esta existe, justamente porque falta saneamento na região em que vivem,
parte significativa das crianças brasileiras cresce com uma
herança nefasta, traduzida por uma renda 46,1% menor na
idade adulta, de acordo com o estudo. Considerando-se um
período de 35 anos de atuação profissional, a diferença de
renda entre quem conta e quem não conta com saneamento
básico é de mais de R$ 126 mil, montante nada trivial em um
país tão desigual quanto o Brasil.
O estudo do Trata Brasil radiografa uma série de efeitos
nefastos que vão se acumulando na vida de quem não conta
com saneamento na primeira infância. Sem água tratada ou
banheiro, crianças de 11 anos têm dificuldade para identificar
as horas em um relógio ou para calcular o valor de um troco, habilidades básicas e extremamente necessárias no dia a
dia. E esse é apenas um exemplo do quanto a falta do mínimo trava a capacidade de aprendizado e, por consequência,
de ascensão social. Crianças que viveram a primeira infância
em condições precárias de saneamento chegam à segunda
infância (7 a 11 anos) com sequelas no desenvolvimento e
têm notas sensivelmente mais baixas em avaliações como
o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Não é
surpresa, então, que jovens de 19 anos sem acesso a saneamento tenham, em média, atraso de 1,8 ano na escolaridade.
Garantir acesso à água e ao esgoto tratados, bem como
à educação, é o melhor investimento que o País pode fazer
em nome do bem-estar da população brasileira e de seu próprio futuro. Sem esgoto tratado, milhões de brasileiros estão
expostos a enfermidades que deveriam pertencer ao passado, sobrecarregando e onerando o sistema de saúde, faltam
às aulas (quando e se há escola), aprendem pouco ou quase nada, como demonstram indicadores nacionais e internacionais de educação, e tornam-se adultos despreparados e
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