Para responder às questões 01 a 07, leia o texto abaixo.
Nós, Baby Boomers da pré-história, preferimos os finais felizes
1 Era uma amiga nossa, da época do colégio.
2 Morava em um apartamento pequeno, mas era dela.
3 Quitado. Hoje os jovens não consideram a posse um
4 benefício, mas quem nasceu nos anos 1960 sabe que
S ter um imóvel para chamar de seu era o objetivo de
6 uma vida - que nossa amiga só atingiu aos 50 anos.
7 Foi isso, o espanto quando ela um dia nos chamou em
8 Sua CaSa para anunciar que iria morar com o homem
9 que havia conhecido no Tinder. Colocaria seu
10 apartamento à venda.
11 Foi um rebuliço. Tá louca? Você não pode vender
12 o único lugar que tem para voltar! Bom, aí começou
13 uma conversa difícil sobre a nossa falta de otimismo
14 em seu namoro. Estávamos apenas sendo
15 previdentes, mas ela se defendeu: tudo ia muito bem
16 com o casal, não eram crianças, já haviam passado
17 por Casamentos anteriores e ela não seria tola de dar
18 Um passo desses se não estivesse absolutamente
19 confiante.
20 Deveríamos ter dado os parabéns e saído de
21 fininho, envergonhadas pelo nosso ceticismo, mas
22 Continuamos bem sentadas onde estávamos e
23 insistimos para ela não vender, e sim alugar o
24 apartamento, e que fosse cuidadosa com o contrato,
25 deveria incluir uma cláusula que facilitasse sua
26 recuperação em caso de emergência. Emergência
27 que neo haverá', disse ela. Era comovente.
28 Resultado: não houve, mesmo, necessidade
29 nenhuma de voltar para o seu apartamento. Ela e o
30 marido continuam tão apaixonados como estavam 13
31 anos atrás, quando iniciaram um romance de dar
32 inveja em amigas agourentas. O casamento segue
33 firme e forte, e eles trabalham duro, mesmo já em
34 idade de se aposentar, o que seria motivo para ela
35 querer torcer nosso pescoço, pois se tivesse vendido
36 o apartamento naquela época, teria capital para
37 investir em um negócio próprio e talvez estivesse
38 vivendo hoje com mais folga no orçamento
39 No entanto, ela alugou o apartamento, como
40 sugerimos. Somos cinco melhores amigas, e nossas
41 vozes, juntas, fazem diferença na vida uma da outra.
42 Pois bem: depois de muitos anos sendo ocupado por
43 locatários diversos, o apartamento acaba de voltar às
44 suas mãos. Não, nossa amiga não se separou quem
45 separou foi sua filha mais nova, que lá instalou suas
46 roupas e os planos incertos para o futuro.
47 O apartamento continua pequeno, e agora quem
48 o visita são as amigas da jovem inquilina, todas na
49 faixa dos 30, que defendem, com razão, que é preciso
50 desapegar de bens materiais, que desta vida nada se
51 leva, que ninguém pode adivinhar o dia de amanhã,
52 que investir em experiências é mais enriquecedor do
53 que se matar trabalhando para ser dono de um imóvel,
54 e eu tenho muita simpatia por essa linha de
55 pensamento, talvez pensasse assim se pertencesse à
56 Geração Z e tivesse nascido em 1997.
57 Porém, nós, Baby Boomers da pré-história,
58 preferimos os Finais felizes
Autora: Martha Medeiros - GZH (adaptado)
O texto evidencia um antagonismo geracional quanto à valoração atribuída à posse de bens patrimoniais. À luz dessa divergência de perspectivas, analise as assertivas e julgue V, para as verdadeiras, e F, para as falsas:
() Os indivíduos pertencentes à Geração Z percebem a aquisição de um imóvel como condição sine qua non para a estabilidade financeira, contrapondo-se à geração da narradora, cuja ênfase recai sobre vivências subjetivas e autonomia existencial,
() A interlocutora da narradora, ao alienar seu apartamento, revela afinidade com os pressupostos da Geração Z, notadamente no que tange à primazia conferida às experiências em detrimento da acumulação material.
() As companheiras da narradora, vinculadas à geração dos Baby Boomers, evidenciam uma postura de cunho conservador, ao recomendarem a preservação do imóvel como salvaguarda de segurança futura.
() A narradora, integrante da Geração Z, endossa a decisão da amiga de se desfazer do apartamento, com base na convicção de que a posse de bens materiais não constitui requisito imprescindível à realização pessoal.
Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, de baixo para cima, os parênteses acima?