Relatório da Unesco mapeia desafios do uso da tecnologia na educação
A Unesco lançou em 26 de julho de 2023 o Relatório de Monitoramento Global da Educação, intitulado “A tecnologia na educação: uma ferramenta a serviço de quem?”, que, pela primeira vez, aborda o tema da tecnologia no ensino. O documento reúne dados e análises que dialogam com a proposta do MEC de implementar um programa de conectividade para cerca de 138 mil escolas públicas, visando enfrentar a desigualdade de acesso à internet. No Brasil, 62,3% das escolas públicas urbanas têm banda larga, contra apenas 37,7% das rurais, segundo o Censo Escolar 2022 e o Nic.br. Globalmente, cerca de 85% dos países possuem políticas de conectividade, mas ainda faltam recursos: apenas 40% das escolas primárias, 50% das de ensino fundamental II e 65% das de ensino médio estão conectadas.
O relatório ressalta que o direito à educação, hoje, se relaciona ao direito à conectividade, mas alerta que o uso inadequado da tecnologia pode enfraquecer a autonomia, o pensamento crítico e a curiosidade, habilidades fundamentais no mundo do trabalho. Além disso, a inteligência artificial pode ampliar desigualdades se a escola não considerar ritmos e estilos diferentes de aprendizagem. Também aponta que o simples acesso à internet não garante melhorias: no Peru, a distribuição de mais de 1 milhão de laptops não elevou os resultados de aprendizagem. Não basta assegurar o acesso à internet e a aparelhos eletrônicos; é preciso garantir que eles sejam incorporados às atividades pedagógicas em alinhamento com as necessidades e objetivos estabelecidos pelos professores, sistemas de ensino etc.
Segundo a Unesco, é necessário que a tecnologia seja incorporada de forma pedagógica e alinhada aos objetivos educacionais, com foco nos resultados e não apenas nos recursos. Ela pode promover inclusão e acessibilidade para estudantes com deficiência, embora os materiais específicos sejam caros e cheguem a poucos. O relatório mostra, ainda, que tecnologia simples pode ser eficaz: na China, aulas gravadas para 100 milhões de alunos rurais elevaram os resultados em 32% e reduziram a desigualdade salarial entre áreas rurais e urbanas em 38%. Por outro lado, ferramentas como o ChatGPT podem gerar desinteresse dos estudantes em realizar pesquisas próprias
e buscar soluções de forma autônoma, simplificando excessivamente o processo de aprendizagem.
No trecho do relatório da Unesco apresentado, há diversos mecanismos linguísticos que garantem a progressão temática e a coesão textual, como na seguinte passagem:
“Não basta assegurar o acesso à internet e a aparelhos eletrônicos; é preciso garantir que eles sejam incorporados às atividades pedagógicas em alinhamento com as necessidades e objetivos estabelecidos pelos professores, sistemas de ensino etc.”
Indique o que se afirma corretamente sobre o papel coesivo e a função do pronome “eles” no referido trecho.