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Foram encontradas 40 questões.

2860912 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Cubatão-SP

Responda as questões 8 a 12 considerando o texto abaixo.

O empobrecimento do país está camuflado em dívidas. Em dezembro de 2021, o Serasa identificou 64 milhões de brasileiros inadimplentes - o equivalente _(I)_ população da França. O número de endividados aumentou em 3 milhões desde o final de 2020. Em algumas regiões do Brasil, _(II)_ situação é crítica: na capital do Acre, Rio Branco, nove em cada dez famílias estão endividadas. Dívidas com contas básicas, como água, luz e gás, por exemplo, foram as que mais aumentaram - agora representam 24% do total.

O atraso no pagamento do cartão de crédito continua sendo a principal fonte de endividamento. Mas, nesse caso, sete em cada dez pessoas se endividaram com cartão para garantir alimentação básica, em compras de comida no supermercado.

Ao todo, somando todas as dívidas identificadas no Serasa, a população brasileira deve 252 bilhões de reais. Em média, cada brasileiro inadimplente deve 3,9 mil reais - o equivalente a 10 parcelas do programa Auxílio Brasil, que paga, em média, 407 reais.

O tipo de dívida varia segundo o perfil socioeconômico de cada região. Em Alagoas, as dívidas com contas básicas (como água, luz, gás etc.) ficaram no topo do ranking de 2021, ultrapassando até os atrasos no pagamento do cartão de crédito. Ao todo, essas contas representaram 44% das dívidas dos alagoanos até dezembro de 2021 - onze vezes as dívidas dos catarinenses nesse mesmo setor. Em Santa Catarina, o atraso nas contas básicas de consumo foi responsável por apenas 4% das dívidas.

Compilado. "Um país de endividados". Camille Lichottí e Renata Buono. Disponível em (https://piaui.folha.uol.com.br/um-pais-de-endividados/]. Publicado e consultado em 14.3.2022.

As lacunas no primeiro parágrafo serão preenchidas em conformidade com as prescrições da norma culta se considerarmos qual alternativa?

 

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2860911 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Cubatão-SP

Responda as questões 8 a 12 considerando o texto abaixo.

O empobrecimento do país está camuflado em dívidas. Em dezembro de 2021, o Serasa identificou 64 milhões de brasileiros inadimplentes - o equivalente _(I)_ população da França. O número de endividados aumentou em 3 milhões desde o final de 2020. Em algumas regiões do Brasil, _(II)_ situação é crítica: na capital do Acre, Rio Branco, nove em cada dez famílias estão endividadas. Dívidas com contas básicas, como água, luz e gás, por exemplo, foram as que mais aumentaram - agora representam 24% do total.

O atraso no pagamento do cartão de crédito continua sendo a principal fonte de endividamento. Mas, nesse caso, sete em cada dez pessoas se endividaram com cartão para garantir alimentação básica, em compras de comida no supermercado.

Ao todo, somando todas as dívidas identificadas no Serasa, a população brasileira deve 252 bilhões de reais. Em média, cada brasileiro inadimplente deve 3,9 mil reais - o equivalente a 10 parcelas do programa Auxílio Brasil, que paga, em média, 407 reais.

O tipo de dívida varia segundo o perfil socioeconômico de cada região. Em Alagoas, as dívidas com contas básicas (como água, luz, gás etc.) ficaram no topo do ranking de 2021, ultrapassando até os atrasos no pagamento do cartão de crédito. Ao todo, essas contas representaram 44% das dívidas dos alagoanos até dezembro de 2021 - onze vezes as dívidas dos catarinenses nesse mesmo setor. Em Santa Catarina, o atraso nas contas básicas de consumo foi responsável por apenas 4% das dívidas.

Compilado. "Um país de endividados". Camille Lichottí e Renata Buono. Disponível em (https://piaui.folha.uol.com.br/um-pais-de-endividados/]. Publicado e consultado em 14.3.2022.

Assinale a alternativa que apresenta uma dedução possível da leitura do primeiro parágrafo do texto.

 

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2860910 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Cubatão-SP

Leia o texto abaixo para responder as questões 4 a 7.

Começo pela confissão de um sentimento conflituoso: é um prazer e uma honra ter recebido este convite e estar aqui convosco. Mas, ao mesmo tempo, não sei lidar com este nome pomposo: "oração de sapiência". De propósito, escolhi um tema sobre o qual tenho apenas algumas, mal contidas ignorâncias. Todos os dias somos confrontados com o apelo exaltante de combater a pobreza. E todos nós, de modo generoso e patriótico, queremos participar nessa batalha. Existem, no entanto, várias formas de pobreza. E há, entre todas, uma que escapa às estatísticas e aos indicadores numéricos: é a penúria da nossa reflexão sobre nós mesmos. Falo da dificuldade de nos pensarmos como sujeitos históricos, como lugar de partida e como destino de um sonho.

Compilado. Os sete sapatos sujos. Mia Couto in "E se Obama fosse africano?- Ensaios". Companhia das Letras.

"mal contidas ignorâncias" - o advérbio presente no fragmento foi empregado de maneira equivocada na frase de qual alternativa?

 

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2860909 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Cubatão-SP

Leia o texto abaixo para responder as questões 4 a 7.

Começo pela confissão de um sentimento conflituoso: é um prazer e uma honra ter recebido este convite e estar aqui convosco. Mas, ao mesmo tempo, não sei lidar com este nome pomposo: "oração de sapiência". De propósito, escolhi um tema sobre o qual tenho apenas algumas, mal contidas ignorâncias. Todos os dias somos confrontados com o apelo exaltante de combater a pobreza. E todos nós, de modo generoso e patriótico, queremos participar nessa batalha. Existem, no entanto, várias formas de pobreza. E há, entre todas, uma que escapa às estatísticas e aos indicadores numéricos: é a penúria da nossa reflexão sobre nós mesmos. Falo da dificuldade de nos pensarmos como sujeitos históricos, como lugar de partida e como destino de um sonho.

Compilado. Os sete sapatos sujos. Mia Couto in "E se Obama fosse africano?- Ensaios". Companhia das Letras.

"é um prazer e uma honra ter recebido este convite e estar aqui convosco" - o pronome em destaque foi empregado em conformidade com as prescrições da gramática normativa. Nos períodos abaixo tal emprego se deu em desacordo com a norma culta em qual alternativa?

 

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2860908 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Cubatão-SP

Leia o texto abaixo para responder as questões 4 a 7.

Começo pela confissão de um sentimento conflituoso: é um prazer e uma honra ter recebido este convite e estar aqui convosco. Mas, ao mesmo tempo, não sei lidar com este nome pomposo: "oração de sapiência". De propósito, escolhi um tema sobre o qual tenho apenas algumas, mal contidas ignorâncias. Todos os dias somos confrontados com o apelo exaltante de combater a pobreza. E todos nós, de modo generoso e patriótico, queremos participar nessa batalha. Existem, no entanto, várias formas de pobreza. E há, entre todas, uma que escapa às estatísticas e aos indicadores numéricos: é a penúria da nossa reflexão sobre nós mesmos. Falo da dificuldade de nos pensarmos como sujeitos históricos, como lugar de partida e como destino de um sonho.

Compilado. Os sete sapatos sujos. Mia Couto in "E se Obama fosse africano?- Ensaios". Companhia das Letras.

Da leitura do texto entendemos que o autor:

 

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2860907 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Cubatão-SP

INDEPENDÊNCIA DE QUEM?

A escravidão moldou o mundo. Nos EUA, deu em guerra civil. Países como Portugal, Inglaterra, Espanha, França e Brasil fizeram fortunas vendendo jovens negros. Países Baixos, escandinavos, até a Suíça, participaram do negócio, que durou quase 400 anos e foi abençoado por Roma, que hoje chamamos de Vaticano graças a Mussolini; como primeiro-ministro, ele transformou em 1929 o enclave de 44 hectares da Igreja Católica em cidade-Estado independente.

Para a Igreja, interessava a evangelização de indígenas e negros, considerados infiéis. Especialmente os africanos, na sombra da religião muçulmana, que atravessava o Saara.

Os missionários pegaram carona nos interesses econômicos das monarquias europeias pelo Novo Mundo. Para entender a história brasileira, basta seguir o caminho da escravidão.

Na formação econômica e social do Pais, via ciclos do açúcar, tabaco, couro, ouro, diamante, café, a prata do Peru, cujos mineiros escravizados eram vendidos no Rio de Janeiro, até o algodão, paradoxalmente a matéria-prima da Revolução Industrial, tinha tecnologia e mão de obra escrava.

Igreja e Estado eram uma coisa só. Se Roma levantava o polegar para a escravização, ela seguia em frente. As "peças", como eram chamados, eram batizadas na África ou em portos brasileiros. Dom João li ordenou que escravos fossem marcados a ferro em brasa com o símbolo da coroa portuguesa, como prova de que o imposto real tinha sido pago.

Posteriormente, Dom João IV substituiu a marca de ferro por uma argola pendurada no pescoço. Marcavam com ferro em brasa as iniciais do proprietário ainda nos leilões no desembarque. Era chamado de "carimbo", palavra que vem do quimbundo, língua banto de Angola: ka + rimbu.

Ordens religiosas possuíam escravos. Em 1756, foi adotada uma lei que obrigava os "navios negreiros" a terem capelães a bordo, para administrarem o sacramento. Padre Luís Brandão, reitor do Colégio de Luanda, escreveu: "Mesmo que vivemos aqui já faz quarenta anos e temos entre nós padres muito doutos, nunca consideramos este tráfico como ilícito. Os padres do Brasil também não, e sempre houve, naquela província, padres eminentes pelo saber. Assim, tanto nós como os padres do Brasil compramos aqueles escravos sem escrúpulos".

Poucas vozes se levantaram contra. "O missionário italiano Gabriel Malagrida (1689-1761), que tendo também contestado os métodos utilizados no Brasil em relação aos negros e por causa das suas ideias e oposição ao Marquês de Pombal, foi queimado vivo pela inquisição em Lisboa", afirma o filósofo teólogo da Universidade Católica de Pernambuco, Sergio Douets Vasconcelos.

A Igreja foi conivente e usufruiu da escravidão que destruiu aldeias e nações milenares na África. Na costa, europeus davam armas, tabaco e bebida alcoólica para reis africanos invadirem reinos vizinhos, destruindo a indústria de manufaturados, a agricultura e pecuária.

Comemora-se a independência de quem em 7 de setembro? A metade da população era escrava. E continuaram a chegar mais escravizados até 1850.

O Brasil continuou unificado, assistindo à fragmentação da América Espanhola, graças ao pacto corrupto entre monarquia e elite agrária, que não queria a abolição. A aristocracia tapou os olhos para o que acontecia no mundo. Tarde demais. A República e movimentos abolicionistas os atropelaram. Por sorte, continuaram com a cabeça grudada no pescoço. E nós, com a maldita herança de uma sociedade racista, escravocrata.

Marcelo Rubens Paiva - jornal "O Estado de São Paulo", edição de 21 de agosto de 2021.

Nos períodos abaixo, analise a substituição dos elementos sublinhados por pronomes oblíquos.

I. "Para entender a história brasileira, basta seguir o caminho da escravidão" - Para entendê-la, basta segui-lo.

II. "Ordens religiosas possuíam escravos" - Ordens religiosas os possuíam.

III. "A Igreja foi conivente e usufruiu da escravidão que destruiu aldeias e nações milenares na África" - A igreja foi conivente e usufruiu da escravidão que destruiu-as.

IV. "monarquia e elite agrária, que não queria a abolição" - monarquia e elite agrária, que não queriam-na.

Deram-se adequadamente e respeitando os preceitos da norma culta os períodos contidos em:

 

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2860906 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Cubatão-SP

INDEPENDÊNCIA DE QUEM?

A escravidão moldou o mundo. Nos EUA, deu em guerra civil. Países como Portugal, Inglaterra, Espanha, França e Brasil fizeram fortunas vendendo jovens negros. Países Baixos, escandinavos, até a Suíça, participaram do negócio, que durou quase 400 anos e foi abençoado por Roma, que hoje chamamos de Vaticano graças a Mussolini; como primeiro-ministro, ele transformou em 1929 o enclave de 44 hectares da Igreja Católica em cidade-Estado independente.

Para a Igreja, interessava a evangelização de indígenas e negros, considerados infiéis. Especialmente os africanos, na sombra da religião muçulmana, que atravessava o Saara.

Os missionários pegaram carona nos interesses econômicos das monarquias europeias pelo Novo Mundo. Para entender a história brasileira, basta seguir o caminho da escravidão.

Na formação econômica e social do Pais, via ciclos do açúcar, tabaco, couro, ouro, diamante, café, a prata do Peru, cujos mineiros escravizados eram vendidos no Rio de Janeiro, até o algodão, paradoxalmente a matéria-prima da Revolução Industrial, tinha tecnologia e mão de obra escrava.

Igreja e Estado eram uma coisa só. Se Roma levantava o polegar para a escravização, ela seguia em frente. As "peças", como eram chamados, eram batizadas na África ou em portos brasileiros. Dom João li ordenou que escravos fossem marcados a ferro em brasa com o símbolo da coroa portuguesa, como prova de que o imposto real tinha sido pago.

Posteriormente, Dom João IV substituiu a marca de ferro por uma argola pendurada no pescoço. Marcavam com ferro em brasa as iniciais do proprietário ainda nos leilões no desembarque. Era chamado de "carimbo", palavra que vem do quimbundo, língua banto de Angola: ka + rimbu.

Ordens religiosas possuíam escravos. Em 1756, foi adotada uma lei que obrigava os "navios negreiros" a terem capelães a bordo, para administrarem o sacramento. Padre Luís Brandão, reitor do Colégio de Luanda, escreveu: "Mesmo que vivemos aqui já faz quarenta anos e temos entre nós padres muito doutos, nunca consideramos este tráfico como ilícito. Os padres do Brasil também não, e sempre houve, naquela província, padres eminentes pelo saber. Assim, tanto nós como os padres do Brasil compramos aqueles escravos sem escrúpulos".

Poucas vozes se levantaram contra. "O missionário italiano Gabriel Malagrida (1689-1761), que tendo também contestado os métodos utilizados no Brasil em relação aos negros e por causa das suas ideias e oposição ao Marquês de Pombal, foi queimado vivo pela inquisição em Lisboa", afirma o filósofo teólogo da Universidade Católica de Pernambuco, Sergio Douets Vasconcelos.

A Igreja foi conivente e usufruiu da escravidão que destruiu aldeias e nações milenares na África. Na costa, europeus davam armas, tabaco e bebida alcoólica para reis africanos invadirem reinos vizinhos, destruindo a indústria de manufaturados, a agricultura e pecuária.

Comemora-se a independência de quem em 7 de setembro? A metade da população era escrava. E continuaram a chegar mais escravizados até 1850.

O Brasil continuou unificado, assistindo à fragmentação da América Espanhola, graças ao pacto corrupto entre monarquia e elite agrária, que não queria a abolição. A aristocracia tapou os olhos para o que acontecia no mundo. Tarde demais. A República e movimentos abolicionistas os atropelaram. Por sorte, continuaram com a cabeça grudada no pescoço. E nós, com a maldita herança de uma sociedade racista, escravocrata.

Marcelo Rubens Paiva - jornal "O Estado de São Paulo", edição de 21 de agosto de 2021.

O pacto entre a monarquia e a elite agrária brasileira, segundo o autor:

 

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2860905 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Cubatão-SP

Os quadrinhos a seguir serão utilizados para responder as questões 13 a 15.

Enunciado 3164925-1

Tendo os quadrinhos por parâmetro, analise as três afirmações a seguir.

I. "Não posso ser uma mulher como nossas mães" - o termo sublinhado confere à oração apresentada valor circunstancial de causa.

II. "Portanto, não vou cair na mediocridade" - o elemento sublinhado introduz, no contexto, conclusão.

III. "Quando eu crescer'' - morfologicamente o vocábulo destacado classifica-se como adjetivo.

Está correto o afirmado em:

 

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2860904 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Cubatão-SP

Leia o texto abaixo para responder as questões 4 a 7.

Começo pela confissão de um sentimento conflituoso: é um prazer e uma honra ter recebido este convite e estar aqui convosco. Mas, ao mesmo tempo, não sei lidar com este nome pomposo: "oração de sapiência". De propósito, escolhi um tema sobre o qual tenho apenas algumas, mal contidas ignorâncias. Todos os dias somos confrontados com o apelo exaltante de combater a pobreza. E todos nós, de modo generoso e patriótico, queremos participar nessa batalha. Existem, no entanto, várias formas de pobreza. E há, entre todas, uma que escapa às estatísticas e aos indicadores numéricos: é a penúria da nossa reflexão sobre nós mesmos. Falo da dificuldade de nos pensarmos como sujeitos históricos, como lugar de partida e como destino de um sonho.

Compilado. Os sete sapatos sujos. Mia Couto in "E se Obama fosse africano?- Ensaios". Companhia das Letras.

"Todos os dias somos confrontados com o apelo exaltante de combater a pobreza" - o termo em destaque confere ao combate à pobreza a qualidade de:

 

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2860903 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Cubatão-SP

INDEPENDÊNCIA DE QUEM?

A escravidão moldou o mundo. Nos EUA, deu em guerra civil. Países como Portugal, Inglaterra, Espanha, França e Brasil fizeram fortunas vendendo jovens negros. Países Baixos, escandinavos, até a Suíça, participaram do negócio, que durou quase 400 anos e foi abençoado por Roma, que hoje chamamos de Vaticano graças a Mussolini; como primeiro-ministro, ele transformou em 1929 o enclave de 44 hectares da Igreja Católica em cidade-Estado independente.

Para a Igreja, interessava a evangelização de indígenas e negros, considerados infiéis. Especialmente os africanos, na sombra da religião muçulmana, que atravessava o Saara.

Os missionários pegaram carona nos interesses econômicos das monarquias europeias pelo Novo Mundo. Para entender a história brasileira, basta seguir o caminho da escravidão.

Na formação econômica e social do Pais, via ciclos do açúcar, tabaco, couro, ouro, diamante, café, a prata do Peru, cujos mineiros escravizados eram vendidos no Rio de Janeiro, até o algodão, paradoxalmente a matéria-prima da Revolução Industrial, tinha tecnologia e mão de obra escrava.

Igreja e Estado eram uma coisa só. Se Roma levantava o polegar para a escravização, ela seguia em frente. As "peças", como eram chamados, eram batizadas na África ou em portos brasileiros. Dom João li ordenou que escravos fossem marcados a ferro em brasa com o símbolo da coroa portuguesa, como prova de que o imposto real tinha sido pago.

Posteriormente, Dom João IV substituiu a marca de ferro por uma argola pendurada no pescoço. Marcavam com ferro em brasa as iniciais do proprietário ainda nos leilões no desembarque. Era chamado de "carimbo", palavra que vem do quimbundo, língua banto de Angola: ka + rimbu.

Ordens religiosas possuíam escravos. Em 1756, foi adotada uma lei que obrigava os "navios negreiros" a terem capelães a bordo, para administrarem o sacramento. Padre Luís Brandão, reitor do Colégio de Luanda, escreveu: "Mesmo que vivemos aqui já faz quarenta anos e temos entre nós padres muito doutos, nunca consideramos este tráfico como ilícito. Os padres do Brasil também não, e sempre houve, naquela província, padres eminentes pelo saber. Assim, tanto nós como os padres do Brasil compramos aqueles escravos sem escrúpulos".

Poucas vozes se levantaram contra. "O missionário italiano Gabriel Malagrida (1689-1761), que tendo também contestado os métodos utilizados no Brasil em relação aos negros e por causa das suas ideias e oposição ao Marquês de Pombal, foi queimado vivo pela inquisição em Lisboa", afirma o filósofo teólogo da Universidade Católica de Pernambuco, Sergio Douets Vasconcelos.

A Igreja foi conivente e usufruiu da escravidão que destruiu aldeias e nações milenares na África. Na costa, europeus davam armas, tabaco e bebida alcoólica para reis africanos invadirem reinos vizinhos, destruindo a indústria de manufaturados, a agricultura e pecuária.

Comemora-se a independência de quem em 7 de setembro? A metade da população era escrava. E continuaram a chegar mais escravizados até 1850.

O Brasil continuou unificado, assistindo à fragmentação da América Espanhola, graças ao pacto corrupto entre monarquia e elite agrária, que não queria a abolição. A aristocracia tapou os olhos para o que acontecia no mundo. Tarde demais. A República e movimentos abolicionistas os atropelaram. Por sorte, continuaram com a cabeça grudada no pescoço. E nós, com a maldita herança de uma sociedade racista, escravocrata.

Marcelo Rubens Paiva - jornal "O Estado de São Paulo", edição de 21 de agosto de 2021.

Da leitura do texto podemos concluir que:

 

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