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4112266 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: UFAL
Orgão: IFAL

Quem se contenta - Italo Calvino

 

Havia um país em que tudo era proibido. Ora, como a única coisa não proibida era o jogo de bilharda, os súditos se reuniam em certos campos que ficavam atrás da aldeia e ali, jogando bilharda, passavam os dias. E como as proibições tinham vindo paulatinamente, sempre por motivos justificados, não havia ninguém que pudesse reclamar ou que não soubesse se adaptar.

 

Passaram-se os anos. Um dia, os condestáveis viram que não havia mais razão para que tudo fosse proibido e enviaram mensageiros para avisar os súditos que podiam fazer o que quisessem. Os mensageiros foram àqueles lugares onde os súditos costumavam se reunir.

 

— Saibam — anunciaram — que nada mais é proibido. Eles continuaram a jogar bilharda.

 

— Entenderam? — os mensageiros insistiram.

 

— Vocês estão livres para fazer o que quiserem.

 

— Muito bem — responderam os súditos.

 

— Nós jogamos bilharda.

 

Os mensageiros se empenharam em recordar-lhes quantas ocupações belas e úteis havia, às quais eles tinham se dedicado no passado e poderiam agora novamente se dedicar. Mas eles não prestavam atenção e continuavam a jogar, uma batida atrás da outra, sem nem mesmo tomar fôlego. Vendo que as tentativas eram inúteis, os mensageiros foram contar aos condestáveis.

 

— Nem uma, nem duas — disseram os condestáveis. — Proibamos o jogo de bilharda.

 

Aí então o povo fez uma revolução e matou-os todos. Depois, sem perder tempo, voltou a jogar bilharda.

 

Disponível em: https://www.bibliotecadofabio.blogspot.com/2011/09/o-conto-da-semana-de-italo-calvino.html. Acesso em: 19 nov. 2024.

 

Considerando-se o texto acima, dadas as afirmativas,

 

I. O texto traz uma forte carga sociopolítica, refletindo acerca de um povo que não está acostumado à liberdade.

 

II. O texto tem como característica uma dimensão irreal no curso dos acontecimentos e a presença do absurdo, provocando uma inverossimilhança externa, já que há afastamento da realidade.

 

III. Identifica-se, no texto, uma importante característica da literatura fantástica: a possibilidade de criar alegorias. Ou seja, apresentar um enredo aparentemente absurdo para criticar algo que está presente na nossa realidade.

 

IV. Há, no texto, traços de um conto contemporâneo, já que tudo, em uma narrativa desse gênero, tem sua razão de ser, isto é, contribui para o sentido de toda história. Além disso, concentra-se em um breve momento, contexto atual ou baseado em fatos.

 

verifica-se que estão corretas apenas

 

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