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Foram encontradas 118 questões.

2492924 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Os gêneros do discurso

A competência sociocomunicativa dos falantes/ ouvintes leva-os à detecção do que é adequado ou inadequado em cada uma das práticas sociais. Essa competência leva ainda à diferenciação de determinados gêneros de textos, como saber se se está perante uma anedota, um poema, um enigma, uma explicação, uma conversa telefônica etc. Há o conhecimento, pelo menos intuitivo, de estratégias de construção e interpretação de um texto. A competência textual de um falante permite-lhe, ainda, averiguar se em um texto predominam sequências de caráter narrativo, descritivo, expositivo e/ou argumentativo.

O contato com os textos da vida quotidiana exercita a nossa capacidade metatextual para a construção e intelecção de textos.

Bakhtin [1953] (1992, p. 179) escreve:

Todas as esferas da atividade humana, por mais variadas que sejam, estão relacionadas com a utilização da língua. Não é de surpreender que o caráter e os modos dessa utilização sejam tão variados como as próprias esferas da atividade humana […]. O enunciado reflete as condições específicas e as finalidades de cada uma dessas esferas, não só por seu conteúdo temático e por seu estilo verbal, ou seja, pela seleção operada nos recursos da língua – recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais – mas também, e sobretudo, por sua construção composicional.

KOCH, Ingedore G. Villaça. Desvendando os segredos do texto. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2003. p. 53-54.

Assinale a alternativa correta que se encontra em consonância com a noção de gênero discursivo presente na citação do texto.

 

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2492847 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Texto 4

A construção dos sentidos no texto: coesão e coerência

Podemos conceituar a coesão como o fenômeno que diz respeito ao modo como os elementos linguísticos presentes na superfície textual se encontram interligados, por meio de recursos também linguísticos, formando sequências veiculadoras de sentidos. Existem duas grandes modalidades de coesão: a remissão e a sequenciação.

A coerência diz respeito ao modo como os elementos subjacentes à superfície textual vêm a constituir, na mente dos interlocutores, uma configuração veiculadora de sentidos. É resultado da atuação conjunta de uma série de fatores de ordem cognitiva, situacional, sociocultural e interacional. Embora coesão e coerência constituam fenômenos diferentes, opera-se, muitas vezes, uma imbricação entre eles por ocasião do processamento textual.

KOCH, Ingedore V. O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto, 1997. p. 35-45. [Adaptado].

Tomando como base o texto 4 e a noção de referenciação, analise as afirmativas abaixo.

1. A noção clássica de referência está associada a uma visão representacional dos objetos-do-mundo; já na perspectiva da referenciação, as entidades não estão dadas a priori para serem representadas, mas são vistas como objetos-de-discurso.

2. A construção de um modelo textual envolve os seguintes princípios de referenciação: ativação – introdução de um referente; reativação – retomada do referente por meio de expressão nominal definida; e de-ativação – retomada do referente por elipse.

3. A retomada implica remissão e referenciação, ao passo que a remissão implica referenciação e não necessariamente retomada. A referenciação, por sua vez, é uma atividade de designação e não implica remissão pontualizada nem retomada.

4. Continuidade referencial implica a estabilidade e a identidade dos referentes, isto é, correferencialidade.

5. A nominalização, entendida como encapsulamento e rotulação, é um mecanismo que atribui estatuto referencial a informações dadas previamente, transformando-as em objetos-de-discurso.

Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.

 

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2492781 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Texto 5

Fala e escrita

Uma diversidade, muito sutil e falaz, é a que existe entre a fala e a escrita. […] O estudante já vem para a escola falando satisfatoriamente, embora seja em regra deficiente no registro formal do uso culto; o que ele domina plenamente é a linguagem familiar, na maioria dos casos. Como quer que seja, a técnica da língua escrita ele tem de aprender na escola. Os professores partem da ilusão de que, ensinando-a, estão ao mesmo tempo ensinando uma fala satisfatória. […]

A língua escrita se manifesta em condições muito diversas da língua oral. […] A fala se desdobra numa situação concreta, sob o estímulo de um falante ou vários falantes outros, bem individualizados. Uma e outra coisa desaparecem na língua escrita. Já aí se tem uma primeira e profunda diferença entre os dois tipos de comunicação linguística.

Depois, a escrita não reproduz fielmente a fala, como sugere a metáfora tantas vezes repetida de que “ela é a roupagem da língua oral”.

CAMARA Jr., Joaquim Mattoso. Estrutura da língua portuguesa. 3. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1972. p. 9-10.

Texto 6

Fala e escrita

Uma primeira observação a ser feita é a que diz respeito ....... própria visão comparativa da relação entre fala e escrita. Quando se olha para ....... escrita tem-se a impressão de que se está contemplando algo naturalmente claro e definido. Tudo se passa como se ao nos referirmos ...... escrita estivéssemos apontando para um fenômeno se não homogêneo, pelo menos bastante estável e com pouca variação. O contrário ocorre com a consciência espontânea que se desenvolveu respeito da fala. Esta se apresenta como variada e, curiosamente, não nos vem ...... mente em primeira mão a fala padrão. É o caso de dizer que fala e escrita são intuitivamente construídas como tipos ideais concebidos com princípios opostos e que não correspondem ....... realidade alguma, a menos que identifiquemos um fenômeno que as realize.

A hipótese que defendemos supõe que: as diferenças entre fala e escrita se dão dentro do continuum tipológico das práticas sociais de produção textual e não na relação dicotômica de dois polos opostos. [grifos do autor]

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Da fala para a escrita:

atividades de retextualização. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2007. p. 37.

Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) no que se refere à organização textual e a aspectos linguísticos dos textos 5 e 6.

( ) Em “Já se tem uma primeira e profunda diferença […]” (texto 5), o elemento destacado tem valor coesivo, funcionando como conector sequenciador temporal.

( ) Comparando-se o uso dos clíticos nos segmentos “A língua escrita se manifesta […]. A fala se desdobra numa situação concreta […].” (texto 5) e “Quando se olha para […] tem-se a impressão de que se está contemplando […].” (texto 6), observa-se que o primeiro segmento apresenta próclise sem a presença de partículas atratoras, diferentemente do segundo.

( ) Em “como sugere a metáfora tantas vezes repetida de que ‘ela é a roupagem da língua oral’” (texto 5) e “tem-se a impressão de que se está contemplando algo naturalmente claro e definido” (texto 6), as orações introduzidas por “de que” complementam núcleos constituídos por nominalização, entendida como nome abstrato derivado de base verbal.

( ) Em “É o caso de dizer que fala e escrita são intuitivamente construídas como tipos ideais concebidos com princípios opostos e que não correspondem […] realidade alguma, a menos que identifiquemos um fenômeno que as realize.” (texto 6), ocorre uma ambiguidade estrutural que prejudica a identificação do sujeito de “não correspondem”.

( ) Em “a técnica da língua escrita ele tem de aprender na escola” (texto 5), ocorre uma ruptura na continuidade referencial do tópico-sujeito, e o deslocamento do objeto direto coloca em relevo uma nova informação, numa construção sintaticamente marcada.

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.

 

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2492448 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Texto 9

Língua e ideologia

A reprodução do preconceito

As palavras não são neutras, a língua não é neutra. A ideia de que as palavras nomeiam e, simplesmente porque nomeiam, o sentido está dado – de que elas não são prenhes de sentidos outros além daqueles que eu supunha tão ingenuamente – faz com que eu seja traído pela língua, seja manipulado pela língua.

Não tenho como me desenredar da teia de palavras, e de seus sentidos, e de suas implicações. Não tenho como falar delas senão usando elas, e dentro dos espaços em que elas, circulando, têm significação. “As palavras são tecidas a partir de uma multidão de fios ideológicos e servem de trama a todas as relações sociais em todos os domínios”, ensina Bakhtin.

O que posso fazer – ao invés de tentar escapar da rede de significado que elas constituem, escutando a advertência do poeta Drummond de que “sob a pele das palavras há cifras e códigos” –, o que posso fazer é ter consciência desse processo e de certos jogos possíveis de serem criados e, assim, evitar algumas ciladas.

Podemos encarar a relação língua e ideologia em dois planos: o plano da forma e o plano do conteúdo. O plano do sentido é o mais aparente, mais fácil de perceber; ao nível da forma, por se tratar de um fenômeno mais abstrato, a questão ideológica é menos visível, ainda que não menos importante.

BRITTO, Luiz Percival Leme. Língua e

Ideologia: a reprodução do preconceito. In BAGNO, M. (Org.) Linguística da Norma. São Paulo: Loyola, 2002. p. 135-137. [Adaptado]

Assinale a alternativa correta em relação ao excerto abaixo.

“O que posso fazer – ao invés de tentar escapar da rede de significado que elas constituem, escutando a advertência do poeta Drummond de que ‘sob a pele das palavras há cifras e códigos’ –, o que posso fazer é ter consciência desse processo e de certos jogos possíveis de serem criados e, assim, evitar algumas ciladas.” (terceiro parágrafo)

 

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2491818 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Com relação a gêneros discursivos, assinale a alternativa correta.

 

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2490177 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Texto 9

Língua e ideologia

A reprodução do preconceito

As palavras não são neutras, a língua não é neutra. A ideia de que as palavras nomeiam e, simplesmente porque nomeiam, o sentido está dado – de que elas não são prenhes de sentidos outros além daqueles que eu supunha tão ingenuamente – faz com que eu seja traído pela língua, seja manipulado pela língua.

Não tenho como me desenredar da teia de palavras, e de seus sentidos, e de suas implicações. Não tenho como falar delas senão usando elas, e dentro dos espaços em que elas, circulando, têm significação. “As palavras são tecidas a partir de uma multidão de fios ideológicos e servem de trama a todas as relações sociais em todos os domínios”, ensina Bakhtin.

O que posso fazer – ao invés de tentar escapar da rede de significado que elas constituem, escutando a advertência do poeta Drummond de que “sob a pele das palavras há cifras e códigos” –, o que posso fazer é ter consciência desse processo e de certos jogos possíveis de serem criados e, assim, evitar algumas ciladas.

Podemos encarar a relação língua e ideologia em dois planos: o plano da forma e o plano do conteúdo. O plano do sentido é o mais aparente, mais fácil de perceber; ao nível da forma, por se tratar de um fenômeno mais abstrato, a questão ideológica é menos visível, ainda que não menos importante.

BRITTO, Luiz Percival Leme. Língua e

Ideologia: a reprodução do preconceito. In BAGNO, M. (Org.) Linguística da Norma. São Paulo: Loyola, 2002. p. 135-137. [Adaptado]

No que se refere ao texto 9, analise as afirmativas abaixo.

1. O uso de travessão no primeiro parágrafo desempenha um papel expressivo e isola um comentário esclarecedor e avaliativo em relação à ideia de que o sentido está estabilizado.

2. Em “Não tenho como me desenredar da teia de palavras, e de seus sentidos, e de suas implicações. Não tenho como falar delas senão usando elas, e dentro dos espaços em que elas, circulando, têm significação”, a recorrência dos termos sublinhados produz um efeito estilístico de ênfase.

3. O uso de dois pontos no último parágrafo rompe com o estilo informal e expressivo utilizado pelo autor, conferindo um novo tom redacional e informativo ao texto.

4. No último parágrafo, em “[…] a questão ideológica é menos visível, ainda que não menos importante”, estão presentes as ideias de comparação e de concessão.

5. No último parágrafo, o segmento “por se tratar de um fenômeno mais abstrato” está isolado por vírgulas, pois é uma oração subordinada substantiva cujo sentido complementa a oração principal que a antecede.

Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.

 

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2490169 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Planejando seu texto: falado e escrito

Vamos supor que começássemos a escrever usando a mesma variedade da língua que se usa na fala: chamei ela, a casa que eu moro, tá bem etc. Isso não significaria, em absoluto, que os textos escritos ficariam idênticos ao que vou chamar, por comodidade, de textos falados. Acontece que há outras diferenças, que acabam sendo mais importantes do que as diferenças gramaticais, e que são impossíveis de eliminar, porque não decorrem de convenção social, mas das limitações e recursos do meio empregado: a fala ou a escrita.

Para dar um exemplo: um leitor pode diminuir a velocidade de leitura, e pode reler um trecho se achar que não entendeu direito. Mas um ouvinte não tem esses recursos: se não entendeu, precisa pedir ao falante que repita – e não pode ficar fazendo isso o tempo todo, para não perturbar a própria situação de comunicação, e acabarem os dois se confundindo na conversa. Isso tem consequências para a estruturação do texto. Um autor pode escrever de maneira muito mais sintética, sem repetições e construindo suas frases em um plano amplo, como por exemplo:

O Durval, que toma conta da escola, saiu correndo atrás dos meninos da terceira série, que tinham ido para a rua, a fim de vigiá-los.

Essa frase funciona perfeitamente na escrita. Mas se for falada desse jeito – e principalmente se as outras frases do texto forem todas estruturadas assim – vai ficar difícil de entender. O ouvinte, que não pode voltar atrás, pode não se lembrar de quem é que vai “vigiar”, ou quem são “-los”, ou quem é que tinha ido para a rua. Essa passagem apareceria (e, na verdade, apareceu) em um texto falado com a seguinte forma:

aí, saiu o Durval saiu correndo atrás dos menino, né, o que toma conta lá da escola, pra poder, saiu correndo atrás dos menino, poder tomar conta dos menino. Os menino tinha ido pra rua, menino da terceira série.

PERINI, Mário A. A língua do Brasil amanhã e outros mistérios.

São Paulo: Parábola Editorial, 2004. p. 65-67.

Considere os segmentos extraídos do texto.

1. “Isso não significaria, em absoluto, que os textos escritos ficariam idênticos ao que vou chamar, por comodidade, de textos falados.”

2. “Acontece que há outras diferenças, que acabam sendo mais importantes do que as diferenças gramaticais, e que são impossíveis de eliminar, porque não decorrem de convenção social, mas das limitações e recursos do meio empregado: a fala ou a escrita.”

Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ).

( ) Em 1, a expressão “em absoluto” está funcionando como um modalizador epistêmico asseverativo, indicando que o autor demonstra comprometimento em seu argumento.

( ) Em 1, a expressão “por comodidade” está funcionando como um modalizador avaliativo, cujo escopo recai sobre todo o enunciado.

( ) Em 2, “porque” é um conector que estabelece uma relação lógico-semântica de causa e consequência relativamente ao evento representado no enunciado anterior.

( ) Em 2, o segmento “que acabam […] diferenças gramaticais” é uma oração adjetiva explicativa, intercalada entre o sujeito e o predicado da oração principal.

( ) Em 2, o sintagma nominal “o meio empregado” estabelece uma remissão por referenciação catafórica.

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.

 

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2489795 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Texto 1

A questão da(s) norma(s)

A expressão norma culta/comum/standard designa o conjunto de fenômenos linguísticos que ocorrem habitualmente no uso dos falantes letrados em situações mais monitoradas de fala e escrita. Já a norma-padrão é um construto sócio- -histórico que serve de referência para estimular um processo de uniformização. Enquanto a primeira é a expressão viva de certos segmentos sociais em determinadas situações, a segunda é uma codificação relativamente abstrata, uma baliza extraída do uso real para servir de referência, em sociedades marcadas por acentuada dialetação, a projetos políticos de uniformização linguística.

Embora o padrão não se confunda com a norma culta/comum/standard, está mais próximo dela do que das demais normas, porque os codificadores e os que assumem o papel de seus guardiões e cultores saem dos estratos sociais usuários dessa norma. Se esse é um fator de aproximação, é também um fator de tensão porque o inexorável movimento histórico da norma culta/comum/standard tende a criar um fosso entre ela e o padrão, ficando este cada vez mais artificial e anacrônico, se não houver mecanismos socioculturais para realizar os necessários ajustes.

Cabe perguntar se o Brasil, neste início do século XXI, necessita, de fato, definir uma norma-padrão. A questão é saber se a natural diversidade linguística nacional está pondo em risco a relativa unidade das variedades cultas/comuns/standard faladas. A resposta parece ser bem clara: não há qualquer indício de risco à relativa unidade dessas variedades. Bem ao contrário: as circunstâncias históricas – ou seja, a intensa urbanização da população brasileira, as novas redes de relações que se estabelecem no espaço urbano e suas respectivas pressões niveladoras, a presença quase universal dos meios de comunicação social e a própria expansão da escolaridade – em boa medida favorecem a manutenção da relativa unidade das nossas variedades cultas/comuns/standard e criam condições para sua expansão social.

Diante desses fatos, talvez possamos abrir mão de projetos padronizadores, direcionando nossas energias para o que efetivamente interessa: de um lado a descrição e a difusão das variedades cultas/comuns/standard faladas e escritas; e, de outro, o combate sistemático aos preceitos da norma curta – preceitos dogmáticos que não encontram respaldo nem nos fatos, nem nos bons instrumentos normativos – que, em nome de uma norma padrão artificialmente fixada, ainda circula entre nós, quer na desqualificação da língua portuguesa do Brasil, quer na desqualificação dos seus falantes.

FARACO, Carlos Alberto. A. Norma culta brasileira:

desatando alguns nós. São Paulo: Parábola Editorial, 2008. p. 73-94. [Adaptado].

Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) no que se refere a aspectos linguísticos do texto 1.

( ) As palavras “uniformização”, “urbanização”, “manutenção” e “expansão” fazem parte de um mesmo paradigma gramatical, pois compartilham o mesmo processo de derivação de nomes a partir de verbos, tendo sofrido o mesmo tipo de mudança morfofonêmica em sua formação.

( ) Em “[…] saem dos estratos sociais usuários dessa norma” (segundo parágrafo), a palavra “usuários” é um substantivo agentivo derivado de verbo.

( ) A palavra “guardiões” (segundo parágrafo) poderia ser grafada como “guardiães” sem ferir a norma culta da língua, pois se trata de nome em –ão que admite essas duas formas de plural, assim como ocorre em “charlatões” e “charlatães”.

( ) De acordo com o modelo de constituintes imediatos, a palavra “desqualificação” (último parágrafo), considerada sincronicamente, segue a seguinte ordem de derivação: qualificar > desqualificar > desqualificação.

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.

 

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2489696 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Texto 2

Norma prescritiva & escrita literária

As obras dos grandes poetas e ficcionistas representam produções linguísticas em gêneros escritos bastante particulares – usar essas produções como modelo a ser descrito e/ou prescrito implicaria na omissão e desconsideração de todos os demais usos da língua. Assim, se os gramáticos podem colher, nas obras literárias, exemplos de usos “corretos” das estruturas gramaticais do idioma, também seria possível coletar, nessas mesmas obras, exemplos contrários, isto é, de usos não “exemplares”, de usos que contrariam precisamente as regras prescritas como “melhores” ou “mais recomendáveis” pelos mesmos gramáticos. As duas práticas são injustificáveis, uma vez que ambas traem o objetivo do escritor, que não é transformar-se em régua para medir os usos linguísticos de todos os demais usuários da língua, mas, sim, construir obras de arte que lhe permitam dar vazão à sua necessidade de expressão, a seu desejo de comunicação, à sua ânsia de criação.

***

A maior parte das citações extraídas de Laços de Família mostra que Cunha & Cintra, responsáveis pela Nova gramática do português contemporâneo, conseguiram realizar uma façanha e tanto: encontrar em Clarice Lispector frases banais, construções sintáticas básicas, que qualquer falante nativo de português minimamente letrado poderia escrever, não havendo necessidade de extraí-las da obra de uma escritora deste porte. É quase como se os gramáticos quisessem evitar mostrar precisamente o que há de “efeito mágico” na linguagem da ficcionista… Alguns exemplos:

Mas – quem daria dinheiro aos pobres? (p. 140)

Vivi com Daniel perto de dois anos. (p. 148)

Acerca do emprego dos pronomes ele, ela, eles, elas como objeto direto, assim se manifestam Cunha & Cintra (p. 281):

Na fala vulgar e familiar do Brasil é muito frequente o uso do pronome ele(s), ela(s) como objeto direto em frases do tipo:

Vi ele. Encontrei ela.

Embora esta construção tenha raízes antigas no idioma, pois se documenta em escritores portugueses dos séculos XIII e XIV, deve ser hoje evitada.

Só que essa construção “vulgar e familiar” que supostamente deve ser “evitada” (mas por quê? por ser uma “interferência da fala na escrita”?) ocorre em A hora da estrela, de Lispector, a mesma escritora que é chamada na gramática de Cunha & Cintra a oferecer exemplos de uso correto:

Se sei quase tudo de Macabéa é que já peguei uma vez de relance o olhar de uma nordestina amarelada. Esse relance me deu ela de corpo inteiro. (p. 57).

BAGNO, Marcos. In: CORREA, D. A.; SALEH, P. B. de O. (Org.) Práticas de letramento no ensino:

leitura, escrita e discurso. São Paulo: Parábola Editorial; Ponta Grossa, PR: UEPG, 2007. p. 28-38. [Adaptado.]

Assinale a alternativa correta, de acordo com o texto 2.

 

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2489351 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Afinal, o que é a língua?

A língua é uma das realidades mais fantásticas da nossa vida. Ela está presente em todas as nossas atividades; nós vivemos entrelaçados (às vezes soterrados!) pelas palavras; elas estabelecem todas as nossas relações e nossos limites, dizem ou tentam dizer quem somos, quem são os outros, onde estamos, o que vamos fazer, o que fizemos. Nossos sonhos são povoados de palavras; os outros se definem por palavras; todas as nossas emoções e sentimentos se revestem de palavras. O mundo inteiro é um magnífico e gigantesco bate-papo, dos chefes de Estado negociando a paz e a guerra às primeiras sílabas de uma criança em alguma favela brasileira ou numa vila africana. É pela linguagem, afinal, que somos indivíduos únicos: somos o que somos depois de um processo de conquista da nossa palavra, afirmada no meio de milhares de outras palavras e com elas compostas.

Apesar dessa presença absoluta na nossa vida (ou talvez justamente por isso), ainda sabemos pouco sobre a linguagem e, em geral, temos uma relação problemática com ela, principalmente em sua forma escrita. Isto é, embora não sejamos nada sem a língua, parece que ela permanece alguma coisa estranha em nossa vida, como se ela não nos pertencesse.

FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristovão.

Prática de texto para estudantes universitários. 10. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002. p. 9.

Analise as afirmativas abaixo, considerando o texto.

1. Os termos “língua” e “linguagem” são usados sem distinção pelos autores.

2. Os pronomes de primeira pessoa do plural, recorrentes no texto, fazem remissão aos interlocutores de um evento comunicativo específico: os autores e os leitores do texto.

3. O primeiro parágrafo caracteriza-se por ser mais asseverativo em relação ao segundo, que é marcado por diferentes recursos de modalização.

4. No início do segundo parágrafo do texto, os conectores “apesar de” e “por” introduzem, de modo divergente, o mesmo conteúdo pressuposto.

5. Na última frase do texto, “Isto é” funciona como um conector lógico-semântico de exemplificação.

Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.

 

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