Considere o excerto abaixo, e responda a questão.
Na Europa a realidade precedeu o nome. América, pelo contrário, começou por ser uma ideia. Vitória do nominalismo; o nome engendrou a realidade. O continente americano ainda não havia sido inteiramente descoberto e já fora batizado. O nome que nos deram nos condenou a ser um mundo novo. Terra de eleição do futuro: antes de ser, a América já sabia como iria ser. Mal se transplantou para as nossas terras o emigrante europeu já perdia a sua realidade histórica: deixava de ter passado e convertia-se em um projétil de futuro. Durante mais de três séculos a palavra americano designou um homem que não se definia pelo que fizera e sim pelo que faria. Um ser que não tem passado, que não tem mais do que futuro, é um ser de pouca realidade. Americanos: homens de pouca realidade, homens de pouco peso. Nosso nome nos condenava a ser o projeto histórico de uma consciência alheia: a europeia.
No excerto em análise, as ocorrências de dois pontos