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Foram encontradas 30 questões.

2945141 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Salvador
Orgão: Col.Mil. Salvador
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Brincar na rua

Tarde?
O dia dura menos que um dia.
O corpo ainda não parou de brincar
E já estão chamando da janela:
É tarde.

Ouço sempre este som: é tarde, tarde.
A noite chega de manhã?
Só existe a noite e seu sereno?

O mundo não é mais, depois das cinco?
É tarde.
A sombra me proíbe.
Amanhã, mesma coisa.
Sempre tarde antes de ser tarde.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Brincar na rua. In: Vou crescer assim mesmo: poemas sobre a infância. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016, p. 12.

Sobre as ideias presentes no Texto 7 e os efeitos de sentido nele produzidos, assinale a alternativa correta.

 

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2945140 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Salvador
Orgão: Col.Mil. Salvador
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TEXTO 6

Enunciado 3215730-1

(Disponível em: <https://cantinholiterariososriosdobrasil.wordpress.com/2012/03/27/chuva-sabedoria-do-calvin/>. Acesso em 05jul2022.)

Na tirinha acima, houve um final inesperado. Assinale a alternativa correta que indica por que essa quebra de expectativa acontece:

 

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2945139 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Salvador
Orgão: Col.Mil. Salvador
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O anjo vendo as horas

O céu está limpo, não há nenhuma nuvem acima de nós.

O avião, entretanto, começa a dar saltos e temos de pôr os cintos para evitar uma cabeçada na poltrona da frente. Olho pela janela: é que estamos sobrevoando de perto um grande tumulto de montanhas.

As montanhas são belas, cobertas de florestas; no verde-escuro, há manchas de ferrugem de palmeiras, algum ouro de ipê, alguma prata de embaúba – e, de súbito, uma cidade linda e um rio estreito. (...)

É fácil explicar que o vento das montanhas faz corrente para baixo e para cima, como também o ar é mais frio debaixo da leve nuvem. A um passageiro assustado, o comissário diz que “isso é natural”. Mas o avião, com o tranquilo conforto imóvel com que nos faz vencer milhas em segundos, havia nos tirado o sentimento do natural.

Somos hóspedes da máquina. Os motores foram revistos, estão perfeitos, funcionam bem, e temos nossas passagens no bolso: tudo está em ordem.

Os solavancos nos lembram de que a natureza insiste em existir, e ainda nos precipita além dela, para os reinos azuis da Metafísica. Pode o avião vencer a montanha e desprezar as passagens antigas que a humanidade sempre trilhou. Mas sua vitória não pode ser saboreada de perto: mesmo debaixo, a montanha ainda fez sentir que existe (...). Assim a humilde lagoa, assim a pequena nuvem: a tudo isso somos sensíveis dentro do nosso monstro de metal.

A menina disse que era mentira, que não se via anjo nenhum nas nuvens. O homem, porém, explicou que sim, e pediu que eu confirmasse. Eu disse:

- Tem anjo sim. Mas tem muito pouco. Até agora desde que saímos eu só vi um, e assim mesmo de longe. Hoje em dia há poucos anjos no céu. Parece que eles se assustam com os aviões. Nessas nuvens maiores nunca se encontra nenhum. Você deve procurar nas nuvenzinhas pequenas, que ficam separadas umas das outras; é nelas que os anjos gostam de brincar. Eles voam de uma para outra.

A menina queria saber de que cor eram as asas dos anjos e de que tamanho eles eram. O homem explicou que os anjos tinham asas da mesma cor daquele vestidinho da menina e eram de seu tamanho. Ela começou a duvidar novamente, mas chamamos o comissário de bordo.

Ele confirmou a existência dos anjos com a autoridade de seu ofício. Era impossível duvidar da palavra do comissário de bordo, que usa uniforme e voa todo dia para um lado e outro. E, além disso, ele tinha um argumento impressionante: “Então você não sabia que tem anjos no céu?”. E perguntou se ela tinha vontade de ser anjo.

- Não.

- Que é que você quer ser?

- Aeromoça!

E começou a nos servir biscoitos. Dois passageiros que estavam cochilando acordaram assustados porque ela apertou o botão que faz descer as costas das poltronas. Mas depois riram e aceitaram os biscoitos.

(...)

Começamos a descer. E quando o avião tocava o solo, naquele instante de leve tensão nervosa, ela se libertou do cinto (...) E disse que queria sair primeiro porque estava com muita pressa para ver as horas na torre do edifício ali perto, pois já sabia ver as horas.

Não deviam ter-lhe ensinado isso. Ela já sabe tanta coisa! As horas se juntam, fazem os dias, fazem os anos, e tudo vai passando, e os anjos depois não existem mais, nem no céu, nem na terra.

BRAGA, Rubem. O anjo vendo as horas. 1ª ed. São Paulo: Global Editora, 2021. Texto adaptado.

TEXTO 4

Enunciado 3215729-1

(Disponível em: <https://i.pinimg.com/originals/33/e2/ea/33e2eaa1e04c755dae74e3176b755641.jpg>. Acesso em jul2022.)

De acordo com os trechos 1 e 2, e considerando o sentido dos textos dos quais foram retirados, Texto 01 e Texto 04, respectivamente, julgue como verdadeiras (V) ou falsas (F) as afirmações a seguir. Em seguida, assinale a alternativa que contém a sequência correta.

I - Pode-se inferir um sentido semelhante entre a expressão “os anjos”, de que fala o narrador do trecho 1, e a expressão “o menino que fomos”, no trecho 2.

II - No trecho 2, a expressão “Com o tempo” indica que a passagem do tempo contribui para que o menino de que fala o pai de Armandinho acabe adormecendo, enquanto que, no trecho 1, o narrador não considera que a passagem do tempo faça os anjos deixarem de existir.

III - O uso de “nós” e de “fomos”, no trecho 2, refere-se às pessoas de modo geral, não apenas ao pai de Armandinho.

IV - De acordo com o trecho 1, o narrador conclui que os anjos nunca existiram.

V - Ambos os trechos utilizam um sentido figurado para tratar sobre o mesmo tema: o fim da infância.

Estão corretas as alternativas:

 

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2945138 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Salvador
Orgão: Col.Mil. Salvador
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TEXTO 4

Enunciado 3215728-1

(Disponível em: <https://i.pinimg.com/originals/33/e2/ea/33e2eaa1e04c755dae74e3176b755641.jpg>. Acesso em jul2022.)

TEXTO 5

Bola de meia, bola de gude

Há um menino, há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão

Há um passado no meu presente
O Sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão

E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito, caráter
Bondade, alegria e amor

(...)

NASCIMENTO, Milton; BRANT, Fernando. Bola de meia, bola de gude. In: NASCIMENTO, Milton. Miltons. Rio de
Janeiro: Sony Music, 1988.

Acerca das ideias presentes no Texto 4 e no Texto 5, assinale a alternativa correta.

 

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2945137 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Salvador
Orgão: Col.Mil. Salvador
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TEXTO 4

Enunciado 3215727-1

(Disponível em: <https://i.pinimg.com/originals/33/e2/ea/33e2eaa1e04c755dae74e3176b755641.jpg>. Acesso em jul2022.)

Com base no Texto 4, assinale a alternativa correta:

 

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2945136 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Salvador
Orgão: Col.Mil. Salvador
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O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a imagem de um vidro mole que fazia uma volta atrás de casa.

Passou um homem depois e disse: Essa volta que o rio faz por trás de sua casa se chama enseada.

Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que fazia uma volta atrás de casa.

Era uma enseada.

Acho que o nome empobreceu a imagem.

BARROS, Manoel de. Meu quintal é maior do que o mundo (Antologia). 1ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015. p. 85.

TEXTO 3

Onde eu nasci passa um rio

Onde eu nasci passa um rio
Que passa no igual sem fim
Igual, sem fim, minha terra
Passava dentro de mim

Passava como se o tempo
Nada pudesse mudar
Passava como se o rio
Não desaguasse no mar

O rio deságua no mar
Já tanta coisa aprendi
Mas o que é mais meu cantar
É isso que eu canto aqui

Hoje eu sei que o mundo é grande
E o mar de ondas se faz
Mas nasceu junto com o rio
O canto que eu canto mais

O rio só chega no mar
Depois de andar pelo chão
O rio da minha terra
Deságua em meu coração

VELOSO, Caetano. Onde eu nasci passa um rio. In. Domingo. Rio de Janeiro: Pollygram, 1967

Para responder à questão, utilize o TEXTO.

Sobre as relações semânticas entre o Texto 2 e o Texto 3, analise as afirmativas a seguir e assinale a alternativa que apresenta as sentenças VERDADEIRAS:

I - Em ambos os textos, a imagem do rio remete às lembranças do eu-lírico em relação aos lugares em que viveram.

II - Em “O rio da minha terra /deságua em meu coração”, do Texto, há um sentido literal, o que não ocorre em “O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a / Imagem de um vidro mole que fazia uma volta atrás / de casa”, no Texto.

III - Nos textos, os vocábulos “minha”, no Texto 3, e “nossa”, no Texto 2, reforçam a ideia de proximidade que cada eu lírico tinha com “terra” e “casa”.

IV - Em “O rio da minha terra”, no Texto 3, e em “O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa”, no Texto 2, as partes destacadas têm o papel de especificar, em cada contexto, o rio, estabelecendo que não se trata de um rio qualquer.

Assinale a alternativa correta.

 

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2945135 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Salvador
Orgão: Col.Mil. Salvador
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Onde eu nasci passa um rio

Onde eu nasci passa um rio
Que passa no igual sem fim
Igual, sem fim, minha terra
Passava dentro de mim

Passava como se o tempo
Nada pudesse mudar
Passava como se o rio
Não desaguasse no mar

O rio deságua no mar
Já tanta coisa aprendi
Mas o que é mais meu cantar
É isso que eu canto aqui

Hoje eu sei que o mundo é grande
E o mar de ondas se faz
Mas nasceu junto com o rio
O canto que eu canto mais

O rio só chega no mar
Depois de andar pelo chão
O rio da minha terra
Deságua em meu coração

VELOSO, Caetano. Onde eu nasci passa um rio. In. Domingo. Rio de Janeiro: Pollygram, 1967.

Sobre as relações semânticas estabelecidas pelas ideias do texto, assinale a alternativa correta.

 

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2945134 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Salvador
Orgão: Col.Mil. Salvador
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O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a imagem de um vidro mole que fazia uma volta atrás de casa.

Passou um homem depois e disse: Essa volta que o rio faz por trás de sua casa se chama enseada.

Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que fazia uma volta atrás de casa.

Era uma enseada.

Acho que o nome empobreceu a imagem.

BARROS, Manoel de. Meu quintal é maior do que o mundo (Antologia). 1ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015. p. 85.

Sobre o poema acima, assinale a alternativa correta.

 

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2945133 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Salvador
Orgão: Col.Mil. Salvador
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O anjo vendo as horas

O céu está limpo, não há nenhuma nuvem acima de nós.

O avião, entretanto, começa a dar saltos e temos de pôr os cintos para evitar uma cabeçada na poltrona da frente. Olho pela janela: é que estamos sobrevoando de perto um grande tumulto de montanhas.

As montanhas são belas, cobertas de florestas; no verde-escuro, há manchas de ferrugem de palmeiras, algum ouro de ipê, alguma prata de embaúba – e, de súbito, uma cidade linda e um rio estreito. (...)

É fácil explicar que o vento das montanhas faz corrente para baixo e para cima, como também o ar é mais frio debaixo da leve nuvem. A um passageiro assustado, o comissário diz que “isso é natural”. Mas o avião, com o tranquilo conforto imóvel com que nos faz vencer milhas em segundos, havia nos tirado o sentimento do natural.

Somos hóspedes da máquina. Os motores foram revistos, estão perfeitos, funcionam bem, e temos nossas passagens no bolso: tudo está em ordem.

Os solavancos nos lembram de que a natureza insiste em existir, e ainda nos precipita além dela, para os reinos azuis da Metafísica. Pode o avião vencer a montanha e desprezar as passagens antigas que a humanidade sempre trilhou. Mas sua vitória não pode ser saboreada de perto: mesmo debaixo, a montanha ainda fez sentir que existe (...). Assim a humilde lagoa, assim a pequena nuvem: a tudo isso somos sensíveis dentro do nosso monstro de metal.

A menina disse que era mentira, que não se via anjo nenhum nas nuvens. O homem, porém, explicou que sim, e pediu que eu confirmasse. Eu disse:

- Tem anjo sim. Mas tem muito pouco. Até agora desde que saímos eu só vi um, e assim mesmo de longe. Hoje em dia há poucos anjos no céu. Parece que eles se assustam com os aviões. Nessas nuvens maiores nunca se encontra nenhum. Você deve procurar nas nuvenzinhas pequenas, que ficam separadas umas das outras; é nelas que os anjos gostam de brincar. Eles voam de uma para outra.

A menina queria saber de que cor eram as asas dos anjos e de que tamanho eles eram. O homem explicou que os anjos tinham asas da mesma cor daquele vestidinho da menina e eram de seu tamanho. Ela começou a duvidar novamente, mas chamamos o comissário de bordo.

Ele confirmou a existência dos anjos com a autoridade de seu ofício. Era impossível duvidar da palavra do comissário de bordo, que usa uniforme e voa todo dia para um lado e outro. E, além disso, ele tinha um argumento impressionante: “Então você não sabia que tem anjos no céu?”. E perguntou se ela tinha vontade de ser anjo.

- Não.

- Que é que você quer ser?

- Aeromoça!

E começou a nos servir biscoitos. Dois passageiros que estavam cochilando acordaram assustados porque ela apertou o botão que faz descer as costas das poltronas. Mas depois riram e aceitaram os biscoitos.

(...)

Começamos a descer. E quando o avião tocava o solo, naquele instante de leve tensão nervosa, ela se libertou do cinto (...) E disse que queria sair primeiro porque estava com muita pressa para ver as horas na torre do edifício ali perto, pois já sabia ver as horas.

Não deviam ter-lhe ensinado isso. Ela já sabe tanta coisa! As horas se juntam, fazem os dias, fazem os anos, e tudo vai passando, e os anjos depois não existem mais, nem no céu, nem na terra.

BRAGA, Rubem. O anjo vendo as horas. 1ª ed. São Paulo: Global Editora, 2021. Texto adaptado.

Sobre as relações lógico-discursivas presentes no trecho “O céu está limpo, não há nenhuma nuvem acima de nós. / O avião, entretanto, começa a dar saltos e temos de pôr os cintos para evitar uma cabeçada na poltrona da frente. Olho pela janela: é que estamos sobrevoando de perto um grande tumulto de montanhas”, assinale a alternativa correta.

 

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2945132 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Salvador
Orgão: Col.Mil. Salvador
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O anjo vendo as horas

O céu está limpo, não há nenhuma nuvem acima de nós.

O avião, entretanto, começa a dar saltos e temos de pôr os cintos para evitar uma cabeçada na poltrona da frente. Olho pela janela: é que estamos sobrevoando de perto um grande tumulto de montanhas.

As montanhas são belas, cobertas de florestas; no verde-escuro, há manchas de ferrugem de palmeiras, algum ouro de ipê, alguma prata de embaúba – e, de súbito, uma cidade linda e um rio estreito. (...)

É fácil explicar que o vento das montanhas faz corrente para baixo e para cima, como também o ar é mais frio debaixo da leve nuvem. A um passageiro assustado, o comissário diz que “isso é natural”. Mas o avião, com o tranquilo conforto imóvel com que nos faz vencer milhas em segundos, havia nos tirado o sentimento do natural.

Somos hóspedes da máquina. Os motores foram revistos, estão perfeitos, funcionam bem, e temos nossas passagens no bolso: tudo está em ordem.

Os solavancos nos lembram de que a natureza insiste em existir, e ainda nos precipita além dela, para os reinos azuis da Metafísica. Pode o avião vencer a montanha e desprezar as passagens antigas que a humanidade sempre trilhou. Mas sua vitória não pode ser saboreada de perto: mesmo debaixo, a montanha ainda fez sentir que existe (...). Assim a humilde lagoa, assim a pequena nuvem: a tudo isso somos sensíveis dentro do nosso monstro de metal.

A menina disse que era mentira, que não se via anjo nenhum nas nuvens. O homem, porém, explicou que sim, e pediu que eu confirmasse. Eu disse:

- Tem anjo sim. Mas tem muito pouco. Até agora desde que saímos eu só vi um, e assim mesmo de longe. Hoje em dia há poucos anjos no céu. Parece que eles se assustam com os aviões. Nessas nuvens maiores nunca se encontra nenhum. Você deve procurar nas nuvenzinhas pequenas, que ficam separadas umas das outras; é nelas que os anjos gostam de brincar. Eles voam de uma para outra.

A menina queria saber de que cor eram as asas dos anjos e de que tamanho eles eram. O homem explicou que os anjos tinham asas da mesma cor daquele vestidinho da menina e eram de seu tamanho. Ela começou a duvidar novamente, mas chamamos o comissário de bordo.

Ele confirmou a existência dos anjos com a autoridade de seu ofício. Era impossível duvidar da palavra do comissário de bordo, que usa uniforme e voa todo dia para um lado e outro. E, além disso, ele tinha um argumento impressionante: “Então você não sabia que tem anjos no céu?”. E perguntou se ela tinha vontade de ser anjo.

- Não.

- Que é que você quer ser?

- Aeromoça!

E começou a nos servir biscoitos. Dois passageiros que estavam cochilando acordaram assustados porque ela apertou o botão que faz descer as costas das poltronas. Mas depois riram e aceitaram os biscoitos.

(...)

Começamos a descer. E quando o avião tocava o solo, naquele instante de leve tensão nervosa, ela se libertou do cinto (...) E disse que queria sair primeiro porque estava com muita pressa para ver as horas na torre do edifício ali perto, pois já sabia ver as horas.

Não deviam ter-lhe ensinado isso. Ela já sabe tanta coisa! As horas se juntam, fazem os dias, fazem os anos, e tudo vai passando, e os anjos depois não existem mais, nem no céu, nem na terra.

BRAGA, Rubem. O anjo vendo as horas. 1ª ed. São Paulo: Global Editora, 2021. Texto adaptado.

Com base no Texto 1, assinale a alternativa correta.

 

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