Em discussões contemporâneas sobre ensino de línguas adicionais, “quadros comuns de referência” (como o elaborado na Europa para línguas modernas) têm sido tomados como instrumentos para descrever níveis de proficiência, orientar currículos e apoiar processos avaliativos. No campo da Linguística Aplicada voltada ao ensino de Libras como segunda língua, a construção desse tipo de instrumento teve e tem seu impacto.
Nesse contexto, dadas as afirmativas,
I. A perspectiva orientada para a ação dos “quadros comuns de referência”, ao descrever o que o usuário de línguas “é capaz de fazer” em diferentes domínios de uso, pode ser apropriada pela Linguística Aplicada para o ensino de Libras, desde que os descritores sejam reinterpretados à luz das práticas visuais-espaciais e dos gêneros e contextos discursivos próprios das comunidades surdas.
II. A crítica da Linguística Aplicada à padronização universal da proficiência linguística implica que quadros de referência como o Quadro Comum Europeu de Referência para Línguas (QCER/CEFR) são, em essência, incompatíveis com o ensino de Libras como L2, pois esvaziam as especificidades culturais e identitárias das línguas de sinais, em favor de um modelo homogêneo de competência.
III. A ampliação do CEFR, em documentos como o Companion Volume, ao incorporar descritores de mediação, competências plurilíngues e pluriculturais, abre espaço teórico para que pesquisas em Linguística Aplicada discutam o ensino de Libras em currículos bilíngues, articulando diferentes repertórios linguísticos e modos de significação.
IV. Uma leitura aplicada ao ensino de Libras, coerente com a LA crítica, tende a conceber o CEFR menos como lista fixa de níveis a ser reproduzida e mais como metalinguagem negociável para formular descritores locais, inclusive para avaliação de desempenho em tarefas de interpretação, de mediação intermodal e de atuação em contextos educacionais específicos.
verifica-se que está/ão correta/s