Foram encontradas 40 questões.
Analise a concordância dos verbos destacados nas
assertivas que seguem:
I. Selton Melo é um dos artistas que atuaram em "Ainda estou aqui".
II. A maioria dos livros foi vendida no lançamento, portanto, teremos que imprimir mais exemplares.
III. No lançamento é quando ocorrem boa parte das vendas porque os leitores quer o livro autografado.
IV. Mais de um escritor teve suas obras esgotadas, mesmo o brasileiro ainda não sendo um exímio leitor.
V.Mais de um milhão de criadores de conteúdo compartilharam vídeos nas redes sociais nas últimas doze horas.
A concordância verbal está correta em:
I. Selton Melo é um dos artistas que atuaram em "Ainda estou aqui".
II. A maioria dos livros foi vendida no lançamento, portanto, teremos que imprimir mais exemplares.
III. No lançamento é quando ocorrem boa parte das vendas porque os leitores quer o livro autografado.
IV. Mais de um escritor teve suas obras esgotadas, mesmo o brasileiro ainda não sendo um exímio leitor.
V.Mais de um milhão de criadores de conteúdo compartilharam vídeos nas redes sociais nas últimas doze horas.
A concordância verbal está correta em:
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Analise as assertivas que seguem quanto à regência dos
verbos destacados e registre V, para verdadeiras, e F,
para falsas:
(__) Todos aqueles alimentos agroecológicos distribuídos entre as famílias empobrecidas procede da agricultura familiar.
(__) Os agricultores procederam ao plantio das sementes tão logo as chuvas cessaram e a terra foi preparada.
(__) Não havia outra alternativa a não ser apelar à decisão, porque ela era injusta.
(__) Sua sabedoria importou de mais confiança e respeito na comunidade.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
(__) Todos aqueles alimentos agroecológicos distribuídos entre as famílias empobrecidas procede da agricultura familiar.
(__) Os agricultores procederam ao plantio das sementes tão logo as chuvas cessaram e a terra foi preparada.
(__) Não havia outra alternativa a não ser apelar à decisão, porque ela era injusta.
(__) Sua sabedoria importou de mais confiança e respeito na comunidade.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
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Leia as assertivas que seguem e assinale aquela em que
a pontuação está corretamente empregada:
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Os pronomes relativos desempenham papel importante
na construção da coesão textual. Assinale a alternativa
em que o pronome relativo está usado corretamente:
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A preposição é uma unidade linguística dependente, ou
seja, ela não aparece sozinha no discurso, mas
estabelecendo relações entre palavras, sejam
substantivos, adjetivos, verbos e advérbios. Por isso,
mesmo sendo dependentes de outras palavras, as
preposições não são desprovidas de sentido. Tendo isso
como referência, associe a segunda coluna de acordo
com a primeira, relacionando as preposições destacadas
com os respectivos sentidos produzidos:
Primeira coluna: preposições
1. Formam-se mais tempestades em nós mesmos que no ar, na terra e nos mares.
2. A senhora me deu recomendações para minha mãe. Eram conhecidas há muito.
3. A pessoa sábia converte a desgraça em ventura, a tola muda a fortuna em miséria.
4. Assustada, ela esfregava uma mão contra a outra. Não conseguia controlar o medo.
Segunda coluna: sentidos
(__) Denota a nova natureza ou forma que uma pessoa ou uma coisa se converte.
(__) Denota fim, destinação.
(__) Denota lugar ou situação.
(__) Denota reciprocidade de ações.
Assinale a alternativa que apresenta a correta associação entre as colunas:
Primeira coluna: preposições
1. Formam-se mais tempestades em nós mesmos que no ar, na terra e nos mares.
2. A senhora me deu recomendações para minha mãe. Eram conhecidas há muito.
3. A pessoa sábia converte a desgraça em ventura, a tola muda a fortuna em miséria.
4. Assustada, ela esfregava uma mão contra a outra. Não conseguia controlar o medo.
Segunda coluna: sentidos
(__) Denota a nova natureza ou forma que uma pessoa ou uma coisa se converte.
(__) Denota fim, destinação.
(__) Denota lugar ou situação.
(__) Denota reciprocidade de ações.
Assinale a alternativa que apresenta a correta associação entre as colunas:
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No excerto que segue, foram extraídas algumas
palavras. Leia-o e assinale a alternativa que completa correta e respectivamente as lacunas quanto à
ortografia:
"Movimentos de pessoas negras há anos debatem o racismo como estrutura fundamental das relações sociais, criando desigualdades e abismos. O racismo é, por tanto, um sistema de opressão que nega direitos, e não um simples ato da vontade de um indivíduo. Reconhecer o caráter estrutural do racismo pode ser ___________. Afinal, como enfrentar um monstro tão grande? No entanto, não devemos nos intimidar. A prática ___________ é urgente e se dá nas atitudes mais cotidianas. [...] O que está em questão não é um posicionamento moral, individual, mas um problema estrutural. A questão é: o que você está fazendo para combater o racismo? Mesmo que uma pessoa pudesse se afirmar como não racista (o que é difícil, ou mesmo impossível, já que se trata de uma estrutura social ____________), isso não seria suficiente − a inação contribui para perpetuar a opressão". Djamila Ribeiro
"Movimentos de pessoas negras há anos debatem o racismo como estrutura fundamental das relações sociais, criando desigualdades e abismos. O racismo é, por tanto, um sistema de opressão que nega direitos, e não um simples ato da vontade de um indivíduo. Reconhecer o caráter estrutural do racismo pode ser ___________. Afinal, como enfrentar um monstro tão grande? No entanto, não devemos nos intimidar. A prática ___________ é urgente e se dá nas atitudes mais cotidianas. [...] O que está em questão não é um posicionamento moral, individual, mas um problema estrutural. A questão é: o que você está fazendo para combater o racismo? Mesmo que uma pessoa pudesse se afirmar como não racista (o que é difícil, ou mesmo impossível, já que se trata de uma estrutura social ____________), isso não seria suficiente − a inação contribui para perpetuar a opressão". Djamila Ribeiro
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A pedra reiterada
Wilker Sousa
Poucos poemas causaram tanta celeuma na literatura
brasileira quanto "No Meio do Caminho". Publicado
originalmente nas páginas da Revista da Antropofagia,
em 1928, e dois anos mais tarde em Alguma Poesia −
livro de estreia de Drummond −, "o poeminha da pedra"
incitou reações extremadas, tanto de enaltecimento
quanto do mais ferino repúdio. A concisão, a
coloquialidade e a repetição daqueles versos brancos
eram a mais bem acabada realização dos ideais
modernistas até então, o que despertou a admiração
imediata dos expoentes do movimento: "Não pode haver
dúvida: Carlos Drummond de Andrade é um dos grandes
poetas do Brasil" (Manuel Bandeira); "O 'No Meio do
Caminho' é formidável" (Mário de Andrade). Por outro
lado, essas mesmas características incitaram a ira dos
herdeiros do "lirismo comedido" de Bilac, entre eles o
jornalista Godin da Fonseca: "O sr. Carlos Drummond é
difícil. Por mais que esprema o cérebro, não sai nada. Vê
uma pedra no meio do caminho (...) e fica repetindo a
coisa feito papagaio".
Às críticas e aos comentários jocosos, Drummond
mostrou-se primeiramente "seco e encalistrado", depois
simplesmente se acostumou. Com o passar dos anos,
em vez de ostentar as glórias literárias recebidas como
forma de resposta, optou por um caminho mais criativo e
irônico. Após quatro décadas da publicação do poema
na Revista da Antropofagia, em 1968 o poeta trouxe à
luz o livro Uma Pedra no Meio do Caminho − Biografia de
um Poema, reunião de centenas de comentários acerca
daqueles versos: "colecionei e publiquei tudo o que se
escreveu sobre a pedra no caminho, pró e contra, (...)
pois a essa altura a pedra havia assumido aspectos
existenciais e filosóficos que nunca me passaram pela
cabeça", explicou em entrevista. [...]
Ao topar com a pedra
[...]
"Li Drummond pela primeira vez aos 15 anos. A palavra
que melhor define minha impressão não foi 'gostei'.
Foram: impacto e atropelo. O que era aquilo?", revela
Armando Freitas Filho. Reação semelhante teve
Fernando Paixão, [...] "Se bem me lembro, [o primeiro
contato com "No Meio do Caminho"] foi por meio de um
livro escolar e a primeira reação foi de estranhamento.
[...] Como se trata de um continente muito diverso do
fazer poético, confesso, a pedra passou despercebida
nesse momento." [...]
"Nunca me esquecerei desse acontecimento"
Por ocasião do lançamento de Alguma Poesia, em 1930,
Murilo Mendes enviou uma carta a Drummond, na qual
explicitava sua reação à leitura do "poeminha": "É o tipo de poema no meio da cabeça da gente. Nunca me
esquecerei. Não sai". De fato. Lá se vão mais de 80 anos
e a poesia brasileira permanece sob o impacto
provocador da pedra, conforme explica Armando Freitas
Filho: "Mesmo inconscientemente pagamos pedágio ao
nosso poeta maior. Essa pedra, para sempre, é a minha
Esfinge antes da Esfinge: não pergunta nada, mas me
encara. Ou, então, é como a de Sísifo: missão e sina,
acompanha minha vida, e minha poética".
A exemplo de Armando, na medida em que passou a
conviver com a poesia de Drummond, Fernando Paixão
fez o percurso do estranhamento à influência: "Sem
querer, a pedra também se tornou um elemento
recorrente em meus versos − gosto, sim, de interrogar a
sua forma e (falta de) sentido. E também admiro a sua
lição de concisão e minimalismo. Prova que é possível
fazer boa poesia com poucas palavras". E, ao que
parece, a lição drummondiana continuará a se impor
como contraponto a toda poesia comedida, cuja
perenidade se limita à data de publicação. [...]
(Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/a-pedra-reiterada/.
Acesso em: 09 set. 2025. Adaptado.)
I. Carlos Drummond de Andrade, ao colecionar vários textos publicados a respeito de seu poema "No meio do caminho tinha uma pedra", pode entrar em contato com diversas leituras e compreensões do poema. Ele se surpreendeu com as dimensões que seu poema alcançou, positiva e negativamente, ressignificando a peça central do texto, a pedra, e extrapolando a própria compreensão que ele tinha daquilo que escrevera, ao ponto de publicar uma "biografia do poema" a partir desses recortes colecionados.
II. Fernando Paixão, também poeta, reconhece a influência da poesia de Drummond, mas afirma que, do estranhamento à influência, a pedra drummondiana se tornou uma pedra, um obstáculo em seu caminho poético, levando-o a dúvidas e interrogações. Hoje, Paixão admira a lição de concisão e de minimalismo que o objeto central do poema de Drummond lhe ensinou, provando que, com poucas palavras, também é possível fazer boa poesia.
III. O poema "No meio do caminho", de Drummond, diz o seguinte: No meio do caminho tinha uma pedra/ tinha uma pedra no meio do caminho/ tinha uma pedra/ no meio do caminho tinha uma pedra./ Nunca me esquecerei desse acontecimento/ na vida de minhas retinas tão fatigadas./ Nunca me esquecerei que no meio do caminho/ tinha uma pedra/ tinha uma pedra no meio do caminho/ no meio do caminho tinha uma pedra . O título do texto, "A pedra reiterada", remete não apenas à repetição da palavra "pedra", no poema, como também à permanência viva do poema na cena literária brasileira. O poema é, desde que publicado, repetidamente lido, criticado e analisado, tornando-se objeto de inspiração de outros poetas, ecoando reiteradamente e sendo contraponto à poesia comedida, cuja vida é curta.
É correto o que se afirma em:
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A pedra reiterada
Wilker Sousa
Poucos poemas causaram tanta celeuma na literatura
brasileira quanto "No Meio do Caminho". Publicado
originalmente nas páginas da Revista da Antropofagia,
em 1928, e dois anos mais tarde em Alguma Poesia −
livro de estreia de Drummond −, "o poeminha da pedra"
incitou reações extremadas, tanto de enaltecimento
quanto do mais ferino repúdio. A concisão, a
coloquialidade e a repetição daqueles versos brancos
eram a mais bem acabada realização dos ideais
modernistas até então, o que despertou a admiração
imediata dos expoentes do movimento: "Não pode haver
dúvida: Carlos Drummond de Andrade é um dos grandes
poetas do Brasil" (Manuel Bandeira); "O 'No Meio do
Caminho' é formidável" (Mário de Andrade). Por outro
lado, essas mesmas características incitaram a ira dos
herdeiros do "lirismo comedido" de Bilac, entre eles o
jornalista Godin da Fonseca: "O sr. Carlos Drummond é
difícil. Por mais que esprema o cérebro, não sai nada. Vê
uma pedra no meio do caminho (...) e fica repetindo a
coisa feito papagaio".
Às críticas e aos comentários jocosos, Drummond
mostrou-se primeiramente "seco e encalistrado", depois
simplesmente se acostumou. Com o passar dos anos,
em vez de ostentar as glórias literárias recebidas como
forma de resposta, optou por um caminho mais criativo e
irônico. Após quatro décadas da publicação do poema
na Revista da Antropofagia, em 1968 o poeta trouxe à
luz o livro Uma Pedra no Meio do Caminho − Biografia de
um Poema, reunião de centenas de comentários acerca
daqueles versos: "colecionei e publiquei tudo o que se
escreveu sobre a pedra no caminho, pró e contra, (...)
pois a essa altura a pedra havia assumido aspectos
existenciais e filosóficos que nunca me passaram pela
cabeça", explicou em entrevista. [...]
Ao topar com a pedra
[...]
"Li Drummond pela primeira vez aos 15 anos. A palavra
que melhor define minha impressão não foi 'gostei'.
Foram: impacto e atropelo. O que era aquilo?", revela
Armando Freitas Filho. Reação semelhante teve
Fernando Paixão, [...] "Se bem me lembro, [o primeiro
contato com "No Meio do Caminho"] foi por meio de um
livro escolar e a primeira reação foi de estranhamento.
[...] Como se trata de um continente muito diverso do
fazer poético, confesso, a pedra passou despercebida
nesse momento." [...]
"Nunca me esquecerei desse acontecimento"
Por ocasião do lançamento de Alguma Poesia, em 1930,
Murilo Mendes enviou uma carta a Drummond, na qual
explicitava sua reação à leitura do "poeminha": "É o tipo de poema no meio da cabeça da gente. Nunca me
esquecerei. Não sai". De fato. Lá se vão mais de 80 anos
e a poesia brasileira permanece sob o impacto
provocador da pedra, conforme explica Armando Freitas
Filho: "Mesmo inconscientemente pagamos pedágio ao
nosso poeta maior. Essa pedra, para sempre, é a minha
Esfinge antes da Esfinge: não pergunta nada, mas me
encara. Ou, então, é como a de Sísifo: missão e sina,
acompanha minha vida, e minha poética".
A exemplo de Armando, na medida em que passou a
conviver com a poesia de Drummond, Fernando Paixão
fez o percurso do estranhamento à influência: "Sem
querer, a pedra também se tornou um elemento
recorrente em meus versos − gosto, sim, de interrogar a
sua forma e (falta de) sentido. E também admiro a sua
lição de concisão e minimalismo. Prova que é possível
fazer boa poesia com poucas palavras". E, ao que
parece, a lição drummondiana continuará a se impor
como contraponto a toda poesia comedida, cuja
perenidade se limita à data de publicação. [...]
(Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/a-pedra-reiterada/.
Acesso em: 09 set. 2025. Adaptado.)
(__) Em "Às críticas e aos comentários jocosos, Drummond mostrou-se primeiramente 'seco e encalistrado', depois simplesmente se acostumou", o advérbio "primeiramente", apesar do sufixo -mente, que lhe confere sentido de modo, estabelece uma relação sequencial e temporal, a qual é confirmada pelo advérbio "depois". Dentro do contexto, os dois são responsáveis pela articulação das ideias entre as orações e pelo efeito de sentido pretendido pelo autor: na ordem cronológica dos fatos, houve uma sequência de ações. Já o advérbio "simplesmente" indica uma maneira, um modo, modificando o verbo "acostumar-se".
(__) No primeiro parágrafo, o autor do texto afirma: "Por outro lado, essas mesmas características incitaram a ira dos herdeiros do 'lirismo comedido' de Bilac [...]". Um dos recursos para dar conexão entre as ideias é o uso das chamadas locuções ou expressões de transição, as quais permitem encadear de maneira coerente vários enunciados. Um exemplo dessas locuções é "por outro lado", a qual pressupõe, anteriormente e ainda que de modo subentendido, a locução "de um lado". As duas expressões (mesmo "de um lado" estando subentendida) estabelecem uma relação de oposição. Nesse excerto do primeiro parágrafo, "por outro lado" pode ser substituída por "sob outra perspectiva", mantendo o sentido construído pelo autor.
(__) Em "Com o passar dos anos, em vez de ostentar as glórias literárias recebidas como forma de resposta, optou por um caminho mais criativo e irônico", a expressão "em vez de", que significa "em lugar de", pode ser substituída por "ao invés de" porque, nesse contexto, não compromete o sentido.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
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Questão presente nas seguintes provas
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A pedra reiterada
Wilker Sousa
Poucos poemas causaram tanta celeuma na literatura
brasileira quanto "No Meio do Caminho". Publicado
originalmente nas páginas da Revista da Antropofagia,
em 1928, e dois anos mais tarde em Alguma Poesia −
livro de estreia de Drummond −, "o poeminha da pedra"
incitou reações extremadas, tanto de enaltecimento
quanto do mais ferino repúdio. A concisão, a
coloquialidade e a repetição daqueles versos brancos
eram a mais bem acabada realização dos ideais
modernistas até então, o que despertou a admiração
imediata dos expoentes do movimento: "Não pode haver
dúvida: Carlos Drummond de Andrade é um dos grandes
poetas do Brasil" (Manuel Bandeira); "O 'No Meio do
Caminho' é formidável" (Mário de Andrade). Por outro
lado, essas mesmas características incitaram a ira dos
herdeiros do "lirismo comedido" de Bilac, entre eles o
jornalista Godin da Fonseca: "O sr. Carlos Drummond é
difícil. Por mais que esprema o cérebro, não sai nada. Vê
uma pedra no meio do caminho (...) e fica repetindo a
coisa feito papagaio".
Às críticas e aos comentários jocosos, Drummond
mostrou-se primeiramente "seco e encalistrado", depois
simplesmente se acostumou. Com o passar dos anos,
em vez de ostentar as glórias literárias recebidas como
forma de resposta, optou por um caminho mais criativo e
irônico. Após quatro décadas da publicação do poema
na Revista da Antropofagia, em 1968 o poeta trouxe à
luz o livro Uma Pedra no Meio do Caminho − Biografia de
um Poema, reunião de centenas de comentários acerca
daqueles versos: "colecionei e publiquei tudo o que se
escreveu sobre a pedra no caminho, pró e contra, (...)
pois a essa altura a pedra havia assumido aspectos
existenciais e filosóficos que nunca me passaram pela
cabeça", explicou em entrevista. [...]
Ao topar com a pedra
[...]
"Li Drummond pela primeira vez aos 15 anos. A palavra
que melhor define minha impressão não foi 'gostei'.
Foram: impacto e atropelo. O que era aquilo?", revela
Armando Freitas Filho. Reação semelhante teve
Fernando Paixão, [...] "Se bem me lembro, [o primeiro
contato com "No Meio do Caminho"] foi por meio de um
livro escolar e a primeira reação foi de estranhamento.
[...] Como se trata de um continente muito diverso do
fazer poético, confesso, a pedra passou despercebida
nesse momento." [...]
"Nunca me esquecerei desse acontecimento"
Por ocasião do lançamento de Alguma Poesia, em 1930,
Murilo Mendes enviou uma carta a Drummond, na qual
explicitava sua reação à leitura do "poeminha": "É o tipo de poema no meio da cabeça da gente. Nunca me
esquecerei. Não sai". De fato. Lá se vão mais de 80 anos
e a poesia brasileira permanece sob o impacto
provocador da pedra, conforme explica Armando Freitas
Filho: "Mesmo inconscientemente pagamos pedágio ao
nosso poeta maior. Essa pedra, para sempre, é a minha
Esfinge antes da Esfinge: não pergunta nada, mas me
encara. Ou, então, é como a de Sísifo: missão e sina,
acompanha minha vida, e minha poética".
A exemplo de Armando, na medida em que passou a
conviver com a poesia de Drummond, Fernando Paixão
fez o percurso do estranhamento à influência: "Sem
querer, a pedra também se tornou um elemento
recorrente em meus versos − gosto, sim, de interrogar a
sua forma e (falta de) sentido. E também admiro a sua
lição de concisão e minimalismo. Prova que é possível
fazer boa poesia com poucas palavras". E, ao que
parece, a lição drummondiana continuará a se impor
como contraponto a toda poesia comedida, cuja
perenidade se limita à data de publicação. [...]
(Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/a-pedra-reiterada/.
Acesso em: 09 set. 2025. Adaptado.)
I. O texto se inicia com a seguinte declaração: "Poucos poemas causaram tanta celeuma na literatura brasileira quanto 'No Meio do Caminho'", ou seja, poucos poemas causaram tanto alarido, alvoroço na literatura brasileira como o poema de Drummond.
II. Em "'Como se trata de um continente muito diverso do fazer poético, confesso, a pedra passou despercebida nesse momento'", a palavra "continente" pode ser substituída por "universo", considerando que ambas podem ter o sentido, nesse contexto, de "domínio", isto é, domínio literário.
III. Em "'o poeminha da pedra' incitou reações extremadas, tanto de enaltecimento quanto do mais ferino repúdio", a palavra "ferino" significa cruel; assim, o poema de Drummond incitou desde reações que o elevavam, quanto reações do mais cruel repúdio.
É correto o que se afirma em:
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A pedra reiterada
Wilker Sousa
Poucos poemas causaram tanta celeuma na literatura
brasileira quanto "No Meio do Caminho". Publicado
originalmente nas páginas da Revista da Antropofagia,
em 1928, e dois anos mais tarde em Alguma Poesia −
livro de estreia de Drummond −, "o poeminha da pedra"
incitou reações extremadas, tanto de enaltecimento
quanto do mais ferino repúdio. A concisão, a
coloquialidade e a repetição daqueles versos brancos
eram a mais bem acabada realização dos ideais
modernistas até então, o que despertou a admiração
imediata dos expoentes do movimento: "Não pode haver
dúvida: Carlos Drummond de Andrade é um dos grandes
poetas do Brasil" (Manuel Bandeira); "O 'No Meio do
Caminho' é formidável" (Mário de Andrade). Por outro
lado, essas mesmas características incitaram a ira dos
herdeiros do "lirismo comedido" de Bilac, entre eles o
jornalista Godin da Fonseca: "O sr. Carlos Drummond é
difícil. Por mais que esprema o cérebro, não sai nada. Vê
uma pedra no meio do caminho (...) e fica repetindo a
coisa feito papagaio".
Às críticas e aos comentários jocosos, Drummond
mostrou-se primeiramente "seco e encalistrado", depois
simplesmente se acostumou. Com o passar dos anos,
em vez de ostentar as glórias literárias recebidas como
forma de resposta, optou por um caminho mais criativo e
irônico. Após quatro décadas da publicação do poema
na Revista da Antropofagia, em 1968 o poeta trouxe à
luz o livro Uma Pedra no Meio do Caminho − Biografia de
um Poema, reunião de centenas de comentários acerca
daqueles versos: "colecionei e publiquei tudo o que se
escreveu sobre a pedra no caminho, pró e contra, (...)
pois a essa altura a pedra havia assumido aspectos
existenciais e filosóficos que nunca me passaram pela
cabeça", explicou em entrevista. [...]
Ao topar com a pedra
[...]
"Li Drummond pela primeira vez aos 15 anos. A palavra
que melhor define minha impressão não foi 'gostei'.
Foram: impacto e atropelo. O que era aquilo?", revela
Armando Freitas Filho. Reação semelhante teve
Fernando Paixão, [...] "Se bem me lembro, [o primeiro
contato com "No Meio do Caminho"] foi por meio de um
livro escolar e a primeira reação foi de estranhamento.
[...] Como se trata de um continente muito diverso do
fazer poético, confesso, a pedra passou despercebida
nesse momento." [...]
"Nunca me esquecerei desse acontecimento"
Por ocasião do lançamento de Alguma Poesia, em 1930,
Murilo Mendes enviou uma carta a Drummond, na qual
explicitava sua reação à leitura do "poeminha": "É o tipo de poema no meio da cabeça da gente. Nunca me
esquecerei. Não sai". De fato. Lá se vão mais de 80 anos
e a poesia brasileira permanece sob o impacto
provocador da pedra, conforme explica Armando Freitas
Filho: "Mesmo inconscientemente pagamos pedágio ao
nosso poeta maior. Essa pedra, para sempre, é a minha
Esfinge antes da Esfinge: não pergunta nada, mas me
encara. Ou, então, é como a de Sísifo: missão e sina,
acompanha minha vida, e minha poética".
A exemplo de Armando, na medida em que passou a
conviver com a poesia de Drummond, Fernando Paixão
fez o percurso do estranhamento à influência: "Sem
querer, a pedra também se tornou um elemento
recorrente em meus versos − gosto, sim, de interrogar a
sua forma e (falta de) sentido. E também admiro a sua
lição de concisão e minimalismo. Prova que é possível
fazer boa poesia com poucas palavras". E, ao que
parece, a lição drummondiana continuará a se impor
como contraponto a toda poesia comedida, cuja
perenidade se limita à data de publicação. [...]
(Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/a-pedra-reiterada/.
Acesso em: 09 set. 2025. Adaptado.)
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