O texto a seguir é base para a questão.
“O trabalho de maior vulto com enfoque na situação do ex-escravo é o Florestan Fernandes – Integração do
Negro na Sociedade de Classes. Contudo, a história do negro recém-saído da escravidão é abordada
praticamente apenas no primeiro capítulo, referindo-se o restante dos dois volumes ao negro das décadas de
20 em diante. O motivo disto talvez possa ser explicado a partir de uma postura metodológica determinada.
Segundo o autor, ocorre neste período ‘o esboroamento final da sociedade de castas e o processo de
elaboração da ordem social competitiva’ ou, nos termos de outra obra sua mais recente, ‘a emergência e
expansão de um capitalismo dependente’. Trata-se, em suma, da ‘revolução burguesa’, não enquanto
episódio histórico, mas sim enquanto fenômeno estrutural, em que ‘diversas situações de interesses da
burguesia, em formação e expansão no Brasil, deram origem a novas formas de organização do poder em
três níveis concomitantes: da economia, da sociedade e do Estado.”
AZEVEDO, Célia M. M. de. Onda negra, medo branco: O negro no imaginário das elites – século XIX. Rio de Janeiro:
Paz e Terra, 1987. p.22.