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Para dar o salto que se impõe no limiar do novo
milênio, não podemos mais conviver com o analfabetismo e o
semianalfabetismo em massa. É uma pobre ilusão achar que o
mero consumo de quinquilharias vai nos fazer modernos, se
nossas crianças continuarem passando pela escola sem absorver
o mínimo indispensável de conhecimento para viver no ritmo
da modernidade.
Fernando Henrique Cardoso, In: João Bosco Bezerra Bonfim, Op. cit., p. 412 (com adaptações).
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Sucede que na publicação dos discursos há o uso de
imprimir entre parênteses a palavra “lê” quando o orador lê
alguma coisa. Para as pessoas que estão na galeria, é inútil
trazer o que o orador leu, porque essas ouviram tudo; mas
como nem todos os contribuintes estão na galeria (ao
contrário!), a consequência é que a maior parte fica sem saber
o que é que se leu, e, portanto, sem perceber a força da
argumentação, isso com prejuízo dos próprios oradores.
Não há dúvida que esse uso economiza papel de
impressão e tempo de copiar; mas eu, contribuinte e eleitor,
não gosto de economias na publicação dos debates. Uma vez
que esses se imprimem, é indispensável que saiam completos
para que eu os entenda. Posso ser paralítico, preguiçoso, morar
fora, e tenho o direito de saber o que é que se lê nas câmaras.
Se algum membro ou ex-membro do Congresso me lê, espero
que providencie de modo que, para o ano, eu possa ler o que se
ler, sem ir passar os meus dias na galeria do Congresso.
Machado de Assis. Op. cit., p. 72 -4 (com adaptações).
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- SemânticaDenotação e Conotação
- Interpretação de TextosFiguras e Vícios de LinguagemFiguras de Linguagem
Sucede que na publicação dos discursos há o uso de
imprimir entre parênteses a palavra “lê” quando o orador lê
alguma coisa. Para as pessoas que estão na galeria, é inútil
trazer o que o orador leu, porque essas ouviram tudo; mas
como nem todos os contribuintes estão na galeria (ao
contrário!), a consequência é que a maior parte fica sem saber
o que é que se leu, e, portanto, sem perceber a força da
argumentação, isso com prejuízo dos próprios oradores.
Não há dúvida que esse uso economiza papel de
impressão e tempo de copiar; mas eu, contribuinte e eleitor,
não gosto de economias na publicação dos debates. Uma vez
que esses se imprimem, é indispensável que saiam completos
para que eu os entenda. Posso ser paralítico, preguiçoso, morar
fora, e tenho o direito de saber o que é que se lê nas câmaras.
Se algum membro ou ex-membro do Congresso me lê, espero
que providencie de modo que, para o ano, eu possa ler o que se
ler, sem ir passar os meus dias na galeria do Congresso.
Machado de Assis. Op. cit., p. 72 -4 (com adaptações).
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Notas taquigráficas possibilitam ao cidadão acesso rápido ao trabalho do Senado Federal
Dia de sessão em plenário. Um senador acaba de
concluir o seu discurso de vinte minutos. Em seguida, na
página do Senado na Internet, já se pode ter acesso ao trecho
inicial do texto. Dentro de mais quinze ou vinte minutos, em
média, a transcrição integral do pronunciamento já estará
disponível. Para grande parte dos usuários, toda essa agilidade
na divulgação se justifica pelo emprego da tecnologia
disponível nos dias atuais. Poucos sabem, no entanto, que, por
trás dessa rapidez, também está o trabalho de profissionais que
utilizam um sistema criado há mais de dois mil anos: a
taquigrafia.
No Senado Federal, tudo o que ocorre no plenário e
nas comissões é registrado pelos taquígrafos. O registro do que
acontece no plenário da Casa é feito presencialmente e, dentro
de poucos minutos, o texto é publicado na Internet. Em geral,
o tempo necessário à transcrição de um pronunciamento feito
em plenário é menor, por exemplo, que o necessário para a
transcrição de um texto de um arquivo de áudio. Já a
publicação dos pronunciamentos proferidos em comissões pode
levar alguns dias, visto que muitas delas se reúnem em horários
coincidentes.
Todo esse trabalho — para se ter uma ideia, somente
em maio de 2011, foram 352 horas, o equivalente a mais de
quatorze dias inteiros, de pronunciamentos, distribuídos entre
o plenário e as comissões —, é realizado por uma equipe de
pouco mais de sessenta taquígrafos. Divididos em dois turnos,
eles cobrem o período das 8 h 30 min até o fim dos trabalhos
no plenário, que muitas vezes tem passado das 22 h.
O trabalho realizado no Senado se destaca com
relação ao dos parlamentos de outros países. Em Portugal, por
exemplo, a grande maioria das comissões não disponibiliza os
textos para o cidadão. No Japão, o uso de programas que
captam a voz e a transformam em texto está sendo implantado.
No Senado brasileiro, já foram realizadas reuniões
para discutir essa possibilidade, mas algumas dificuldades
fazem que o uso dessa tecnologia seja inviável.
Ainda assim, a inovação tecnológica tem contribuído
significativamente para a maior agilidade na oferta da nota
taquigráfica ao cidadão.
Isabela Vilar. Internet: www.senado.gov.br (com adaptações).
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O que há de política? É a pergunta que naturalmente ocorre a todos, e a que me fará o meu leitor, se não é ministro. O silêncio é a resposta. Não há nada, absolutamente nada. A tela da atualidade política é uma paisagem uniforme; nada a perturba, nada a modifica. Dissera-se um país onde o povo só sabe que existe politicamente quando ouve o fisco bater-lhe à porta.
O que dá razão a este marasmo? Causas gerais e causas especiais (...)
Não se admire, portanto, o leitor se não lhe dou notícias políticas. Política, como eu e meu leitor entendemos, não há. E devia agora exigir-se de um melro o alcance do olhar da águia e o rasgado do seu voo? Além de ilógico seria crueldade. Estamos muito bem assim.
Machado de Assis. Op. cit., p. 55 e 59 (com adaptações).
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Notas taquigráficas possibilitam ao cidadão acesso rápido ao trabalho do Senado Federal
Dia de sessão em plenário. Um senador acaba de
concluir o seu discurso de vinte minutos. Em seguida, na
página do Senado na Internet, já se pode ter acesso ao trecho
inicial do texto. Dentro de mais quinze ou vinte minutos, em
média, a transcrição integral do pronunciamento já estará
disponível. Para grande parte dos usuários, toda essa agilidade
na divulgação se justifica pelo emprego da tecnologia
disponível nos dias atuais. Poucos sabem, no entanto, que, por
trás dessa rapidez, também está o trabalho de profissionais que
utilizam um sistema criado há mais de dois mil anos: a
taquigrafia.
No Senado Federal, tudo o que ocorre no plenário e
nas comissões é registrado pelos taquígrafos. O registro do que
acontece no plenário da Casa é feito presencialmente e, dentro
de poucos minutos, o texto é publicado na Internet. Em geral,
o tempo necessário à transcrição de um pronunciamento feito
em plenário é menor, por exemplo, que o necessário para a
transcrição de um texto de um arquivo de áudio. Já a
publicação dos pronunciamentos proferidos em comissões pode
levar alguns dias, visto que muitas delas se reúnem em horários
coincidentes.
Todo esse trabalho — para se ter uma ideia, somente
em maio de 2011, foram 352 horas, o equivalente a mais de
quatorze dias inteiros, de pronunciamentos, distribuídos entre
o plenário e as comissões —, é realizado por uma equipe de
pouco mais de sessenta taquígrafos. Divididos em dois turnos,
eles cobrem o período das 8 h 30 min até o fim dos trabalhos
no plenário, que muitas vezes tem passado das 22 h.
O trabalho realizado no Senado se destaca com
relação ao dos parlamentos de outros países. Em Portugal, por
exemplo, a grande maioria das comissões não disponibiliza os
textos para o cidadão. No Japão, o uso de programas que
captam a voz e a transformam em texto está sendo implantado.
No Senado brasileiro, já foram realizadas reuniões
para discutir essa possibilidade, mas algumas dificuldades
fazem que o uso dessa tecnologia seja inviável.
Ainda assim, a inovação tecnológica tem contribuído
significativamente para a maior agilidade na oferta da nota
taquigráfica ao cidadão.
Isabela Vilar. Internet: www.senado.gov.br (com adaptações).
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Histórico e contextualização da taquigrafia
A palavra taquigrafia origina-se dos termos gregos
tachys (rápido) e graphein (escrever), significando, portanto,
escrita rápida. É considerada uma técnica profissional que
exige de quem a executa determinadas condições físicas,
mentais e intelectuais, além de muita prática para o seu perfeito
domínio. Taquigrafar é escrever tão depressa quanto se fala,
por meio de sinais (taquigramas) e abreviaturas.
Os hebreus atribuem a si a invenção da taquigrafia,
alegando que, em citações feitas por Davi, no Salmo 44, há
menção à pena de um escritor veloz. Os gregos, por sua vez,
querem a primazia da invenção da taquigrafia. O filósofo e
general ateniense Xenofonte, em 300 a.C., utilizava um sistema
de escrita abreviada. Marcus Tullius Tiro, escravo liberto e
secretário de Cícero, criou, no ano 70 a.C., as Notas
Tironianas, provavelmente adaptadas de um sistema
taquigráfico grego, e as utilizou no parlamento romano. Tiro
deve ter concluído que, para uma verdadeira taquigrafia, havia
necessidade de maior brevidade dos sinais para se alcançar
maior velocidade. A ideia básica era, portanto, simplificar
para dar velocidade. Importante, também, era a posterior
legibilidade dos registros. Mas como coletar as oratórias de
forma rápida e legível? Quais eram os instrumentos de trabalho
dos taquígrafos antigos? Aqui convém lembrar que o lápis só
apareceu após a descoberta das minas de grafite na Grã-
Bretanha, na metade do século XVII. A pena de aço foi
inventada na metade do século XVIII. E a caneta esferográfica
foi inventada por Laszlo Joseph Biro somente em 1943. Além
disso, na época dos romanos não existia o papel, que só seria
fabricado séculos mais tarde.
Giulietti (1950) descreve que os romanos
taquigrafavam em tabuletas e usavam, em vez de lápis, um
ponteiro. A tabuleta era constituída de duas tábuas
retangulares, de madeira ou de marfim, com uma pequena
margem elevada ao longo dos quatro lados. A parte central,
rebaixada em relação às margens, era recoberta com cera, sobre
a qual se escrevia com um ponteiro de metal, osso ou marfim.
O ponteiro tinha, de um lado, uma ponta aguda, com a qual se
escrevia na cera, e, do outro, o formato de uma espátula, que
era usada para se apagar o que estava escrito, alisando a cera.
As tabuletas também podiam ser revestidas com cal, sobre a
qual se escrevia com uma tinta negra. Várias tabuletas podiam
ser unidas com cordazinhas, que serviam de dobradiças,
formando, dessa forma, um livreto com certo número de
páginas. Havia escravos que eram encarregados de entregar as
tabuletas aos taquígrafos. No momento em que terminava de
escrever em uma tabuleta, o taquígrafo já recebia outra tábula
rasa, tabuleta com a cera alisada. A tabuleta escrita era levada,
então, por um escravo e entregue aos librarii, que traduziam e
recopiavam tudo por extenso. O texto assim traduzido era
depois entregue aos oradores para uma revisão. Em seguida,
era passado a limpo em pergaminhos ou papiros e publicado.
Wladimir Jatobá de Menezes et al. Ambiente de trabalho em taquigrafia: tarefas, atividades, estratégias operatórias e custo humano da atividade. In: Ação Ergonômica, Rio de Janeiro, v. 3, n./ 1, p. 1-17, 2007. Internet: www.acaoergonomica.ergonomia.ufrj.br/ (com adaptações).
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Poucos escritores terão acompanhado com tanto interesse e tanta acuidade a vida política brasileira como Machado de Assis. Nada lhe escapou. A pena do cronista, ou a pena do romancista e do contista, esteve sempre vigilante, não propriamente para combater, como os políticos exaltados, mas para esclarecer, para opinar. Para ser um estadista só faltou a ele o exercício da política, na Câmara, no Senado, no Ministério. Ele seria brilhante como soube ser no plano das letras. Certamente teria sido um grande estadista no plano da vida política efetiva, com a sua ampla visão do mundo.
Não farei uma afirmação temerária ao escrever que a história da política nacional não pode ser escrita, no espaço compreendido pela vida de Machado de Assis, sem o testemunho do mestre de Dom Casmurro. E com esta vantagem superior: ele pôs a compreensão no lugar da paixão, sempre que analisou um problema, retratou um político ou definiu uma situação, no curso de nossa história política.
José Sarney, In: Machado de Assis. O velho Senado. Brasília: Edições do Senado Federal, vol. 37, 2004, p. 15-6 (com adaptações)
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Evaristo de Moraes, com aautoridade de quem foi não
apenas republicano histórico, mas ativomembro da propaganda
republicana, ao relembrar as mais remotas origens do
movimento republicano no Brasil — não das ideias
republicanas, cujas primeiras manifestações são encontráveis
ainda na colônia, mas do movimento republicano organizado
—, declarou que foi a frustração que a inopinada troca de
gabinetes em 1869, com o completo desrespeito das regras
então vigentes, impôs aos membros mais radicais do partido
liberal que levou à cisão desse partido, dando origem tanto ao
partido liberal radical quanto ao partido republicano. As regras
do jogo tinham sido quebradas pelo monarca, o regime havia
perdido sua credibilidade.
José T. M. Menck. A crise política de 1868 e a gênese do Manifesto Republicano de 1870. In: Cadernos Aslegis, 37, maio/agosto 2009, p. 39-40 (com adaptações).
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O nascimento da ética do político
Em milênios de filosofia, só dois filósofos quebraram
as fronteiras da academia para que seus nomes gerassem
adjetivos conhecidos de todos, até de quem não sabe quem eles
foram: Platão e Maquiavel. Todos ouvimos falar em amor
platônico ou em pessoas maquiavélicas. Não interessa que
os especialistas se irritem porque Maquiavel não foi
maquiavélico; o fato é que ele, como Platão, deixou uma marca
no imaginário social.
O Príncipe, que, em breve, completará 500 anos, tem
características notáveis. Primeira: é livro facílimo de ler.
Segunda: apesar disso, não há acordo sobre o que quer dizer.
Nós o lemos com facilidade e não temos certeza do que ele
pretende. Talvez porque, terceira característica, pareça
contradizer o resto da vida e obra do autor.
Maquiavel foi um dos chefes da república de Florença,
passou anos escrevendo uma grande obra republicana —
Discursos —, mas somente se tornou um dos maiores
pensadores da história devido a um livro curto que redigiu em
poucas semanas, quando estava banido da cidade, com o fim de
agradar aos novos senhores de uma Florença monárquica. Por
isso nos perguntamos o que é O Príncipe: é um livro de
apologia à monarquia ou uma sátira cáustica? Sustenta que os
fins justificam os meios ou mostra a essência da política?
Contradiz o político e pensador republicano ou nutre, com ele,
uma secreta harmonia?
Renato Janine Ribeiro. In: O Estado de S.Paulo, 7/8/2010. Internet: www.estadao.com.br (com adaptações).
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Caderno Container