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4165696 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: CMVM
Orgão: CMVM

TEXTO II

Quem tem medo de quê?

Eu vou contar pra você o que é meu maior segredo. Há uma coisa no mundo que me mete muito medo!

Não tenho medo de pai, nem de mãe e nem de irmão. Mas eu tenho muito medo do barulho do trovão.

Do trovão? Mas que bobagem! Que medo mais infantil! Quando o trovão faz barulho o raio até já caiu... (...)

Sabe do que eu tenho medo? Que me dói o coração? Até me arrepia a espinha... Tenho medo de injeção!

Ah, injeção eu não gosto, mas não fico apavorada. Existe só uma coisa que me deixa até gelada...

Do que eu tenho muito medo, que me deixa num apuro... É uma coisa meio besta: é ter de ficar no escuro...

Que medo mais bobo o seu! É verdade, eu asseguro, que é só acender a luz e pronto! Acabou-se o escuro!

O medo maior que eu tenho, o que me causa pavor, é de pensar em vampiro. Vampiro me causa horror!

Vampiro não me dá medo... Acho que nunca senti... Tenho medo do que existe, e não do que nunca vi.

Mas existe uma coisinha... Eu de medo até me encolho! Eu tenho um medo danado mas é de pegar piolho.

Piolho é um bichinho à-toa... Não complica nossa vida. É coisa que a gente cura com sabão e inseticida!

Agora, mais perigoso pra mim, até que leão, tenho medo é de cachorro, cachorrinho ou cachorrão!

Cachorro eu até que gosto. Na minha casa tem três. Agora, o que eu tenho medo eu vou contar de uma vez.

Não tenho medo de nada(A)! (...) Mas apesar de valente(B) tenho medo de avião!

É mais pesado que o ar e tem motor de explosão... Mas apesar disso tudo, eu não tenho medo, não(C)!

Mas (...), pato, galinha, (...) tudo que é bicho de pena me põe de cabelo em pé!

Pelo que vemos, pessoal(C), ter medo não é vergonha. Todo mundo tem um medo(D), que a gente nem mesmo sonha.

Mas eu vou andando agora. Não temo bicho, nem homem! É que está chegando a hora de aparecer lobisomem...

ROCHA, Ruth. Quem tem medo de quê? São Paulo: Salamandra, 2012. Adaptado.

No texto II, há vozes que dialogam sobre o medo: uma delas comenta por que não se assusta diante daquilo que faz a outra tremer para, logo em seguida, confessar seu medo motivado por outras razões. O verso que exprime o que essa contraposição revela é

 

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