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As primas de Sapucaia
Por Claudia Laitano
O acaso não morreu, mas anda desprestigiado. Livros que não estávamos procurando,
restaurantes que ninguém recomendou, pessoas que conhecemos .... viramos na esquina
errada na hora certa — enfim, as linhas tortas da vida — são encarados hoje como desvios de
rota desnecessários.
Os oráculos que respondem ___ todas as perguntas e resolvem todas as paradas
tornaram obsoletos os encontros aleatórios, os becos sem saída, os descaminhos. É como se
toda a tecnologia criada pelo homem, desde a primeira machadinha, servisse ao único propósito
de diminuir as chances de nos distrairmos com o que não estava previsto. O inesperado perdeu
a moral.
Agora o negócio é ir direto ao ponto. Direto ao endereço certo com o GPS, direto à
paquera mais eficiente com os sites de namoro, direto ao que nos agrada (assuntos, pessoas,
diversão, opiniões políticas) graças ao algoritmo — que por sua vez não faz nenhuma questão
de nos ver adquirindo novos hábitos. O resultado é essa sensação de que estamos
empanturrados de coisas que “interessam” (a maioria delas ___ venda) e carentes de espanto
(que às vezes é de graça). As primas de Sapucaia não nos visitam mais como visitavam antes.
Primas de quem? Essa Sapucaia não é a do Sul, vizinha de Porto Alegre, mas a do nosso
Norte, o Rio de Janeiro. As Primas de Sapucaia é o título de um conto de Machado de Assis sobre
pequenos contratempos capazes de mudar um destino. O elogio do acaso como senhor da
(nossa) história.
No conto, um rapaz se apaixona por uma moça casada — como era moda no final do
século 19, a julgar pela literatura do período. Como não pode mandar mensagem pelo
Instagram nem dar um Google para saber onde ela mora e que ambientes frequenta (o telefone
mal tinha chegado ___ Corte), resta ao jovem enamorado contar com o acaso.
Para seu desconsolo, justo no dia em que surge a oportunidade de aproximar-se da
amada, ele está acompanhado de duas primas que vieram de Sapucaia para passar uns dias
no Rio de Janeiro. Lá se foi a chance de conhecê-la, amá-la, viver com ela o grande amor da
sua vida.
Para piorar, a jovem acaba se envolvendo com um amigo seu, com quem tem o tórrido
romance com o qual ele mesmo havia sonhado — mas que no fim também não dá muito certo.
No léxico machadiano, “as primas de Sapucaia” são a representação daqueles desvios
inesperados que atravessam nosso caminho, para o bem ou para o mal: “Há umas ocasiões
oportunas e fugitivas, em que o acaso nos inflige duas ou três primas de Sapucaia; outras
vezes, ao contrário, as primas de Sapucaia são antes um benefício do que um infortúnio”.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2026/05/as-primas-de-sapucaia-cmoncxlq202970123dgy7nosn.html — texto adaptado especialmente para esta prova)
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- SintaxePalavras com Múltiplas FunçõesFunções da Palavra “se”
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As primas de Sapucaia
Por Claudia Laitano
O acaso não morreu, mas anda desprestigiado. Livros que não estávamos procurando,
restaurantes que ninguém recomendou, pessoas que conhecemos .... viramos na esquina
errada na hora certa — enfim, as linhas tortas da vida — são encarados hoje como desvios de
rota desnecessários.
Os oráculos que respondem ___ todas as perguntas e resolvem todas as paradas
tornaram obsoletos os encontros aleatórios, os becos sem saída, os descaminhos. É como se
toda a tecnologia criada pelo homem, desde a primeira machadinha, servisse ao único propósito
de diminuir as chances de nos distrairmos com o que não estava previsto. O inesperado perdeu
a moral.
Agora o negócio é ir direto ao ponto. Direto ao endereço certo com o GPS, direto à
paquera mais eficiente com os sites de namoro, direto ao que nos agrada (assuntos, pessoas,
diversão, opiniões políticas) graças ao algoritmo — que por sua vez não faz nenhuma questão
de nos ver adquirindo novos hábitos. O resultado é essa sensação de que estamos
empanturrados de coisas que “interessam” (a maioria delas ___ venda) e carentes de espanto
(que às vezes é de graça). As primas de Sapucaia não nos visitam mais como visitavam antes.
Primas de quem? Essa Sapucaia não é a do Sul, vizinha de Porto Alegre, mas a do nosso
Norte, o Rio de Janeiro. As Primas de Sapucaia é o título de um conto de Machado de Assis sobre
pequenos contratempos capazes de mudar um destino. O elogio do acaso como senhor da
(nossa) história.
No conto, um rapaz se apaixona por uma moça casada — como era moda no final do
século 19, a julgar pela literatura do período. Como não pode mandar mensagem pelo
Instagram nem dar um Google para saber onde ela mora e que ambientes frequenta (o telefone
mal tinha chegado ___ Corte), resta ao jovem enamorado contar com o acaso.
Para seu desconsolo, justo no dia em que surge a oportunidade de aproximar-se da
amada, ele está acompanhado de duas primas que vieram de Sapucaia para passar uns dias
no Rio de Janeiro. Lá se foi a chance de conhecê-la, amá-la, viver com ela o grande amor da
sua vida.
Para piorar, a jovem acaba se envolvendo com um amigo seu, com quem tem o tórrido
romance com o qual ele mesmo havia sonhado — mas que no fim também não dá muito certo.
No léxico machadiano, “as primas de Sapucaia” são a representação daqueles desvios
inesperados que atravessam nosso caminho, para o bem ou para o mal: “Há umas ocasiões
oportunas e fugitivas, em que o acaso nos inflige duas ou três primas de Sapucaia; outras
vezes, ao contrário, as primas de Sapucaia são antes um benefício do que um infortúnio”.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2026/05/as-primas-de-sapucaia-cmoncxlq202970123dgy7nosn.html — texto adaptado especialmente para esta prova)
“Para seu desconsolo, justo no dia em que surge a oportunidade de aproximar-se da amada, ele está acompanhado de duas primas”.
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As primas de Sapucaia
Por Claudia Laitano
O acaso não morreu, mas anda desprestigiado. Livros que não estávamos procurando,
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errada na hora certa — enfim, as linhas tortas da vida — são encarados hoje como desvios de
rota desnecessários.
Os oráculos que respondem ___ todas as perguntas e resolvem todas as paradas
tornaram obsoletos os encontros aleatórios, os becos sem saída, os descaminhos. É como se
toda a tecnologia criada pelo homem, desde a primeira machadinha, servisse ao único propósito
de diminuir as chances de nos distrairmos com o que não estava previsto. O inesperado perdeu
a moral.
Agora o negócio é ir direto ao ponto. Direto ao endereço certo com o GPS, direto à
paquera mais eficiente com os sites de namoro, direto ao que nos agrada (assuntos, pessoas,
diversão, opiniões políticas) graças ao algoritmo — que por sua vez não faz nenhuma questão
de nos ver adquirindo novos hábitos. O resultado é essa sensação de que estamos
empanturrados de coisas que “interessam” (a maioria delas ___ venda) e carentes de espanto
(que às vezes é de graça). As primas de Sapucaia não nos visitam mais como visitavam antes.
Primas de quem? Essa Sapucaia não é a do Sul, vizinha de Porto Alegre, mas a do nosso
Norte, o Rio de Janeiro. As Primas de Sapucaia é o título de um conto de Machado de Assis sobre
pequenos contratempos capazes de mudar um destino. O elogio do acaso como senhor da
(nossa) história.
No conto, um rapaz se apaixona por uma moça casada — como era moda no final do
século 19, a julgar pela literatura do período. Como não pode mandar mensagem pelo
Instagram nem dar um Google para saber onde ela mora e que ambientes frequenta (o telefone
mal tinha chegado ___ Corte), resta ao jovem enamorado contar com o acaso.
Para seu desconsolo, justo no dia em que surge a oportunidade de aproximar-se da
amada, ele está acompanhado de duas primas que vieram de Sapucaia para passar uns dias
no Rio de Janeiro. Lá se foi a chance de conhecê-la, amá-la, viver com ela o grande amor da
sua vida.
Para piorar, a jovem acaba se envolvendo com um amigo seu, com quem tem o tórrido
romance com o qual ele mesmo havia sonhado — mas que no fim também não dá muito certo.
No léxico machadiano, “as primas de Sapucaia” são a representação daqueles desvios
inesperados que atravessam nosso caminho, para o bem ou para o mal: “Há umas ocasiões
oportunas e fugitivas, em que o acaso nos inflige duas ou três primas de Sapucaia; outras
vezes, ao contrário, as primas de Sapucaia são antes um benefício do que um infortúnio”.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2026/05/as-primas-de-sapucaia-cmoncxlq202970123dgy7nosn.html — texto adaptado especialmente para esta prova)
Considerando os trechos a seguir, retirados do texto, assinale a alternativa que apresenta, correta e respectivamente, o sentido veiculado por cada uma das preposições sublinhadas.
- “Direto ao endereço certo com o GPS”.
- “um conto de Machado de Assis sobre pequenos contratempos”.
- “dar um Google para saber onde ela mora”.
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As primas de Sapucaia
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O acaso não morreu, mas anda desprestigiado. Livros que não estávamos procurando,
restaurantes que ninguém recomendou, pessoas que conhecemos .... viramos na esquina
errada na hora certa — enfim, as linhas tortas da vida — são encarados hoje como desvios de
rota desnecessários.
Os oráculos que respondem ___ todas as perguntas e resolvem todas as paradas
tornaram obsoletos os encontros aleatórios, os becos sem saída, os descaminhos. É como se
toda a tecnologia criada pelo homem, desde a primeira machadinha, servisse ao único propósito
de diminuir as chances de nos distrairmos com o que não estava previsto. O inesperado perdeu
a moral.
Agora o negócio é ir direto ao ponto. Direto ao endereço certo com o GPS, direto à
paquera mais eficiente com os sites de namoro, direto ao que nos agrada (assuntos, pessoas,
diversão, opiniões políticas) graças ao algoritmo — que por sua vez não faz nenhuma questão
de nos ver adquirindo novos hábitos. O resultado é essa sensação de que estamos
empanturrados de coisas que “interessam” (a maioria delas ___ venda) e carentes de espanto
(que às vezes é de graça). As primas de Sapucaia não nos visitam mais como visitavam antes.
Primas de quem? Essa Sapucaia não é a do Sul, vizinha de Porto Alegre, mas a do nosso
Norte, o Rio de Janeiro. As Primas de Sapucaia é o título de um conto de Machado de Assis sobre
pequenos contratempos capazes de mudar um destino. O elogio do acaso como senhor da
(nossa) história.
No conto, um rapaz se apaixona por uma moça casada — como era moda no final do
século 19, a julgar pela literatura do período. Como não pode mandar mensagem pelo
Instagram nem dar um Google para saber onde ela mora e que ambientes frequenta (o telefone
mal tinha chegado ___ Corte), resta ao jovem enamorado contar com o acaso.
Para seu desconsolo, justo no dia em que surge a oportunidade de aproximar-se da
amada, ele está acompanhado de duas primas que vieram de Sapucaia para passar uns dias
no Rio de Janeiro. Lá se foi a chance de conhecê-la, amá-la, viver com ela o grande amor da
sua vida.
Para piorar, a jovem acaba se envolvendo com um amigo seu, com quem tem o tórrido
romance com o qual ele mesmo havia sonhado — mas que no fim também não dá muito certo.
No léxico machadiano, “as primas de Sapucaia” são a representação daqueles desvios
inesperados que atravessam nosso caminho, para o bem ou para o mal: “Há umas ocasiões
oportunas e fugitivas, em que o acaso nos inflige duas ou três primas de Sapucaia; outras
vezes, ao contrário, as primas de Sapucaia são antes um benefício do que um infortúnio”.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2026/05/as-primas-de-sapucaia-cmoncxlq202970123dgy7nosn.html — texto adaptado especialmente para esta prova)
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- SintaxePalavras com Múltiplas FunçõesFunções da Palavra “como”
- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinadas Adverbial
As primas de Sapucaia
Por Claudia Laitano
O acaso não morreu, mas anda desprestigiado. Livros que não estávamos procurando,
restaurantes que ninguém recomendou, pessoas que conhecemos .... viramos na esquina
errada na hora certa — enfim, as linhas tortas da vida — são encarados hoje como desvios de
rota desnecessários.
Os oráculos que respondem ___ todas as perguntas e resolvem todas as paradas
tornaram obsoletos os encontros aleatórios, os becos sem saída, os descaminhos. É como se
toda a tecnologia criada pelo homem, desde a primeira machadinha, servisse ao único propósito
de diminuir as chances de nos distrairmos com o que não estava previsto. O inesperado perdeu
a moral.
Agora o negócio é ir direto ao ponto. Direto ao endereço certo com o GPS, direto à
paquera mais eficiente com os sites de namoro, direto ao que nos agrada (assuntos, pessoas,
diversão, opiniões políticas) graças ao algoritmo — que por sua vez não faz nenhuma questão
de nos ver adquirindo novos hábitos. O resultado é essa sensação de que estamos
empanturrados de coisas que “interessam” (a maioria delas ___ venda) e carentes de espanto
(que às vezes é de graça). As primas de Sapucaia não nos visitam mais como visitavam antes.
Primas de quem? Essa Sapucaia não é a do Sul, vizinha de Porto Alegre, mas a do nosso
Norte, o Rio de Janeiro. As Primas de Sapucaia é o título de um conto de Machado de Assis sobre
pequenos contratempos capazes de mudar um destino. O elogio do acaso como senhor da
(nossa) história.
No conto, um rapaz se apaixona por uma moça casada — como era moda no final do
século 19, a julgar pela literatura do período. Como não pode mandar mensagem pelo
Instagram nem dar um Google para saber onde ela mora e que ambientes frequenta (o telefone
mal tinha chegado ___ Corte), resta ao jovem enamorado contar com o acaso.
Para seu desconsolo, justo no dia em que surge a oportunidade de aproximar-se da
amada, ele está acompanhado de duas primas que vieram de Sapucaia para passar uns dias
no Rio de Janeiro. Lá se foi a chance de conhecê-la, amá-la, viver com ela o grande amor da
sua vida.
Para piorar, a jovem acaba se envolvendo com um amigo seu, com quem tem o tórrido
romance com o qual ele mesmo havia sonhado — mas que no fim também não dá muito certo.
No léxico machadiano, “as primas de Sapucaia” são a representação daqueles desvios
inesperados que atravessam nosso caminho, para o bem ou para o mal: “Há umas ocasiões
oportunas e fugitivas, em que o acaso nos inflige duas ou três primas de Sapucaia; outras
vezes, ao contrário, as primas de Sapucaia são antes um benefício do que um infortúnio”.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2026/05/as-primas-de-sapucaia-cmoncxlq202970123dgy7nosn.html — texto adaptado especialmente para esta prova)
“Como não pode mandar mensagem pelo Instagram nem dar um Google para saber onde ela mora e que ambientes frequenta (o telefone mal tinha chegado ___ Corte), resta ao jovem enamorado contar com o acaso”.
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As primas de Sapucaia
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O acaso não morreu, mas anda desprestigiado. Livros que não estávamos procurando,
restaurantes que ninguém recomendou, pessoas que conhecemos .... viramos na esquina
errada na hora certa — enfim, as linhas tortas da vida — são encarados hoje como desvios de
rota desnecessários.
Os oráculos que respondem ___ todas as perguntas e resolvem todas as paradas
tornaram obsoletos os encontros aleatórios, os becos sem saída, os descaminhos. É como se
toda a tecnologia criada pelo homem, desde a primeira machadinha, servisse ao único propósito
de diminuir as chances de nos distrairmos com o que não estava previsto. O inesperado perdeu
a moral.
Agora o negócio é ir direto ao ponto. Direto ao endereço certo com o GPS, direto à
paquera mais eficiente com os sites de namoro, direto ao que nos agrada (assuntos, pessoas,
diversão, opiniões políticas) graças ao algoritmo — que por sua vez não faz nenhuma questão
de nos ver adquirindo novos hábitos. O resultado é essa sensação de que estamos
empanturrados de coisas que “interessam” (a maioria delas ___ venda) e carentes de espanto
(que às vezes é de graça). As primas de Sapucaia não nos visitam mais como visitavam antes.
Primas de quem? Essa Sapucaia não é a do Sul, vizinha de Porto Alegre, mas a do nosso
Norte, o Rio de Janeiro. As Primas de Sapucaia é o título de um conto de Machado de Assis sobre
pequenos contratempos capazes de mudar um destino. O elogio do acaso como senhor da
(nossa) história.
No conto, um rapaz se apaixona por uma moça casada — como era moda no final do
século 19, a julgar pela literatura do período. Como não pode mandar mensagem pelo
Instagram nem dar um Google para saber onde ela mora e que ambientes frequenta (o telefone
mal tinha chegado ___ Corte), resta ao jovem enamorado contar com o acaso.
Para seu desconsolo, justo no dia em que surge a oportunidade de aproximar-se da
amada, ele está acompanhado de duas primas que vieram de Sapucaia para passar uns dias
no Rio de Janeiro. Lá se foi a chance de conhecê-la, amá-la, viver com ela o grande amor da
sua vida.
Para piorar, a jovem acaba se envolvendo com um amigo seu, com quem tem o tórrido
romance com o qual ele mesmo havia sonhado — mas que no fim também não dá muito certo.
No léxico machadiano, “as primas de Sapucaia” são a representação daqueles desvios
inesperados que atravessam nosso caminho, para o bem ou para o mal: “Há umas ocasiões
oportunas e fugitivas, em que o acaso nos inflige duas ou três primas de Sapucaia; outras
vezes, ao contrário, as primas de Sapucaia são antes um benefício do que um infortúnio”.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2026/05/as-primas-de-sapucaia-cmoncxlq202970123dgy7nosn.html — texto adaptado especialmente para esta prova)
“O resultado é essa sensação de que estamos empanturrados de coisas que ‘interessam’”.
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As primas de Sapucaia
Por Claudia Laitano
O acaso não morreu, mas anda desprestigiado. Livros que não estávamos procurando,
restaurantes que ninguém recomendou, pessoas que conhecemos .... viramos na esquina
errada na hora certa — enfim, as linhas tortas da vida — são encarados hoje como desvios de
rota desnecessários.
Os oráculos que respondem ___ todas as perguntas e resolvem todas as paradas
tornaram obsoletos os encontros aleatórios, os becos sem saída, os descaminhos. É como se
toda a tecnologia criada pelo homem, desde a primeira machadinha, servisse ao único propósito
de diminuir as chances de nos distrairmos com o que não estava previsto. O inesperado perdeu
a moral.
Agora o negócio é ir direto ao ponto. Direto ao endereço certo com o GPS, direto à
paquera mais eficiente com os sites de namoro, direto ao que nos agrada (assuntos, pessoas,
diversão, opiniões políticas) graças ao algoritmo — que por sua vez não faz nenhuma questão
de nos ver adquirindo novos hábitos. O resultado é essa sensação de que estamos
empanturrados de coisas que “interessam” (a maioria delas ___ venda) e carentes de espanto
(que às vezes é de graça). As primas de Sapucaia não nos visitam mais como visitavam antes.
Primas de quem? Essa Sapucaia não é a do Sul, vizinha de Porto Alegre, mas a do nosso
Norte, o Rio de Janeiro. As Primas de Sapucaia é o título de um conto de Machado de Assis sobre
pequenos contratempos capazes de mudar um destino. O elogio do acaso como senhor da
(nossa) história.
No conto, um rapaz se apaixona por uma moça casada — como era moda no final do
século 19, a julgar pela literatura do período. Como não pode mandar mensagem pelo
Instagram nem dar um Google para saber onde ela mora e que ambientes frequenta (o telefone
mal tinha chegado ___ Corte), resta ao jovem enamorado contar com o acaso.
Para seu desconsolo, justo no dia em que surge a oportunidade de aproximar-se da
amada, ele está acompanhado de duas primas que vieram de Sapucaia para passar uns dias
no Rio de Janeiro. Lá se foi a chance de conhecê-la, amá-la, viver com ela o grande amor da
sua vida.
Para piorar, a jovem acaba se envolvendo com um amigo seu, com quem tem o tórrido
romance com o qual ele mesmo havia sonhado — mas que no fim também não dá muito certo.
No léxico machadiano, “as primas de Sapucaia” são a representação daqueles desvios
inesperados que atravessam nosso caminho, para o bem ou para o mal: “Há umas ocasiões
oportunas e fugitivas, em que o acaso nos inflige duas ou três primas de Sapucaia; outras
vezes, ao contrário, as primas de Sapucaia são antes um benefício do que um infortúnio”.
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“Livros que não estávamos procurando, restaurantes que ninguém recomendou, pessoas que conhecemos .... viramos na esquina errada na hora certa”.
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As primas de Sapucaia
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O acaso não morreu, mas anda desprestigiado. Livros que não estávamos procurando,
restaurantes que ninguém recomendou, pessoas que conhecemos .... viramos na esquina
errada na hora certa — enfim, as linhas tortas da vida — são encarados hoje como desvios de
rota desnecessários.
Os oráculos que respondem ___ todas as perguntas e resolvem todas as paradas
tornaram obsoletos os encontros aleatórios, os becos sem saída, os descaminhos. É como se
toda a tecnologia criada pelo homem, desde a primeira machadinha, servisse ao único propósito
de diminuir as chances de nos distrairmos com o que não estava previsto. O inesperado perdeu
a moral.
Agora o negócio é ir direto ao ponto. Direto ao endereço certo com o GPS, direto à
paquera mais eficiente com os sites de namoro, direto ao que nos agrada (assuntos, pessoas,
diversão, opiniões políticas) graças ao algoritmo — que por sua vez não faz nenhuma questão
de nos ver adquirindo novos hábitos. O resultado é essa sensação de que estamos
empanturrados de coisas que “interessam” (a maioria delas ___ venda) e carentes de espanto
(que às vezes é de graça). As primas de Sapucaia não nos visitam mais como visitavam antes.
Primas de quem? Essa Sapucaia não é a do Sul, vizinha de Porto Alegre, mas a do nosso
Norte, o Rio de Janeiro. As Primas de Sapucaia é o título de um conto de Machado de Assis sobre
pequenos contratempos capazes de mudar um destino. O elogio do acaso como senhor da
(nossa) história.
No conto, um rapaz se apaixona por uma moça casada — como era moda no final do
século 19, a julgar pela literatura do período. Como não pode mandar mensagem pelo
Instagram nem dar um Google para saber onde ela mora e que ambientes frequenta (o telefone
mal tinha chegado ___ Corte), resta ao jovem enamorado contar com o acaso.
Para seu desconsolo, justo no dia em que surge a oportunidade de aproximar-se da
amada, ele está acompanhado de duas primas que vieram de Sapucaia para passar uns dias
no Rio de Janeiro. Lá se foi a chance de conhecê-la, amá-la, viver com ela o grande amor da
sua vida.
Para piorar, a jovem acaba se envolvendo com um amigo seu, com quem tem o tórrido
romance com o qual ele mesmo havia sonhado — mas que no fim também não dá muito certo.
No léxico machadiano, “as primas de Sapucaia” são a representação daqueles desvios
inesperados que atravessam nosso caminho, para o bem ou para o mal: “Há umas ocasiões
oportunas e fugitivas, em que o acaso nos inflige duas ou três primas de Sapucaia; outras
vezes, ao contrário, as primas de Sapucaia são antes um benefício do que um infortúnio”.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2026/05/as-primas-de-sapucaia-cmoncxlq202970123dgy7nosn.html — texto adaptado especialmente para esta prova)
- “Os oráculos que respondem ___ todas as perguntas e resolvem todas as paradas tornaram obsoletos os encontros aleatórios”.
- “O resultado é essa sensação de que estamos empanturrados de coisas que “interessam” (a maioria delas ___ venda)”.
- “Como não pode mandar mensagem pelo Instagram nem dar um Google para saber onde ela mora e que ambientes frequenta (o telefone mal tinha chegado ___ Corte), resta ao jovem enamorado contar com o acaso”.
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As primas de Sapucaia
Por Claudia Laitano
O acaso não morreu, mas anda desprestigiado. Livros que não estávamos procurando,
restaurantes que ninguém recomendou, pessoas que conhecemos .... viramos na esquina
errada na hora certa — enfim, as linhas tortas da vida — são encarados hoje como desvios de
rota desnecessários.
Os oráculos que respondem ___ todas as perguntas e resolvem todas as paradas
tornaram obsoletos os encontros aleatórios, os becos sem saída, os descaminhos. É como se
toda a tecnologia criada pelo homem, desde a primeira machadinha, servisse ao único propósito
de diminuir as chances de nos distrairmos com o que não estava previsto. O inesperado perdeu
a moral.
Agora o negócio é ir direto ao ponto. Direto ao endereço certo com o GPS, direto à
paquera mais eficiente com os sites de namoro, direto ao que nos agrada (assuntos, pessoas,
diversão, opiniões políticas) graças ao algoritmo — que por sua vez não faz nenhuma questão
de nos ver adquirindo novos hábitos. O resultado é essa sensação de que estamos
empanturrados de coisas que “interessam” (a maioria delas ___ venda) e carentes de espanto
(que às vezes é de graça). As primas de Sapucaia não nos visitam mais como visitavam antes.
Primas de quem? Essa Sapucaia não é a do Sul, vizinha de Porto Alegre, mas a do nosso
Norte, o Rio de Janeiro. As Primas de Sapucaia é o título de um conto de Machado de Assis sobre
pequenos contratempos capazes de mudar um destino. O elogio do acaso como senhor da
(nossa) história.
No conto, um rapaz se apaixona por uma moça casada — como era moda no final do
século 19, a julgar pela literatura do período. Como não pode mandar mensagem pelo
Instagram nem dar um Google para saber onde ela mora e que ambientes frequenta (o telefone
mal tinha chegado ___ Corte), resta ao jovem enamorado contar com o acaso.
Para seu desconsolo, justo no dia em que surge a oportunidade de aproximar-se da
amada, ele está acompanhado de duas primas que vieram de Sapucaia para passar uns dias
no Rio de Janeiro. Lá se foi a chance de conhecê-la, amá-la, viver com ela o grande amor da
sua vida.
Para piorar, a jovem acaba se envolvendo com um amigo seu, com quem tem o tórrido
romance com o qual ele mesmo havia sonhado — mas que no fim também não dá muito certo.
No léxico machadiano, “as primas de Sapucaia” são a representação daqueles desvios
inesperados que atravessam nosso caminho, para o bem ou para o mal: “Há umas ocasiões
oportunas e fugitivas, em que o acaso nos inflige duas ou três primas de Sapucaia; outras
vezes, ao contrário, as primas de Sapucaia são antes um benefício do que um infortúnio”.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2026/05/as-primas-de-sapucaia-cmoncxlq202970123dgy7nosn.html — texto adaptado especialmente para esta prova)
“Há umas ocasiões oportunas e fugitivas, em que o acaso nos inflige duas ou três primas de Sapucaia; outras vezes, ao contrário, as primas de Sapucaia são antes um benefício do que um infortúnio”.
Provas
As primas de Sapucaia
Por Claudia Laitano
O acaso não morreu, mas anda desprestigiado. Livros que não estávamos procurando,
restaurantes que ninguém recomendou, pessoas que conhecemos .... viramos na esquina
errada na hora certa — enfim, as linhas tortas da vida — são encarados hoje como desvios de
rota desnecessários.
Os oráculos que respondem ___ todas as perguntas e resolvem todas as paradas
tornaram obsoletos os encontros aleatórios, os becos sem saída, os descaminhos. É como se
toda a tecnologia criada pelo homem, desde a primeira machadinha, servisse ao único propósito
de diminuir as chances de nos distrairmos com o que não estava previsto. O inesperado perdeu
a moral.
Agora o negócio é ir direto ao ponto. Direto ao endereço certo com o GPS, direto à
paquera mais eficiente com os sites de namoro, direto ao que nos agrada (assuntos, pessoas,
diversão, opiniões políticas) graças ao algoritmo — que por sua vez não faz nenhuma questão
de nos ver adquirindo novos hábitos. O resultado é essa sensação de que estamos
empanturrados de coisas que “interessam” (a maioria delas ___ venda) e carentes de espanto
(que às vezes é de graça). As primas de Sapucaia não nos visitam mais como visitavam antes.
Primas de quem? Essa Sapucaia não é a do Sul, vizinha de Porto Alegre, mas a do nosso
Norte, o Rio de Janeiro. As Primas de Sapucaia é o título de um conto de Machado de Assis sobre
pequenos contratempos capazes de mudar um destino. O elogio do acaso como senhor da
(nossa) história.
No conto, um rapaz se apaixona por uma moça casada — como era moda no final do
século 19, a julgar pela literatura do período. Como não pode mandar mensagem pelo
Instagram nem dar um Google para saber onde ela mora e que ambientes frequenta (o telefone
mal tinha chegado ___ Corte), resta ao jovem enamorado contar com o acaso.
Para seu desconsolo, justo no dia em que surge a oportunidade de aproximar-se da
amada, ele está acompanhado de duas primas que vieram de Sapucaia para passar uns dias
no Rio de Janeiro. Lá se foi a chance de conhecê-la, amá-la, viver com ela o grande amor da
sua vida.
Para piorar, a jovem acaba se envolvendo com um amigo seu, com quem tem o tórrido
romance com o qual ele mesmo havia sonhado — mas que no fim também não dá muito certo.
No léxico machadiano, “as primas de Sapucaia” são a representação daqueles desvios
inesperados que atravessam nosso caminho, para o bem ou para o mal: “Há umas ocasiões
oportunas e fugitivas, em que o acaso nos inflige duas ou três primas de Sapucaia; outras
vezes, ao contrário, as primas de Sapucaia são antes um benefício do que um infortúnio”.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2026/05/as-primas-de-sapucaia-cmoncxlq202970123dgy7nosn.html — texto adaptado especialmente para esta prova)
I. Para a autora, os acasos da vida podem nos trazer boas surpresas e não apenas serem encarados como perda de tempo.
II. A autora defende que a tecnologia tem um papel fundamentalmente positivo para manter o acaso e o inesperado, uma vez que nos estimula a novas experiências que rompem a nossa bolha.
III. Pode-se inferir certa crítica ao fato de que o funcionamento de algumas das novas tecnologias tem caráter comercial.
Quais estão corretas?
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