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Foram encontradas 419 questões.

2967326 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col. Pedro II
Orgão: Col. Pedro II

VENCE-DEMANDA

EDUCAÇÃO: radical vivo que monta, arrebata e alumbra os seres e as coisas do mundo. Fundamento assentado no corpo, na palavra, na memória e nos atos. Balaio de experiências trançado em afeto, caos, cisma, conflito, beleza, jogo, peleja e festa. Seus fios são tudo aquilo que nos atravessa e toca. Encantamento de batalha e cura que nos faz como seres únicos de inscrições intransferíveis e imensuráveis. Repertório de práticas miúdas, cotidianas e contínuas, que serpenteiam no imprevisível e roçam possibilidades para plantar esperanças, amor e liberdade.

[...]

“Não basta catar a folha, é preciso cantá-la”. Para cada uma delas que brota, um trato. Com o devido pedido de licença aos moradores do lugar, a folha se cata, macera, seca, queima, e se sopram palavras de força que despertem o que nela habita. As folhas nos ensinam, porém havemos de silenciar profundamente para ouvi-las. Encapsulados em um tempo do quebranto, assediados pelo olho grande e pela obsessão dos agentes contrários à vida, o que nos resta é nos munirmos de repertórios guerreiros. É possível afugentar o assombro, invocar espiritualidades que façam minguar as forças da demanda cuspida por bocas assassinas? Sim, é possível. A aposta está na educação, que é aqui lida como força de batalha e cura. Esse caráter duplo riscado nessas folhas, ao ser despertado pelo hálito e pelo ritmo do diálogo, saltará feito encantaria que dá corpo e caminho para a invocação de outros atos. Ao longo do folhear, serão despertadas sensações de cisma, implicação, rebeldia, amor, fúria e liberdade. Cantarei a educação com respeito e compromisso com as aprendizagens que foram plantadas nessa terra por muitas e muitos que vieram antes – os que fazem junto essa travessia e os que irão confiar a zelação das defesas compartilhadas. Dessas aprendizagens foi feito um plantio que une diversos corpos, memórias e saberes. Um roçado de esperanças que semeia nesse chão a aposta da educação como prática que tem como principal tarefa responder de forma responsável às injustiças produzidas pelo contínuo colonial. Da mesma folha se fazem o remédio e o veneno. Dosaremos, então, a medida para o cuidado e a defesa das aldeias da margem, a emenda das histórias, o porto das memórias, a vivacidade do corpo, os estímulos à alegria, o cultivo à beleza, o reconhecimento dos ciclos e a sensibilidade com as múltiplas formas que compreendem a existência como ecologia. Que possamos preparar nossas artes de cura e batalha e nos sagrarmos vencedores dessa demanda que insiste em nos espreitar.

RUFINO, L. Vence-demanda: educação e descolonização. Rio de Janeiro: Mórula Editorial, 2021. p. 5-7.

“Não basta catar a folha, é preciso cantá-la”.

No trecho acima, ocorre um fenômeno linguístico caracterizado pela semelhança entre as palavras “catar” e “cantar”. Esse fenômeno linguístico é conhecido como

 

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2967325 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col. Pedro II
Orgão: Col. Pedro II

VENCE-DEMANDA

EDUCAÇÃO: radical vivo que monta, arrebata e alumbra os seres e as coisas do mundo. Fundamento assentado no corpo, na palavra, na memória e nos atos. Balaio de experiências trançado em afeto, caos, cisma, conflito, beleza, jogo, peleja e festa. Seus fios são tudo aquilo que nos atravessa e toca. Encantamento de batalha e cura que nos faz como seres únicos de inscrições intransferíveis e imensuráveis. Repertório de práticas miúdas, cotidianas e contínuas, que serpenteiam no imprevisível e roçam possibilidades para plantar esperanças, amor e liberdade.

[...]

“Não basta catar a folha, é preciso cantá-la”. Para cada uma delas que brota, um trato. Com o devido pedido de licença aos moradores do lugar, a folha se cata, macera, seca, queima, e se sopram palavras de força que despertem o que nela habita. As folhas nos ensinam, porém havemos de silenciar profundamente para ouvi-las. Encapsulados em um tempo do quebranto, assediados pelo olho grande e pela obsessão dos agentes contrários à vida, o que nos resta é nos munirmos de repertórios guerreiros. É possível afugentar o assombro, invocar espiritualidades que façam minguar as forças da demanda cuspida por bocas assassinas? Sim, é possível. A aposta está na educação, que é aqui lida como força de batalha e cura. Esse caráter duplo riscado nessas folhas, ao ser despertado pelo hálito e pelo ritmo do diálogo, saltará feito encantaria que dá corpo e caminho para a invocação de outros atos. Ao longo do folhear, serão despertadas sensações de cisma, implicação, rebeldia, amor, fúria e liberdade. Cantarei a educação com respeito e compromisso com as aprendizagens que foram plantadas nessa terra por muitas e muitos que vieram antes – os que fazem junto essa travessia e os que irão confiar a zelação das defesas compartilhadas. Dessas aprendizagens foi feito um plantio que une diversos corpos, memórias e saberes. Um roçado de esperanças que semeia nesse chão a aposta da educação como prática que tem como principal tarefa responder de forma responsável às injustiças produzidas pelo contínuo colonial. Da mesma folha se fazem o remédio e o veneno. Dosaremos, então, a medida para o cuidado e a defesa das aldeias da margem, a emenda das histórias, o porto das memórias, a vivacidade do corpo, os estímulos à alegria, o cultivo à beleza, o reconhecimento dos ciclos e a sensibilidade com as múltiplas formas que compreendem a existência como ecologia. Que possamos preparar nossas artes de cura e batalha e nos sagrarmos vencedores dessa demanda que insiste em nos espreitar.

RUFINO, L. Vence-demanda: educação e descolonização. Rio de Janeiro: Mórula Editorial, 2021. p. 5-7.

Ao iniciar seu texto, Luiz Rufino parece sugerir a definição do verbete “EDUCAÇÃO”, ainda que o faça de maneira bastante poética.

O gênero verbete de dicionário, por sua vez, constitui um exemplo de texto do tipo

 

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2967324 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col. Pedro II
Orgão: Col. Pedro II

Texto III

SUJEITO DE SORTE

Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte

Porque apesar de muito moço, me sinto são e salvo e forte

E tenho comigo pensado, Deus é brasileiro e anda do meu lado

E assim já não posso sofrer no ano passado

Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro

Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro

Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro

Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro

Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro

Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro

BELCHIOR. Disponível em: https://www.letras.mus.br. Acesso em: 04 abr. 2022 (adaptado)

“Porque apesar de muito moço, me sinto são e salvo e forte” (verso 2)

Em relação ao verso acima, o conectivo destacado expressa o valor lógico-semântico de

 

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2967323 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col. Pedro II
Orgão: Col. Pedro II

Texto III

SUJEITO DE SORTE

Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sortea
Porque apesar de muito moço, me sinto são e salvo e forteb
E tenho comigo pensado, Deus é brasileiro e anda do meu ladoc
E assim já não posso sofrer no ano passado

Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morrod
Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro
Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro
Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro

BELCHIOR. Disponível em: https://www.letras.mus.br. Acesso em: 04 abr. 2022 (adaptado)

A canção “Sujeito de sorte”, gravada por Belchior em 1976 e revisitada por Emicida, em 2019, no álbum AmarElo, também reforça a importância de manter a esperança e não se entregar ao desespero.

O verso em que melhor se explicita a disposição do sujeito poético para seguir em frente e deixar para trás o que já havia sido superado é

 

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2967322 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col. Pedro II
Orgão: Col. Pedro II

ESPERANÇAR EM TEMPOS DE PANDEMIA: RELATO DE UMA PROFESSORA

DA REDE PÚBLICA DE BELO HORIZONTE

O atual contexto de pandemia em que estamos vivendo nos faz pensar sobre os impactos que tudo isso tem acarretado em nós docentes e discentes. Entre penhascos e abismos, procuramos uma ponte que nos mostrasse o caminho a seguir. Podemos dizer que a nossa meta de 2020 foi a de tentar sobreviver. E olhe que isso não foi uma tarefa fácil! De repente todas as nossas certezas se foram, roubaram a nossa rotina e tivemos que aceitar uma outra, imposta “goela abaixo”. Coisas simples e corriqueiras como ir trabalhar na escola, encontrar com os estudantes, ir para a sala de aula, sentar em rodinhas, dialogar, brincar, aprender e divertir foram abruptamente congeladas e, no lugar disso, ficaram o medo do vírus, o distanciamento social e o olhar a vida de longe, pelos muros, janelas e mídias sociais.

A reação inicial é que professores e estudantes ficaram perplexos diante desse novo cenário que se apresentava. Se, no ensino presencial, já era difícil fazer da Educação e do exercício de ensino e aprendizagem um ato prazeroso, interessante, que cativasse as crianças e as motivasse à exploração do novo, ao encanto com as descobertas, quem dirá agora no ensino a distância. Como professora do Ensino fundamental e da escola pública, a única certeza que tenho é a de que estamos tentando fazer o nosso melhor. Literalmente é como se acabássemos de sair da graduação de Pedagogia e estivéssemos inexperientes com a nossa primeira turma, tamanhas são as nossas perguntas e indagações para o momento. Como atingir a todos sem exceção? Como estarão nossas crianças? Estão com saúde? Como são as relações de convivência em sua casa? Estão se alimentando? Estão brincando? Estão sendo crianças e vivendo a infância em sua plenitude? Enfim, não temos experiência ou um modelo a seguir para lidar com esse novo cenário e, com o coração apertado, vamos tentando oferecer aos estudantes, dentro das possibilidades, aquilo que nos é permitido: estabelecer vínculos que possam trazer um certo conforto e carinho para eles. Tentamos nos fazer presentes nesse momento tão instável e difícil para todos. O sofrimento é geral. Tiraram o nosso chão e aprender a usar as novas ferramentas tecnológicas não é o nosso maior problema, mas entender, de fato, quais são as reais necessidades de docentes e discentes, bem como oferecer a humanização de todo esse processo, para que não seja tão doloroso e cruel.

Por outro lado, tenho avaliado o que nos foi tirado em 2020 e confrontado essa perda com os ganhos que, mesmo que indiretamente, a pandemia nos trouxe. Se pudéssemos condensar todas as lacunas, certamente uma indagação se sobressairia: “O que de fato é importante agora?” Se o objetivo era sobreviver e estamos nos cuidando e com saúde, já estamos no caminho certo. Temos que ter essa clareza de que precisamos aproveitar o tempo e as oportunidades que nos são dadas e, enquanto professora, vários pensamentos me assolam: “O que os estudantes esperam de mim? O que gostaria de oferecer aos meus estudantes? O que significa a escola para eles? De que maneira posso estabelecer vínculos com as crianças?”

.
Cada escola tem feito as suas escolhas metodológicas e pedagógicas, de acordo com o seu público escolar para chegar até os estudantes, para criar pontes humanas em um ambiente virtual. Em meio a essas decisões, o que não podemos perder de vista é que a escola precisa ser democrática e igualitária, precisa de veículos que cheguem a todos sem exceção; e que, chegando até todos os estudantes, o ensino e a aprendizagem sejam reais e significativos para eles. Temos que parar de focar em conteúdos compartimentados e dissociados da realidade e sim propiciar que as crianças sejam afetadas e movidas à construção do interesse pelas oportunidades reais de aprendizagem.

[...]

A Educação Humanizada já nos dá uma direção assertiva a seguir. Lidamos com pessoas, com crianças e essas relações construídas são pontes que nos ligam ou desligam uns dos outros, que constroem ou destroem, que formam ou deformam. Daí a importância de viver o momento com calma, de buscar encontrar o humano em nós mesmos e nos outros, não nos preocupando com números, planilhas e índices a alcançar, mas vivendo intensamente cada momento no contato gerador de aprendizagem... E tudo bem se não dermos conta, o que não pode acontecer é desistir. Desistir de recomeçar, desistir de lutar, desistir de viver! É o esperançar de Paulo Freire: “É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo…” (FREIRE, 1992, s. p.).

O grande aprendizado destes tempos tem sido o de valorizar o momento presente e tentar reunir forças (de onde nem imaginamos que teríamos) para dar os nossos passos, nos movendo, tirando-nos do lugar do medo, reinventando-nos nesses caminhos tortuosos e também incentivando os nossos estudantes a darem seus primeiros passos, tentando sobreviver e viver nesse desconhecido mundo pandêmico que agora nós temos.

Freire (1987) descreve o processo educativo como responsável pela tomada de consciência, possibilitando ao educando inserir-se no processo histórico como sujeito. Nas palavras de Freire, podemos vislumbrar a importância da escola e do seu papel de desnudar a realidade aos educandos, para que possam ler e interpretar não somente os textos, mas a vida; para que, assim, possam entender o momento atual, cuidando-se e discernindo as verdades e mentiras que circulam pelo mundo. Penso que 2020 e, agora, 2021 querem trazer à tona um novo paradigma humano: um sujeito que é protagonista, que tem as suas ideias, que luta pela sobrevivência, que vê a realidade ao seu redor e que, de certa forma, quer e pode transformá-la, a começar por pequenos gestos e ações que conseguem fazer em defesa da vida.

TAKAHASHI, A. M. Disponível em: https://www.revistaponte.org. Acesso em: 04 abr. 2022 (adaptado)

Texto II

Enunciado 3312297-1

CURY, C. Téo e o mini mundo. Disponível em: www.teoeominimundo.com.br. Acesso em: 04 abr. 2022.

A charge dialoga com os ideais de Paulo Freire, presentes no Texto I.

É possível afirmar que a resposta da borboleta reforça a necessidade de

 

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2967321 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col. Pedro II
Orgão: Col. Pedro II

ESPERANÇAR EM TEMPOS DE PANDEMIA: RELATO DE UMA PROFESSORA

DA REDE PÚBLICA DE BELO HORIZONTE

O atual contexto de pandemia em que estamos vivendo nos faz pensar sobre os impactos que tudo isso tem acarretado em nós docentes e discentes. Entre penhascos e abismos, procuramos uma ponte que nos mostrasse o caminho a seguir. Podemos dizer que a nossa meta de 2020 foi a de tentar sobreviver. E olhe que isso não foi uma tarefa fácil! De repente todas as nossas certezas se foram, roubaram a nossa rotina e tivemos que aceitar uma outra, imposta “goela abaixo”. Coisas simples e corriqueiras como ir trabalhar na escola, encontrar com os estudantes, ir para a sala de aula, sentar em rodinhas, dialogar, brincar, aprender e divertir foram abruptamente congeladas e, no lugar disso, ficaram o medo do vírus, o distanciamento social e o olhar a vida de longe, pelos muros, janelas e mídias sociais.

A reação inicial é que professores e estudantes ficaram perplexos diante desse novo cenário que se apresentava. Se, no ensino presencial, já era difícil fazer da Educação e do exercício de ensino e aprendizagem um ato prazeroso, interessante, que cativasse as crianças e as motivasse à exploração do novo, ao encanto com as descobertas, quem dirá agora no ensino a distância. Como professora do Ensino fundamental e da escola pública, a única certeza que tenho é a de que estamos tentando fazer o nosso melhor. Literalmente é como se acabássemos de sair da graduação de Pedagogia e estivéssemos inexperientes com a nossa primeira turma, tamanhas são as nossas perguntas e indagações para o momento. Como atingir a todos sem exceção? Como estarão nossas crianças? Estão com saúde? Como são as relações de convivência em sua casa? Estão se alimentando? Estão brincando? Estão sendo crianças e vivendo a infância em sua plenitude? Enfim, não temos experiência ou um modelo a seguir para lidar com esse novo cenário e, com o coração apertado, vamos tentando oferecer aos estudantes, dentro das possibilidades, aquilo que nos é permitido: estabelecer vínculos que possam trazer um certo conforto e carinho para eles. Tentamos nos fazer presentes nesse momento tão instável e difícil para todos. O sofrimento é geral. Tiraram o nosso chão e aprender a usar as novas ferramentas tecnológicas não é o nosso maior problema, mas entender, de fato, quais são as reais necessidades de docentes e discentes, bem como oferecer a humanização de todo esse processo, para que não seja tão doloroso e cruel.

Por outro lado, tenho avaliado o que nos foi tirado em 2020 e confrontado essa perda com os ganhos que, mesmo que indiretamente, a pandemia nos trouxe. Se pudéssemos condensar todas as lacunas, certamente uma indagação se sobressairia: “O que de fato é importante agora?” Se o objetivo era sobreviver e estamos nos cuidando e com saúde, já estamos no caminho certo. Temos que ter essa clareza de que precisamos aproveitar o tempo e as oportunidades que nos são dadas e, enquanto professora, vários pensamentos me assolam: “O que os estudantes esperam de mim? O que gostaria de oferecer aos meus estudantes? O que significa a escola para eles? De que maneira posso estabelecer vínculos com as crianças?”

. Cada escola tem feito as suas escolhas metodológicas e pedagógicas, de acordo com o seu público escolar para chegar até os estudantes, para criar pontes humanas em um ambiente virtual. Em meio a essas decisões, o que não podemos perder de vista é que a escola precisa ser democrática e igualitária, precisa de veículos que cheguem a todos sem exceção; e que, chegando até todos os estudantes, o ensino e a aprendizagem sejam reais e significativos para eles. Temos que parar de focar em conteúdos compartimentados e dissociados da realidade e sim propiciar que as crianças sejam afetadas e movidas à construção do interesse pelas oportunidades reais de aprendizagem.

[...]

A Educação Humanizada já nos dá uma direção assertiva a seguir. Lidamos com pessoas, com crianças e essas relações construídas são pontes que nos ligam ou desligam uns dos outros, que constroem ou destroem, que formam ou deformam. Daí a importância de viver o momento com calma, de buscar encontrar o humano em nós mesmos e nos outros, não nos preocupando com números, planilhas e índices a alcançar, mas vivendo intensamente cada momento no contato gerador de aprendizagem... E tudo bem se não dermos conta, o que não pode acontecer é desistir. Desistir de recomeçar, desistir de lutar, desistir de viver! É o esperançar de Paulo Freire: “É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo…” (FREIRE, 1992, s. p.).

O grande aprendizado destes tempos tem sido o de valorizar o momento presente e tentar reunir forças (de onde nem imaginamos que teríamos) para dar os nossos passos, nos movendo, tirando-nos do lugar do medo, reinventando-nos nesses caminhos tortuosos e também incentivando os nossos estudantes a darem seus primeiros passos, tentando sobreviver e viver nesse desconhecido mundo pandêmico que agora nós temos.

Freire (1987) descreve o processo educativo como responsável pela tomada de consciência, possibilitando ao educando inserir-se no processo histórico como sujeito. Nas palavras de Freire, podemos vislumbrar a importância da escola e do seu papel de desnudar a realidade aos educandos, para que possam ler e interpretar não somente os textos, mas a vida; para que, assim, possam entender o momento atual, cuidando-se e discernindo as verdades e mentiras que circulam pelo mundo. Penso que 2020 e, agora, 2021 querem trazer à tona um novo paradigma humano: um sujeito que é protagonista, que tem as suas ideias, que luta pela sobrevivência, que vê a realidade ao seu redor e que, de certa forma, quer e pode transformá-la, a começar por pequenos gestos e ações que conseguem fazer em defesa da vida.

TAKAHASHI, A. M. Disponível em: https://www.revistaponte.org. Acesso em: 04 abr. 2022 (adaptado)

“Daí a importância de viver o momento com calma, de buscar encontrar o humano em nós mesmos e nos outros, não nos preocupando com números, planilhas e índices a alcançar, mas vivendo intensamente cada momento no contato gerador de aprendizagem... E tudo bem se não dermos conta, o que não pode acontecer é desistir.”

O trecho sublinhado imprime ao contexto a ideia de

 

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2967320 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col. Pedro II
Orgão: Col. Pedro II

ESPERANÇAR EM TEMPOS DE PANDEMIA: RELATO DE UMA PROFESSORA

DA REDE PÚBLICA DE BELO HORIZONTE

O atual contexto de pandemia em que estamos vivendo nos faz pensar sobre os impactos que tudo isso tem acarretado em nós docentes e discentes. Entre penhascos e abismos, procuramos uma ponte que nos mostrasse o caminho a seguir. Podemos dizer que a nossa meta de 2020 foi a de tentar sobreviver. E olhe que isso não foi uma tarefa fácil! De repente todas as nossas certezas se foram, roubaram a nossa rotina e tivemos que aceitar uma outra, imposta “goela abaixo”. Coisas simples e corriqueiras como ir trabalhar na escola, encontrar com os estudantes, ir para a sala de aula, sentar em rodinhas, dialogar, brincar, aprender e divertir foram abruptamente congeladas e, no lugar disso, ficaram o medo do vírus, o distanciamento social e o olhar a vida de longe, pelos muros, janelas e mídias sociais.

A reação inicial é que professores e estudantes ficaram perplexos diante desse novo cenário que se apresentava. Se, no ensino presencial, já era difícil fazer da Educação e do exercício de ensino e aprendizagem um ato prazeroso, interessante, que cativasse as crianças e as motivasse à exploração do novo, ao encanto com as descobertas, quem dirá agora no ensino a distância. Como professora do Ensino fundamental e da escola pública, a única certeza que tenho é a de que estamos tentando fazer o nosso melhor. Literalmente é como se acabássemos de sair da graduação de Pedagogia e estivéssemos inexperientes com a nossa primeira turma, tamanhas são as nossas perguntas e indagações para o momento. Como atingir a todos sem exceção? Como estarão nossas crianças? Estão com saúde? Como são as relações de convivência em sua casa? Estão se alimentando? Estão brincando? Estão sendo crianças e vivendo a infância em sua plenitude? Enfim, não temos experiência ou um modelo a seguir para lidar com esse novo cenário e, com o coração apertado, vamos tentando oferecer aos estudantes, dentro das possibilidades, aquilo que nos é permitido: estabelecer vínculos que possam trazer um certo conforto e carinho para eles. Tentamos nos fazer presentes nesse momento tão instável e difícil para todos. O sofrimento é geral. Tiraram o nosso chão e aprender a usar as novas ferramentas tecnológicas não é o nosso maior problema, mas entender, de fato, quais são as reais necessidades de docentes e discentes, bem como oferecer a humanização de todo esse processo, para que não seja tão doloroso e cruel.

Por outro lado, tenho avaliado o que nos foi tirado em 2020 e confrontado essa perda com os ganhos que, mesmo que indiretamente, a pandemia nos trouxe. Se pudéssemos condensar todas as lacunas, certamente uma indagação se sobressairia: “O que de fato é importante agora?” Se o objetivo era sobreviver e estamos nos cuidando e com saúde, já estamos no caminho certo. Temos que ter essa clareza de que precisamos aproveitar o tempo e as oportunidades que nos são dadas e, enquanto professora, vários pensamentos me assolam: “O que os estudantes esperam de mim? O que gostaria de oferecer aos meus estudantes? O que significa a escola para eles? De que maneira posso estabelecer vínculos com as crianças?”

. Cada escola tem feito as suas escolhas metodológicas e pedagógicas, de acordo com o seu público escolar para chegar até os estudantes, para criar pontes humanas em um ambiente virtual. Em meio a essas decisões, o que não podemos perder de vista é que a escola precisa ser democrática e igualitária, precisa de veículos que cheguem a todos sem exceção; e que, chegando até todos os estudantes, o ensino e a aprendizagem sejam reais e significativos para eles. Temos que parar de focar em conteúdos compartimentados e dissociados da realidade e sim propiciar que as crianças sejam afetadas e movidas à construção do interesse pelas oportunidades reais de aprendizagem.

[...]

A Educação Humanizada já nos dá uma direção assertiva a seguir. Lidamos com pessoas, com crianças e essas relações construídas são pontes que nos ligam ou desligam uns dos outros, que constroem ou destroem, que formam ou deformam. Daí a importância de viver o momento com calma, de buscar encontrar o humano em nós mesmos e nos outros, não nos preocupando com números, planilhas e índices a alcançar, mas vivendo intensamente cada momento no contato gerador de aprendizagem... E tudo bem se não dermos conta, o que não pode acontecer é desistir. Desistir de recomeçar, desistir de lutar, desistir de viver! É o esperançar de Paulo Freire: “É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo…” (FREIRE, 1992, s. p.).

O grande aprendizado destes tempos tem sido o de valorizar o momento presente e tentar reunir forças (de onde nem imaginamos que teríamos) para dar os nossos passos, nos movendo, tirando-nos do lugar do medo, reinventando-nos nesses caminhos tortuosos e também incentivando os nossos estudantes a darem seus primeiros passos, tentando sobreviver e viver nesse desconhecido mundo pandêmico que agora nós temos.

Freire (1987) descreve o processo educativo como responsável pela tomada de consciência, possibilitando ao educando inserir-se no processo histórico como sujeito. Nas palavras de Freire, podemos vislumbrar a importância da escola e do seu papel de desnudar a realidade aos educandos, para que possam ler e interpretar não somente os textos, mas a vida; para que, assim, possam entender o momento atual, cuidando-se e discernindo as verdades e mentiras que circulam pelo mundo. Penso que 2020 e, agora, 2021 querem trazer à tona um novo paradigma humano: um sujeito que é protagonista, que tem as suas ideias, que luta pela sobrevivência, que vê a realidade ao seu redor e que, de certa forma, quer e pode transformá-la, a começar por pequenos gestos e ações que conseguem fazer em defesa da vida.

TAKAHASHI, A. M. Disponível em: https://www.revistaponte.org. Acesso em: 04 abr. 2022 (adaptado)

“O grande aprendizado destes tempos tem sido o de valorizar o momento presente e tentar reunir forças (de onde nem imaginamos que teríamos) para dar os nossos passos”

Na frase acima, os parênteses são empregados para

 

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2967319 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col. Pedro II
Orgão: Col. Pedro II

ESPERANÇAR EM TEMPOS DE PANDEMIA: RELATO DE UMA PROFESSORA

DA REDE PÚBLICA DE BELO HORIZONTE

O atual contexto de pandemia em que estamos vivendo nos faz pensar sobre os impactos que tudo isso tem acarretado em nós docentes e discentes. Entre penhascos e abismos, procuramos uma ponte que nos mostrasse o caminho a seguir. Podemos dizer que a nossa meta de 2020 foi a de tentar sobreviver. E olhe que isso não foi uma tarefa fácil! De repente todas as nossas certezas se foram, roubaram a nossa rotina e tivemos que aceitar uma outra, imposta “goela abaixo”. Coisas simples e corriqueiras como ir trabalhar na escola, encontrar com os estudantes, ir para a sala de aula, sentar em rodinhas, dialogar, brincar, aprender e divertir foram abruptamente congeladas e, no lugar disso, ficaram o medo do vírus, o distanciamento social e o olhar a vida de longe, pelos muros, janelas e mídias sociais.

A reação inicial é que professores e estudantes ficaram perplexos diante desse novo cenário que se apresentava. Se, no ensino presencial, já era difícil fazer da Educação e do exercício de ensino e aprendizagem um ato prazeroso, interessante, que cativasse as crianças e as motivasse à exploração do novo, ao encanto com as descobertas, quem dirá agora no ensino a distância. Como professora do Ensino fundamental e da escola pública, a única certeza que tenho é a de que estamos tentando fazer o nosso melhor. Literalmente é como se acabássemos de sair da graduação de Pedagogia e estivéssemos inexperientes com a nossa primeira turma, tamanhas são as nossas perguntas e indagações para o momento. Como atingir a todos sem exceção? Como estarão nossas crianças? Estão com saúde? Como são as relações de convivência em sua casa? Estão se alimentando? Estão brincando? Estão sendo crianças e vivendo a infância em sua plenitude? Enfim, não temos experiência ou um modelo a seguir para lidar com esse novo cenário e, com o coração apertado, vamos tentando oferecer aos estudantes, dentro das possibilidades, aquilo que nos é permitido: estabelecer vínculos que possam trazer um certo conforto e carinho para eles. Tentamos nos fazer presentes nesse momento tão instável e difícil para todos. O sofrimento é geral. Tiraram o nosso chão e aprender a usar as novas ferramentas tecnológicas não é o nosso maior problema, mas entender, de fato, quais são as reais necessidades de docentes e discentes, bem como oferecer a humanização de todo esse processo, para que não seja tão doloroso e cruel.

Por outro lado, tenho avaliado o que nos foi tirado em 2020 e confrontado essa perda com os ganhos que, mesmo que indiretamente, a pandemia nos trouxe. Se pudéssemos condensar todas as lacunas, certamente uma indagação se sobressairia: “O que de fato é importante agora?” Se o objetivo era sobreviver e estamos nos cuidando e com saúde, já estamos no caminho certo. Temos que ter essa clareza de que precisamos aproveitar o tempo e as oportunidades que nos são dadas e, enquanto professora, vários pensamentos me assolam: “O que os estudantes esperam de mim? O que gostaria de oferecer aos meus estudantes? O que significa a escola para eles? De que maneira posso estabelecer vínculos com as crianças?”

. Cada escola tem feito as suas escolhas metodológicas e pedagógicas, de acordo com o seu público escolar para chegar até os estudantes, para criar pontes humanas em um ambiente virtual. Em meio a essas decisões, o que não podemos perder de vista é que a escola precisa ser democrática e igualitária, precisa de veículos que cheguem a todos sem exceção; e que, chegando até todos os estudantes, o ensino e a aprendizagem sejam reais e significativos para eles. Temos que parar de focar em conteúdos compartimentados e dissociados da realidade e sim propiciar que as crianças sejam afetadas e movidas à construção do interesse pelas oportunidades reais de aprendizagem.

[...]

A Educação Humanizada já nos dá uma direção assertiva a seguir. Lidamos com pessoas, com crianças e essas relações construídas são pontes que nos ligam ou desligam uns dos outros, que constroem ou destroem, que formam ou deformam. Daí a importância de viver o momento com calma, de buscar encontrar o humano em nós mesmos e nos outros, não nos preocupando com números, planilhas e índices a alcançar, mas vivendo intensamente cada momento no contato gerador de aprendizagem... E tudo bem se não dermos conta, o que não pode acontecer é desistir. Desistir de recomeçar, desistir de lutar, desistir de viver! É o esperançar de Paulo Freire: “É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo…” (FREIRE, 1992, s. p.).

O grande aprendizado destes tempos tem sido o de valorizar o momento presente e tentar reunir forças (de onde nem imaginamos que teríamos) para dar os nossos passos, nos movendo, tirando-nos do lugar do medo, reinventando-nos nesses caminhos tortuosos e também incentivando os nossos estudantes a darem seus primeiros passos, tentando sobreviver e viver nesse desconhecido mundo pandêmico que agora nós temos.

Freire (1987) descreve o processo educativo como responsável pela tomada de consciência, possibilitando ao educando inserir-se no processo histórico como sujeito. Nas palavras de Freire, podemos vislumbrar a importância da escola e do seu papel de desnudar a realidade aos educandos, para que possam ler e interpretar não somente os textos, mas a vida; para que, assim, possam entender o momento atual, cuidando-se e discernindo as verdades e mentiras que circulam pelo mundo. Penso que 2020 e, agora, 2021 querem trazer à tona um novo paradigma humano: um sujeito que é protagonista, que tem as suas ideias, que luta pela sobrevivência, que vê a realidade ao seu redor e que, de certa forma, quer e pode transformá-la, a começar por pequenos gestos e ações que conseguem fazer em defesa da vida.

TAKAHASHI, A. M. Disponível em: https://www.revistaponte.org. Acesso em: 04 abr. 2022 (adaptado)

“Coisas simples e corriqueiras como ir trabalhar na escola, encontrar com os estudantes, ir para a sala de aula, sentar em rodinhas, dialogar, brincar, aprender e divertir foram abruptamente congeladas e, no lugar disso, ficaram o medo do vírus, o distanciamento social e o olhar a vida de longe, pelos muros, janelas e mídias sociais”.

No trecho acima, o pronome demonstrativo destacado é um elemento de coesão que

 

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2967318 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col. Pedro II
Orgão: Col. Pedro II

ESPERANÇAR EM TEMPOS DE PANDEMIA: RELATO DE UMA PROFESSORA

DA REDE PÚBLICA DE BELO HORIZONTE

O atual contexto de pandemia em que estamos vivendo nos faz pensar sobre os impactos que tudo isso tem acarretado em nós docentes e discentes. Entre penhascos e abismos, procuramos uma ponte que nos mostrasse o caminho a seguir. Podemos dizer que a nossa meta de 2020 foi a de tentar sobreviver. E olhe que isso não foi uma tarefa fácil! De repente todas as nossas certezas se foram, roubaram a nossa rotina e tivemos que aceitar uma outra, imposta “goela abaixo”. Coisas simples e corriqueiras como ir trabalhar na escola, encontrar com os estudantes, ir para a sala de aula, sentar em rodinhas, dialogar, brincar, aprender e divertir foram abruptamente congeladas e, no lugar disso, ficaram o medo do vírus, o distanciamento social e o olhar a vida de longe, pelos muros, janelas e mídias sociais.

A reação inicial é que professores e estudantes ficaram perplexos diante desse novo cenário que se apresentava. Se, no ensino presencial, já era difícil fazer da Educação e do exercício de ensino e aprendizagem um ato prazeroso, interessante, que cativasse as crianças e as motivasse à exploração do novo, ao encanto com as descobertas, quem dirá agora no ensino a distância. Como professora do Ensino fundamental e da escola pública, a única certeza que tenho é a de que estamos tentando fazer o nosso melhor. Literalmente é como se acabássemos de sair da graduação de Pedagogia e estivéssemos inexperientes com a nossa primeira turma, tamanhas são as nossas perguntas e indagações para o momento. Como atingir a todos sem exceção? Como estarão nossas crianças? Estão com saúde? Como são as relações de convivência em sua casa? Estão se alimentando? Estão brincando? Estão sendo crianças e vivendo a infância em sua plenitude? Enfim, não temos experiência ou um modelo a seguir para lidar com esse novo cenário e, com o coração apertado, vamos tentando oferecer aos estudantes, dentro das possibilidades, aquilo que nos é permitido: estabelecer vínculos que possam trazer um certo conforto e carinho para eles. Tentamos nos fazer presentes nesse momento tão instável e difícil para todos. O sofrimento é geral. Tiraram o nosso chão e aprender a usar as novas ferramentas tecnológicas não é o nosso maior problema, mas entender, de fato, quais são as reais necessidades de docentes e discentes, bem como oferecer a humanização de todo esse processo, para que não seja tão doloroso e cruel.

Por outro lado, tenho avaliado o que nos foi tirado em 2020 e confrontado essa perda com os ganhos que, mesmo que indiretamente, a pandemia nos trouxe. Se pudéssemos condensar todas as lacunas, certamente uma indagação se sobressairia: “O que de fato é importante agora?” Se o objetivo era sobreviver e estamos nos cuidando e com saúde, já estamos no caminho certo. Temos que ter essa clareza de que precisamos aproveitar o tempo e as oportunidades que nos são dadas e, enquanto professora, vários pensamentos me assolam: “O que os estudantes esperam de mim? O que gostaria de oferecer aos meus estudantes? O que significa a escola para eles? De que maneira posso estabelecer vínculos com as crianças?”

. Cada escola tem feito as suas escolhas metodológicas e pedagógicas, de acordo com o seu público escolar para chegar até os estudantes, para criar pontes humanas em um ambiente virtual. Em meio a essas decisões, o que não podemos perder de vista é que a escola precisa ser democrática e igualitária, precisa de veículos que cheguem a todos sem exceção; e que, chegando até todos os estudantes, o ensino e a aprendizagem sejam reais e significativos para eles. Temos que parar de focar em conteúdos compartimentados e dissociados da realidade e sim propiciar que as crianças sejam afetadas e movidas à construção do interesse pelas oportunidades reais de aprendizagem.

[...]

A Educação Humanizada já nos dá uma direção assertiva a seguir. Lidamos com pessoas, com crianças e essas relações construídas são pontes que nos ligam ou desligam uns dos outros, que constroem ou destroem, que formam ou deformam. Daí a importância de viver o momento com calma, de buscar encontrar o humano em nós mesmos e nos outros, não nos preocupando com números, planilhas e índices a alcançar, mas vivendo intensamente cada momento no contato gerador de aprendizagem... E tudo bem se não dermos conta, o que não pode acontecer é desistir. Desistir de recomeçar, desistir de lutar, desistir de viver! É o esperançar de Paulo Freire: “É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo…” (FREIRE, 1992, s. p.).

O grande aprendizado destes tempos tem sido o de valorizar o momento presente e tentar reunir forças (de onde nem imaginamos que teríamos) para dar os nossos passos, nos movendo, tirando-nos do lugar do medo, reinventando-nos nesses caminhos tortuosos e também incentivando os nossos estudantes a darem seus primeiros passos, tentando sobreviver e viver nesse desconhecido mundo pandêmico que agora nós temos.

Freire (1987) descreve o processo educativo como responsável pela tomada de consciência, possibilitando ao educando inserir-se no processo histórico como sujeito. Nas palavras de Freire, podemos vislumbrar a importância da escola e do seu papel de desnudar a realidade aos educandos, para que possam ler e interpretar não somente os textos, mas a vida; para que, assim, possam entender o momento atual, cuidando-se e discernindo as verdades e mentiras que circulam pelo mundo. Penso que 2020 e, agora, 2021 querem trazer à tona um novo paradigma humano: um sujeito que é protagonista, que tem as suas ideias, que luta pela sobrevivência, que vê a realidade ao seu redor e que, de certa forma, quer e pode transformá-la, a começar por pequenos gestos e ações que conseguem fazer em defesa da vida.

TAKAHASHI, A. M. Disponível em: https://www.revistaponte.org. Acesso em: 04 abr. 2022 (adaptado)

“(...) roubaram a nossa rotina e tivemos que aceitar uma outra, imposta ‘goela abaixo’”.

A vírgula usada no trecho em destaque serve para

 

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2967317 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col. Pedro II
Orgão: Col. Pedro II

ESPERANÇAR EM TEMPOS DE PANDEMIA: RELATO DE UMA PROFESSORA

DA REDE PÚBLICA DE BELO HORIZONTE

O atual contexto de pandemia em que estamos vivendo nos faz pensar sobre os impactos que tudo isso tem acarretado em nós docentes e discentes. Entre penhascos e abismos, procuramos uma ponte que nos mostrasse o caminho a seguir.a Podemos dizer que a nossa meta de 2020 foi a de tentar sobreviver.b E olhe que isso não foi uma tarefa fácil! De repente todas as nossas certezas se foram, roubaram a nossa rotina e tivemos que aceitarc uma outra, imposta “goela abaixo”. Coisas simples e corriqueiras como ir trabalhar na escola, encontrar com os estudantes, ir para a sala de aula, sentar em rodinhas, dialogar, brincar, aprender e divertir foram abruptamente congeladas e, no lugar disso, ficaram o medo do vírus, o distanciamento social e o olhar a vida de longe, pelos muros, janelas e mídias sociais.

A reação inicial é que professores e estudantes ficaram perplexos diante desse novo cenário que se apresentavad. Se, no ensino presencial, já era difícil fazer da Educação e do exercício de ensino e aprendizagem um ato prazeroso, interessante, que cativasse as crianças e as motivasse à exploração do novo, ao encanto com as descobertas, quem dirá agora no ensino a distância. Como professora do Ensino fundamental e da escola pública, a única certeza que tenho é a de que estamos tentando fazer o nosso melhor. Literalmente é como se acabássemos de sair da graduação de Pedagogia e estivéssemos inexperientes com a nossa primeira turma, tamanhas são as nossas perguntas e indagações para o momento. Como atingir a todos sem exceção? Como estarão nossas crianças? Estão com saúde? Como são as relações de convivência em sua casa? Estão se alimentando? Estão brincando? Estão sendo crianças e vivendo a infância em sua plenitude? Enfim, não temos experiência ou um modelo a seguir para lidar com esse novo cenário e, com o coração apertado, vamos tentando oferecer aos estudantes, dentro das possibilidades, aquilo que nos é permitido: estabelecer vínculos que possam trazer um certo conforto e carinho para eles. Tentamos nos fazer presentes nesse momento tão instável e difícil para todos. O sofrimento é geral. Tiraram o nosso chão e aprender a usar as novas ferramentas tecnológicas não é o nosso maior problema, mas entender, de fato, quais são as reais necessidades de docentes e discentes, bem como oferecer a humanização de todo esse processo, para que não seja tão doloroso e cruel.

Por outro lado, tenho avaliado o que nos foi tirado em 2020 e confrontado essa perda com os ganhos que, mesmo que indiretamente, a pandemia nos trouxe. Se pudéssemos condensar todas as lacunas, certamente uma indagação se sobressairia: “O que de fato é importante agora?” Se o objetivo era sobreviver e estamos nos cuidando e com saúde, já estamos no caminho certo. Temos que ter essa clareza de que precisamos aproveitar o tempo e as oportunidades que nos são dadas e, enquanto professora, vários pensamentos me assolam: “O que os estudantes esperam de mim? O que gostaria de oferecer aos meus estudantes? O que significa a escola para eles? De que maneira posso estabelecer vínculos com as crianças?”

. Cada escola tem feito as suas escolhas metodológicas e pedagógicas, de acordo com o seu público escolar para chegar até os estudantes, para criar pontes humanas em um ambiente virtual. Em meio a essas decisões, o que não podemos perder de vista é que a escola precisa ser democrática e igualitária, precisa de veículos que cheguem a todos sem exceção; e que, chegando até todos os estudantes, o ensino e a aprendizagem sejam reais e significativos para eles. Temos que parar de focar em conteúdos compartimentados e dissociados da realidade e sim propiciar que as crianças sejam afetadas e movidas à construção do interesse pelas oportunidades reais de aprendizagem.

[...]

A Educação Humanizada já nos dá uma direção assertiva a seguir. Lidamos com pessoas, com crianças e essas relações construídas são pontes que nos ligam ou desligam uns dos outros, que constroem ou destroem, que formam ou deformam. Daí a importância de viver o momento com calma, de buscar encontrar o humano em nós mesmos e nos outros, não nos preocupando com números, planilhas e índices a alcançar, mas vivendo intensamente cada momento no contato gerador de aprendizagem... E tudo bem se não dermos conta, o que não pode acontecer é desistir. Desistir de recomeçar, desistir de lutar, desistir de viver! É o esperançar de Paulo Freire: “É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo…” (FREIRE, 1992, s. p.).

O grande aprendizado destes tempos tem sido o de valorizar o momento presente e tentar reunir forças (de onde nem imaginamos que teríamos) para dar os nossos passos, nos movendo, tirando-nos do lugar do medo, reinventando-nos nesses caminhos tortuosos e também incentivando os nossos estudantes a darem seus primeiros passos, tentando sobreviver e viver nesse desconhecido mundo pandêmico que agora nós temos.

Freire (1987) descreve o processo educativo como responsável pela tomada de consciência, possibilitando ao educando inserir-se no processo histórico como sujeito. Nas palavras de Freire, podemos vislumbrar a importância da escola e do seu papel de desnudar a realidade aos educandos, para que possam ler e interpretar não somente os textos, mas a vida; para que, assim, possam entender o momento atual, cuidando-se e discernindo as verdades e mentiras que circulam pelo mundo. Penso que 2020 e, agora, 2021 querem trazer à tona um novo paradigma humano: um sujeito que é protagonista, que tem as suas ideias, que luta pela sobrevivência, que vê a realidade ao seu redor e que, de certa forma, quer e pode transformá-la, a começar por pequenos gestos e ações que conseguem fazer em defesa da vida.

TAKAHASHI, A. M. Disponível em: https://www.revistaponte.org. Acesso em: 04 abr. 2022 (adaptado)

“O atual contexto de pandemia em que estamos vivendo nos faz pensar sobre os impactos que tudo isso tem acarretado em nós docentes e discentes.”

Os elementos destacados no fragmento acima apresentam a mesma classificação de

 

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