Magna Concursos
3879486 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: AMEOSC
Orgão: Pref. Santa Helena-SC
Qual a maior compulsão?
As mulheres sempre tiveram mais de um sapato, uma porção de pares, para revezar o máximo possível com as suas roupas. Trata-se de uma variedade incrível para lidar com cada estilo e ocasião.
É a síndrome mansa de Imelda Marcos dentro de cada uma delas — Imelda é mãe do presidente das Filipinas, ex-primeira-dama, que se vangloria de possuir mais de 3.000 pares de sapatos em 95 anos de existência.
Mulher costuma ser uma centopeia. A minha esposa acumula cerca de 200 pares de calçados. Jamais contei um por um, porque desejo me manter casado.
Beatriz sofre para se desfazer de um modelo único e insubstituível, ao qual se afeiçoou ao longo do tempo, confortável em seus dedos e leal aos obstáculos dos mais complexos pisos. Assim sendo, só entram peças lá em casa, dificilmente saem.
Já o homem tem um ou dois pares de sapatos para seus compromissos sociais. Não mais do que isso. É lacônico nas suas vestes sisudas.
Só que eu percebi que ele encontrou uma maneira disfarçada de imitar as mulheres: pelos tênis.
Homem nunca exibe um só par de tênis. Acabou com seu passado franciscano. Ele deu para colecionar. Não termina de consumir.
A diferença é que ele não procura os mais baratos. Quanto mais caros, melhor. Age na contramão da economia, do custo-benefício. Vem gastando o seu salário com o fetiche, muito mais do que mulheres gastam com os sapatos.
Vejo amigos desfilando diariamente com tênis novos. Não repetem o par na manhã seguinte. De tão comuns e recorrentes que são as estreias, perdeu a graça batizar com uma pisadinha.
Eles não se contentam, como nas décadas de 1960 e 1970, com um monotemático, para simplesmente andar, permanecendo com ele de modo insanamente exclusivo e fiel, até furar a sola, até estrebuchar a língua, até corroer os cadarços. Atingiram o patamar da compulsão: querem ostentar.
O homem é hoje a Imelda Marcos dos tênis.
Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado
https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/2025/2/14/qual-a -maior-compulsao
No texto "Qual a maior compulsão?", observe o trecho: "Beatriz sofre para se desfazer de um modelo único e insubstituível, ao qual se afeiçoou ao longo do tempo, confortável em seus dedos e leal aos obstáculos dos mais complexos pisos."
Com base na análise de vícios de linguagem, é correto afirmar que o trecho apresenta:
 

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