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Foram encontradas 118 questões.

2495819 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Considere os excertos abaixo:

1. “Sem levar em conta a relação do falante com o outro e seus enunciados (presentes e antecipáveis), é impossível compreender o gênero ou o estilo do discurso” (BAKHTIN, 2003, p. 304).

2. “A tensão entre o espírito criador e as normas gramaticais é que explica o fenômeno do estilo, na sua gênese mais profunda.” (ELIA, 1977, p. 77).

Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) em relação aos excertos.

( ) Em 1, é possível depreender que mesmo os estilos considerados neutros e objetivos carregam alguma concepção de destinatário que afeta, direta ou indiretamente, a composição do texto.

( ) Em 2, depreende-se que estilo implica escolha de recursos linguísticos que se constituem em desvios gramaticais.

( ) As duas citações são complementares, uma vez que assumem que o estilo se vincula à manipulação dos recursos linguísticos segundo os interesses psicológicos dos sujeitos.

( ) Em 1, a noção de estilo se associa à de gênero discursivo, o que implica que o estilo é sensível às condições sociais de produção e circulação dos enunciados.

( ) De acordo com os dois excertos, o estilo é um atributo individual que exige manipulação criativa, porém comportada, das regras normativas da língua conforme o interlocutor.

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.

 

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2495356 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Texto 8

O dia em que Maria fez Lampião tremer de amor

Dia Internacional da Mulher, dia de aniversário de Maria Bonita.

Essa menina que enjoou da boneca mais cedo do que as outras.

Essa baixinha invocada. Tipo que a gente gama pela brabeza e pelo destemor de se jogar lindamente sob o solzão estralado da existência.

Pense em uma mulher bem-resolvida, meu caro Sigmund. Melhor: uma mulher que sabia o que queria no calor da hora. Repare a enquadrada que ela dá em Virgulino:

– Como é, quer me levar ou quer que eu lhe acompanhe? – sapecou a baiana, idos de 1929, dos 18 para 19 anos, deixando Lampião, acossado, risinho amarelo fora dos beiços.

Foi a primeira cantada de uma mulher em um homem no Nordeste brasileiro. Reza a lenda e quem tiver sua realidade que não me venha botar gosto ruim na história.

O temido bandoleiro, que já havia deixado um rastro de sangue pelos sertões, estava diante de uma mulher que o fazia tremer como vara verde de canafístola:

– Como você quiser, Maria; eu também quero. Se estiver disposta a me acompanhar, vambora” – respondeu, assombrado com a danação da pequena.

E lá estava formado, com esse diálogo fumegante, o casal mais lendário do Nordwestern – Bonnie & Clyde é muito pouco, quase nada diante das aventuras desta parelha.

A moreninha mignon, olhos enfeitiçadores – charmosamente estrábicos, como amo isso! –, era a primeira fêmea a participar de um bando de cangaceiros, uma história dominada pelos homens desde que o século 18, quando o pernambucano José Gomes (1751-1776), o Cabeleira, deu início a este ramo.

O pioneirismo de Maria Gomes de Oliveira enfrentou resistência. A suspeita dos cabras de Lampião era que a presença feminina enfraqueceria o cangaço, facilitando a captura dos fora-da-lei por parte das forças policiais ou “volantes”, como eram conhecidas.

“Homem de batalha não pode andar com mulher. Se ele tem uma relação, perde a oração, e seu corpo fica como uma melancia: qualquer bala atravessa”, declarou o cangaceiro Balão.

O sociólogo e psicanalista cearense Daniel Lins, no seu livro “Lampião, o Homem que Amava as Mulheres” (ed. Annablume) mostra o contrário. A tropa ganhou mais força com a presença delas.

[…]

SÁ, Xico. Disponível em: http://xicosa.blogfolha.uol.com.br/

2014/03/08/o-dia-em-que-maria-fez-lampiao-tremer-de-amor/ Acessado em 08/03/2014

Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) em relação ao texto 8.

( ) Em “Pense em uma mulher bem-resolvida, meu caro Sigmund”, a construção sublinhada funciona como vocativo e apresenta um tom irônico, que se depreende pela referência feita ao psicanalista Sigmund Freud.

( ) Em “Repare a enquadrada que ela dá em Virgulino”, o termo sublinhado representa uma variante estigmatizada da forma imperativa na 2ª pessoa do singular, sendo seu uso inadequado.

( ) Em “O temido bandoleiro, que já havia deixado um rastro de sangue pelos sertões, estava diante de uma mulher […]” as vírgulas isolam uma oração subordinada adjetiva explicativa.

( ) Em “E lá estava formado, com esse diálogo fumegante, o casal […]”, o trecho entre vírgulas é um segmento intercalado que expressa uma apreciação do autor.

( ) Em “A moreninha mignon” o termo sublinhado carrega um tom pejorativo e significa que Maria era uma mulher desejada por vários homens.

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.

 

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2494387 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Intertextualidade e polifonia

O conceito de polifonia é mais amplo que o de intertextualidade. Enquanto nesta faz-se necessária a presença de um intertexto, cuja fonte é explicitamente mencionada ou não, o conceito de polifonia, tal como elaborado por Ducrot (1980, 1984), a partir da obra de Bakhtin (1929), em que este denomina de polifônico o romance de Dostoievski, exige apenas que se representem, encenem (no sentido teatral), em dado texto, perspectivas ou pontos de vista de enunciadores (reais ou virtuais) diferentes.

Ducrot, ao apresentar a teoria polifônica da enunciação, postula a existência, em cada texto/enunciado, de mais de um enunciador, que representam perspectivas, pontos de vista diferentes, sendo uma delas aquela a que o locutor adere em seu discurso. Isto é, no discurso de um locutor, encenam-se, representam-se pontos de vista diversos.

Segundo Ducrot, são os seguintes os principais índices de polifonia: negação; marcadores de pressuposição; determinados operadores argumentativos; futuro do pretérito com valor de metáfora temporal; operadores concessivos; operadores conclusivos; aspas; e expressões do tipo parece que, segundo X; entre outros.

Tanto a polifonia como a intertextualidade são atestações cabais da presença do outro em nossos discursos, do dialogismo tal como postulado por Bakhtin e da incontornável argumentatividade inerente aos jogos de linguagem.

KOCH, Ingedore G. Villaça; BENTES, Anna Christina; CAVALCANTE,

Mônica Magalhães. Intertextualidade: diálogos possíveis. São Paulo: Cortez, 2007. p.79-83 [Adaptado]

Verifique se as afirmativas abaixo estão em consonância com o texto e identifique as verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ).

( ) Para que haja polifonia não é necessária a menção direta ou indireta a determinados textos.

( ) A polifonia se realiza através de determinados recursos linguísticos que operam introduzindo diferentes vozes sociais no texto.

( ) O conceito de polifonia de Ducrot e de Bakhtin implica uma relação hierárquica entre os enunciadores, sendo que a voz do locutor é a dominante.

( ) A polifonia é uma categoria discursiva e, por isso mesmo, não se materializa em elementos linguísticos, cabendo a sua identificação à prática da interpretação.

( ) Os conceitos de polifonia e de intertextualidade se diferem: enquanto o primeiro é de caráter mais discursivo, o segundo é mais textual.

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.

 

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2494059 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Considerando as diferentes concepções de linguagem, correlacione as colunas a seguir.

Coluna 1

1. Linguagem como expressão do pensamento
2. Linguagem como instrumento de comunicação
3. Linguagem como interação social

Coluna 2

( ) “A linguagem […] possibilita aos membros de uma sociedade a prática dos mais diversos tipos de atos, que vão exigir dos semelhantes reações e/ou comportamentos, levando ao estabelecimento de vínculos e compromissos anteriormente inexistentes” (KOCH, 1992, p.9-10)

( ) O texto é visto como um produto, cabendo ao leitor captar a representação mental, as intenções do autor.

( ) A compreensão é uma atividade de produção de sentidos que requer a mobilização de um vasto conjunto de saberes e sua reconstrução no interior do evento comunicativo.

( ) A produção de uma linguagem claramente articulada é dependente da capacidade humana de organização lógica das ideias.

( ) A língua é vista, historicamente, como um código por meio do qual se transmite uma mensagem de um emissor a um receptor; é um sistema organizado de sinais, exterior ao indivíduo.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.

 

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2493987 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Intertextualidade e polifonia

O conceito de polifonia é mais amplo que o de intertextualidade. Enquanto nesta faz-se necessária a presença de um intertexto, cuja fonte é explicitamente mencionada ou não, o conceito de polifonia, tal como elaborado por Ducrot (1980, 1984), a partir da obra de Bakhtin (1929), em que este denomina de polifônico o romance de Dostoievski, exige apenas que se representem, encenem (no sentido teatral), em dado texto, perspectivas ou pontos de vista de enunciadores (reais ou virtuais) diferentes.

Ducrot, ao apresentar a teoria polifônica da enunciação, postula a existência, em cada texto/enunciado, de mais de um enunciador, que representam perspectivas, pontos de vista diferentes, sendo uma delas aquela a que o locutor adere em seu discurso. Isto é, no discurso de um locutor, encenam-se, representam-se pontos de vista diversos.

Segundo Ducrot, são os seguintes os principais índices de polifonia: negação; marcadores de pressuposição; determinados operadores argumentativos; futuro do pretérito com valor de metáfora temporal; operadores concessivos; operadores conclusivos; aspas; e expressões do tipo parece que, segundo X; entre outros.

Tanto a polifonia como a intertextualidade são atestações cabais da presença do outro em nossos discursos, do dialogismo tal como postulado por Bakhtin e da incontornável argumentatividade inerente aos jogos de linguagem.

KOCH, Ingedore G. Villaça; BENTES, Anna Christina; CAVALCANTE,

Mônica Magalhães. Intertextualidade: diálogos possíveis. São Paulo: Cortez, 2007. p.79-83 [Adaptado]

Considerando o texto, assinale a alternativa que não apresenta índice de polifonia, dentre os enumerados por Ducrot.

 

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2493346 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Afinal, o que é a língua?

A língua é uma das realidades mais fantásticas da nossa vida. Ela está presente em todas as nossas atividades; nós vivemos entrelaçados (às vezes soterrados!) pelas palavras; elas estabelecem todas as nossas relações e nossos limites, dizem ou tentam dizer quem somos, quem são os outros, onde estamos, o que vamos fazer, o que fizemos. Nossos sonhos são povoados de palavras; os outros se definem por palavras; todas as nossas emoções e sentimentos se revestem de palavras. O mundo inteiro é um magnífico e gigantesco bate-papo, dos chefes de Estado negociando a paz e a guerra às primeiras sílabas de uma criança em alguma favela brasileira ou numa vila africana. É pela linguagem, afinal, que somos indivíduos únicos: somos o que somos depois de um processo de conquista da nossa palavra, afirmada no meio de milhares de outras palavras e com elas compostas.

Apesar dessa presença absoluta na nossa vida (ou talvez justamente por isso), ainda sabemos pouco sobre a linguagem e, em geral, temos uma relação problemática com ela, principalmente em sua forma escrita. Isto é, embora não sejamos nada sem a língua, parece que ela permanece alguma coisa estranha em nossa vida, como se ela não nos pertencesse.

FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristovão.

Prática de texto para estudantes universitários. 10. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002. p. 9.

Com base nos elementos linguísticos presentes na superfície textual e na sua forma de organização, assinale a alternativa correta em relação ao texto 1.

 

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O texto abaixo deverá ser utilizado para responder a questão.

O que você tem a ver com a corrupção?

Dann Toledo

Enunciado 2493139-1

No dia 21 de abril de 2012, foi dado um minúsculo grande passo em direção à liberdade política em nosso país. O Dia do Basta, como a mobilização foi denominada, levou às ruas de todo o país milhares de pessoas. Em todos os estados da Federação, em diversas cidades, o povo saiu às ruas. Caras foram pintadas, músicas foram entoadas, faixas levantadas e assim foi dado um “peteleco” nas orelhas da nossa sociedade.

Todavia, ainda não conseguimos alcançar a tão sonhada e utópica mudança em nosso cenário político. Ao pensarmos em corrupção, normalmente pensamos em escândalos com nossos legisladores e com os que ocupam os cargos executivos.

Devemos levar em consideração que a corrupção, assim como a moralidade, começa dentro de nosso próprio self. Somos seres políticos e sociais, com isso, é nosso dever nos policiar em nossos pequenos atos para que assim possamos cobrar dos outros uma mudança que dantes já tenhamos, no mínimo, começado a internalizar.

Todas as vezes que pedimos favores de formas obscuras, mesmo que pensamos não haver nada de mais nisso, estamos sim sendo corruptos. O nosso tão amado jeitinho brasileiro nada mais é do que uma forma de burlarmos o sistema de regras e, com isso, nos tornarmos aquilo que dizemos repudiar; corruptos.

Uma campanha do Ministério Público, denominada “O que você tem a ver com a corrupção?”, trata justamente sobre isso: como nossos atos mais simples e muitas vezes ditos inocentes e normais podem ser atos corruptos. Pedir que o guarda de trânsito libere o carro numa blitz mesmo estando irregular, levar um atestado médico no trabalho sem que realmente tenha estado doente, falar para um colega assinar a lista de presença no colégio, faculdade ou bater teu cartão no trabalho. Tudo isso nada mais é do que corrupção.

Com tudo isso, se queremos realmente mudar o cenário de corrupção que toma conta do Brasil, devemos primeiro começar por nós mesmos, pelas nossas casas, pelos nossos atos!

Disponível em: <http://psicologia-ro.blogspot.com.br/2012/04/

o-que-voce-tem-ver-com-corrupcao.html>. Acesso em: 28 maio 2014. (Adaptado)

Assinale a alternativa em que o vocábulo à direita é sinônimo do termo transcrito do texto.

 

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2493065 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

A complicada arte de ver

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: “Acho que estou ficando louca”. Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. “Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões – é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões… Agora, tudo o que vejo me causa espanto.”

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as “Odes Elementales”, de Pablo Neruda. Procurei a “Ode à Cebola” e lhe disse: “Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: ‘Rosa de água com escamas de cristal’. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta… Os poetas ensinam a ver”.

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou: “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”. Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

ALVES, Rubem. A complicada arte de ver. Disponível em:

<http://www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u947.shtml> Acessado em 31 de março de 2014.

Assinale a alternativa correta em relação ao texto.

 

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2493036 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Teses

A jovem estudante queria ‘qualquer coisa, dona Célia, que fale sobre A mulher e seu condicionamento de explorada pelo machismo’. Era este o título da obra. ‘Vale muitos pontos, sabe?’ Cursava a última série do segundo grau e usava muito mal as palavras, o que me predispunha a uma raiva perigosa das escolas, que eu certamente iria descontar nela. Fiz de desentendida: condicionamento de explorada? É, ela falou meio confusa, essas coisas de apanhar de homem, ser estrupada, ganhar de menos que eles, a senhora entende, né? Serve uma poesia? Perguntei já com um autor na cabeça. Não, poesia, não, poesia é sempre coisa muito – como é que é gente? –, muito assim de leve, não é? E eu quero uma coisa forte, a senhora entende, a professora é fogo na jaca. Meio macha? Ah, dona Célia, como é que a senhora adivinhou? Eu estava gostando da tortura: então, você quer um texto em prosa? Em prosa? Repetiu como se ouvisse língua estrangeira. Não, decidiu categórica, não. Não é nem em poesia, nem em prosa. Quero é um artigo de umas vinte linhas, tipo artigo de jornal, arrematou quase doutora, olhando no relógio. Dá pra senhora fazer? Nem repare eu não entrar, tenho ainda pesquisa de ecologia pra fazer. A moça era muito bonita e preferia que fosse analfabeta. A deficientíssima instrução burlava nela algo muito delicado, punha em sua voz uns meios-tons acima do natural, tisnava de ansiedade sua respiração, com a horrível qualidade dos males inconscientes. É sal em carne podre, pensei, não vou fazer artigo nenhum. Primeiro, porque as mulheres são as culpadas de todo mal, portanto merecem o que sofrem. Segundo, porque não vou salvar a escola do Brasil, nem esta menina, escrevendo lugares-comuns sobre nossa condição. Terceiro porque não quero colaborar com esta mania estúpida das escolas de ‘trabalharem o folclore’, ‘trabalharem o social’ e o que mais seja, nestas ocasiões fixas como calendários lunares: trabalhinhos, textinhos, exposiçõezinhas, tudo como num ritual de boas maneiras. Nada desce aos intestinos, vero lugar da aprendizagem. Dia da Mulher? Ah, sei. E daí? Não posso te ajudar, não, Neide Ângela. Não?? Ela falou assustada. Mas vou te emprestar um livro. Livro? Ah, disse decepcionada demais. Não tenho tempo de ler, não, dona Célia, é matéria demais, uma outra hora a senhora me empresta. Tão bonita ela, podia cuidar da vida enquanto descobria sua vocação real, ser uma manicura competente, uma doceira de fama, mas não, quer ‘fazer faculdade’. Quer porque quer. De quem é a culpa, já que as escolas são ma-ra-vi-lho-sas? Ela periga tomar bomba. Está aí, vou contribuir caprichadamente para que ela tome bomba, para que volte este acontecimento formidável da escola antiga, a Bomba, e recuperemos todos a capacidade de sentir medo e respeito. E nem vale ela me olhar com este olhar pidão.

PRADO, Adélia. Filandras. Rio de Janeiro: Record, 2001. p.129-131.

Considerando o texto, assinale a alternativa correta, em conformidade com a norma padrão da língua portuguesa.

 

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2492981 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: MPE-SC

Afinal, o que é a língua?

A língua é uma das realidades mais fantásticas da nossa vida. Ela está presente em todas as nossas atividades; nós vivemos entrelaçados (às vezes soterrados!) pelas palavras; elas estabelecem todas as nossas relações e nossos limites, dizem ou tentam dizer quem somos, quem são os outros, onde estamos, o que vamos fazer, o que fizemos. Nossos sonhos são povoados de palavras; os outros se definem por palavras; todas as nossas emoções e sentimentos se revestem de palavras. O mundo inteiro é um magnífico e gigantesco bate-papo, dos chefes de Estado negociando a paz e a guerra às primeiras sílabas de uma criança em alguma favela brasileira ou numa vila africana. É pela linguagem, afinal, que somos indivíduos únicos: somos o que somos depois de um processo de conquista da nossa palavra, afirmada no meio de milhares de outras palavras e com elas compostas.

Apesar dessa presença absoluta na nossa vida (ou talvez justamente por isso), ainda sabemos pouco sobre a linguagem e, em geral, temos uma relação problemática com ela, principalmente em sua forma escrita. Isto é, embora não sejamos nada sem a língua, parece que ela permanece alguma coisa estranha em nossa vida, como se ela não nos pertencesse.

FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristovão.

Prática de texto para estudantes universitários. 10. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002. p. 9.

Assinale a alternativa correta, considerando o texto.

 

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