Sucede que na publicação dos discursos há o uso de
imprimir entre parênteses a palavra “lê” quando o orador lê
alguma coisa. Para as pessoas que estão na galeria, é inútil
trazer o que o orador leu, porque essas ouviram tudo; mas
como nem todos os contribuintes estão na galeria (ao
contrário!), a consequência é que a maior parte fica sem saber
o que é que se leu, e, portanto, sem perceber a força da
argumentação, isso com prejuízo dos próprios oradores.
Não há dúvida que esse uso economiza papel de
impressão e tempo de copiar; mas eu, contribuinte e eleitor,
não gosto de economias na publicação dos debates. Uma vez
que esses se imprimem, é indispensável que saiam completos
para que eu os entenda. Posso ser paralítico, preguiçoso, morar
fora, e tenho o direito de saber o que é que se lê nas câmaras.
Se algum membro ou ex-membro do Congresso me lê, espero
que providencie de modo que, para o ano, eu possa ler o que se
ler, sem ir passar os meus dias na galeria do Congresso.
Machado de Assis. Op. cit., p. 72 -4 (com adaptações).