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2476316 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: UFJF
Orgão: IF-SUL Minas

A Belíndia revisitada

Era uma vez o país que mais crescia em todo o mundo. Sua riqueza aumentava a um ritmo invejável, superior a 10% ao ano. Porém os lucros do progresso beneficiavam, acima de todos, uma fração de seus habitantes, justamente aqueles mais ricos. O então chamado czar da economia afirmava não haver motivo para preocupações. Primeiro seria necessário fazer crescer o bolo da economia, para depois dividi-lo. Esse país, na fábula criada pelo economista Edmar Bacha, era a Belíndia, a "ilha dos contrastes", onde a maior parte da população vivia tão miseravelmente quanto na pobre Índia e uma minoria desfrutava um padrão de vida belga. A fábula "O rei da Belíndia", publicada em 1974 no jornal esquerdista Opinião por indicação do economista Celso Furtado, foi a maneira alegórica encontrada por Bacha, sob a censura, para explicitar a crescente desigualdade social nos anos do "milagre econômico" brasileiro. (...)

A fábula reaparece agora no capítulo inicial de Belíndia 2.0 (Civilização Brasileira, 462 páginas, 59,90 reais), uma coletânea de artigos e ensaios econômicos escritos por Bacha nas últimas quatro décadas. Ao completar 70 anos, ele acreditou ser um momento oportuno para reeditar alguns de seus textos mais populares e influentes, aqueles de interesse do público não especializado, além de publicar pela primeira vez trabalhos antes apenas disponíveis em inglês e artigos recentes sobre as novas metasa serem alcançadas pelo país. No conjunto, os capítulos deslindam um panorama da economia brasileira desde o governo militar até os dias atuais. Bacha, afora seu talento como professor de economia, fala a partir da perspectiva de quem participou diretamente dos acontecimentos. Foi presidente do IBGE no governo José Sarney (até pedir demissão por causa de tentativas de manipulação nos índices de preços) e comandou o BNDES no início do governo Fernando Henrique Cardoso. Foi um dos pais do fracassado Plano Cruzado e também do bem-sucedido Real. A propósito de sua experiência no Cruzado, escreveu a divertida fábula "O fim da inflação no reino de Lisarb", o "país dos contrários" (na ironia, Lisarb é Brasil de trás para a frente). Na anedota, economistas reúnem-se no Sambódromo para debater como derrotar a inflação. Onde tudo era do avesso, nunca se chegava a uma resposta clara sem embaralhar causas e consequências.

O Brasil evoluiu desde os tempos de Belíndia e de Lisarb. A democracia se consolidou. A estabilidade monetária e a queda gradativa nas taxas de juros reverteram a dinâmica de concentração derenda. Contribuíram o Bolsa Família e outros programas sociais. Como resultado, os rendimentos dos pobres passaram a crescer mais rápido que os dos ricos. Entre 2001 e 2011, a renda dos 10% mais pobres avançou 91%, ao passo que a dos 10% mais ricos aumentou apenas 17%. Como disse o economista Marcelo Neri, presidente do IPEA, na nova Belíndia "o lado pobre do Brasil cresce tanto quanto a economia da Índia, e o lado belga está tão estagnado quanto os países europeus". Se o filme corre favoravelmente aos pobres, o instantâneo fotográfico revela um país ainda extremamente desigual.

(...)

O Brasil tem melhorado, mas o ritmo frustra. O PIB nos países emergentes da Ásia e em alguns na vizinhança da América do Sul avança em velocidade superior. O desalento diante do crescimento baixo traz a ameaça, na avaliação de Bacha, de o governo brasileiro, na ânsia de estimular o PIB a todo preço, "alimentar os germes da cultura inflacionária que pareciam ter sido banidos". A inflação deixou de ser combatida com o mesmo rigor, o protecionismo está em alta e a política industrial favorece um punhado de empresas escolhidas. "O resultado pode ser um retorno ao capitalismo de compadrio", adverte Bacha.

O economista propõe, como alternativa, uma política de ações construtivas, sem atalhos improvisados, para diminuir definitivamente a taxa de juros. O primeiro ponto seria a aprovação de um teto para o crescimento nos gastos públicos. Assim a necessidade de financiamento do governo diminuiria. (...)

Não existe economista que não almeje ver o Brasil no time das nações desenvolvidas. A diferença está na fórmula para chegar lá. Diz Bacha: "O perigo está em buscar soluções do passado, em vez de desenvolver novas soluções com base no fluxo constante de conhecimentos". Barreiras comerciais, controle de preços e manipulação de reajustes são soluções fracassadas do passado. Nada surpreende, entretanto, no país dos contrastes e dos contrários. O ministro que engordou o bolo sem dividi-lo voltou a ser um dos conselheiros mais influentes no reino da Belíndia — e até a presidente, que quarenta anos atrás era uma das presas políticas durante a ditadura, ouve os conselhos dele.

GUANDALINI, Giuliano. A Belíndia revisitada. Veja, São Paulo, v. 45, n. 41, p. 94-95, 10 out. 2012. Adaptado.

Releia o trecho:

“O desalento diante do crescimento baixo traz a ameaça (...) de o governo brasileiro (...) ‘alimentar os germes da cultura inflacionária que pareciam ter sido banidos’.”.

Nesse trecho, a palavra em destaque exemplifica, estilisticamente, um caso de:

 

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2476315 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: UFJF
Orgão: IF-SUL Minas

A Belíndia revisitada

Era uma vez o país que mais crescia em todo o mundo. Sua riqueza aumentava a um ritmo invejável, superior a 10% ao ano. Porém os lucros do progresso beneficiavam, acima de todos, uma fração de seus habitantes, justamente aqueles mais ricos. O então chamado czar da economia afirmava não haver motivo para preocupações. Primeiro seria necessário fazer crescer o bolo da economia, para depois dividi-lo. Esse país, na fábula criada pelo economista Edmar Bacha, era a Belíndia, a "ilha dos contrastes", onde a maior parte da população vivia tão miseravelmente quanto na pobre Índia e uma minoria desfrutava um padrão de vida belga. A fábula "O rei da Belíndia", publicada em 1974 no jornal esquerdista Opinião por indicação do economista Celso Furtado, foi a maneira alegórica encontrada por Bacha, sob a censura, para explicitar a crescente desigualdade social nos anos do "milagre econômico" brasileiro. (...)

A fábula reaparece agora no capítulo inicial de Belíndia 2.0 (Civilização Brasileira, 462 páginas, 59,90 reais), uma coletânea de artigos e ensaios econômicos escritos por Bacha nas últimas quatro décadas. Ao completar 70 anos, ele acreditou ser um momento oportuno para reeditar alguns de seus textos mais populares e influentes, aqueles de interesse do público não especializado, além de publicar pela primeira vez trabalhos antes apenas disponíveis em inglês e artigos recentes sobre as novas metasa serem alcançadas pelo país. No conjunto, os capítulos deslindam um panorama da economia brasileira desde o governo militar até os dias atuais. Bacha, afora seu talento como professor de economia, fala a partir da perspectiva de quem participou diretamente dos acontecimentos. Foi presidente do IBGE no governo José Sarney (até pedir demissão por causa de tentativas de manipulação nos índices de preços) e comandou o BNDES no início do governo Fernando Henrique Cardoso. Foi um dos pais do fracassado Plano Cruzado e também do bem-sucedido Real. A propósito de sua experiência no Cruzado, escreveu a divertida fábula "O fim da inflação no reino de Lisarb", o "país dos contrários" (na ironia, Lisarb é Brasil de trás para a frente). Na anedota, economistas reúnem-se no Sambódromo para debater como derrotar a inflação. Onde tudo era do avesso, nunca se chegava a uma resposta clara sem embaralhar causas e consequências.

O Brasil evoluiu desde os tempos de Belíndia e de Lisarb. A democracia se consolidou. A estabilidade monetária e a queda gradativa nas taxas de juros reverteram a dinâmica de concentração derenda. Contribuíram o Bolsa Família e outros programas sociais. Como resultado, os rendimentos dos pobres passaram a crescer mais rápido que os dos ricos. Entre 2001 e 2011, a renda dos 10% mais pobres avançou 91%, ao passo que a dos 10% mais ricos aumentou apenas 17%. Como disse o economista Marcelo Neri, presidente do IPEA, na nova Belíndia "o lado pobre do Brasil cresce tanto quanto a economia da Índia, e o lado belga está tão estagnado quanto os países europeus". Se o filme corre favoravelmente aos pobres, o instantâneo fotográfico revela um país ainda extremamente desigual.

(...)

O Brasil tem melhorado, mas o ritmo frustra. O PIB nos países emergentes da Ásia e em alguns na vizinhança da América do Sul avança em velocidade superior. O desalento diante do crescimento baixo traz a ameaça, na avaliação de Bacha, de o governo brasileiro, na ânsia de estimular o PIB a todo preço, "alimentar os germes da cultura inflacionária que pareciam ter sido banidos". A inflação deixou de ser combatida com o mesmo rigor, o protecionismo está em alta e a política industrial favorece um punhado de empresas escolhidas. "O resultado pode ser um retorno ao capitalismo de compadrio", adverte Bacha.

O economista propõe, como alternativa, uma política de ações construtivas, sem atalhos improvisados, para diminuir definitivamente a taxa de juros. O primeiro ponto seria a aprovação de um teto para o crescimento nos gastos públicos. Assim a necessidade de financiamento do governo diminuiria. (...)

Não existe economista que não almeje ver o Brasil no time das nações desenvolvidas. A diferença está na fórmula para chegar lá. Diz Bacha: "O perigo está em buscar soluções do passado, em vez de desenvolver novas soluções com base no fluxo constante de conhecimentos". Barreiras comerciais, controle de preços e manipulação de reajustes são soluções fracassadas do passado. Nada surpreende, entretanto, no país dos contrastes e dos contrários. O ministro que engordou o bolo sem dividi-lo voltou a ser um dos conselheiros mais influentes no reino da Belíndia — e até a presidente, que quarenta anos atrás era uma das presas políticas durante a ditadura, ouve os conselhos dele.

GUANDALINI, Giuliano. A Belíndia revisitada. Veja, São Paulo, v. 45, n. 41, p. 94-95, 10 out. 2012. Adaptado.

Releia o trecho:

“O então chamado czar da economia afirmava não haver motivo para preocupações.”

A reescrita do trecho acima NÃO atende aos princípios de concordância verbal somente em uma das alternativas seguintes. Aponte-a.

 

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2476314 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: UFJF
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A Belíndia revisitada

Era uma vez o país que mais crescia em todo o mundo. Sua riqueza aumentava a um ritmo invejável, superior a 10% ao ano. Porém os lucros do progresso beneficiavam, acima de todos, uma fração de seus habitantes, justamente aqueles mais ricos. O então chamado czar da economia afirmava não haver motivo para preocupações. Primeiro seria necessário fazer crescer o bolo da economia, para depois dividi-lo. Esse país, na fábula criada pelo economista Edmar Bacha, era a Belíndia, a "ilha dos contrastes", onde a maior parte da população vivia tão miseravelmente quanto na pobre Índia e uma minoria desfrutava um padrão de vida belga. A fábula "O rei da Belíndia", publicada em 1974 no jornal esquerdista Opinião por indicação do economista Celso Furtado, foi a maneira alegórica encontrada por Bacha, sob a censura, para explicitar a crescente desigualdade social nos anos do "milagre econômico" brasileiro. (...)

A fábula reaparece agora no capítulo inicial de Belíndia 2.0 (Civilização Brasileira, 462 páginas, 59,90 reais), uma coletânea de artigos e ensaios econômicos escritos por Bacha nas últimas quatro décadas. Ao completar 70 anos, ele acreditou ser um momento oportuno para reeditar alguns de seus textos mais populares e influentes, aqueles de interesse do público não especializado, além de publicar pela primeira vez trabalhos antes apenas disponíveis em inglês e artigos recentes sobre as novas metasa serem alcançadas pelo país. No conjunto, os capítulos deslindam um panorama da economia brasileira desde o governo militar até os dias atuais. Bacha, afora seu talento como professor de economia, fala a partir da perspectiva de quem participou diretamente dos acontecimentos. Foi presidente do IBGE no governo José Sarney (até pedir demissão por causa de tentativas de manipulação nos índices de preços) e comandou o BNDES no início do governo Fernando Henrique Cardoso. Foi um dos pais do fracassado Plano Cruzado e também do bem-sucedido Real. A propósito de sua experiência no Cruzado, escreveu a divertida fábula "O fim da inflação no reino de Lisarb", o "país dos contrários" (na ironia, Lisarb é Brasil de trás para a frente). Na anedota, economistas reúnem-se no Sambódromo para debater como derrotar a inflação. Onde tudo era do avesso, nunca se chegava a uma resposta clara sem embaralhar causas e consequências.

O Brasil evoluiu desde os tempos de Belíndia e de Lisarb. A democracia se consolidou. A estabilidade monetária e a queda gradativa nas taxas de juros reverteram a dinâmica de concentração derenda. Contribuíram o Bolsa Família e outros programas sociais. Como resultado, os rendimentos dos pobres passaram a crescer mais rápido que os dos ricos. Entre 2001 e 2011, a renda dos 10% mais pobres avançou 91%, ao passo que a dos 10% mais ricos aumentou apenas 17%. Como disse o economista Marcelo Neri, presidente do IPEA, na nova Belíndia "o lado pobre do Brasil cresce tanto quanto a economia da Índia, e o lado belga está tão estagnado quanto os países europeus". Se o filme corre favoravelmente aos pobres, o instantâneo fotográfico revela um país ainda extremamente desigual.

(...)

O Brasil tem melhorado, mas o ritmo frustra. O PIB nos países emergentes da Ásia e em alguns na vizinhança da América do Sul avança em velocidade superior. O desalento diante do crescimento baixo traz a ameaça, na avaliação de Bacha, de o governo brasileiro, na ânsia de estimular o PIB a todo preço, "alimentar os germes da cultura inflacionária que pareciam ter sido banidos". A inflação deixou de ser combatida com o mesmo rigor, o protecionismo está em alta e a política industrial favorece um punhado de empresas escolhidas. "O resultado pode ser um retorno ao capitalismo de compadrio", adverte Bacha.

O economista propõe, como alternativa, uma política de ações construtivas, sem atalhos improvisados, para diminuir definitivamente a taxa de juros. O primeiro ponto seria a aprovação de um teto para o crescimento nos gastos públicos. Assim a necessidade de financiamento do governo diminuiria. (...)

Não existe economista que não almeje ver o Brasil no time das nações desenvolvidas. A diferença está na fórmula para chegar lá. Diz Bacha: "O perigo está em buscar soluções do passado, em vez de desenvolver novas soluções com base no fluxo constante de conhecimentos". Barreiras comerciais, controle de preços e manipulação de reajustes são soluções fracassadas do passado. Nada surpreende, entretanto, no país dos contrastes e dos contrários. O ministro que engordou o bolo sem dividi-lo voltou a ser um dos conselheiros mais influentes no reino da Belíndia — e até a presidente, que quarenta anos atrás era uma das presas políticas durante a ditadura, ouve os conselhos dele.

GUANDALINI, Giuliano. A Belíndia revisitada. Veja, São Paulo, v. 45, n. 41, p. 94-95, 10 out. 2012. Adaptado.

Releia o trecho:

“Não existe economista que não almeje ver o Brasil no time das nações desenvolvidas.”

A reescrita do texto acima atende à língua escrita culta somente em uma das alternativas. Aponte-a.

 

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2476313 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: UFJF
Orgão: IF-SUL Minas

A Belíndia revisitada

Era uma vez o país que mais crescia em todo o mundo. Sua riqueza aumentava a um ritmo invejável, superior a 10% ao ano. Porém os lucros do progresso beneficiavam, acima de todos, uma fração de seus habitantes, justamente aqueles mais ricos. O então chamado czar da economia afirmava não haver motivo para preocupações. Primeiro seria necessário fazer crescer o bolo da economia, para depois dividi-lo. Esse país, na fábula criada pelo economista Edmar Bacha, era a Belíndia, a "ilha dos contrastes", onde a maior parte da população vivia tão miseravelmente quanto na pobre Índia e uma minoria desfrutava um padrão de vida belga. A fábula "O rei da Belíndia", publicada em 1974 no jornal esquerdista Opinião por indicação do economista Celso Furtado, foi a maneira alegórica encontrada por Bacha, sob a censura, para explicitar a crescente desigualdade social nos anos do "milagre econômico" brasileiro. (...)

A fábula reaparece agora no capítulo inicial de Belíndia 2.0 (Civilização Brasileira, 462 páginas, 59,90 reais), uma coletânea de artigos e ensaios econômicos escritos por Bacha nas últimas quatro décadas. Ao completar 70 anos, ele acreditou ser um momento oportuno para reeditar alguns de seus textos mais populares e influentes, aqueles de interesse do público não especializado, além de publicar pela primeira vez trabalhos antes apenas disponíveis em inglês e artigos recentes sobre as novas metasa serem alcançadas pelo país. No conjunto, os capítulos deslindam um panorama da economia brasileira desde o governo militar até os dias atuais. Bacha, afora seu talento como professor de economia, fala a partir da perspectiva de quem participou diretamente dos acontecimentos. Foi presidente do IBGE no governo José Sarney (até pedir demissão por causa de tentativas de manipulação nos índices de preços) e comandou o BNDES no início do governo Fernando Henrique Cardoso. Foi um dos pais do fracassado Plano Cruzado e também do bem-sucedido Real. A propósito de sua experiência no Cruzado, escreveu a divertida fábula "O fim da inflação no reino de Lisarb", o "país dos contrários" (na ironia, Lisarb é Brasil de trás para a frente). Na anedota, economistas reúnem-se no Sambódromo para debater como derrotar a inflação. Onde tudo era do avesso, nunca se chegava a uma resposta clara sem embaralhar causas e consequências.

O Brasil evoluiu desde os tempos de Belíndia e de Lisarb. A democracia se consolidou. A estabilidade monetária e a queda gradativa nas taxas de juros reverteram a dinâmica de concentração derenda. Contribuíram o Bolsa Família e outros programas sociais. Como resultado, os rendimentos dos pobres passaram a crescer mais rápido que os dos ricos. Entre 2001 e 2011, a renda dos 10% mais pobres avançou 91%, ao passo que a dos 10% mais ricos aumentou apenas 17%. Como disse o economista Marcelo Neri, presidente do IPEA, na nova Belíndia "o lado pobre do Brasil cresce tanto quanto a economia da Índia, e o lado belga está tão estagnado quanto os países europeus". Se o filme corre favoravelmente aos pobres, o instantâneo fotográfico revela um país ainda extremamente desigual.

(...)

O Brasil tem melhorado, mas o ritmo frustra. O PIB nos países emergentes da Ásia e em alguns na vizinhança da América do Sul avança em velocidade superior. O desalento diante do crescimento baixo traz a ameaça, na avaliação de Bacha, de o governo brasileiro, na ânsia de estimular o PIB a todo preço, "alimentar os germes da cultura inflacionária que pareciam ter sido banidos". A inflação deixou de ser combatida com o mesmo rigor, o protecionismo está em alta e a política industrial favorece um punhado de empresas escolhidas. "O resultado pode ser um retorno ao capitalismo de compadrio", adverte Bacha.

O economista propõe, como alternativa, uma política de ações construtivas, sem atalhos improvisados, para diminuir definitivamente a taxa de juros. O primeiro ponto seria a aprovação de um teto para o crescimento nos gastos públicos. Assim a necessidade de financiamento do governo diminuiria. (...)

Não existe economista que não almeje ver o Brasil no time das nações desenvolvidas. A diferença está na fórmula para chegar lá. Diz Bacha: "O perigo está em buscar soluções do passado, em vez de desenvolver novas soluções com base no fluxo constante de conhecimentos". Barreiras comerciais, controle de preços e manipulação de reajustes são soluções fracassadas do passado. Nada surpreende, entretanto, no país dos contrastes e dos contrários. O ministro que engordou o bolo sem dividi-lo voltou a ser um dos conselheiros mais influentes no reino da Belíndia — e até a presidente, que quarenta anos atrás era uma das presas políticas durante a ditadura, ouve os conselhos dele.

GUANDALINI, Giuliano. A Belíndia revisitada. Veja, São Paulo, v. 45, n. 41, p. 94-95, 10 out. 2012. Adaptado.

Releia o fragmento e aponte a alternativa INCORRETA.

“Era uma vez o país que mais crescia em todo o mundo. Sua riqueza aumentava a um ritmo invejável, superior a 10% ao ano. Porém os lucros do progresso beneficiavam, acima de todos, uma fração de seus habitantes...”

 

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2476312 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: UFJF
Orgão: IF-SUL Minas

A Belíndia revisitada

Era uma vez o país que mais crescia em todo o mundo. Sua riqueza aumentava a um ritmo invejável, superior a 10% ao ano. Porém os lucros do progresso beneficiavam, acima de todos, uma fração de seus habitantes, justamente aqueles mais ricos. O então chamado czar da economia afirmava não haver motivo para preocupações. Primeiro seria necessário fazer crescer o bolo da economia, para depois dividi-lo. Esse país, na fábula criada pelo economista Edmar Bacha, era a Belíndia, a "ilha dos contrastes", onde a maior parte da população vivia tão miseravelmente quanto na pobre Índia e uma minoria desfrutava um padrão de vida belga. A fábula "O rei da Belíndia", publicada em 1974 no jornal esquerdista Opinião por indicação do economista Celso Furtado, foi a maneira alegórica encontrada por Bacha, sob a censura, para explicitar a crescente desigualdade social nos anos do "milagre econômico" brasileiro. (...)

A fábula reaparece agora no capítulo inicial de Belíndia 2.0 (Civilização Brasileira, 462 páginas, 59,90 reais), uma coletânea de artigos e ensaios econômicos escritos por Bacha nas últimas quatro décadas. Ao completar 70 anos, ele acreditou ser um momento oportuno para reeditar alguns de seus textos mais populares e influentes, aqueles de interesse do público não especializado, além de publicar pela primeira vez trabalhos antes apenas disponíveis em inglês e artigos recentes sobre as novas metasa serem alcançadas pelo país. No conjunto, os capítulos deslindam um panorama da economia brasileira desde o governo militar até os dias atuais. Bacha, afora seu talento como professor de economia, fala a partir da perspectiva de quem participou diretamente dos acontecimentos. Foi presidente do IBGE no governo José Sarney (até pedir demissão por causa de tentativas de manipulação nos índices de preços) e comandou o BNDES no início do governo Fernando Henrique Cardoso. Foi um dos pais do fracassado Plano Cruzado e também do bem-sucedido Real. A propósito de sua experiência no Cruzado, escreveu a divertida fábula "O fim da inflação no reino de Lisarb", o "país dos contrários" (na ironia, Lisarb é Brasil de trás para a frente). Na anedota, economistas reúnem-se no Sambódromo para debater como derrotar a inflação. Onde tudo era do avesso, nunca se chegava a uma resposta clara sem embaralhar causas e consequências.

O Brasil evoluiu desde os tempos de Belíndia e de Lisarb. A democracia se consolidou. A estabilidade monetária e a queda gradativa nas taxas de juros reverteram a dinâmica de concentração derenda. Contribuíram o Bolsa Família e outros programas sociais. Como resultado, os rendimentos dos pobres passaram a crescer mais rápido que os dos ricos. Entre 2001 e 2011, a renda dos 10% mais pobres avançou 91%, ao passo que a dos 10% mais ricos aumentou apenas 17%. Como disse o economista Marcelo Neri, presidente do IPEA, na nova Belíndia "o lado pobre do Brasil cresce tanto quanto a economia da Índia, e o lado belga está tão estagnado quanto os países europeus". Se o filme corre favoravelmente aos pobres, o instantâneo fotográfico revela um país ainda extremamente desigual.

(...)

O Brasil tem melhorado, mas o ritmo frustra. O PIB nos países emergentes da Ásia e em alguns na vizinhança da América do Sul avança em velocidade superior. O desalento diante do crescimento baixo traz a ameaça, na avaliação de Bacha, de o governo brasileiro, na ânsia de estimular o PIB a todo preço, "alimentar os germes da cultura inflacionária que pareciam ter sido banidos". A inflação deixou de ser combatida com o mesmo rigor, o protecionismo está em alta e a política industrial favorece um punhado de empresas escolhidas. "O resultado pode ser um retorno ao capitalismo de compadrio", adverte Bacha.

O economista propõe, como alternativa, uma política de ações construtivas, sem atalhos improvisados, para diminuir definitivamente a taxa de juros. O primeiro ponto seria a aprovação de um teto para o crescimento nos gastos públicos. Assim a necessidade de financiamento do governo diminuiria. (...)

Não existe economista que não almeje ver o Brasil no time das nações desenvolvidas. A diferença está na fórmula para chegar lá. Diz Bacha: "O perigo está em buscar soluções do passado, em vez de desenvolver novas soluções com base no fluxo constante de conhecimentos". Barreiras comerciais, controle de preços e manipulação de reajustes são soluções fracassadas do passado. Nada surpreende, entretanto, no país dos contrastes e dos contrários. O ministro que engordou o bolo sem dividi-lo voltou a ser um dos conselheiros mais influentes no reino da Belíndia — e até a presidente, que quarenta anos atrás era uma das presas políticas durante a ditadura, ouve os conselhos dele.

GUANDALINI, Giuliano. A Belíndia revisitada. Veja, São Paulo, v. 45, n. 41, p. 94-95, 10 out. 2012. Adaptado.

Leia o seguinte trecho: “Ao completar 70 anos, ele acreditou ser um momento oportuno para reeditar alguns de seus textos mais populares e influentes...”.

A vírgula foi utilizada para separar:

 

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2476311 Ano: 2013
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Era uma vez o país que mais crescia em todo o mundo. Sua riqueza aumentava a um ritmo invejável, superior a 10% ao ano. Porém os lucros do progresso beneficiavam, acima de todos, uma fração de seus habitantes, justamente aqueles mais ricos. O então chamado czar da economia afirmava não haver motivo para preocupações. Primeiro seria necessário fazer crescer o bolo da economia, para depois dividi-lo. Esse país, na fábula criada pelo economista Edmar Bacha, era a Belíndia, a "ilha dos contrastes", onde a maior parte da população vivia tão miseravelmente quanto na pobre Índia e uma minoria desfrutava um padrão de vida belga. A fábula "O rei da Belíndia", publicada em 1974 no jornal esquerdista Opinião por indicação do economista Celso Furtado, foi a maneira alegórica encontrada por Bacha, sob a censura, para explicitar a crescente desigualdade social nos anos do "milagre econômico" brasileiro. (...)

A fábula reaparece agora no capítulo inicial de Belíndia 2.0 (Civilização Brasileira, 462 páginas, 59,90 reais), uma coletânea de artigos e ensaios econômicos escritos por Bacha nas últimas quatro décadas. Ao completar 70 anos, ele acreditou ser um momento oportuno para reeditar alguns de seus textos mais populares e influentes, aqueles de interesse do público não especializado, além de publicar pela primeira vez trabalhos antes apenas disponíveis em inglês e artigos recentes sobre as novas metasa serem alcançadas pelo país. No conjunto, os capítulos deslindam um panorama da economia brasileira desde o governo militar até os dias atuais. Bacha, afora seu talento como professor de economia, fala a partir da perspectiva de quem participou diretamente dos acontecimentos. Foi presidente do IBGE no governo José Sarney (até pedir demissão por causa de tentativas de manipulação nos índices de preços) e comandou o BNDES no início do governo Fernando Henrique Cardoso. Foi um dos pais do fracassado Plano Cruzado e também do bem-sucedido Real. A propósito de sua experiência no Cruzado, escreveu a divertida fábula "O fim da inflação no reino de Lisarb", o "país dos contrários" (na ironia, Lisarb é Brasil de trás para a frente). Na anedota, economistas reúnem-se no Sambódromo para debater como derrotar a inflação. Onde tudo era do avesso, nunca se chegava a uma resposta clara sem embaralhar causas e consequências.

O Brasil evoluiu desde os tempos de Belíndia e de Lisarb. A democracia se consolidou. A estabilidade monetária e a queda gradativa nas taxas de juros reverteram a dinâmica de concentração derenda. Contribuíram o Bolsa Família e outros programas sociais. Como resultado, os rendimentos dos pobres passaram a crescer mais rápido que os dos ricos. Entre 2001 e 2011, a renda dos 10% mais pobres avançou 91%, ao passo que a dos 10% mais ricos aumentou apenas 17%. Como disse o economista Marcelo Neri, presidente do IPEA, na nova Belíndia "o lado pobre do Brasil cresce tanto quanto a economia da Índia, e o lado belga está tão estagnado quanto os países europeus". Se o filme corre favoravelmente aos pobres, o instantâneo fotográfico revela um país ainda extremamente desigual.

(...)

O Brasil tem melhorado, mas o ritmo frustra. O PIB nos países emergentes da Ásia e em alguns na vizinhança da América do Sul avança em velocidade superior. O desalento diante do crescimento baixo traz a ameaça, na avaliação de Bacha, de o governo brasileiro, na ânsia de estimular o PIB a todo preço, "alimentar os germes da cultura inflacionária que pareciam ter sido banidos". A inflação deixou de ser combatida com o mesmo rigor, o protecionismo está em alta e a política industrial favorece um punhado de empresas escolhidas. "O resultado pode ser um retorno ao capitalismo de compadrio", adverte Bacha.

O economista propõe, como alternativa, uma política de ações construtivas, sem atalhos improvisados, para diminuir definitivamente a taxa de juros. O primeiro ponto seria a aprovação de um teto para o crescimento nos gastos públicos. Assim a necessidade de financiamento do governo diminuiria. (...)

Não existe economista que não almeje ver o Brasil no time das nações desenvolvidas. A diferença está na fórmula para chegar lá. Diz Bacha: "O perigo está em buscar soluções do passado, em vez de desenvolver novas soluções com base no fluxo constante de conhecimentos". Barreiras comerciais, controle de preços e manipulação de reajustes são soluções fracassadas do passado. Nada surpreende, entretanto, no país dos contrastes e dos contrários. O ministro que engordou o bolo sem dividi-lo voltou a ser um dos conselheiros mais influentes no reino da Belíndia — e até a presidente, que quarenta anos atrás era uma das presas políticas durante a ditadura, ouve os conselhos dele.

GUANDALINI, Giuliano. A Belíndia revisitada. Veja, São Paulo, v. 45, n. 41, p. 94-95, 10 out. 2012. Adaptado.

“O Brasil tem melhorado, mas o ritmo frustra”.

“... a maior parte da população vivia tão miseravelmente quanto na pobre Índia...”

“Na anedota, economistas reúnem-se no Sambódromo para debater como derrotar a inflação.”

As sequências grifadas expressam semanticamente, na ordem, noções de:

 

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2476310 Ano: 2013
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A Belíndia revisitada

Era uma vez o país que mais crescia em todo o mundo. Sua riqueza aumentava a um ritmo invejável, superior a 10% ao ano. Porém os lucros do progresso beneficiavam, acima de todos, uma fração de seus habitantes, justamente aqueles mais ricos. O então chamado czar da economia afirmava não haver motivo para preocupações. Primeiro seria necessário fazer crescer o bolo da economia, para depois dividi-lo. Esse país, na fábula criada pelo economista Edmar Bacha, era a Belíndia, a "ilha dos contrastes", onde a maior parte da população vivia tão miseravelmente quanto na pobre Índia e uma minoria desfrutava um padrão de vida belga. A fábula "O rei da Belíndia", publicada em 1974 no jornal esquerdista Opinião por indicação do economista Celso Furtado, foi a maneira alegórica encontrada por Bacha, sob a censura, para explicitar a crescente desigualdade social nos anos do "milagre econômico" brasileiro. (...)

A fábula reaparece agora no capítulo inicial de Belíndia 2.0VI (Civilização Brasileira, 462 páginas, 59,90 reais), uma coletânea de artigos e ensaios econômicos escritos por Bacha nas últimas quatro décadas. Ao completar 70 anos, ele acreditou ser um momento oportuno para reeditar alguns de seus textos mais populares e influentes, aqueles de interesse do público não especializado, além de publicar pela primeira vez trabalhos antes apenas disponíveis em inglês e artigos recentes sobre as novas metasa serem alcançadas pelo país. No conjunto, os capítulos deslindam um panorama da economia brasileira desde o governo militar até os dias atuais. Bacha, afora seu talento como professor de economiaIV, fala a partir da perspectiva de quem participou diretamente dos acontecimentos. Foi presidente do IBGE no governo José Sarney (até pedir demissão por causa de tentativas de manipulação nos índices de preços) e comandou o BNDES no início do governo Fernando Henrique Cardoso. Foi um dos pais do fracassado Plano Cruzado e também do bem-sucedido Real. A propósito de sua experiência no Cruzado, escreveu a divertida fábula "O fim da inflação no reino de Lisarb",II o "país dos contrários" (na ironia, Lisarb é Brasil de trás para a frente). Na anedota, economistas reúnem-se no Sambódromo para debater como derrotar a inflação. Onde tudo era do avesso, nunca se chegava a uma resposta clara sem embaralhar causas e consequências.

O Brasil evoluiu desde os tempos de Belíndia e de Lisarb. A democracia se consolidou. A estabilidade monetária e a queda gradativa nas taxas de juros reverteram a dinâmica de concentração derenda. Contribuíram o Bolsa Família e outros programas sociais. Como resultado, os rendimentos dos pobres passaram a crescer mais rápido que os dos ricos. Entre 2001 e 2011, a renda dos 10% mais pobres avançou 91%, ao passo que a dos 10% mais ricos aumentou apenas 17%. Como disse o economista Marcelo Neri, presidente do IPEA, na nova Belíndia "o lado pobre do Brasil cresce tanto quanto a economia da Índia, e o lado belga está tão estagnado quanto os países europeus". Se o filme corre favoravelmente aos pobres, o instantâneo fotográfico revela um país ainda extremamente desigual.

(...)

O Brasil tem melhorado, mas o ritmo frustraV. O PIB nos países emergentes da Ásia e em alguns na vizinhança da América do Sul avança em velocidade superior. O desalento diante do crescimento baixo traz a ameaça, na avaliação de Bacha, de o governo brasileiro, na ânsia de estimular o PIB a todo preço, "alimentar os germes da cultura inflacionária que pareciam ter sido banidos". A inflação deixou de ser combatida com o mesmo rigor, o protecionismo está em alta e a política industrial favorece um punhado de empresas escolhidas. "O resultado pode ser um retorno ao capitalismo de compadrio", adverte Bacha.

O economista propõe, como alternativa, uma política de ações construtivas, sem atalhos improvisados, para diminuir definitivamente a taxa de juros. O primeiro ponto seria a aprovação de um teto para o crescimento nos gastos públicos. Assim a necessidade de financiamento do governo diminuiria. (...)

Não existe economista que não almeje ver o Brasil no time das nações desenvolvidas. A diferença está na fórmula para chegar lá. Diz Bacha: "O perigo está em buscar soluções do passado, em vez de desenvolver novas soluções com base no fluxo constante de conhecimentos". Barreiras comerciais, controle de preços e manipulação de reajustes são soluções fracassadas do passado. Nada surpreende, entretanto, no país dos contrastes e dos contrários. O ministro que engordou o bolo sem dividi-lo voltou a ser um dos conselheiros mais influentes no reino da Belíndia — e até a presidente, que quarenta anos atrás era uma das presas políticas durante a ditadura, ouve os conselhos dele.

GUANDALINI, Giuliano. A Belíndia revisitada. Veja, São Paulo, v. 45, n. 41, p. 94-95, 10 out. 2012. Adaptado.

Analise as proposições:

(I) Os personagens da fábula “O fim da inflação no reino de Lisarb” são os economistas.

(II) O programa Bolsa Família contribuiu para a mudança na distribuição de renda no Brasil.

(III) Segundo o autor de Belíndia 2.0, a vontade de o governo brasileiro estimular o PIB a qualquer custo pode ter como ameaça o retorno da inflação.

(IV) O trecho “Bacha, afora seu talento como professor de economia...” transmite a informação de que o autor de Belíndia 2.0 não é um professor talentoso.

(V) O trecho “O Brasil tem melhorado, mas o ritmo frustra...”é esclarecido pela informação que vem imediatamente depois.

(VI) “A fábula reaparece agora no capítulo inicial de Belíndia 2.0...”. Para a compreensão da época a que o advérbio agora se refere, podemos ir à informação bibliográfica registrada após o texto.

Analisadas as proposições, aponte a alternativa CORRETA.

 

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2476309 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: UFJF
Orgão: IF-SUL Minas

A Belíndia revisitada

Era uma vez o país que mais crescia em todo o mundo. Sua riqueza aumentava a um ritmo invejável, superior a 10% ao ano. Porém os lucros do progresso beneficiavam, acima de todos, uma fração de seus habitantes, justamente aqueles mais ricos. O então chamado czar da economia afirmava não haver motivo para preocupações. Primeiro seria necessário fazer crescer o bolo da economia, para depois dividi-lo. Esse país, na fábula criada pelo economista Edmar Bacha, era a Belíndia, a "ilha dos contrastes", onde a maior parte da população vivia tão miseravelmente quanto na pobre Índia e uma minoria desfrutava um padrão de vida belga. A fábula "O rei da Belíndia", publicada em 1974 no jornal esquerdista Opinião por indicação do economista Celso Furtado, foi a maneira alegórica encontrada por Bacha, sob a censura, para explicitar a crescente desigualdade social nos anos do "milagre econômico" brasileiro. (...)

A fábula reaparece agora no capítulo inicial de Belíndia 2.0 (Civilização Brasileira, 462 páginas, 59,90 reais), uma coletânea de artigos e ensaios econômicos escritos por Bacha nas últimas quatro décadas. Ao completar 70 anos, ele acreditou ser um momento oportuno para reeditar alguns de seus textos mais populares e influentes, aqueles de interesse do público não especializado, além de publicar pela primeira vez trabalhos antes apenas disponíveis em inglês e artigos recentes sobre as novas metasa serem alcançadas pelo país. No conjunto, os capítulos deslindam um panorama da economia brasileira desde o governo militar até os dias atuais. Bacha, afora seu talento como professor de economia, fala a partir da perspectiva de quem participou diretamente dos acontecimentos. Foi presidente do IBGE no governo José Sarney (até pedir demissão por causa de tentativas de manipulação nos índices de preços) e comandou o BNDES no início do governo Fernando Henrique Cardoso. Foi um dos pais do fracassado Plano Cruzado e também do bem-sucedido Real. A propósito de sua experiência no Cruzado, escreveu a divertida fábula "O fim da inflação no reino de Lisarb", o "país dos contrários" (na ironia, Lisarb é Brasil de trás para a frente). Na anedota, economistas reúnem-se no Sambódromo para debater como derrotar a inflação. Onde tudo era do avesso, nunca se chegava a uma resposta clara sem embaralhar causas e consequências.

O Brasil evoluiu desde os tempos de Belíndia e de Lisarb. A democracia se consolidou. A estabilidade monetária e a queda gradativa nas taxas de juros reverteram a dinâmica de concentração derenda. Contribuíram o Bolsa Família e outros programas sociais. Como resultado, os rendimentos dos pobres passaram a crescer mais rápido que os dos ricos. Entre 2001 e 2011, a renda dos 10% mais pobres avançou 91%, ao passo que a dos 10% mais ricos aumentou apenas 17%. Como disse o economista Marcelo Neri, presidente do IPEA, na nova Belíndia "o lado pobre do Brasil cresce tanto quanto a economia da Índia, e o lado belga está tão estagnado quanto os países europeus". Se o filme corre favoravelmente aos pobres, o instantâneo fotográfico revela um país ainda extremamente desigual.

(...)

O Brasil tem melhorado, mas o ritmo frustra. O PIB nos países emergentes da Ásia e em alguns na vizinhança da América do Sul avança em velocidade superior. O desalento diante do crescimento baixo traz a ameaça, na avaliação de Bacha, de o governo brasileiro, na ânsia de estimular o PIB a todo preço, "alimentar os germes da cultura inflacionária que pareciam ter sido banidos". A inflação deixou de ser combatida com o mesmo rigor, o protecionismo está em alta e a política industrial favorece um punhado de empresas escolhidas. "O resultado pode ser um retorno ao capitalismo de compadrio", adverte Bacha.

O economista propõe, como alternativa, uma política de ações construtivas, sem atalhos improvisados, para diminuir definitivamente a taxa de juros. O primeiro ponto seria a aprovação de um teto para o crescimento nos gastos públicos. Assim a necessidade de financiamento do governo diminuiria. (...)

Não existe economista que não almeje ver o Brasil no time das nações desenvolvidas. A diferença está na fórmula para chegar lá. Diz Bacha: "O perigo está em buscar soluções do passado, em vez de desenvolver novas soluções com base no fluxo constante de conhecimentos". Barreiras comerciais, controle de preços e manipulação de reajustes são soluções fracassadas do passado. Nada surpreende, entretanto, no país dos contrastes e dos contrários. O ministro que engordou o bolo sem dividi-lo voltou a ser um dos conselheiros mais influentes no reino da Belíndia — e até a presidente, que quarenta anos atrás era uma das presas políticas durante a ditadura, ouve os conselhos dele.

GUANDALINI, Giuliano. A Belíndia revisitada. Veja, São Paulo, v. 45, n. 41, p. 94-95, 10 out. 2012. Adaptado.

Analise as proposições:

(I) O texto, ao fazer o comentário de uma coletânea de artigos, oferece ao leitor um apanhado da economia brasileira dos tempos da ditadura ao governo da presidenta Dilma.

(II) A palavra Belíndia se forma da união de duas outras: Bélgica e Índia.

(III) O termo Belíndia, empregado para marcar os profundos contrastes da sociedade brasileira, hoje não se aplica mais ao Brasil, tendo em vista a estabilidade monetária e a queda nas taxas de juros.

Analisadas as proposições, aponte a alternativa CORRETA.

 

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2476343 Ano: 2013
Disciplina: Biblioteconomia
Banca: UFJF
Orgão: IF-SUL Minas
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O catálogo online, de acordo com Cruz, Mendes e Weitzel (2004), é a forma mais adotada pelas bibliotecas que utilizam softwares gerenciadores de dados e serviços que permitem acesso via Internet. Com relação ao catálogo online, analise as afirmativas abaixo e assinale com (V) as verdadeiras e com (F) as falsas.

( ) Exibe os registros em diferentes formatos.

( ) É também conhecido como Online Public Access Catalog (OPAC).

( ) Possibilita a solicitação de serviços, como reserva, empréstimo domiciliar.

( ) É uma forma dispendiosa que exige para sua compilação um catálogo em fichas.

( ) Pode ser armazenado facilmente e existir em várias cópias.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA, de cima para baixo.

Questão Anulada e Desatualizada

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2476330 Ano: 2013
Disciplina: Biblioteconomia
Banca: UFJF
Orgão: IF-SUL Minas
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De acordo com Campello (2009), a principal função educativa dos bibliotecários era a promoção da leitura. Diante das mudanças ocorridas na sociedade, em geral, e na educação, em particular, surge uma nova função educativa para o bibliotecário, que tem como objetivo atender a questões mais complexas dos usuários. Essa nova função é denominada pela autora:

Questão Anulada e Desatualizada

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